sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Gaditas: eles são pela guerra

Gaditas: eles são pela guerra



Várias igrejas evangélicas, inclusive algumas metodistas, têm destacado textos bíblicos que citam a antiga tribo dos gaditas como inspiração para a espiritualidade dos dias de hoje. É importante, no entanto, conhecer a história da tradição dessa tribo.





O adjetivo gadita vem do nome Gad, uma palavra semítica ocidental. No Antigo Testamento, a raiz gd foi usada com dois significados:

1) Como nome próprio: Gad era um dos filhos de Jacó e Zelfa (Gn 30,10-11), que viria a dar o nome da tribo de Gad, que se estabeleceu a oeste do rio Jordão, cuja extensão ia do rio Arnon até ao sul do lago Quinerete (Tibérias). Localizada fora de Canaã, essa tribo estava em constante conflito com os povos fronteiriços. Daí as suas qualidades guerreiras, exaltadas nas bênçãos de Jacó (Gn 49,19) e de Moisés (Dt 33,20-21).

2) Gad também tinha o significado de “fortuna” ou “sorte”. Alguns estudiosos sugerem que o termo gad tem seu significado nas palavras de Lia: E disse Lia: bagad, Afortunada! E chamou o seu nome Gad (Gn 30,11; conforme Is 65,11).



O uso da palavra gad com o sentido de afortunado era, provavelmente, o mais corrente. No âmbito secular, a palavra gad é usada como uma interjeição, ou seja, uma expressão para demonstrar um sentimento, como “Que sorte!”, conforme Gn 30.11. O autor deste texto fornece um valioso testemunho que pode apontar p ara o significado mais correto e original desta palavra que é sorte. Nesse caso, a palavra gad perde toda a força teológica. A sorte, segundo a Bíblia, não tem muito a ver com a ação de Deus.



Uso religioso da palavra Gad.

Gad é um deus cananita. O livro de Isaías menciona o nome gad referindo-se a uma divindade. Mas quanto a vós que abandonais a Javé, que vos esqueceis do meu monte santo, que preparais uma mesa para gad, que ofereceis misturas em taças cheias a Meni (Is 65,11).

Gad era também o nome de um profeta. Antes de se tornar rei de Israel, um profeta com o nome de Gad atuou condenando o censo do povo (2Sm 24,10-17; 1Cr 21,7-17), recomendando a construção de um altar (2Sm 24,18-25; 1Cr 21,18-32) e participando da organização do culto levita (2Cr 29,25-29).



O significado teológico de Gad.

Há, possivelmente, duas possíveis vertentes do significado de gad que passaram para a história bíblica. Provavelmente, a palavra gad ganhou relevância em vista do seu significado, sorte. É sabido que o conceito de prosperidade, como sucesso financeiro, trouxe preocupação aos profetas bíblicos. Essa idéia exerceu uma forte pressão na teologia bíblica, conforme as preocupações do profeta Jeremias (12,1-6) e do salmista (Sl 49). Vivendo entre povos que acreditavam na manipulação dos deuses, para obter sucesso e prosperidade na vida, os líderes israelitas tiveram grandes dificuldades para instruir o povo sobre a inutilida de dessa crença, entre os israelitas.

Entretanto, o significado de guerreiro é, certamente, a caracterização que mais exerceu pressão junto ao povo, no período pós-exílico. Essa caracterização tem sua base na “bênção de Jacó” (Gn 49,19). Todavia, na “bênção de Moisés”, a fama de tribo “guerreira” deixa de ser, assim, caracterizada, e passa a ser “forte e destemida” como uma leoa: E para Gad ele diz: Bendito aquele que dá espaço a Gad! Como uma leoa, ele habitará; E destroçará o braço e o alto da cabeça. E ele verá as primícias para si. Eis que! Lá estava escondida a porção do legislador, E ele veio a ser cabeças do povo, A justiça de Javé ele fará, E os seus julgamentos (para) com Israel (Dt 33,20-21). Na “bênção de Moisés”, a tribo de Gad perde o nome de guerreira, mas não deixa de ser valente na defesa dos seus interesses. Sua luta tem a ver com a justiça do Senhor, isto é, ação de Deus que salva e traz bem-estar para o povo.



A re-significação do nome Gad no período grego.

Apesar da tribo de Gad ter desaparecido, a tradição gadita renasceu no período pós-exílico, na Obra Historiográfica do Cronista, que reúne os seguintes livros: 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias. Esta é uma obra de redação tardia que dá elevado destaque a Davi. Vivendo num cenário totalmente desfavorável – seja político e econômico ou social e religioso – os judeus concentravam os seus sonhos no messias forte e guerreiro para superar todas as adversidades impostas pelos gregos. Davi é “homem de Deus” (2Cr 8,14), modelo de fidelidade (2Cr 7,17).

Carecendo de valores materiais e força espiritual para superar as limitações, o Cronista re-escreveu a história de Israel até os dias de Esdras. É tempo de buscar e valorizar os grandes nomes do passado: a figura de Aarão é resgatada e transformada em símbolo dos sacerdotes e Davi é transformado no ideal do homem piedoso. Isso incentivou os defensores da guerra a buscarem, no passado, a indomável figura dos guerreiros gaditas. Partidário dessa idéia, o cronista assim escreveu: Eram heróis valorosos, homens de guerra prontos para combater que sabiam manejar o escudo e a lança. Tinham o aspecto de leões e, quanto à agilidade, pareciam gazelas das montanhas... Esses eram filhos de Gad, chefes de batalhão; um correspondia a cem, se fosse pequeno; a mil se fosse grande... (1Cr 12,9-16).



Conclusão

Na literatura do Antigo Testamento (e também no Novo Testamento), a tribo de Gad não desempenhou um papel significativo na história e na teologia bíblica. Apesar de ser qualificada como uma tribo guerreira (Gn 49, 19), Gad foi derrotada pelos amonitas, em meados do século IX AC, desaparecendo-se do cenário histórico.

A razão pela qual o Historiador Cronista resgatou a figura dos gaditas pode ser vista de vários ângulos. No período pós-exílico também foi recuperada a figura de Aarão. Seus descendentes assumiram o controle do Segundo Templo. Contudo, é fundamental que o intérprete da Bíblia leve em consideração pelo menos dois detalhes esclarecedores: (a) A editoração da Obra Historiográfica do Cronista deu-se, provavelmente, no século III aC. (b) Dentro de sua hermenêutica, a vitória do povo de Deus viria somente através de uma batalha que incluía, entre outros elementos, a força espiritual. É sabido que Israel não mais se ergueu como nação.

Destaco que nessa mesma época um crente javista escreveu uma poesia que se transformou num hino dos peregrinos que iam periodicamente às festas, em Jerusalém. Há muito que habito com o que odeia a paz. Eu sou pela paz.... Eles são pela guerra (Sl 120,6-7). Diante da opção pela volta dos guerreiros, como os gaditas, o livro de Salmos registra esta opinião contrária: Eu sou pela paz.... Eles são pela guerra.

A sociedade e parte das comunidades evangélicas estão produzindo nos jovens uma mentalidade de sucesso a todo custo, com forte incentivo à violência. Será que a idéia dos “guerreiros gaditas” é o melhor modelo de espiritualidade para os dias de hoje? Os evangelhos silenciam sobre a opção “gadita”.



Texto adaptado da pesquisa feita pelo pastor Tércio M. Siqueira, professor da área de Bíblia, da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Brotando esperança na semente da unidade

Brotando esperança na semente da unidade



Aconteceu noite de 24 de outubro, na 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Belém, no Estado do Pará, a celebração da Primavera para a Vida. A Campanha Primavera para a Vida é promovida nacionalmente pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, desde 2001, abordando temas de relevância para a reflexão e ação das igrejas e arrecadação de fundos nacionais que apoiarão projetos sociais de entidades e organizações populares. O tema deste ano foi Direitos e Justiça.


A celebração contou com a participação de irmãos e irmãs das igrejas Presbiteriana Independente, Católica, Anglicana, Presbiteriana Unida, Metodista, Quadrangular e Assembléia de Deus. Também marcaram presença as representações do Instituto Universidade Popular (UNIPOP), Movimento Evangélico Progressista (MEP), Associação Amazônica de Ciências Humanas e da Religião (ACER), Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Pastoral da Juventude (PJ) e Pastorais Sociais.


O ambiente estava colorido por girassóis, flor que simboliza a Campanha. As pessoas que chegavam na igreja eram acolhidas com muito carinho. Guardamos no coração as músicas que aprendemos com a equipe de louvor. Na abertura, o Revdo. Cláudio Lísias, pastor da igreja que recebeu o encontro, falou que a Campanha Primavera para a Vida é uma oportunidade de lançarmos sementes que transformarão as vidas das pessoas para melhor, em todos os aspectos. A partir destas palavras inspiradoras, toda a celebração foi um grande chamado para que todos e todas venham semear a esperança de justiça, direitos humanos e paz para o mundo.


No Ato Penitencial, Thiago Reis, da Pastoral da Juventude, lembrou que a PJ, em conjunto com várias entidades, promovera o Dia Nacional da Juventude com a temática “Contra o extermínio da juventude, na luta pela vida!”. Enquanto igreja de Cristo, pedimos perdão por não garantirmos a vida e os direitos de nossa juventude, o que coloca o Brasil em 5º colocado entre os países com as maiores taxas de homicídio juvenil no mundo. Na certeza de sermos envolvidos/as pela misericórdia do Nosso Deus, saímos comprometidos/ as com as lutas e causas da juventude contra a violência e pelo direito à vida.


A estudante de teologia Viviane Salgado fez a leitura do Evangelho de Mateus, capítulo 25, versículos 31 a 46. Neste texto, momentos antes de ser entregue aos seus torturadores, Jesus fala aos discípulos sobre como Deus faz justiça e como podemos cooperar. Foi muito tocante a citação poética do Revdo Leobran, da 2ª IPI de Belém, embalando a música “Que estou fazendo se sou cristão”, de autoria de João Dias de Araújo. Em seguida, Revdo. Marcos Barros, anglicano, e o Revdo. Cláudio Lísias aprofundaram os ensinamentos e reflexões que o texto nos trás.


No final da celebração, a Elaine, da juventude da IPI, chamou a todos e todas para trocarem sementes de girassol e abraços de paz. A celebração culminou numa grande roda de irmãos e irmãs cantando “Deus chama a gente pra um momento novo...”. No final, partimos para o “3º sacramento”, como carinhosamente é chamado o cafezinho de confraternização na IPI de Belém.

Fonte: www.redecaic. blogspot. com


Tony Vilhena

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Movimento dos Metodistas Confessantes




Quinta-feira, 24 de setembro de 2009



Reverendíssimos e reverendíssima bispos e bispa.



Somos um grupo formado por aproximadamente cento e cinquenta cristãos metodistas, leigos e leigas, clérigos e clérigas, de todas as Regiões Eclesiásticas e Missionárias, unidos no propósito comum de refletirmos sobre nosso papel como metodistas diante dos desafios espirituais e políticos que se nos apresentam nos dias atuais.

Reunimo-nos através da troca de mensagens eletrônicas a respeito das mais recentes questões que desafiam o metodismo brasileiro e a partir de então analisamos a atuação da Igreja Metodista em todas as áreas, tanto em ambiente eletrônico (internet) como presencialmente, com o objetivo de valorizarmos a herança wesleyana e a prática metodista histórica em nosso seio.

Através do documento anexo, chamado “Movimento dos Metodistas Confessantes – Identidade Confessante: Consolidar, Avançar e Agir” apresentamos os principais pontos que norteiam nossa reflexão e nossa atuação.

Colocamo-nos à disposição dos bispos e bispa e continuamente oramos pelo bem de todos nós e pelo bem da Igreja Metodista.
Rede Metodista Confessante.


Movimento dos Metodistas Confessantes

Identidade Confessante: Consolidar, Avançar e Agir.

1. Valorizando a Identidade Metodista.

O movimento de metodistas organizado na Rede Metodista Confessante é um desafio imenso, primeiramente porque tomamos de empréstimo o testemunho da Igreja Confessante, movimento dos e das que não se dobraram à aquiescência da Igreja Evangélica da Alemanha ao nazismo. (Saiba mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Confessante). Portanto, o principal critério de participação nesse movimento brasileiro deve ser o da disposição ao testemunho.

Dar testemunho em tempos de autoritarismo e de recusa à transparência, implica declarar que “Deus é Luz e não há nEle treva alguma”. Implica assumir o princípio republicano de que tudo o que não for compatível com a luz do dia atenta contra o interesse geral. Implica denunciar o obscurantismo não apenas como fanatismo, sua face mais declarada e menos perigosa, mas, principalmente, como a proibição do dissenso. Na afirmação do/a outro/a; do dissenso como necessário à saúde do corpo eclesial e na recusa a reduzir o/a outro/a a espelho de nós mesmos; firmamos nossa unidade.

Nisso cabe a expressão do bispo brasileiro Paulo Ayres Mattos: “A noção de equilíbrio, concebida pelo metodismo histórico, nada tem a ver com a balança com os pesos justapostos. Tem a ver com o trapézio e a corda do circo – o equilíbrio não como ponto de descanso, de segurança, mas de tensionamento permanente e contínuo, de movimento e criatividade”.

No sermão 120, John Wesley deixa evidente esse “tensionamento” quando pergunta:” Mas será que somos verdadeiros com relação aos nossos próprios princípios? Por enquanto não usamos fogo ou varas. Não perseguimos até à morte aqueles que não concordam com nossas opiniões. Graças a Deus, as leis do nosso país não permitem isso; (...)”. Fica aí evidente o reconhecimento de Wesley sobre o caráter (ou falta) de certos cristãos metodistas e a indicação que ele não jogava as coisas para baixo do tapete eclesial.

Outro desafio desse Movimento Confessante deve-se à nossa proposta de voltar ao “útero” do metodismo histórico. Ou seja, “redescobrir” quem nós fomos e quem somos hoje. Isso pode nos surpreender de duas maneiras: 1) Poderemos descobrir que estamos na Igreja errada; que por não conhecermos a História do Metodismo vivíamos um engano; ou 2) Poderemos descobrir o quanto estamos distantes de nossas raízes espirituais e missionárias.

Para dar uma amostra do que poderemos descobrir fazemos uso das palavras de Duncan Reily: “Talvez a primeira coisa a estabelecer é que o Metodismo faz parte integrante do movimento protestante. Somos herdeiros da Reforma, mediante a Igreja da Inglaterra, cujos Trinta e Nove Artigos formam a base dos Artigos de Religião do Metodismo e cuja liturgia (O Livro de Oração Comum) exerceu muito mais influência na liturgia metodista do que muitos metodistas imaginam. Segundo Duncan Reily, podemos dizer que o Metodismo aceitou as três colunas principais da Reforma, a saber:
— A autoridade das Escrituras,
— a Justificação pela Fé
— e o Sacerdócio Universal dos crentes”. E Reily completa: “Tendo dito isso, temos que notar que, pela ênfase wesleyana na Santificação e Perfeição Cristã, o Metodismo também tem uma afinidade básica com o Catolicismo.” (In Revista Em Marcha: História da Igreja. Extraído das lições de nº. 15, 16 e 17).

No mesmo estudo Reily aponta cinco chaves para compreender nossa Herança Metodista:
1. A experiência religiosa de Aldersgate;
2. A evangelização;
3. O povo
4. A ênfase na santificação/perfeição cristã;
5. A ênfase missionária do metodismo wesleyano.

Localizar a evidência ou ausência desses cinco elementos da tradição no metodismo atual e refletir sobre as implicações missionárias e institucionais, sãos alguns dos objetivos dos/as Metodistas integrados à Rede Metodista Confessante.

Com a finalidade de corrigir as confusões dos pregadores e seguidores Wesley escreveu As Marcas de um Metodista; na página 2 ele diz: “Não desejamos ser também reconhecidos por ações, usos e costumes que sejam de natureza inconseqüente. Nossa religião não consiste na maneira em que nos vestimos, na postura do nosso corpo ou no cobrir de nossa cabeça; nem ainda em abstermo-nos do casamento, do comer carne ou bebidas, que são todas as coisas boas, se recebidas com ações de graça.“

Divulgar os documentos de Wesley, desafiar o estudo de seus sermões; unir e reunir o Povo Chamado Metodista em encontros fraternos será uma das atividades da Rede Metodista Confessante. Juntos/as vamos consolidar, avançar e agir. Junte-se à Rede!


2. Convite à união

À luz do protestantismo promotor da razão e da crítica - protestantismo esse que orientou John Wesley; convidamos homens, mulheres, jovens e juvenis Metodistas do Brasil a se juntarem ao Movimento Metodista Confessante a fim de que juntos/as possamos enfrentar com “equilíbrio” as “tensões” que precisam ser encaradas de frente; considerando inclusive que essas “tensões” não provêm apenas de causas internas e nacionais mas, inclusive, das transformações e dos desvios ocorridos no protestantismo mundial.

Nós, metodistas, sempre fomos do dissenso na experiência, do pluralismo no pensar e deixar pensar, mas nos reconhecíamos intensamente na vida comunitária e na disposição de caminhar juntos/as. Somos de origem diferente na mesma Igreja que nos acolheu um dia: pietistas, puritanos, crentes pentecostais, carismáticos, da tradição litúrgica, da transformação social, da denúncia profética, do trabalho pela justiça no mundo.
Recuperar o dissenso na experiência e a unidade (diferente de hegemonia) na vida comunitária e nos propósitos de ser Igreja é a principal motivação da Rede Metodista Confessante. Não temos dificuldade em caminhar junto com irmãos/ãs metodistas de experiência de fé diferente da nossa. É chegado o tempo de percebermos, de uma vez por todas, que as divisões e cortes dentro de nossa Igreja não decorem das questões relacionadas às formas como cada indivíduo expressa sua espiritualidade. Mas, por nossos compromissos íntimos ou pela ausência deles. É importante entendermos que o contrário de intolerância não é tolerância, mas, respeito ao diferente, seja ele ou ela quem for.

Se não conseguirmos testemunhar o mínimo de união e respeito mútuo dentro de casa cristã, como pensar em sermos “sal e luz” no mundo?

3. No cristianismo todos sãos sacerdotes e sacerdotisas

Ao passo devemos tolerar as diferentes expressões de fé dentro de nossa igreja e fora dela, é preciso sermos intolerantes com todas as formas de oportunismos, corrupções, desonestidades, autoritarismos e personalismos que permeiam as estruturas eclesiásticas. A esperteza mundana, a apropriação do espaço público da Igreja como ambiente particular de mando e manipulação; o domínio do aparato eclesiástico para fins escusos e para a censura ao diferente, precisa deixar de ser referendada pela nossa ingenuidade. Refletindo sobre o papel da juventude Tamara L. Walker diz: “... os sistemas sociais e políticos definem liderança em termos de 'auto-serviço' individual, status e poder. E nós nos conformamos com essa idéia dominante e dominadora de liderança.” (No artigo Papel de liderança da Juventude hoje. In: Juventude: ressuscitadora de Esperança - Caderno de Formação para Missão, p.14).

Nós, Metodistas Confessantes (e Metodistas mundiais), cremos que todos/as são ungidos/as por Deus; que o sacerdócio é universal para todos/as os/as crentes e que, portanto, não há entre nós, maiores nem menores. Conseqüentemente rejeitamos a idéia equivocada que há, entre nós, “autoridades incontestáveis”; aliás, esse é um dos pontos que nos difere de outros grupos religiosos. Quando certas “autoridades” tomam para si o trono de Jesus e delimitam para os demais a condição de suas “ovelhas” ou “discípulos/as” e admoestam com textos bíblicos isolados: “Aí daqueles que se levantarem contra os ungidos do Senhor!”; havemos de ter senso crítico e maturidade espiritual para analisar com profundidade os textos bíblicos e, mais ainda, devemos com toda “autoridade” dada por Deus e referendada por nosso serviço e testemunho de vida, reagirmos e denunciarmos tais atitudes, porque elas contradizem o entendimento de autoridade revelado por Jesus e assumido por sua Igreja aqui na terra. Ilumina-nos a jovem Tamara L. Walker da Igreja Metodista Unida: “Podemos escolher negociar nossos valores, e até perder nossos valores culturais. Podemos aceitar a cultura e os valores dominantes. Ou podemos cavar fundo na base dos ensinamentos bíblicos e viver uma liderança libertadora.” (No artigo Papel de liderança da Juventude hoje. In: Juventude: ressuscitadora de Esperança - Caderno de Formação para Missão, p.14).

Nós, Metodistas Confessantes, entendemos que é necessário recuperar a Igreja como comunidade “terapêutica”, espaço que propicia a acolhida e colabora para a conversão das pessoas e das estruturas sociais; comunidade que crê no poder do Evangelho de transformar pelo amor, graça e pela responsabilidade. Nossa Igreja brasileira tem perdido essa noção de ser Igreja. Por outro lado, assistimos a banalização do perdão a líderes inescrupulosos em sessões espetaculares na TV, com holofotes, choro e palmas da platéia. O artificialismo não muda a vida das pessoas. A graça não é barata, nem é tesouro da igreja, dizia o pastor Confessante Dietrich Bonhoeffer. (Livro: Discipulado, p. 9.)

Temos deixado de nos assumir como “sacerdotes e sacerdotisas”; e muitas vezes, nos colocado nos papéis de ovelhas cegas e, por isso, medrosas, obedientes e seguidoras de toda sorte de doutrina e de “falsos pastores”; alguns dos quais afirmam, sem corar a face, que “ovelha desobediente quebra-se a perna para que aprendam a ajoelhar e comer na mão de seu pastor”. No sermão número 1 Wesley diz: Sendo salvos da culpa, os homens são também salvos do temor. Não, em verdade, do filial temor de conceber qualquer ofensa, mas do medo servil que escraviza;...” No protestantismo mundial há “escravos” ludibriados por mega-projetos missionários, mega-igrejas, mega-shows evangélicos, etc.; por confiarem cegamente nos “nos ungidos” submetem-se a eles como se o fizessem ao próprio Deus.

O Pastor Metodista José Carlos Barbosa diz: “Nós, os protestantes, temos uma sensível predisposição de olhar com mais simpatia para as denominações consideradas evangélicas, mesmo que sejam portadoras das mais estapafúrdias 'teologias'". (Trabalho sobre eclesiologia, apresentado no Concílio Regional da 5ª. RE, realizado em novembro de 2005). O Pastor Confessante Bonhoeffer faz um alerta: “Teremos de nos considerar como co-responsáveis na formação histórica, de caso em caso e em cada momento, tanto como vencedores como derrotado”. (Livro: Resistência e submissão, p. 20.).

Carlos Mesters, frei e biblista brasileiro, ao analisar a caminhada dos nossos irmãos e irmãs do passado diz o seguinte: “Caindo e levantando, o povo foi andando, procurando ser o povo de Deus e buscando atingir para si e para os outros os bens da promessa divina. Muitas vezes, porém, esquecia o chamado de Deus e se acomodava. Em vez de servir a Deus, queria que Deus servisse ao projeto que eles mesmos tinham inventado. Invertiam a situação. É nestas horas que surgiram os profetas para denunciar o erro e para anunciar de novo a vontade de Deus”. (Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo, p. 21.).

Se e quando assumirmos nossa condição de sacerdotes e sacerdotisas, vamos eventualmente, descobrir a nossa função profética dentro e fora de nossa igreja.

4. As Instituições Metodistas devem ser Meios da Graça

Num tempo marcado pela realidade social e religiosa carente de transformações Wesley tentou explicar o por que, no seu entendimento, Deus havia levantado os pregadores metodistas. A frase deve ser recuperada na sua inteireza: “Não para formar uma nova seita; para reformar a nação, em especial a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra”.

Nós, Metodistas Confessantes, cremos que é essencial não deixarmos que nas comunidades, seja suprimida a mesa da Santa Ceia, aberta a todos/as cristãos/ãs a começar pelas crianças. Essa é a face mais pública da nossa abertura como Igreja e de nossa recusa a sermos seita. Na mesma direção, não podemos perder de vista a razão missionária de nossas instituições educacionais. Há autoridades que desejam tornar a Igreja Metodista numa “mega-igreja”; mas pouco se ouve falar missão como serviço aos pobres que seria a face mais visível do esforço para impedir que nossa igreja seja uma “seita grande”.

Como Confessantes, jamais devemos deixar que reduzam o significado da rede de universidades, centros universitários, faculdades e colégios; pois está aí a qualidade e potencialidade para se exercer influência social e testemunhar o Evangelho e as crenças metodistas. As instituições de ensino (apesar dos problemas administrativos e financeiros atuais) são as mais consolidadas, qualificadas e influentes entre todas as igrejas evangélicas do país e devem ser vistas como “instrumentos/vasos” missionários e não como “negócio”.

A educação para nós, metodistas, é meio de graça; porque a educação propicia a libertação das pessoas em várias perspectivas, inclusive e especialmente, da miséria. As Instituições Metodistas também ajudam nossa Igreja a não se comportar como seita. Elas são espaços de arejamento intelectual e de capacitação permanente de lideranças para a Igreja e para a sociedade. Porém há alguns anos, dirigentes da Igreja têm estabelecido uma relação venal entre a Igreja Metodista e as instituições de ensino. Em vez de mantenedora, a Igreja Nacional e algumas regiões, são por elas mantidas. Em vez de ofertar no altar, colhem mensalidade de estudantes. Em vez de as instituições de ensino serem agências missionárias, são, muitas vezes, espaços de promiscuidade e favoritismos; e isso explica parte das crises atuais.

Paul Tillich, um dos teólogos que deixou marcas profundas no século XX, definia o falso profeta como aquele que, vendo um muro com rachaduras decide pintá-lo e dá-se por satisfeito. A Bíblia adverte-nos sobre os perigos dos sepulcros caiados. Entre nós, confessantes, o princípio bíblico e doutrinário do Sacerdócio Universal de todos/as os/as crentes é o antídoto contra o que desvia nossa Igreja Metodista dos meios visíveis da graça e também contra o culto à personalidade promovido por alguns líderes de nossa Igreja, que se comportam como “gurus” espirituais e reduzem a participação leiga à obediência cega. Só encontramos um nome para isso: Abuso espiritual. A distinção no comportamento dos que ocupam cargos de caráter religioso deve ser rigorosamente mais elevada que os de caráter secular; quando não o é, fica implícito o “abuso de um poder sagrado”.

De igual modo e de grande importância, destacamos e defendemos a presença pública e missionária da IM através de suas entidades e instituições sociais que exercem uma articulação entre atos de piedade e obras de misericórdia, que se integram em redes de movimentos sociais em favor de pobres e oprimidos, e de grupos marginalizados e discriminados.

Nesse ano em que o Credo Social chega ao centenário, doutrina social da IM, temos o desafio identificatório metodista para que toda a igreja seja de fato comunidade missionária em serviço com o povo brasileiro e, sentido, todas as instituições eclesiásticas de diversas ordens devem se tornar, mais que aparato e símbolos de poder, devem se tornar fortemente e publicamente servas.

O “poder”, tanto institucional como espiritual só faz sentido se vislumbrar o “serviço” fecundo, respondendo de forma integral as carências presentes em nossa sociedade brasileira; inclusive as carências educacionais.

5. Poder é serviço

O sentido do Sacerdócio Universal de todos/as os/as crentes deve ser antídoto também para a tentação ao governo eclesial despótico. É preciso relembrar que o metodismo é conciliar, conexional e até episcopal; nessa ordem. Em muitos lugares mundo afora o metodismo não é episcopal (Inglaterra, igrejas do esforço missionário inglês e outras como a do Uruguai) ao contrário, mas defende o princípio de que o poder na Igreja é exercido a partir dos concílios e que as igrejas devem viver em conexão. Não é o episcopado que une o metodismo universal, mas a missão e o serviço. Nos países em que compusemos Igrejas Unidas a primeira coisa de que aceitamos abrir mão foi do episcopado: Canadá, Índia, Japão, etc.

Vale lembrar que o próprio Wesley era contra o regime episcopal. A adoção desse regime aconteceu à sua revelia nos Estados Unidos, através do sistema do voto conciliar; que era e continua sendo o lugar de mudanças.

Algumas vozes afirmam que o 18° Concílio Geral recente tornou o episcopado mais forte. O que faz uma instituição ser forte são as pessoas que a encarnam e os sinais que ela deixa na sociedade. O episcopado não é palavra mágica que tornará forte quem é fraco ou tornará exemplar quem tem conduta reprovável.

Deve chamar-nos atenção a idéia de episcopado vitalício que há muito ronda nossos Concílios. O 18° Concílio resolveu de forma leniente e culposa dar, a bispos sem voto, o título de bispos honorários. Obviamente não negamos o reconhecimento aos bispos que foram intitulados, o que chama atenção é que hoje na Igreja Metodista brasileira, parece vergonhoso ser pastor, humilhação voltar à igreja local; quando tudo deveria se legitimar a partir da igreja local. Em vez de bons pastores após um tempo de episcopado, na legítima alternância que a vida republicana exige, bispos eméritos ou honorários.

Houve quem saísse a buscar argumentos a um suposto “múnus episcopal”, como se o episcopado para nós fosse ordem, como se crêssemos que desde Pedro, o episcopado tem se perpetuado em linha de sucessão. O Mais interessante é que isso tenha acontecido no mesmo momento em que se rompiam relações com a Igreja Católica.

Lembremos: para nós metodistas a ordem é presbiteral e o episcopado deve ser o humilde exercício extraordinário do presbiterato; é poder para servir, nada mais.

Em carta, Wesley adverte John Trembath um dos pregadores: “... Quer você goste disso ou não, leia e ore diariamente. Isto é para sua vida; não há outro meio, do contrário você se tornará uma pessoa frívola a vida inteira, e um pregador afetado e superficial. Seja justo com sua própria alma; dê-lhe tempo e meios para crescer. Não continue a se matar de fome.” (Seleções das cartas de João Wesley, p.6).

Para o bem da Igreja e da democracia interna, é importante termos uma ordem presbiteral forte, bem formada, valorizada e, no essencial, coesa (diferente de homogênea). Episcopado é condição temporária e especial; e a depender dos abusos do poder e da irrelevância para o caminhar da Igreja, pode vir a ser abolido pelo Concílio, que é o lugar onde leigos/as e clérigos/as, através do voto, fazem as mudanças que julgam necessárias à vida da Igreja. Daí a importância que conheçam com “profundidade” a tradição, os documentos, a estrutura e funcionamento e os propósitos missionários da Igreja Metodista, bem como, possuam uma visão, ao menos parcial, da realidade que cerca as diversas comunidades brasileiras.

6. Os grandes almejam relevância...

Para o Pastor Metodista José Carlos Barbosa “O metodismo entrará em declínio não por ser refutado ou perseguido, mas quando se tornar irrelevante, insensível, opressivo e insípido.” (Trabalho sobre eclesiologia, apresentado no Concílio Regional da 5ª RE, realizado em novembro de 2005).

O declínio do metodismo brasileiro pode ser facilmente evidenciado pelo esforço extremado de crescimento rápido, proposto por alguns líderes, por sua invisibilidade e falta de influência na sociedade brasileira (ainda nos confundem com os adventistas) e pela “sensação” opressiva que paira, mais fortemente desde o 18° Concílio Nacional, sobre ecumênicos/as, teólogos/as e especialmente, sobre os/as não “alinhados/as” ao perfil da liderança nacional.

Opressivo também tem sido a cobrança ao ministério pastoral e igrejas por crescimento a todo custo, criando uma atmosfera de ganho por produção, desestabilizando ministérios e gerando mal-estar psicológico em liderança e suas famílias, por não se alinharem a abordagens estranhas ao anúncio simples do evangelho.

Nesse sentido, a “IM deve tratar-se pelo evangelho e divã de Cristo, de seu “complexo de pequenês” adquirida ao longo dos anos e atualmente diante do crescimento de outros grupos religiosos”. Seu tamanho e qualidade deve ser aferido a partir de uma identidade relevante no país em relação ao Evangelho somente.

“Há na verdade, pouca dúvida, de que o cidadão inglês do século dezoito, de maior importância para o mundo não era um político nem poeta, nem soldado ou marinheiro, mas o pequeno itinerante a cavalo – O grande cavaleiro, como eu o chamaria – que ainda está cavalgando para novas conquistas”; disse em 1928 o historiador J. Ernest Ratlembury ao escrever sobre o Legado de Wesley para o Mundo. (Seleções das cartas de João Wesley; p.5).

O que será escrito sobre os atuais líderes do metodismo brasileiro? Como eles (elas?) têm usado seus cargos, seus títulos e suas posições de poder? Que legado eles e (elas?) deixarão para o mundo?

Se almejarmos ser Igreja discípula de Jesus, sendo sal da terra e luz do mundo, precisamos enfrentar as questões do mundo atual à luz da caminhada de Jesus. É necessária a firme defesa dos Direitos Humanos, contribuindo para “eqüidade” das mulheres, dos negros e dos pobres. E isso, obviamente, só será possível através de intervenções contundentes que garantam que as políticas públicas e o dinheiro subtraído, especialmente dos pobres através dos impostos, sejam de fato, revertidos em prol dos que precisam. Os discursos ideologicamente equivocados, ditos nos púlpitos de nossas comunidades, que afirmam que “os/as crentes não devem se envolver em política”, precisa ser encarado como nítido desvio ou total falta de entendimento do ministério de Jesus aqui na terra.
A entrada triunfal em Jerusalém e sua morte precisa ser lida e relida à luz do contexto brasileiro onde os líderes, políticos e religiosos, exploram o povo sofrido de nossa Pátria. Ser sal e Luz imitando Jesus significa, nesse sentido, inclusive contribuir para a formação política nas comunidades a fim que os membros saibam como fiscalizar e denunciar as corrupções e as injustiças a sua volta, bem como compreenderem a importância do voto na política e na igreja.

Mais que nunca é preciso empoderar (através do voto, mas sobretudo através de reflexões e ações sociais práticas) homens e mulheres que realmente tenham em seus corações o entendimento que a posição de poder na igreja e na sociedade só faz sentido quando tem o propósito de servir e promover à eqüidade; nada mais é que o esforço de aproximar os injustiçados da justiça, os doentes do cuidado, os famintos da mesa... Isso é fazer o Reino aqui na terra como nos céus, tal como Jesus nos ensinou.

7. A mesa é de Cristo

Ao orientar os primeiros pregadores e seguidores/as do movimento metodista Wesley escreve: ”De modo algum, porém, queremos nos distinguir dos cristãos reais – qualquer que seja sua denominação – como também daqueles que, sinceramente, buscam aquilo que reconhecem ainda não possuem. 'Pois quem quer que faça a vontade de meu Pai, que está no céu, este é meu irmão e irmã ou mãe'”. (João Wesley, As Marcas de um Metodista; p.8).

Num mundo em que o mapa das guerras e conflitos armados aponta as religiões organizadas como maior fator de ódio entre os povos, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso estão entre as mais importantes afirmações de busca da Paz. “Eu não acredito na existência de uma espiritualidade que não seja solidária e que não veja na outra pessoa o reflexo de Cristo.” (Richarlls Martins, Igreja Metodista do Brasil, no artigo O mundo é minha paróquia. In: Juventude: ressuscitadora de Esperança - Caderno de Formação para Missão, p. 27).

Somente a crença equivocada de que somos donos da mesa de Cristo e, portanto, mais especiais que os outros, pode explicar nossa intolerância. Por isso Wesley, ao falar das marcas dos metodistas escreve: “... Eu gostaria que toda gente entendesse que eu, e os que me seguem (os Metodistas), veementemente nos recusamos a sermos distinguidos dos outros homens a não ser pelos princípios do Cristianismo – o simples, o velho cristianismo é o que eu ensino, renunciando e detestando a todos os demais sinais que sirvam para a distinção. Qualquer pessoa que seja o que eu proclamo (qualquer que seja a denominação que prefira, pois nomes não mudam a essência das coisas) é um Cristão (...).” (João Wesley, As Marcas de um Metodista; p7.).

O compromisso com o ecumenismo e com o diálogo inter-religioso indica nossa recusa de ser seita; nossa recusa em aceitar que as religiões sejam usadas por líderes políticos/religiosos para fomentar o ódio. Por causa deles, há muita gente no mundo disposta a morrer ou matar em nome de Deus. Por isso, em nosso país devemos estar atentos aos líderes religiosos que pregam e agem contra essas e outras afirmativas para a Paz; como se Deus fosse patrimônio de certos os grupos. Ao falar das Marcas de um metodista Wesley afirmou: “Quanto, porém, a todas as opiniões que não atingem à raiz do cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar, pois quaisquer que sejam, certas ou erradas, não são as marcas distintivas de um metodista, como também não o são palavras ou frases de qualquer espécie.” (João Wesley, As Marcas de um Metodista; p.2)

Não é só a Igreja, instituição, que deve perguntar por sua relevância; cada individuo deverá perguntar que legado deixará nesse mundo.

Quando o missionário metodista Stanley Jones e outros cristãos arriscavam suas vidas para seqüestrar mulheres viúvas que seriam mortas na cerimônia fúnebre de seus maridos, conforme a tradição em determinados lugares da Índia, demonstraram a importância da “rebeldia”. Não podemos ser reféns da cultura, como não podemos ser reféns de um “Mercado religioso” orientado por conveniências de momento. É conveniente que líderes religiosos aceitem pressões moralistas a favor da homofobia, contra o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, contra maçonaria, etc.; quando assim agem, escondem medos pessoais e apequenam-se em seus oportunismos eleitoreiros, cujo desejo primário se evidencia apenas pela manutenção de seus cargos e salários. Procure os/as “Stanleys Jones” da Igreja Metodista brasileira. A presença ou a ausência deles/as é um forte indicativo se estamos, ou não, sendo sal e luz como igreja.

Na mesa que tem Cristo como anfitrião todos são acolhidos com amor, respeito e tolerância. Como discípulos/as somos livres para "não aceitar", mas, tolerância, amor e respeito está além de nossos valores particulares; é peculiar de nossa ética cristã.

8. O Espírito Santo sopra onde quer.

Há outros grupos metodistas, que como nós Confessantes, estão preocupados com o abandono da Identidade Wesleyana. Alguns apontam como evidencia disso a ausência da ordem litúrgica: o louvorzão, (ou karaokê evangélico como brincam os saudosistas) a “pentecostalização” das mensagens e das orações, a forte presença da teologia da prosperidade, a opção pela apresentação do Deus sem graça e a visível manipulação das pessoas através do terror, etc.

Com bom senso, alguns desses grupos têm entendido, como nós Confessantes, que o que se vê nos cultos é resultado da (des)orientação na condução teológica e espiritual da gente honesta que compõem nossas comunidades. Com o discurso gasto que “o culto não é para nós, é para Deus”, vai-se fecundando toda sorte de doutrinas.

Em respeito à fé sincera das comunidades, não nos cabe julgar nem fazer juízo da maneira que cada qual expressa “individualmente” sua espiritualidade. Todavia, devemos reagir com toda firmeza quando uma “forma” vira “modelo” e exigência (velada ou aberta) para todos/as metodistas; e quando pessoas são discriminadas e rotuladas de “frias” e sem o “fogo” do Espírito Santo porque não se enquadram ou não se submetem aos modelos espirituais impostos.

Ao escrever sobre As Marcas de um Metodista Wesley diz: “Nós não prendemos a nossa religião, no seu todo ou em parte, a qualquer modo peculiar de falar ou a qualquer conjunto de expressões extravagantes ou incomuns. Preferimos, antes que quaisquer outras, as palavras mais óbvias e mais simples, para comunicar o que temos a dizer, seja nas ocasiões comuns, seja quando falamos das coisas de Deus.” (As Marcas de um Metodista, p.2).

É oportuno o testemunho de um irmão Confessante da 4ª RE:
“Tenho necessidade dos credos, das antífonas, de muitos hinos, do coral, do café depois do culto. Fico encolhido diante dos abraços forçados pelo dirigente, ou de alguém que resolveu mandar Deus me abençoar com as mãos sobre a minha cabeça. Apavoram-me gritos do pregador, a exaltação do dízimo e das exigências financeiras para vaidade e não para o cuidado do próximo. Falta a referência nas Sagradas Escrituras como medida para a vida; sobra receituário de auto-ajuda no sermão. Sofrido é agüentar as duas horas de louvor, a desvalorização do estudo bíblico e da escola dominical, da visitação e de tudo que lembre a disciplina evangélica.”

Encerramos esse documento com o clamor de Wesley que revela seu esforço para que o Movimento Metodista não se tornasse uma seita; um de seus grandes temores.

“E assim vos rogo, meus irmãos, pelas misericórdias de Deus, que não sejais divididos entre vós. É o teu coração reto para comigo, assim como o meu o é para contigo? Eu nada mais pergunto. Se assim o for, dá-me a tua mão. Não destruamos a obra de Deus por causa de simples termos e opiniões. Tu serves e amas a Deus? Isto é o bastante. Estendo-te a minha mão direita em sinal de comunhão. Se há qualquer consolação em Cristo, se há qualquer conforto no amor, se há comunhão no Espírito, lutemos juntos pela fé evangélica, andando de maneira digna da vocação a que fomos chamados, com toda humildade e mansidão, assim também com longanimidade. Suportemo-nos uns aos outros em amor e esforcemo-nos para manter a unidade do Espírito, no veículo da paz, lembrando sempre que há um só corpo como também um só espírito, pois nossa vocação está em apenas uma esperança: um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que está sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. (As Marcas de um Metodista, p.8).

É sempre bom lembrar: Wesley nasceu e morreu Anglicano.

O Movimento Metodista Confessante é uma Rede de amigos e amigas, jovens e adultos com o objetivo de:

Consolidar idéias e ideais e, através destes Avançar nos propósitos de integração e união entre as Regiões Eclesiásticas; e Agir para a valorização da identidade Metodista.

Junte-se a nós. Crie seu grupo de estudo: Um clube Santo ou quem sabe, um Caminho da Graça, onde pelo menos uma vez por mês você e seus amigos/as se reúnam para comunhão e conhecimento de nossas raízes.

“Perseverai na oração, velando nela com ações de graça. Orai também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou preso. Orai para que o manifeste como devo fazer. Andai em sabedoria para com os que estão de fora, aproveitando bem cada oportunidade. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como deveis responder a cada um.” Colossenses 4. 2-6:

Graça e Paz,
Rede Metodista Confessante
____
Para aprofundar os estudos desse documento Consulte:
BARBOSA, José Carlos. Ele é Pastor Metodista e Coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Metodismo e Educação (CEPEME) IEP/UNIMEP. O texto citado aqui é parte de um trabalho sobre eclesiologia, apresentado no Concílio Regional da 5ª. RE, realizado em novembro de 2005.
BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. [Nachfolge]. 2a. ed. Trad. Ilson Kayser. São Leopoldo: Sinodal, 1984.
REILY, Ducan. In Revista Em Marcha: História da Igreja. Lições nº. 15, 16 e 17. São Paulo: Imprensa Metodista, 1988 - Disponível em http://www.metodistaecumenico.blogspot.com/ - dia 25/03/08).
MESTERS, Carlos. Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo. 4a. ed. Petrópolis: vozes, 1991.
Juventude: ressussitadora de Esperança: Caderno de Formação para Missão. Tradução e Edição Rosângela Soares de Oliveira. Nova Iorque: Junta de Ministérios Globais da Igreja Metodista Unida, 2006 (Resultado da participação de jovens Metodista no Fórum Social Mundial em 2005).
WESLEY. João. As marcas de um metodista. Disponível em: http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/As_marcas_de_um_Metodista.pdf

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O feitiço da serpente


O feitiço da serpente


Desde a primeira fase do 18º concílio surgiram frases como: “A questão ecumênica é apenas a ponta do Ice berg; a questão é poder; os carismáticos querem assumir a Igreja Metodista...” Ora, é preciso começar dar nome aos leões. Não! Aqui não cabe a linguagem inclusiva.

Primeiro, é necessário traduzir o que significa, por exemplo, a questão de poder. Deve-se ir direto ao ponto: É o controle ideológico e o controle financeiro das instituições rentáveis da Igreja. Do contrário, a polêmica advinda dessa suposta “homérica” discórdia já teria levado há tempos à uma divisão. Por que não aconteceu? Por que certos indivíduos resistiriam tanto tempo? Não seria o caso de terem fundado outra igreja, como fizeram alguns?

Segundo, será que os carismáticos devem ser colocados num mesmo saco? Não estariam apenas sendo usados por certos leões raivosos?

Há sim carismáticos anti-ecumênicos, espiritualistas e ávidos pelo poder... Mas há carismáticos sinceros em sua fé e também há carismáticos ecumênicos. Nesses grupos, pode ser que haja pessoas com compreensões bíblicas e teologias díspares dos “intelectuais” e “liberais” da igreja, mas em absoluto, pode-se afirmar que a maioria almeje controlar seus recursos financeiros. Um caminho didático consiste em separar o joio do trigo.

É muito provável que a maioria carismática nem ao menos possua dimensão do que está acontecendo na igreja pós-18º Concílio. As compreensões equivocadas sobre ecumenismo e o desconhecimento acerca dos fundamentos históricos do metodismo, não fazem de todos oportunistas. S aber quem é quem, é um exercício que requer menos preconceito e mais amor.

Oportunismo é que o se assiste por parte de um grupo pequeno - conduzido por uma dúzia ou menos de líderes - que se valeu de um ponto nefrálgico da Igreja para construir um projeto que em absoluto tem a ver com espiritualidade dos carismáticos, com a preservação da tradição da igreja ou algo similar, defendida pelos “tradicionalistas” ou, “liberais” da Igreja Metodista brasileira.

É passada a hora de se analisar a dimensão do encantamento lançado sobre o ecumenismo que tal qual serpente balançando o guiso enfeitiçador, foi usado na certeza de encantar não apenas aos carismáticos desavisados, mas também paralisar toda igreja entorno de uma discussão que apenas esconde os reais propósitos dos “encantadores” de serpente.

Essa tática é comum entre líderes e regimes totalitários. Eles pegam um ponto nefrálgico de uma sociedade ou de um grupo e direcionam os holofotes, deixando à sombra os reais propósitos de suas agendas.

Na história da humanidade, esse feito se repetiu sucessivas vezes. Enquanto muitos se entregaram ao feitiço do que aparecia sob efeito da “luz”, na escuridão alguns brincavam de “deus,” varrendo para dentro de fornalhas corpos que garantiam o show macabro e lhes conferia credibilidade. Credibilidade essa, fruto do encantamento, do medo e do horror.

Há de se fugir das ingenuidades, dos encantamentos e perceber que em maior ou menor grau, a história de repete forjada pela “grandeza medíocre” dos que querem poder a todo custo. É só olhar para o projeto do presidente dos Estados Unidos, é só olhar a nossa volta.

Em A mosca azul, p. 122, Frei Beto diz: “Nos porões da humanidade aprendi por que na floresta os tigres se movem à noite. Não buscam a luz, nem se deixam inebriar pelos primeiros raios do alvorecer. Nutrem-se do que vislumbram em plena escuridão”.

Profetas e profetizas da história bíblica não se deixaram enfeitiçar por serpentes. Eles e elas, mesmo em tempos de perseguições e fornalhas trouxeram à luz o que precisava ser revelado.

E nós, temos sido profetas e profetizas, ou temos nos “alinhado” aos encantadores de serpente??

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Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá.

Para comentar ou ler outros artigos acesse: http://br.groups. yahoo.com/ group/LittleThin ks/

Outros artigos de Maria em http://www.maringan ews.com.br/; www.alcnoticias. org/

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O retorno do Santo Ofício ao Pará

O retorno do Santo Ofício ao Pará

Aqui em Belém, a igreja metodista surgiu na década de 70, no bairro da Pedreira, conhecido como "o do samba e do amor", e sempre atuou junto ao povo do local (projeto de carpintaria, escola de educação infantil, presidiu o Conselho Municipal de Assistência Social, etc.), destacando-se na atuação ecumênica, inclusive foi fundadora do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC).

Esta ênfase ecumênica sempre mereceu severo monitoramento das alas mais carismáticas que compunham o Colégio Episcopal, que, por sua vez, sempre pregavam que enquanto a Igreja da Pedreira adotasse esta postura da "teologia da libertação" o metodismo em Belém não teria futuro.

Então, tendo à frente o bispo Rozalino, um plano foi traçado no final da década de 90. Como não poderiam fechar a Igreja da Pedreira e iniciar do zero um novo trabalho metodista com uma outra orientação, aliaram-se a um pastor recém saído da Igreja Batista para fundar uma outra Igreja Metodista em Belém, daí nasceu a Igreja Metodista do Umarizal. O Umarizal é um bairro de classe média, bem diferente da realidade periférica da Pedreira.

A idéia era que esta nova Igreja do Umarizal, por ser mais central e ter um pastor militar que não "bebera" da teologia metodista, iria aos poucos suplantar o trabalho da Igreja da Pedreira, tornando-se a "verdadeira" referência do metodismo na cidade. Assim, a Igreja Metodista do Umarizal virou a "menina-dos- olhos" do poder metodista. Era uma "comunidade missionária a serviço do po...DER". Para lá foram destinados vários recursos e projetos. Enquanto isso na Metodista da Pedreira, até ficar sem pastor ficou.

Mas a obra não é dos homens, é de Deus. Assim, após quase dez anos de fracassos na tentativa de por fim à Igreja Metodista da Pedreira, por diversas crises internas, quem ruiu foi a abastarda Igreja Metodista do Umarizal, em plenas mãos do bispo Adolfo, já atual bispo da REMA, que, diga-se de passagem, sempre foi o bispo que mais vociferou contra a postura teológica e o histórico da Igreja Metodista da Pedreira.

Não conformado com a falência do metodismo a serviço do poder, o bispo Adolfo adotou uma nova estratégia. No início de 2008, inseriu os membros da igreja falida do Umarizal dentro da Igreja da Pedreira, provocando um desconforto imenso para os irmãos e irmãs das duas igrejas. Antes ele ainda teve a ousadia descarada de fazer a seguinte proposta: Os membros da Umarizal ficam com o prédio e a estrutura da Igreja da Pedreira e os membros da Pedreira que dão ênfase nas obras de misericórdia vão para um terreno comprado pela Igreja do Umarizal. Claro, esta proposta foi rejeitada. Hoje temos um templo e duas igrejas.
Para conduzir este "casamento arrumado", o bispo escolheu um outro pastor que também fora da Igreja Batista, trazido ao metodismo pelo pastor ex-batista que iniciou o trabalho no Umarizal. Pensaram, "agora pronto, foi dado o golpe final" no metodismo que prega a ação social, o diálogo ecumênico, a leitura dos documentos da Igreja, uma espiritualidade profunda. O próprio bispo Adolfo afirma sem nenhum pudor ou o mínimo de respeito aos irmãos e irmãs que caminham há anos no evangelho que o metodismo da Igreja da Pedreira faz parte do "deserto" do metodismo brasileiro que no último Concílio foi ultrapassado e agora chegou-se à terra prometida: ênfase no ganho de almas, no crescimento numérico e estruturação financeira da Igreja.

Bastou um ano para percebermos que este "casamento arrumado" não daria certo. Em novembro de 2008, no Concílio Local para a Avaliação da unificação das igrejas de Belém a maioria da Igreja votou pelo fim da união. Ainda mais, o Concílio pediu a urgente mudança de pastor local, relatando uma extensa lista de autoritarismos em apenas um ano de gestão. Para a surpresa de todo mundo, o bispo Adolfo desprezou a decisão da Igreja local e, bem ao seu estilo, decretou um Ato de Governo, decidindo a partir dos seus princípios de "inerrância e infalibilidade" pela continuação da pseudo-união da agora Igreja Metodista Central de Belém e permanência do atual pastor.

A intenção do bispo e de seu pastor, pupilo fiel, é fazer as irmãs e os irmãos metodistas da Pedreira "sangrarem" e chorarem até a última gota, e, assim, vencer pelo cansaço. Querem que estas pessoas saiam aos poucos da Igreja, deixando o espaço livre para a conclusão do plano iniciado na década de 90: acabar com a Igreja (pessoas, princípios, atuação, visão teológica, espiritualidade) da Pedreira. E isto eles já têm conseguido com muito mérito, visto que já se contam mais de vinte as pessoas, eu sou uma destas, que deixaram de comparecer nos cultos à noite para não se depararem mais com shows do Lázaro, expulsão de demônios, apelos absurdos e pregações que mais parecem indiretas ou recados.

Faço toda esta introdução na tentativa de mostrar o contexto em que se dá a notícia "Bispo Adolfo passará o mês de agosto em Belém". Esta visita é justificada pela necessidade de acompanhar este processo de transição forçada "do deserto para a terra prometida" e enquadrar aqueles que estejam fora desta "visão". O Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição terminou seus trabalhos no Pará há exatos 240 anos (1769), deixando um rastro de julgamentos e "Atos de Governos" baseados em fundamentalismos do Catolicismo Romano da época. A Inquisição era uma instituição da Igreja Católica Romana criada para combater quem não se alinhasse com os mandatários do poder eclesiástico e da Metrópole, estes foram acusados de hereges, de manter pacto com o diabo, de supersticiosos e de bruxos e bruxas. Falando em caça às bruxas, não podemos esquecer que estamos falando de um bispo que deixou a Igreja Metodista do Brasil num imenso constrangimento quando acusou de bruxaria uma pastora negra que desenvolvia trabalhos com mulheres carentes.

Agora teremos no mês de agosto de 2009 o Tribunal do Santo Ofício Metodista, com o bispo Adolfo acolhendo as denúncias e autuando contra aqueles e aquelas que têm resistido pela fé há anos de ataques ininterruptos. Sucumbirá enfim a Igreja Metodista da Pedreira? Não sabemos. Contudo, digo novamente, a obra não é dos homens, é de Deus. Logo, nossa esperança é que os conchavos humanos e as estratagemas do poder não resistam à coerência e a sinceridade de quem serve a Deus com ardor e alegria.

Embora com a esperança aguçada, ouso fazer este registro como um testemunho. Pois como diria Affonso Romano de Sant'Ana "o que não escrevi, calou-me". Por isso, compartilho com vocês estas doloridas palavras não por rebeldia ou insubmissão às autoridades, mas porque não agüentamos mais suportar calados. Ficar em silêncio neste caso é tornar-se cúmplice. Irmãs e irmãos do coração aquecido de todo o Brasil têm que saber o que se passa no metodismo por estas terras quentes e longínquas da Amazônia. Oração e informação, serão essas as nossas respostas às perseguições que o bispo nos impõe, mesmo sentindo a afumegação das fogueiras.

Tony Vilhena


Não se pode matar a idéia a tiros de canhão, nem tampouco acorrentá-la
Louise Michel (educadora e libertária, lutou na Comuna de Paris)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Para que todos sejam um

Saiu o trabalho do GT do Ecumenismo, iniciado após o 18º CG da Igreja Metodista:

Para que todos sejam um
A perspectiva metodista para a Unidade Cristã

Colégio Episcopal da Igreja Metodista - Agosto de 2009


APRESENTAÇÃO


"Estas coisas vos escrevo para que a nossa alegria seja completa."I João, Capítulo 1, Versículo 4
 

Nosso compromisso com Deus é o de "espalhar a santidade bíblica por toda terra". Nessa perspectiva, afirmamos também nosso compromisso com a unidade cristã, para que o mundo creia. Assim sendo, apresentamos a vocês esta orientação pastoral.Quando tenho uma relação sadia comigo e com Deus, não tenho problemas para dialogar com as outras comunidades religiosas. A vida sadia, santa, é sempre uma vida aberta aos outros seres humanos e é nela que alcançamos a "alegria completa".O poder do Evangelho vem do Deus que é amor. Ele olha para nós como pessoas a quem Ele ama.Buscando tornar esta orientação de mais fácil utilização, estabelecemos nela algumas novidades. Assim, as inserções nas laterais das páginas são ora referência a frases destacadas do texto, ora perguntas feitas para despertar a discussão nos grupos de estudos. Sugerimos que essas orientações sejam usadas para transmitir as informações deste documento na Escola Dominical, nos grupos societários, nos grupos de discipulados e outros. Seu objetivo é funcionar como uma metodologia de apoio para o aprofundamento do tema.Tenha um abençoado estudo deste documento e que o mesmo produza frutos dignos do Reino de Deus.
 

Bispo João Carlos LopesPresidente do Colégio Episcopal

Download do documento completo: http://www.metodista.org.br/arquivo/documentos/download/Que_todos_sejam_um.pdf

Fonte: Site da Sede Nacional.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Qual o rumo da Igreja Metodista?

Qual o rumo da Igreja Metodista?

Airton Campos

Recebi recentemente cópia de mensagem, entre pastores amigos meus, que tinha o título acima. O texto citava a visão de Amós descrita no capítulo 7 do seu livro: “O Senhor me mostrou numa visão isto também: Ele estava perto de muro construído direito, a prumo, e tinha um prumo na mão. Ele me perguntou: Amós, o que você está vendo? Um prumo – respondi. Então Ele me disse: eu vou mostrar que meu povo não anda direito; é como um muro torto, construído fora do prumo. E nunca mais vou perdoar o meu povo”.

E a mensagem que recebi dizia: uma igreja sem prumo é uma igreja sem rumo. O problema é que alguns líderes não suportam ver o prumo de Deus orientando a obra.

Recebi também, de outro pastor, cópia de mensagem enviada a outros pastores e bispos reagindo bastante ao convite para participar do II Congresso Regional de Discipulado rumo a 1 milhão de Discípulos a se realizar no final do mês de agosto, na Escola de Missões.

Sua indignação foi porque o congresso seria ministrado por dois “apóstolos” da Comunidade Evangélica Projeto Vida, que atua segundo os princípios do G-12 e dissemina esta idéia.

A propaganda divulgada na página da 1ª Região Eclesiástica na Internet apresenta a imagem dos dois “apóstolos” em primeiro plano e informa ainda a participação especial do Bispo Paulo Lockmann logo abaixo. A propaganda faz ainda alusão ao tema daquele grupo: Rompendo Limites; Superando Limitações e Ultrapassando Fronteiras, e divulga o nome de sua página na Internet.

Consta que o convite aos “apóstolos” já foi revogado e que ele não era do conhecimento do Bispo, mas a propaganda continuava na Internet. Não consigo entender como a presença do Bispo é anunciada, o cartaz é feito e divulgado inclusive no site da Região e o Bispo não sabe?

Também não tenho nada contra se alguém se intitula “Apostolo” ou qualquer outro título honorífico e que seja venerado, mas que o seja na igreja dele, não na metodista. A estranheza é ainda maior porque existe um texto do Bispo Paulo Lockmann endereçado aos pastores da Região intitulado: “Para não dizer que não falei do G- 12” e também uma Pastoral do Colégio Episcopal apontando os desvios doutrinários deste movimento que contraria as doutrinas bíblicas e wesleyanas.

A Pastoral do Colégio Episcopal, entre outras informações, declara explicitamente: “considerando os equívocos neste método apresentado como programa de discipulado, damos a seguinte orientação ao povo metodista: Não entreguemos nossas ovelhas para serem pastoreadas por terceiros... . Segundo a tradição metodista, grupos de discipulados devem ser organizados em nossas igrejas...Que nestes grupos seja aplicado o modelo wesleyano. Devemos ter cuidado com os métodos e programas de discipulado que apresentam outras conceituações. . O Colégio Episcopal, ao analisar as propostas do G-12 declara que elas são incompatíveis com os documentos, doutrinas e caminhada da Igreja em dons e ministérios; e que pastores e pastoras não têm o direito de envolver a comunidade local em propostas que não foram avaliadas pelos respectivos Concílios... O/a pastor/a que assim proceder, estará contrariando a orientação doutrinária da Igreja, e atraindo para si toda a responsabilidade. Desta forma, estará sujeito ao que prescreve os Cânones da Igreja Metodista.”

Será que isto aconteceu? Diante da exposição e divulgação do evento como foi concebido, espera-se pelo menos uma palavra episcopal, de divulgação também ampla, tornando novamente clara a condenação da Igreja Metodista a este tipo de discipulado. E isto de divulgação também ampla.

Este movimento do G-12 surgiu no Vale do Paraíba e causou um grande problema nas igrejas metodistas da área. A Igreja Metodista tem suas normas de discipulado e de busca de consagração e crescimento espiritual racional, mas mesmo entre nós existem muitos buscando apenas uma espiritualidade emocional, sem conseqüência, condenado por Wesley em seu sermão A Natureza do Entusiasmo.

Wesley exigia de seus pastores leitura e estudo, mas parece que hoje alguns pastores não lêem sequer as Pastorais do Colégio Episcopal, preferindo um ativismo emocional, sem profundidade, sem necessidade de estudo e preparação da mensagem. Estão sempre entusiasmados com práticas neo-pentencostais, esquecendo nossa tradição e doutrina, surgindo a toda hora com novidades: dente de ouro, dança profética, etc.

Quando é que vamos realmente agir e crer que o metodismo é um movimento de busca da santificação equilibrada e de mudança no mundo?

Mas não é só na questão doutrinária que muitos líderes agem em desacordo com a Igreja. Também com relação à estrutura da igreja local alguns deixam sua marca pessoal desagregadora. As sociedades de mulheres tem sido uma das vítimas desta ação em muitas igrejas, enfrentando restrições até deixarem de existir. Isto não é uma prática nova, mas não tem sido corrigida pelas autoridades eclesiásticas.

Será porque nossa Região, apesar de abranger um só Estado, cresceu muito e já dificulta o acompanhamento e a supervisão de lideranças locais?

Temos visto apenas planos de crescimento fabuloso sem que se debata de maneira clara uma nova estrutura regional, que no sistema atual só vai concentrando poder. Existem muitas dúvidas a elucidar e inquietações a dirimir.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se preciso, pinto o rosto e saio às ruas

Se preciso, pinto o rosto e saio às ruas


Rev. Fernando Cezar Moreira Marques
Igreja Metodista no Ipiranga - São Paulo, SP


Era o ano de 1992. Eu morava nos Estados Unidos, trabalhava e estudava na Pastoral Universitária metodista da Michigan State University.

Imagine o que eu passei: dependia dos raros (porque caros) telefonemas e dos Correios para receber alguma notícia de um Brasil que fervilhava em torno do impeachment do Presidente da República.

Lá de longe acompanhei, ansioso, o movimento que, incrível, parecia mobilizar a população. Lembro-me de ter desejado estar no Brasil naqueles dias para viver as experiências que certamente entrariam para a História nacional.

Não pude. E me senti como o sujeito da canção do Milton: "Quem perdeu o trem da História por querer saiu do juízo sem saber, foi mais um covarde a se esconder diante de um novo mundo".

Pois é, confesso: perdi o trem da História.

Eu e a Velhinha de Taubaté (pra quem não se lembra, criação do LF Veríssimo). Eu, por estar fora do país; ela, por ingenuidade, credulidade, apatia, comodismo. Trancou-se em casa para não se envolver recusando-se a acreditar no que todos entendiam como óbvio.

Anos depois, mais especificamente em julho de 2007, minhas suspeitas se confirmaram: a velhinha era metodista e delegada ao Geral. Só isso explica a lambança.

Será que foi com ela que o Lula e outros Colégios aprenderam a tática do "Não sei, não vi, não sabia, não posso fazer nada, não tenho nada com isso!"?

Receio que ela ainda esteja por aí, temendo, como sempre, ser identificada como alguém que faz conchavos e combina estratégias. Prefere acreditar que todos são bonzinhos como ela e que tudo é e será feito com a melhor das intenções.

Se todos pensarem assim, o que será da Igreja no próximo Concílio Geral?

De minha parte, decidi que, no que depender de mim, nunca mais perco o trem da História.

terça-feira, 21 de julho de 2009

É necessário redescobrir a alegria de ser pastor de comunidade local e rever esse frisson pelo episcopado

Rio, 4/7/2009

É necessário redescobrir a alegria de ser pastor de comunidade local e rever esse frisson pelo episcopado



Pr. Ronan Boechat de Amorim

Eu sinto uma grande alegria, um grande privilégio e consequentemente uma grande responsabilidade em ser pastor de uma comunidade local.Meu chamamento por Deus, meu preparo teológico no velho Seminário César Dacorso Filho, meus votos de presbítero da Igreja foram para que eu pudesse ser pastor.

Eu digo isso porque aparentemente desaprendemos a alegria, o grande privilégio e a conseqüente responsabilidade em sermos pastores e pastoras de uma comunidade local. O frisson é ser bispo ou bispa. As conversas nos encontros de pastores giram em torno de “Você é candidato a bispo?” ou “Você já tem um candidato a bispo?”. Não raramente alguns disparam: “você está fazendo isso para se promover, porque quer ser bispo, não é?”. Ser pastor ou pastora parece-me, tornou-se apenas uma etapa necessária para se chegar ao episcopado da Igreja.
É verdade que a Palavra afirma que boa coisa aspira quem quer ser bispo. Não há pecado em desejar ser reconhecido pela Igreja como um bom pastor que pode exercer a função de bispo ou bispa. O problema não é o desejo em si, mas a “cultura” predominante em que isso se tornou na vida da igreja.

Ser bispo é moda, é um valor cultural. Cabe nos perguntar: “por que?”. Ainda não fiz essas perguntas para os meus amigos pastores e pastoras, mas imagino que eles dirão: “é para servir melhor ao Senhor nosso Deus!” ou “Como Bispo ou bispa vou poder implementar um projeto renovador para a igreja”. E é possível que respostas como essas sejam sinceras e verdadeiras. Mas a igreja local, pastoreando o povo de Deus, é ao meu ver o lugar por excelência para servir ao Senhor e para implementar um projeto renovador para a Igreja. O pastoreio de pessoas e não a administração da instituição é o terreno fértil para o melhor e mais leal serviço a Deus e para início de movimentos de santidade, de evangelização e despertamento missionário.

Já tive a ilusão que a mera ocupação de cargos e funções de poder, ou ao menos de algum poder, promovem mudanças. Já participei do Conselho Diretor do Bennett, do antigo Conselho Regional, da Coordenação Regional de Ação Missionária (COREAM), já fui o líder clérigo da delegação da I Região ao Concílio Nacional... e não se muda a igreja com leis, programas, projetos... Há propostas minhas de todo tipo em vários livros de atas, algumas que nunca saíram do papel... aprendi que as mudanças verdadeiras não nascem de “canetada” (decisão institucional) , mas da oração e do pastoreio segundo o coração de Deus.

Há ainda presente essa ilusão: “quando eu chegar no poder vou fazer e acontecer!”. Desconfio que esse desejo em ser bispo ou bispa nasça dessa visão de mudar a igreja através da ocupação de postos chaves de poder. Mas há também outras desconfianças: servir-se e beneficiar-se do poder para promover a si mesmo ou um grupo. O Bispo tem poder sobre todos os pastores de sua região, pode viajar pra um lado e outro às custas da Igreja ou daqueles que o convidam. O Episcopado para muitos é o “ápice” de uma carreira pastoral, sinal de prestígio, de poder, de oportunidades.

Sinceramente devemos inverter essa ordem de prioridades, ou essa visão. O “ápice” na vida de um homem ou mulher chamados para o pastoreio deve ser o “apascentar o rebanho do Senhor”, e jamais dirigir uma instituição, ainda que haja as melhores intenções e propósitos. O “ápice” na vida de um homem ou mulher chamados para o pastoreio deve ser o pastoreio em si, ser colocado como ministro(a) de Deus sobre a vida de pessoas e ajudá-las a ver, experimentar, alimentar-se, desenvolverem- se, amadurecerem- se, serem remidas pelo sangue do Cordeiro derramado lá na Cruz, serem transformadas pela ação maravilhosa do Espírito Santo, serem curadas de seus pecados e de sua desumanidade, serem discipuladas para serem discípulas que fazem novos discípulos que fazem novos discípulos... terem seus nomes escritos no livro da vida.
O “ápice” na vida de um homem ou mulher chamados para o pastoreio deve ser presenciar os milagres de Deus que transformam pecadores em santos, perdidos em salvos, racistas e egoístas em irmãos, solitários em solidários... deve ser participar dos milagres de Deus na vida das pessoas e da comunidade, quando uma pessoa deixa de beber para a honra e glória de Deus, deixa de bater na esposa ou no esposo, deixa a prostituição ou o adultério, deixa a vida de violência e corrupção.

É maravilhoso demais participar do novo nascimento, da conversão e da nova vida dessas pessoas a quem o amor de Deus vai alcançando, vivificando, santificando, humanizando.
Precisamos redescobrir as alegrias, o grande privilégio e responsabilidade de estarmos na “infantaria” do “exército” de Deus; aqueles que estão na ponta, à frente, desguarnecidos de seus confortáveis escritórios e fortalezas, mas caminhando na dependência de Deus, sob as mãos daquele que nos refigera a alma e nos guia em direção aos pastos verdejantes. E assim, combatendo dia a dia o poder do mal que veio para matar, roubar e destruir, até que Deus o lance para sempre no poço de enxofre cujo fogo não se apaga nunca. Aleluia! Maranata, Senhor Jesus!

Precisamos redescobrir as alegrias, o grande privilégio e responsabilidade de sermos os que ouvem e falam em nome de Deus , os que no poder de Deus exortam e consolam o povo de Deus, os que se alegram com os que estão alegres e choram com os que estão tristes. Precisamos ser os que em nome de Deus profetizam palavras para encorajar e levantar os caídos, fortalecer os que têm as pernas bambas e as mãos destreinadas para a luta pelo Reino de Deus. Aqueles que acolhem e aconselham os que andam sem norte e sem discernimento. Precisamos ser aqueles a quem Deus coloca como líderes espirituais sobre seu povo.

Precisamos redescobrir as alegrias, o grande privilégio e responsabilidade de sermos pastores e pastoras de pessoas, de famílias, de comunidades. .. e vendo nessa atividade o “ápice” de qualquer ministério pastoral e espiritual.

Precisamos redescobrir as alegrias, o grande privilégio e responsabilidade de nos encontrarmos nos Concílios Distritais, Regionais e Nacional não para participarmos apenas da política eclesiástica (inclusive a eleição de bispos) e, às vezes, até de manipulações e conspirações de grupos. Precisamos viver Concílios para celebrar o que Deus tem feito em nós e através de nós, e sobretudo para ouvirmos coletivamente e como corpo deliberativo a voz de Deus, até que sejamos convencidos do caminho que Deus quer que a gente ande por ele.

Nos dois Concílios Nacionais que tive a oportunidade de ir, não tive o privilégio de discutir Missões, pois tudo gira em torno de eleição de bispos e bispas. No Concílio acontecido em Belo Horizonte eu propus com a maior cara de pau que a gente elegesse logo os bispos no primeiro dia, pois teríamos a liberdade de discutir os desafios missionários da Igreja. Fui repreendido duramente pela grande maioria, supostamente porque a igreja tinha de aprovar seu plano de trabalho para o qüinqüênio e só então eleger as pessoas mais adequadas para executar aquele plano. Eu reconheço que deveria ser assim, mas avalio que não é. Nada se fala, discute, pensa, propõe, etc, etc, etc, num Concílio Nacional sem que a discussão de eleição de bispos esteja por trás.

Eu ainda me lembro do último Concílio aqui da I Região, o que antecedeu ao último Concílio Geral. Havia em todo canto grupos conversando e até conchavando politicamente a eleição de alguns delegados(as) previamente definidos porque eles seriam eleitores desse ou daquele candidato a bispo(a). Eu tive a oportunidade de denunciar a hipocrisia de alguns que participavam das orações para que Deus abençoasse e dirigisse as eleições ao mesmo tempo que tinham em mãos a lista feita por integrantes e também lideranças de 2 ou 3 distritos com nomes previamente definidos para todos os cargos em disputa.

Ou oramos sinceramente e não fazemos as listas dos conchavos, ou não oramos e permitimos as listas, ou oramos e deixamos que as pessoas se associem livremente para as tais eleições.
O que não podemos é permitir a hipocrisia de alguns que se portam incovenientemente e afirmam que tudo o que fazem é santo, é de Deus. Não podemos usar o nome de Deus em vão, diz-nos o segundo Mandamento. Tenho estremecido ao ler os capítulos de Ezequiel sobre a responsabilidade dos pastores.

Já tive oportunidade de propor em dois Concílios Nacionais que o mandato dos Bispos fosse de no mínimo 10 anos, e que entre um Concílio Nacional com eleição de Bispo e outro, tivéssemos a oportunidade de ter Concílios Nacionais para discutir Missões.

Temos quantas cidades em nosso país onde não existe uma igreja Metodista? Por que ainda não temos um programa de TV em rede nacional em horário nobre? Por que nossas instituições de ensino andam capengando, quase sempre à beira da falência? Por que ainda não temos trabalho metodista na Guiana Francesa (esse território francês é único “país” na América do Sul onde não há uma igreja metodista)? Podemos elaborar um plano de ação onde a Igreja incentive seus membros a produzirem cultura, não necessariamente religiosa, mas com os conteúdos do Evangelho? Etc, etc...

Lamento que as sucessivas eleições e reeleições supostamente coloquem os Bispos eleitos como refém de grupos dentro da Igreja. Esse processo, ao meu ver, tira a autoridade do bispo, pois para ele dar continuidade ao seu trabalho, digamos, ele tem de estar permanentemente em estado de “campanha eleitoral” (e digo isso com temor e muito respeitosamente) , não podem desagradar seu eleitorado com a disciplina eclesiástica e espiritual necessárias, quase sempre composto por pastores e pastoras que desejam ser bispos e bispas... É como a história de um funcionário de uma instituição que foi demitido e que para se vingar, tanto fez que acabou sendo eleito para o conselho diretor da tal instituição com a finalidade de pedir a cabeça do diretor que o demitiu...

Estou numa fase da minha vida que sinceramente não me importa quem seja o Bispo colocado sobre a minha vida ministerial, desde que seja um homem ou uma mulher de Deus. Importa é que Deus esteja na direção da Igreja. A Igreja local é um alívio e uma recompensa para o pastor(a) fiel, de fato. Mas se não tivermos bons bispos e bispas, sinceramente, não teremos boas igrejas também, porque o caráter pecaminoso de alguns líderes, acobertado por uns e outros, acabam disseminando a falta de temor e de santidde, bem como a consequente divisão no corpo de Cristo.

E hoje eu me sinto uma pessoa grata e abençoada pessoal e ministerialmente pelo nosso Bispo Paulo Lockmann. Meu candidato a Bispo será o Bispo Lockmann, até que Deus mude isso no meu coração ou que o Bispo diga que não deseja mais ser reeleito. Mas hoje eu sou um pastor que me declaro leal ao meu Bispo. Quantas vezes eu tiver oportunidade de votar, o meu primeiro e certeiro voto será para o Bispo Lockmann, cujo consolidado episcopado tem sido um grande facilitador para quem quer ser pastor. Ao Senhor toda honra e glória pela vida do Bispo da I Região Eclesiástica.

Não, não desejo ser bispo. Desejo ardentemente trabalhar na Igreja Local e em Missões. Uma igreja em cada cidade e em cada bairro, um grupo de discipulado em cada rua, é nisso que eu acredito. Precisamos espalhar a santidade bíblica por toda terra, ao mesmo tempo em que precisamos reformar a igreja para que esta possa reformar a nação. Precisamos ser uma igreja relevante na comunidade onde nossas Igrejas locais estão; nos bairros e cidades e nacionalmente também.

Precisamos redescobrir a alegria, privilégio e responsabilidade de sermos pastores e pastoras qualificados em uma igreja local, sem com isso negar a urgente necessidade da discussão de ministérios específicos para pastores e pastoras.

Mudar a cultura... desejar mais ardentemente o apostolado, o pastorado, o mestrado, o envio, a paixão pelas almas perdidas... uma igreja em cada cidade e bairro, um grupo de discipulado em cada rua... um milhão de discípulos só no Estado do Rio. Uma grande e relevante Igreja Metodista em cada uma das mais de mil favelas só da cidade do Rio de Janeiro...

Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu- se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. (João 21:17)

sábado, 4 de julho de 2009

Ninguém perguntou (Não?) mas eu respondo assim mesmo

Ninguém perguntou (Não?) mas eu respondo assim mesmo


Sim, eu apoio e votaria favoravelmente, no próximo Concílio Geral, a uma eventual proposta que prorrogasse o mandato do atual presidente da minha Região Eclesiástica por mais dois anos até que se realizasse, no Concílio Regional, a eleição do novo bispo.

Concordo: a forma como me expresso parece resposta a uma pergunta que não foi feita.

Desculpo-me. Quis apenas contribuir. Você sabe, há no cenário político um fenômeno ao qual estudiosos e jornalistas dão o nome de "lançamento de um balão de ensaio". O termo é utilizado principalmente quando se quer testar a aceitação de uma idéia (que pode ser uma proposta ou até mesmo uma candidatura). A idéia, então, é lançada sutilmente, quase sem querer, de maneira tal que venha a ser entendida como um comentário despretensioso.
Pela reação provocada, pode-se avaliar o grau de sua aceitação ou rejeição e o resultado dessa avaliação é que orienta os passos seguintes.

Reajo. Que os desavisados não me entendam mal: não estou lançando nenhum balão mas reagindo. Considerando que em se tratando de igreja a dificuldade está em medir a reação, espero estar contribuindo.

Poderia, obviamente, levantar questões concernentes como, por exemplo, a que diz respeito à idade do candidato... Se, por ocasião do Geral, o postulante tinha idade para se candidatar, o Regional poderia considerar como válida sua candidatura. Poderia?
E outras como a que suspende a itinerância mantendo os atuais bispos nas regiões que presidem...

Repito: poderia, obviamente, levantar questões concernentes... Deixo-as para quem se interessar.


Fernando Cezar Moreira Marques
Pastor Titular da IM no Ipiranga, São Paulo, SP