segunda-feira, 21 de abril de 2014

Graça sob pressão - Dr.Joerg Rieger é conferencista convidado da 63ª Semana Wesleyana

Graça sob pressão - Dr.Joerg Rieger é conferencista convidado da 63ª Semana Wesleyana




A Faculdade de Teologia da Igreja Metodista tem a alegria de anunciar a realização da 63ª Semana Wesleyana nos dias 19 a 23 de maio de 2014.

Nesse ano, o conferencista convidado é o Dr. Joerg Rieger, professor na  Perkins School of Theology, Southern Methodist University, em Dallas, Texas. A temática central gira em torno de sua obra publicada pela Editeo: Graça sob pressão: negociando o coração da tradição metodista.
 
O Dr. Rieger é igualmente bem conhecido fora do metodismo por sua reflexão séria e comprometida com o mosso tempo. Além do livro publicado pela Editora da Faculdade de Teologia, outros títulos foram traduzidos para o português, tais como, Lembrar-se dos pobres: o desafio da teologia no século XX (Loyola, 2009); Cristo e Império: de Paulo aos tempos pós-coloniais (Paulus, 2009); Para Além do Espírito do Império (com Nestor Míguez e Jung Mo Sung; Paulinas, 2012); e Fé e viagens no mundo globalizado (a ser lançado pela Paulus).
 
O tema também será debatido por membros do grupo de pesquisa em Teologia Wesleyana da Faculdade de Teologia e outros/as convidados/as.





http://www.metodista.br/fateo/noticias/esta-chegando-a-semana-wesleyana-2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul esclarece penhora do prédio do Colégio Americano e reafirma falta de diálogo e transparência

Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul esclarece penhora do prédio do Colégio Americano e reafirma falta de diálogo e transparência 




Segue abaixo comunicado do Sinpro-RS sobre o leilão (suspenso) do imóvel do Colégio Americano:


Esclarecimento s obre o leilão do Colégio Americano
O Sinpro/RS, face a repercussão causada pela publicação da Justiça do Trabalho do edital de leilão do prédio do Colégio Americano, informa aos professores:
  • O presente leilão decorre de débito da instituição com os professores do Colégio Americano e do Centro Universitário Metodista referente a multas por atraso no pagamento do salário de agosto de 2003;
  • O valor da multa correspondente ao referido atraso, com a sua respectiva correção monta a R$ 438.064,94.
  • Após a realização de diversos bloqueios judiciais nas contas da instituição, em diversos momentos, restam pendentes R$ 163.350,23.
  • A pendência desse valor motivou a determinação do leilão do bem (prédio do Colégio Americano), oferecido pela própria instituição.
O Sindicato dos Professores considera que a presente situação, especialmente no que refere a repercussão e ao desgaste na imagem da instituição, decorre de uma postura de gestão resistente a tratativas com a representação sindical, e a distância do efetivo centro de decisão com a dinâmica da vida institucional.

O Sinpro/RS destaca que a disposição ao diálogo e a negociação sempre foram marca registrada da entidade, que infelizmente não tem tido eco na atual gestão da Rede Metodista, o que resulta no fato ora em questão.

A expectativa do Sindicato é que seja providenciada com urgência a quitação dos valores pendentes e o consequente repasse aos professores credores, de modo a garantir a manutenção das atividades educacionais do Colégio Americano e a preservação do patrimônio social que o mesmo representa para a comunidade porto-alegrense e a sociedade gaúcha.

Direção colegiada.

Mais postagens sobre o assunto:
Imóvel do Colégio Americano (Porto Alegre) é Colocado em Leilão por Dívidas Trabalhistas: 
http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2014/04/imovel-do-colegio-americano-porto.html

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Imóvel do Colégio Americano (Porto Alegre) é Colocado em Leilão por Dívidas Trabalhistas

Imóvel do Colégio Americano (Porto Alegre) é Colocado em Leilão por Dívidas Trabalhistas.



O imóvel no qual funciona o Colégio Americano é oferecido em leilão devido a dívidas trabalhistas contraídas por esta instituição. Alunos do IPA (Instituto Porto Alegrense) fazem campanha em favor do tombamento do edifício para que, caso o mesmo seja vendido, haja a preservação do imóvel e da memória da educação metodista.

A diretoria do Colégio Americano veio a público no decorrer do dia 10/04 para informar que a guia que originou a penhora fora quitada e portanto não haveria mais leilão de sua propriedade. ( http://bit.ly/1iA3a3I ).

A comunidade metodista em todo o Brasil tem expressado sua preocupação não apenas com a situação financeira de suas instituições de ensino, reconhecidamente difícil, mas com a falta de transparência e de informações por parte da administração superior da Igreja Metodista e do COGEIME. Informações extra-oficiais dão a conhecer que apenas a UMESP, o IPA e Grambery permaneceriam em posse da Igreja Metodista, sendo as outras instituições vendidas para saldar as dívidas.

Nos últimos meses diversas igrejas locais tiveram suas contas-correntes, poupanças e aplicações bloqueadas judicialmente devido a dívidas trabalhistas contraídas pelo Instituto Bennett, e mesmo assim não houve uma única declaração ou satisfação oficial por parte da administração superior da Igreja Metodista à sua membresia.

http://www.ferreiraleiloes.com/leilao-imperdivel-de-uma-quadra-nobre-em-porto-alegre/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pelo amor humilde, pela vocação, pelo serviço, por Jesus

Pelo amor humilde, pela vocação, pelo serviço, por Jesus



Reflexões sobre o Ministério Pastoral.
Em alusão ao Dia do(a) pastor(a) metodista – 13.04.14



Introdução


As atuais demandas da sociedade moderna e a necessidade de equilíbrio e crescimento em todas as instituições têm desencadeado uma profusão de tratados sobre o significado e a importância da liderança. Em todos os níveis, a cobrança por líderes exemplares é evidente.


No campo da Igreja, principalmente no que se refere ao ministério pastoral, a mesma cobrança existe, mas entendemos haver uma diferenciação entre ser líder e ser pastor, mesmo porque a poimênica está alinhada ao movimento sempre dinâmico do Reino de Deus. Esta outra lógica é o serviço em amor humilde, que se encontra na contramão da perspectiva da liderança assinalada pelos manuais de auto-ajuda e eficácia. Tal contramão surge, em nossa concepção, da interpretação que fazemos do maior ato sacramental de Jesus – o momento em que encurvado o mestre lavou os pés dos seus discípulos. (João 13. 1-20).


De fato, o nosso mundo precisa muito mais do servo em pastoreio do que o ativismo de líderes. O objetivo desta pequena interferência é justamente provocar uma reflexão sobre a dicotomia entre ser pastor e ser líder.


Pastoreai o Rebanho de Deus


Entendemos que todos(as) os que se encontram em diálogo com Deus sofrem a tentação de transformar pedras em pães, fazer shows ou ainda dominar instâncias através da política (Mateus 4. 1-11). Aliás, há uma linha tênue que separa a vivência com Deus e a tentação de se tornar um deus.


É por isso que na contramão das tentações, o oferecimento de Deus para a sociedade, por intermédio da Igreja, é o serviço na dimensão do amor humilde na dinâmica do ministério pastoral. Ora, o ministério pastoral é marcado pela fragilidade, pela simplicidade e pela humildade. A imagem de um Deus Pastor é a imagem de um Ser pacientemente cuidando de seu rebanho. Jesus sempre se referiu a si mesmo como um pastor. (João 10. 1-18). Portanto, podemos considerar que na dinâmica pastoral não pode existir ostentação, tão somente o lirismo da contemplação e a percepção das reais necessidades das pessoas.


Segundo Eugene Peterson em seu livro A Vocação Espiritual do Pastor, “Existe uma longa e bem documentada tradição de sabedoria na fé cristã que indica que qualquer aventura como líder, quer seja leigo ou clérigo, é perigosa. É necessário que haja líderes, mas ai daqueles que se tornam líderes. A simples pressuposição da liderança – até mesmo os mais modestos avanços em direção a ela –, possibilita o aparecimento de pecados que eram então inacessíveis. Essas novas possibilidades são extremamente difíceis de serem reconhecidas como pecado, pois cada uma delas surge como virtude. Os descuidados abraçam essas novas ‘oportunidades’ para o serviço do Senhor, sem perceberem a realidade de que estão mordendo a isca – uma promessa que se transforma, mais cedo ou mais tarde, em maldição”. (Peterson, 24). De fato, existe um hiato entre o ser pastor e ser líder.


Talvez, com os olhos na imagem do pastor, Pedro, em sua primeira carta no capitulo 5. 1-7, tenha elaborado sua reflexão com a intenção de organizar a vivência equilibrada dos pastores no movimento social conhecido por nós como Diáspora (dispersão dos critãos-judeus pelas terras da Ásia menor, ocorrida a partir do ano 70 a.c.c.).


De presbítero para presbíteros


O texto anteriormente ressaltado começa com uma determinação: “Rogo-vos, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: Pastoreai o rebanho de Deus”. Interessante notar que Pedro apresenta as suas credenciais: é um presbítero como os outros; é testemunha dos sofrimentos de Cristo e comunga da futura revelação da glória.


Após se auto-apresentar, Pedro vaticina, rogando: PASTOREAI! A palavra em evidência não é liderai, mas pastoreai, que significa: efetivem a poimênica! Ora, trata-se de pastorear o rebanho que é de Deus, e não do presbítero. Interessante apontar que a comunidade não pode existir segundo o personalismo do pastor, mas de acordo com a imagem de Deus. Assim, o rebanho não pode se parecer com o pastor, mas com Deus. E embora muitos se posicionem como arautos(as) de Deus, como representantes legais de Deus, a referência que podem oferecer é pequena em relação ao que Deus é em sua real essência. Por esse motivo, Pedro exorta os pastores quanto à melhor forma de pastorear o rebanho de Deus.


- Não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer: Um dos grandes desafios para o ministério pastoral refere-se a manter a motivação do rebanho sem esmaecer a liberdade. Pelo conhecimento da verdade, chega-se à liberdade. Somos criados e nos desenvolvemos em maturidade para sermos livres, como Deus é livre. Por isso, na relação do pastor com o rebanho, não pode haver espaços para constrangimentos. Aliás, segundo a informação de Pedro, Deus não quer o constrangimento, mas sim a espontaneidade. Ora, espontâneo significa aquilo que não é aconselhado ou forçado; é o que é feito ou dito de livre vontade. Que se realiza por si só e sem causa aparente; que não é provocado. Sendo assim, pastores e pastoras não podem agir de forma a trazer peso sobre o coração das pessoas. Ao mesmo tempo, a espontaneidade tem a ver com o caráter, pois somente pode ser espontâneo quem é livre para sê-lo. O espontâneo não finge, tampouco usa máscaras; o espontâneo é honesto e transparente; o espontâneo é o que é e não esconde coisa alguma.


- Não por sórdida ganância, mas de boa vontade: Sabedor das dificuldades que muitas pessoas tinham em relação ao sustento das pessoas dedicadas ao anuncio da mensagem de Cristo, o apóstolo Paulo afirma: “digno é o obreiro do seu salário”. (1 Timóteo 5.8). Digno é o trabalhador que se lança na demanda do cotidiano e come do fruto do seu trabalho. Entretanto, o fato de um pastor(a) viver com a resultante dos dízimos e ofertas do rebanho de Deus o(a) coloca numa relação paradoxal, pois por um lado, dinheiro nenhum paga o que um(a) pastor(a) faz, principalmente quando auxilia uma pessoa no encontro de sentido na vida; por outro, nenhuma das suas ações, ditas espirituais, pode dar o direito de um(a) pastor(a) ser ganancioso(a). Segundo Eliana Vergara, integrante do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais: “Em psicanálise, ganância é um sentimento humano que se caracteriza por uma necessidade concreta, incontrolável de ter. Uma ambição desmedida, por poder, dinheiro, coisas materiais. Um sentimento voraz de querer sempre mais e mais, nunca estando satisfeito”. Trata-se, portanto, de um sentimento destrutivo e que, segundo a psicóloga e psicanalista Giselle Groeninga, especialista na área de família, tem sua origem na voracidade. “O desejo é o que move a vida. É da sua característica nunca ser totalmente satisfeito: ele implica necessariamente frustração. Uma baixa tolerância à frustração pode implicar a intensificação do desejo e aí ele se transforma em voracidade, quando se quer mais do que se necessita e do que o outro está disposto a dar”. Assim, uma coisa é a necessidade, outra coisa bem diferente é o luxo. Um ministério pastoral não pode ter por base a usura em relação a bens materiais ou conforto aos moldes dos altos padrões da sociedade. O Senhor nos livre dessa tentação. Na contramão deste processo, deve existir, tão somente, a boa vontade pra viver um vida simples e a abertura para se colocar à disposição do outro com o coração sincero.


- Não como dominadores, mas como modelo: a autoridade é aqui posta à prova. De fato, autoridade é necessária, mas não o autoritarismo ou ditadura. Pedro exorta os pastores a não serem dominadores. O domínio busca sempre o estabelecimento da verdade de uma pessoa sobre a verdade da outra. Ora, verdade é um conceito frágil, pois ligado aos subjetivismos e culturas. Já o domínio requer a subjugação das pessoas pelos caminhos iníquos e perversos. Dominar é completamente diferente de se apresentar como modelo ou exemplo. Entretanto, não se é exemplo de si mesmo, mas de Cristo. Aliás, o propósito de todo(a) pastor(a) é o de se parecer com Jesus. O que vier aquém ou além disso torna-se digressão. Como bem nos lembra Albert Schweitzer: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros – é a única”.


A revelação do Supremo Pastor


O cuidado pastoral e espiritual deve ser um reflexo da ação graciosa de Deus para com as pessoas no mundo. Não se pode em hipótese alguma roubar a glória que pertence a Deus. Desta forma, a(o) pastora(or), que exerce a poimênica sobre o rebanho de Deus é uma referência do amor e da graça de Deus. Aliás, em nossa concepção, um ministério pastoral não pode se imiscuir desta perspectiva. Sem amor e sem graça, o ministério pastoral tende à ruína. Ademais, é mesmo Deus, na metáfora do Supremo Pastor, quem se revela aos pensamentos e intuições espirituais daqueles que ministram na sua Igreja. Nesta perspectiva, todo aquele que se sente vocacionado para o ministério pastoral, ao assumir o cuidado do rebanho de Deus, nada mais é do que um co-pastor ou pastora ajudante. Em suma, neste cuidado, a(o) pastora(or) vivencia o mistério da encarnação.


Segundo David Fisher, em seu livro O Pastor do Século XXI, “o raciocínio pastoral está enraizado na encarnação de Cristo. A maneira como vemos toda a realidade, especialmente nosso trabalho como pastores, flui do padrão estabelecido quando Deus se tornou carne por nós. A encarnação é o exemplo mais espetacular de uma decisão missionária já tomada. Deus entregou sua revelação final à raça humana, ao revestir-se de carne e entrar em uma cultura particular, em um momento específico”.


A estes(as) que entendem bem o papel de referenciar a ação pastoral de Deus mesmo entre os seres humanos, restará receber ao final das contas a imarscessível coroa de glória. Ora, esta coroa não é a premiação alcançada pelo êxito ou o sucesso, mas pela fidelidade. Em 1 Coríntios 4.2, Paulo afirma que o que o Senhor requer dos despenseiros dos seus mistérios é que cada um seja encontrado fiel. Fidelidade é a palavra chave. O que é achado fiel ganhará a coroa da vida. (Apocalipse 2.10).


Conclusão

A singular interferência que procuramos oferecer é somente uma provocação em relação ao papel que pastores e pastoras devem desenvolver na dinâmica eclesial. Embora, estes(as) sejam continuamente convidados e até desafiados a serem líderes, torna-se imperativo fugir dessa tentação por intermédio do serviço. O encantamento para se tornar um líder de sucesso é extremamente artificial. Ceder à estrutura de mercado que dinamiza os processos sociais segundo a lógica do sucesso significa trair a vocação e o chamado para cuidar das gentes. Infelizmente, muitos querem marcar suas ralas trajetórias com atos e feitos vultosos. Usam e abusam de seus falsetes ministeriais para imporem visões sobre o improvável. Negam a humildade e se orgulham do fato de se considerarem homens e mulheres de Deus.


Pastoras e pastores precisam ter os olhos fitos no Supremo Pastor, encarnado em Jesus Cristo, cujo pastoreio se restringiu ao cuidado com as pessoas na dimensão do amor humilde. O posicionamento ministerial não possui caminho alternativo. Aqui, vale a máxima do sim, sim, não, não. Ou se é pastor segundo o Supremo Pastor ou se é um(a) líder sintonizado(a) com as demandas do êxito e do sucesso. Neste caso, melhor seria transformar as Igrejas em agências de auto-ajuda a mantê-las mutiladas em seus princípios evangélicos elementares. O sentido da vida humana não reside em se alcançar o sucesso, mas em ficar bem, viver melhor. Deus seja conosco.


Moisés Coppe.

Publicado originalmente em: http://moisescoppe.blogspot.com.br/2014/04/pelo-amor-humilde-pela-vocacao-pelo.html

Outra reflexão sobre o exercício pastoral - Quando a Igreja Abdica de seus Membros (Josué Adam Lazier): http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2014/03/quando-igreja-abdica-de-seus-membros.html

segunda-feira, 31 de março de 2014

Quando a Igreja abdica de seus membros

Quando a Igreja abdica de seus membros



Na história da Igreja sempre houve o fenômeno de membros abdicarem de seus votos e de sua relação com as diferentes Igrejas e ou denominações e se filiarem a outras. Isto é natural, pois as pessoas estão em processo de mudanças e procuram se localizar no mosaico de comunidades religiosas.

Nos últimos tempos temos vivido algo que estou chamando de “a igreja abdica de seus membros”, pois são muitos que deixam de receber o pastoreio, o acompanhamento, a atenção, a orientação em virtude de posicionamentos doutrinários, teológicos ou ideológicos. Da mesma forma que as pessoas estão em processo constante de transformações, as instituições religiosas também e sujeitas a movimentos. Há afirmações de que estes movimentos, ou ondas, duram entre 20 e 30 anos, algumas vezes mais, outras vezes menos, mas elas sempre existirão nas diferentes comunidades cristãs.

O que chama a atenção é o fato de algumas igrejas abdicarem de seus membros, por várias razões, sendo a maior delas o engodo do pensamento homogêneo, ou seja, quem pensa diferente não tem o que oferecer à referida comunidade cristã. Lamentável, muito lamentável. É possível encontrar membros fiéis a seus votos por ocasião de sua filiação, mas ser “excluído” pelas lideranças das comunidades. Na verdade, para algumas, é até bom que os membros que pensam diferentemente não se façam presentes nas reuniões e nas celebrações.

Abdicar dos membros é um reducionismo da ação pastoral e missionária, pois entre suas virtudes a igreja tem a tolerância e a hospitalidade. A tolerância pode ser entendida como aceitar e respeitar os outros e seus pensamentos divergentes, mas mantê-los à distância. Hospitalidade pode ser entendida como convite para entrar em casa e cear. A tolerância pode levar à hospitalidade, no entanto, considerando os contornos que as comunidades cristãs vivenciam hoje, a intolerância é crescente e as portas dos templos estão sendo fechadas para os membros professos com pensamentos divergentes e os agentes pastorais estão se distanciando de parte de suas ovelhas.

A igreja para cumprir com seu papel na sociedade DEVE ser hospitaleira e trabalhar com os diferentes e com os pensamentos divergentes e nunca abdicar de seus membros, sob pena de desaparecer ou se transformar num grupo de iguais que não sabe viver num contexto de contradição, como é a vida em sociedade.

bispo Josué Adam Lazier - publicado originalmente no Facebook.

segunda-feira, 24 de março de 2014

A diferença entre a Igreja que conserta e a que apoia pessoas

A diferença entre a Igreja que conserta e a que apoia pessoas

helping hands
Na última visita às igrejas que suportam o ministério que meu companheiro de vida, fizemos uma parada não planejada para ver um querido amigo, o rev. Steve Cain. Ele estava em plena hora de trabalho em sua igreja com um grupo de pessoas que lutam para superar os mais variados tipos de dependência e que faz parte de um programa amplo nos Estados Unidos chamado: Celebrate Recovery (celebrando a recuperação).
Fomos chamados para partilhar do almoço e das atividades do grupo naquela manhã de inverno intenso. A pessoa que conduzia as reflexões do dia foi categórica em afirmar que era alcoólatra e que, por mais aquele, faria todos os esforços para manter-se sóbria.
Aquela mulher me chocou fortemente ao colocar uma caixa de ferramentas sobre a mesa e afirmar com bastante veemência o seguinte: “Esse grupo não existe para consertar pessoas, mas, para apoiar pessoas…”
Em meu íntimo, fiquei imaginando como esses objetos, que usualmente se guarda numa caixa de ferramentas, são inapropriados para lidar com pessoas. De repente, fui me encolhendo por dentro ao perceber que, o que mais tenho visto nos últimos 25 anos de vida ativa na igreja, é a utilização de ferramentas rústicas e inapropriadas para humanos sendo usadas para ajustar, reformar, remendar, apertar e até desmanchar pessoas.
Parece que, de algum modo, o cristianismo vem perdendo vertiginosamente a humanidade. No trato com as pessoas doentes, machucadas, feridas e quebradas esta desumanidade tem se tornado cada vez mais visível. Ao invés de apoiá-las, para que se fortaleçam e consigam se reerguer por elas mesmas, tenta-se, à força bruta, torná-las à imagem e semelhança daquilo que nem de longe se assemelha às boas novas anunciadas por Jesus de Nazaré.
Em relação a equidade das minorias, em especial aos LGBTs(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) é possível afirmar que há ações e posturas que, além de desumanas, são perversas. Tenta-se “consertar” as pessoas à base do martelo, alicates e serrotes; serrando-lhes não somente o corpo, mas a alma e o espirito. Já não podemos dizer que estamos vivendo em crise de identidade ou em crise dos valores cristãos; estamos sim, nos desapegando da humanidade de Jesus; (re)pregando-o na cruz sucessivas vezes junto com os que sangram machucados pelas ferramentas da grande caixa “cristã”. É assustador.
A título de exemplo, cito o caso do Rev. Frank Schaefer da Igreja Metodista dos Estados Unidos que, após ser alertado por terceiros que o filho era gay e que apresentava tendências ao suicídio, resolveu romper o silêncio e colocar-se ao lado do filho e apoiá-lo, dando-lhe inclusive a benção em sua união homoafetiva. Em consequência disso a conferência do Leste do Estado da Pensilvânia, utilizando-se dos instrumentos da caixa de ferramenta retirou-lhe as credenciais. Melhor teria sido chorar a morte do filho em silêncio?
Penso que a grande questão que nos tem sido colocada por esses e outros fatos é: Será possível afirmar a existência do cristianismo descolado, desgrudado ou separado das “fórmulas” humanizadas e humanizantes que Jesus tinha para lidar com as pessoas?
Será que não alcançamos o ápice da construção de um cristianismo sexista, homofóbico, elitista, branco e capitalista? Se não, que mudanças significativas foram promovidas pela Igreja no avanço dos direitos das mulheres, dos Gays, dos pobres, dos índios e dos negros? E mais, que espaço essas minorias(?) ocupam na Igreja hoje? Elas foram promovidas, ou invisibilizadas pela Igreja?
Até parece que o texto do profeta Isaías (1:11-17) foi escrito para contestar a religiosidade desses dias:
De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.
John Wesley, fundador do movimento metodista, assim repreendia seus pregadores: “Se você não puder trazer alívio, também não traga aflição!”
Que Jesus nos apoie para que consigamos lacrar nossas caixas de ferramentas e adquirirmos forças suficientes para abrir o grande e precioso “Baú de graça” contido na Bíblia.
Pode até ser que o cristianismo institucional esteja agonizando, mas, o Jesus ressuscitado sobrevive além das paredes dos templos através das testemunhas que o imitam na prática de um Evangelho que apoia e levanta as pessoas do chão.
Olhemos para essas testemunhas, e para Jesus, com fé.
Publicado originalmente em: http://marianewnum.wordpress.com/2014/02/24/a-diferenca-entre-a-igreja-que-conserta-e-a-que-apoia-pessoas/

segunda-feira, 17 de março de 2014

Metodistas Celebram o Dia Mundial de Oração com Encontros Ecumênicos - Belém/Pará

Celebração do Dia Mundial de Oração em Belém-PA




O DMO deste ano, em Belém, aconteceu no mesmo local que sediou o do ano passado: Escola do Sagrado Coração de Jesus. O diferencial é que neste ano a celebração aconteceu no templo, e no ano passado, na quadra de esportes.

Com início marcado para as 19h, a celebração aconteceu numa tarde e noite sem chuvas, o que é maravilhoso nesta época do ano aqui.

Todas as igrejas e movimentos ecumênicos que apoiaram o DMO deste ano estavam representados. A condução da liturgia ficou a cargo da Ir Tea Frigerio do CEBI, e da Luíza Virgínia da ACER. 

Como o país homenageado era o Egito, tivemos a participação de quatro mulheres representando as egípcias, desde a antiga até a atual.

As músicas que tratavam de água, manancial e temas correlatos foram escolhidas, cantadas e tocadas pelo Luterart, conjunto musical da Igreja Luterana.

Como acontece todos os anos, as pessoas presentes à celebração receberam como lembrança do DMO 2014 uma pirâmide feita de argila confeccionada no distrito de Icoaraci, em Belém. E como degustação, pão árabe com recheio de pasta de grão de bico e iogurte de frutas.



Este ano, tivemos a participação de onze igrejas e movimentos ecumênicos, a saber: 


  • ACER-Associação Amazônica de Ciências Humanas e da Religião
  • CAIC-Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs
  • CEBI-Centro de Estudos Bíblicos
  • CMNN-Conselho Municipal de Negros e Negras do Pará
  • CRB-Conferência dos Religiosos do Brasil
  • ICAR-Igreja Católica Apostólicas Romana
  • IEAB-Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  • IECLB-Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
  • Metodistas Ecumênicos
  • Movimento dos Focolares
  • 1ª IPI-Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Belém