domingo, 7 de dezembro de 2008

UMA TRÍADE NA ESPIRITUALIDADE MINISTERIAL:CARISMA, CARÁTER E CARIDADE

*Por Bispo Josué Adam Lazier

Introdução

Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.

No que se refere aos ministérios desenvolvidos, a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.

Carisma
Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.

Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.

Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.

Caráter
O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.

Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.

Caridade
Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.

Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com o que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.

Tentando concluir
Não dá para concluir. Esta reflexão apresenta inquietações, preocupações, desafios, provocações, questionamentos, convite para o diálogo e para o aprofundamento do tema do carisma. Vamos seguir conversando...

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*Josué Adam Lazier é Bispo da Igreja Metodista

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A IGREJA E O MESSIAS: A Expectativa de Justiça

* Rev. Efraim Sanches Pereira
"Do tronco de Jessé sairá um rebento, ...julgará comjustiça os pobres,e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra;"(Is 11.1,4)
Sabemos que Justiça é um ideal. Jamais, neste mundo em quevivemos, teremos a bênção de ver prevalecer aquilo que écorreto, digno, justo e perfeito. Esta retidão não é domíniodos mortais, mas dos deuses! Por causa disso, devemos abdicar de buscar a Justiça? Naturalmenteque não!
O ser humano possui dentro de sí o desejo e o apelo desempre procurar viver e agir de forma a manifestar as características que o Livro da Lei, a Bíblia, chama de "Imagem de Deus"implantada em nossas mentes e corações. Assim, nem que seja para se sentir um pouco divino, todo homem/mulher busca ser justo.
A Justiça é uma esperança! É assim que devemos ler este texto da Bíblia, onde o profeta vive um contexto de crueldades, parcialidades, desmandos, corporativismos, deslealdades, subornos dos magistrados, burla da Lei, usurpações de heranças, desigualdade social e econômica, escravidão, violência. Tudo isso é parte integrante da realidade do homem Isaías, que se revolta e num rasgode esperança, apresenta sua visão de como deveria ser um Juíz eou um Rei.
A Justiça também é compromisso. O que admira na palavra doprofeta não é a descrição do que deve ser um homem público,mas sua crença firme de que haverá um dia em que finalmente, oideal de justiça prevalecerá. Ele mantém, mesmo diante de umarealidade adversa, uma confiança de que em breve o Deus Eterno sefará notar na figura de um Enviado, que com seu comportamento perfeito, realizará os anseios e desejos dos injustiçados.
A Igreja está na condição de Agência do Reino de Deus. Ela éo Messias antes que Ele volte. Sua presença na educação, nogoverno, nas várias instâncias da vida cidadã deve sercomprometida com a realização da esperança. O Messias não está patrocinado pelo capital, mas pelo sonho de Deus e seu projeto para homem. As "autoridades" religiosas nada mais são do ques ervos e instrumentos da concretização da vontade de Deus.
Nos aproximamos do Natal, uma das épocas em que a desigualdade e a injustiça mais se fazem notar. É o momento de reafirmarmos, juntamente com Isaías, o compromisso com um futuro diferente desse nosso presente, em que inocentes são presos; autoridades não tem pejo de vir a público dizer que não punirão o faltoso, por puro corporativismo; pais de família são despedidos, em detrimento do capital; crianças são postas no mundo sem qualquer responsabilidade; poucos teimam em ter muito, quando muitos não tem nada; alguns retém mais terra do que podem cuidar; trabalhadores dignos, tratados indignamente, ficam sem salário; criminosos ilustres ficam sem punição. E se continuar, faltará espaço!
Diante do exposto, na figura do Messias, (que não tem nenhumcompromisso com essa estrutura religiosa que existe em nosso mundo e que teima ilegitimamente em ser Sua representante), assumamos com o profeta:"Naquele dia recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será amorada". (Is 11.10). Renovemos nossa confiança; não abandonemos nossa utopia, pois outros viveram antes de nós, que alimentaram sua luta nesta mesma esperança, certos de que as gerações futuras não abandonariam o ideal. É difícil, mas deve sempre existir alguém que mantenha a Luz acessa, para esta denuncie e espante as trevas. Se a lâmpadaapagar-se, como encontrar o caminho?
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*Rev. Efraim Sanches Pereira- 5ªRE

sábado, 29 de novembro de 2008

Ética Pastoral

Está aberto convite para artigos sobre a Ética pastoral tendo como fonte as orientações dos cânones da Igreja Metodista do Brasil.
A idéia é expandir para as comunidades locais orientações básicas sobre o papel e os limites do "poder pastoral". Se você tem uma contribuição sobre esse tema Envie seu artigo ao email:
metodista_confessante-owner@yahoogrupos.com.br*Foto é da "Mesa da Graça" no primeiro encontro presencial Confessante
*Foto é da "Mesa da Graça" no primeiro encontro presencial Confessante

Casa dividida não subsiste

*Por Efraim Sanches Pereira
"se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir" Mt 3.25

Tenho ouvido algumas notícias advindas do mundo metodista. Informam que foram instaladas "tendas da prosperidade" em nossas igrejas, e o povo está passando por elas; que existem comunidades ainda celebrando os seus cultos utilizando o Hinário Evangélico e igrejas que nem mais sabem que existiu um dia esse Hinário. Cantam a esperança e a experiência das outras denominações.
Existem ainda, aqueles que, no afã de protegerem-se contra as artimanhas e ataques do Maligno, amarram correias ao pescoço de outros, batizam-nos de Leões de Judá e saem urinando nos cantos dos templos, para marcar o território de Jesus, o Leão de Judá. Existem os metodistas que querem viver a experiência do Apóstolo Paulo, de ter ido até ao terceiro céu. Assim, praticam o arrebatamento em suas reuniões de oração, levando colchonetes para as mesmas, sendo embalados ao som de músicas evangélicas hipnotizantes, com a finalidade de viver tais experiências astrais.
Existem os preocupados com o aumento do número de membros, que se apropriam da linguagem e dos métodos dos batistas, presbiterianos, e os aplicam na evangelização e discipulado na busca do crescimento da Igreja.
Existem aqueles que aprenderam que a religião é um fenômeno e por isso, todas essas manifestações místicas são coisa da ignorância que grassa no meio do povo brasileiro. É preciso racionalizar a fé. Existem os que entendem que a religião e o metodismo só se justificam no serviço libertário á favor do pobre contra a opressão do rico e do capitalismo.
Também existem os que enxergam na igreja um meio de ascender socialmente, preparando-se para serem os futuros dirigentes das nossas instituições, na ânsia de ganhar dinheiro e poder.Existem os que vivem das modas. Dente de ouro, arrebatamento, Dons espirituais, batalha espiritual, caminhadas para Jesus, e etc. Existem os irmãos que percebem Satanás em cada canto da comunidade e desejam exorcizá-lo, falar dele o tempo todo, alertando os desavisados e inconscientes. Precisam ser ensinados dioturnamente sobre as artimanhas do maligno.
Ao tomar conhecimento dessas notícias, também fico sabendo e vendo que existem metodistas interessados em conhecer as doutrinas de João Wesley e se aprofundar no saber bíblico, sem, contudo, descobrir onde. Ao cumprir minha disciplina diária iniciando com minha meditação matinal, esbarro no versículo acima e, quase automaticamente, lembro-me de outro texto da Palavra de Deus: "O meu povo está sendo destruido porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu, te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da Lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos" Os 3.6.
Minhas orações dessa manhã são para que as ovelhas do Israel espiritual reunido na Igreja Metodista brasileira encontrem o verdadeiro pastor, nos seus pastores e em seus bispos, pois "se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir" Mt 3.25.
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* Efraim Sanches Pereira é Revdo metodista da 5aRE

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

WESLEY E NÓS

WESLEY E NÓS

“Não tenho medo que o povo chamado metodistas deixe de existir na Europa ou na América. Somente receio que eles existam como uma seita morta, tendo a forma de religião, mas não o poder dela; e isto certamente será o caso se não conservarem a doutrina, a disciplina e o espírito com que iniciaram a jornada”.
John Wesley

A guinada reacionária que a Igreja Metodista vem sofrendo ao largo nas últimas duas décadas por causa da forte concorrência praticada no mercado dos bens religiosos imposta pelo avanço do neo-pentecostalismo e do gospel marqueteiro, é uma tentativa desesperada de se evitar o pior: a débâcle institucional do metodismo brasileiro. Digo institucional porque programaticamente temos deixado de ser metodistas de forma gradual ao longo de nossa história de mais de duzentos e cinqüenta anos. Historicamente este não foi um problema criado por nós, pois foi importado junto com os missionários.

Na Grã-Bretanha o metodismo primitivo foi uma resposta religiosa aos primórdios da revolução industrial, ao surgimento e crescimento dos centros urbanos, à formação do proletariado. Nas colônias da América do Norte se viveu uma conjuntura completamente diferente pois a colonização redundou na formação de uma sociedade praticamente rural e agrária formada por sitiantes pequenos e independentes. Em conseqüência os metodistas norte-americanos abandonaram num curto período de tempo o ensino e a pratica da santidade de coração e vida promovida pelo movimento wesleyano no interior de uma igreja estabelecida – Church of England (Igreja da Inglaterra). Ao invés de um movimento de renovação houve a formação de uma instituição denominacional – The Methodist Episcopal Church (Igreja Metodista Episcopal). Houve também ao mesmo tempo a substituição progressiva da co-responsabilidade no crescimento gradual em santidade promovida nas classes metodistas pela introversão intimista e exacerbada das conversões instantâneas promovidas pelos “camp-meetings”, o carro-chefe dos “American Revivals” . De fato o que ocorreu foi a apostasia individualista que tomou conta não somente do metodismo mas de todo o espectro religioso norte-americano. Tal apostasia transformou numa religião introvertida a religião social tão cara a Wesley, que proclamara “O evangelho de Cristo não conhece religião, que não seja religião social; não conhece santidade, que não seja santidade social”, religião e santidade sociais que encontraram sua maior expressão nas classes metodistas do metodismo primitivo.

O metodismo que recebemos no Brasil na última quadra do século dezenove já exacerbadamente individualista foi o resultado desse processo de acomodação do metodismo à sociedade de consumo norte-americana, consolidada vitoriosamente ao longo de todo aquele século. Basta ver a forma como nos Estados Unidos a escravidão deixou de ser uma questão soteriológica inerente à espiritualidade wesleyana, nos termos intransigentes de Wesley e Cooke, passou a ser considerada uma questão política pelo metodismo oficial e majoritário americano, portanto, sujeita às barganhas e conchavos de grupos, quer fossem escravagistas ou abolicionistas. Essa foi a prova mais evidente que o metodismo de Asbury e Jesse Lee, ao contrário do de Wesley e Cooke, no dizer feliz de um estudioso do metodismo norte-americano, resolveu ser uma igreja grande ao invés de ser uma grande igreja. Por isso, desde então, o nosso metodismo ter renunciado na prática ao compromisso proposto por Wesley de “Reformar a nação, de maneira particular a igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra”.

É freqüentemente afirmado que atual crise do metodismo brasileiro tem a ver com a chamada crise de identidade do metodismo. Mas em termos de crise de identidade confessional não estamos sozinhos. Esta é uma tensão que as demais igrejas, inclusive a católica com o crescimento avassalador de sua renovação carismática, e mesmo as pentecostais clássicas, como a Assembléia de Deus, não estão sabendo responder e acabam indo a reboque das incessantes novidades do mercado de bens religiosos. Aí diante da concorrência agressiva do neopentecostalismo, querendo salvar a instituição igreja, se deixam levar pelo que mercadologicamente dá certo – se o marketing religioso funciona então é bom e certo. O resultado dessa obsessão conservadora com o fortalecimento institucional e mercadológico é sua fixação com o crescimento numérico a qualquer custo. Creio que não há forma mais hedionda de mundanização da Igreja do que esta de se render o projeto missionário da Igreja ao deus mercado, voltando-se idolatricamente as costas a JAVÉ. Isto sim é que é IDOLATRIA!

Diante do crescimento exponencial de outras igrejas, muitas lideranças metodistas são levadas a assumir discursos e práticas do chamado neopentecostalismo no intento de atingirmos semelhantes índices de crescimento numérico. A afirmação do metodismo histórico é encarada como uma ameaça ou impedimento para o crescimento da Igreja e, pior, como fator de perda de membros de nossas igrejas para igrejas cujas teologias e práticas estão próximas de posicionamentos mais conservadores ou, até mesmo, fundamentalistas. Daí o ataque ao batismo infantil, ao batismo por aspersão (com a crescente prática de rebatismo imersionista, não só de católicos mas até mesmo de metodistas ou outros evangélicos batizados na infância), à santa-ceia para as crianças, ao sacerdócio universal de todos os crentes (o laicato manipulado pela crescente clericalização do pastorado metodista), às propostas do Plano de Vida e Missão da Igreja, ao ecumenismo, à itinerância pastoral, ao pastor cura-de-almas (substituído pelo pastor animador de auditório), ao sistema episcopal, ao genuflexório e ao altar (substituídos na maioria de nossas igrejas pelo palco da sociedade de espetáculo), à hinologia do HE e à hinologia metodista dos anos 80 e 90, à Faculdade de Teologia, às Diretrizes para a Educação Metodista, às pastorais populares junto a grupos sociais empobrecidos e fragilizados, às pastorais escolares, aos grupos societários e suas Federações e Confederações, à Escola Dominical (para uma Igreja de 180.000 membros temos somente 90.000 alunos na ED!), às revistas da Escola Dominical, à Festa de Suzana Wesley, e por aí vai a coisa.... Paralelamente, tem havido em muitas de nossas igrejas crescente introdução de ensino e costumes próprios do movimento neopentecostal. Curiosamente o atual ataque hiper-conservador ao ecumenismo, ao liberalismo e à teologia da libertação não faz nada mais, nada menos, do que, mutatis mutandis, reprisar os mesmos ataques que o movimento “Esquema” no Concílio Geral de 1965 fez ao ecumenismo, ao modernismo e ao comunismo! A história, quando se repete, mais do que farsa, o faz freqüentemente em forma de tragédia...

Creio que concessões doutrinárias e práticas como essas entre os metodistas acabam por nos tornar presas fáceis de práticas como G-12 (com os seus “encontros com Deus”), Louvor, Ato e Danças Proféticas, Igreja com Propósito, e outros, pois não sabemos mais afirmar com clareza e coragem o que nos distingue do neopentecostalismo, e deixar claro por que não podemos aceitar que a agenda de tais movimentos seja adotada acriticamente por um grupo crescente de pastores e pastoras metodistas somente porque produz crescimento numérico da igreja. E digo isto não porque sou contra crescimento numérico mas porque entendo que, como já nos advertiu anos atrás o líder pentecostal argentino Juan Carlos Ortiz em seu livro O Discípulo, freqüentemente a Igreja tende a tomar crescimento numérico como resultado de crescimento espiritual quando na verdade o que está ocorrendo é inchação, que não é sinal de saúde mas de doença grave. Por outro lado, tais concessões teológicas e práticas nos levam a cair na falácia do argumento que não se deve criticar o crescimento numérico das igrejas de tais pastores e pastoras, nas diferentes regiões da Igreja Metodista no Brasil, pois é descrer do “mover de Deus” e crescimento numérico é que enseja a possibilidade de crescimento qualitativo, numa espécie de absurdo silogismo de que é quantidade que produz qualidade, numa inversão do ensino de Jesus de que é a árvore boa que produz bons frutos.

Contudo, creio que há muita gente que não compactua em nada com essa guinada reacionária de nossa igreja. Muitos, tanto entre os chamados conservadores-tradicionais e carismáticos, como entre os chamados progressistas (rótulos para mim considerados como ultrapassados já que não fazem mais sentido diante da gravidade da atual situação da igreja), estão insatisfeitos com os atuais caminhos do metodismo brasileiro. Esta insatisfação não é tanto com o que aconteceu em Aracruz, mas é muito mais com o que vem acontecendo em todos os níveis de nossa denominação, pela forma como entre nós a doutrina e a prática do metodismo histórico vêm se desfigurando ao longo das últimas décadas.

Estou cada vez convencido que para superar tal obsessão institucional e mercadológica temos de reinventar no interior da Igreja Metodista a estratégia de John Wesley de permanecer dentro e fora da igreja, elusivamente como ele o fez. Declarar adesão incondicional á igreja e ao mesmo tempo buscar ser uma comunidade espiritual de resistência intra-eclesial nos termos wesleyanos da constante tensão entre a santidade da vida e a vida de santidade. Reinterpretar para nossos tempos pós-modernos do capitalismo tardio a doutrina wesleyana da santificação não como prática religiosa introvertida, mas de crescimento em amor a Deus e ao próximo inseridos nas experiências do duro cotidiano. Santidade pessoal manifesta na santidade social, numa tensão criativa entre obras de misericórdia e obras de piedade. Santidade pessoal e social como caminho de salvação, pois “se não somos salvos pelas obras, não somos salvos sem as obras”, no dizer de Wesley, citando Santo Agostinho, “Aquele que nos fez sem nós, não nos salvará sem nós”. Santidade interior em termos das motivações mais profundas de nossa existência e santidade exterior no compromisso fiel no uso disciplinado, contínuo e constante dos meios de graça, e no exercício contínuo das obras de amor na solidariedade irrestrita com os pobres e os setores mais vulneráveis de nossa sociedade, o amor incondicional a Deus e ao próximo.

Ao afirmamos o caráter soteriológico da santidade de coração e vida, afirmamos também que a santidade que buscamos é uma santidade ética e a ética que defendemos é uma ética de santidade – santidade da vida e vida de santidade! Com este compromisso resgatamos a força da proposta do Plano de Vida e Missão em seu engajamento na luta em favor da vida e contra todas as forças que produzem a morte.

Em resumo, estou convencido de que devemos esquecer definitivamente o modelo denominacional inserido no mercado dos bens religiosos e reinventar o modelo wesleyano contra-cultura de “ecclesiola in ecclesia”. Continuarmos dentro da igreja comprometidos com sua renovação, mas sem apostarmos na “salvação” da igreja institucional, desafiando a prática eclesiástica vigente através de uma prática eclesial de forte disciplina devocional comunitária e pessoal. Assumirmos nossa própria agenda em termos de santidade de coração e vida – de intensa espiritualidade wesleyana acaboclada (nos moldes de Taizé e Iona, no espírito mas não necessariamente de sua forma). Nos colocarmos a serviço da Igreja sem aceitar participação no seu jogo político. Não nos desgastarmos nas lutas políticas pelo controle dos órgãos burocráticos da Igreja – como concílios, coordenações, comissões, conselhos, etc.. Aceitarmos, sim, participar deles sempre que ofereçam possibilidades para o exercício da lógica da santidade da vida na prática cotidiana e dinâmica das obras de misericórdia e de piedade.

Para tal penso que enfrentar pessoal e comunitariamente duas duras questões colocadas pelos irmãos Wesley aos primeiros metodistas quanto à prática das obras de misericórdia e de piedade:

(1) Como submeter o nosso exacerbado individualismo ao compromisso com a religião social expressa na vida comunitária disciplinada – reinventar a vida disciplinada em comunidade nos termos wesleyanos de co-responsabilidade na caminhada mútua [reinvenção das classes metodistas à luz da experiência das CEBs?];

(2) Como submeter nossas aspirações econômicas pequeno-burguesas ao compromisso com os pobres – reinventar, no contexto do capitalismo consumista, a ética econômica de Wesley de “ganhar tudo o que puder, poupar tudo o que puder, e dar tudo o que puder” (Sermão 50 – “O Uso do Dinheiro”).

Tal reinvenção significará a gente deixar de apostar incondicionalmente na instituição eclesiástica (pois, “deixem os mortos enterrarem os seus mortos”... “não se põe remendo novo em pano velho”... “arrependei-vos e crede no evangelho”), mas sim procurar explorar as brechas institucionais que por ventura ainda existam (“enchei as talhas”... “lançai as redes”... “tirai a pedra”... “das riquezas de origem iníqua fazei amigos...”), e buscar desenvolver práticas eclesiais e missionárias alternativas na adoração, proclamação, testemunho e serviço. A denúncia profética das atuais práticas da religião de mercado entre nós metodistas será respaldada pelo anúncio do Evangelho do Reino mediante o testemunho eclesial missionário não-eclesiástico, no engajamento em projetos missionários concretos, prioritariamente juntos aos setores mais sofridos e vulneráveis de nossa (como, por exemplo, Uma Semana para Jesus da 5ª Região Eclesiástica). Esta será nossa maneira de reinventar o mandato histórico do metodismo de “Reformar a nação, de maneira particular a igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra”. Com John Wesley missionariamente declararemos o mundo, e não a igreja, como nossa paróquia, reafirmando assim o espírito católico (ecumênico) do metodismo.

Creio que nós metodistas brasileiros, especialmente as lideranças pastorais e as lideranças leigas altamente clericalizadas, não estamos sabendo dentro de nosso contexto ter a mesma sabedoria espiritual de João Wesley, que percebendo os sinais do tempo, não aceitou ser um mero “entusiasta”, nem também um mero “deísta”, e muito menos um mero “antinominiamo” ou “quietista”. Foi assim que Wesley, com suas possibilidades e limitações, através de uma espiritualidade articulada em termos de santidade de coração e vida, levou a sério as demandas missionárias do povo de seu tempo, particularmente das empobrecidas e incultas massas urbanas na emergente sociedade industrial da Inglaterra, e pode responder aos desafios de sua época.

O avivamento metodista do século XVIII é um bom exemplo de um movimento espiritual que procurou não perder o trem da história. Meu temor é que, como a Igreja da Inglaterra nos dias de Wesley, a instituição metodista brasileira, a nossa amada Igreja Metodista, parece que não sabe mais como fazer isto. Por isso, creio que estamos diante de uma situação tão nova que exige não o tentar restaurar o passado, mais sim afirmar o nosso compromisso com o futuro que está por chegar. Tal compromisso demanda de todos nós o mesmo rigor e compromisso espiritual, intelectual e pastoral que Wesley teve em seus dias. Não se trata mais de querer imitar ou reproduzir Wesley e o seu movimento em nossa época, mas como ele ter uma efetiva espiritualidade que responda aos desafios do mundo de hoje, e, assim descobrirmos novos caminhos que nos capacitem desenvolver uma práxis teológico-pastoral que nos possibilite enfrentar com decisão e destemor a crise espiritual e teológica que vivemos em nossos dias.


“Ecclesia reformata semper reformanda est.”

SOLI DEO GLORIA!
Reflexão apresentada pelo Bispo Paulo Ayres Mattos na abertura do Primeiro Encontro de Metodistas Confessantes

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Renovação do Batismo abre a liturgia do encontro

O Primeiro encontro presencial de Metodistas Confessantes da Tradição Wesleyana, foi marcado por momentos de alegria; aberto e fechado pela liturgia primorosa sob a coordenação do Reverendo Luiz Carlos Ramos e sua equipe litúrgica, que incluiu seu filho de 5 anos, sua graciosa esposa Vasti, Wesley Dourado e Lizéte Espíndola...
O início da liturgia foi carregado da grande emoção ao propiciar a reconfirmação simbólica do batismo, em que leigos/as e clérigos/as juntos/as levaram a fronte de uns/as dos/as (sem nenhuma preocupação hierárquica) a água batismal; que evidenciou, de forma natural e não planejada, o caráter leigo do Movimento Metodista Confessante.









Bombom d+...

Um momento muito “doce” marcou a integração... Um bombom correu a roda dos/as confessantes. As risadas, os abraços calorosos, as surpresas de testemunhos dados de uns/as sobre os/as outros/as tomou a maior parte do momento matinal... Cleber Paradela deu um show a parte contando um fato que lhe ocorreu no metrô. Todos/as riram muitoooo!!!




Com competência bondosa e serenidade desafiadora Jaider Batista e Bispo Paulo Ayres deram um show... e foram aplaudidos de pé.

Sob os temas: “Conjuntura da Igreja Metodista: desafios colocados pelas mudanças no campo religioso brasileiro”; por Jaider Batista. E “Como a experiência de Wesley nos ajuda a responder aos desafios atuais”; por Bispo Paulo Ayres, inciaram-se as reflexões inciais do encontro. Brevemente um resumo será disponibilizado...



Grupos se reunem para discutir temas da palestras




Relatores/as apresentam resumos das discussões




Mesa da graça: mugunzá, castanhas de cajú, cocadinhas, suco de uva do Rio grande e uvas de Maringá

No Café da tarde foram saboreadas as delícias regionais, após oração em volta da mesa da graça.



Grupos na parte da tarde debatem os objetivos de atuação do Movimento




Debate das discussões da Tarde




Santa Ceia de encerramento



Hora dos mimos:

No momento de ação de graças a pianista Liséte Espíndola, e demias da equipe de luturgia receberam mimos... Paulo Bessa foi mimado com cocadinhas trazidas de Salvador por Paradela e Karol e Vanessa que organizaram o Café receberam uma rosa. Todos/as receberam bombons. Os mimos foram comprados com oferta de nosso querido Paradela. E delicioso Café foi patrocinado por Paulo Bessa. Houve ainda ofertas voluntárias que será guardada para o próximo encontro que será em breve ...


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um punhado de sal

Um punhado de sal

Metodistas confessantes fazem seu primeiro encontro

“Não queremos construir um novo saleiro. Queremos apenas ser sal”. Talvez um dia inteiro de discussões sobre identidade e missão do metodismo no Brasil possam ser resumidos nessa única frase, nascida das reflexões do missionário Derrel Santee. Não é pouca coisa. Nessa frase, o grupo de metodistas reunido na Universidade Metodista de São Paulo, no dia 1 de novembro, destaca o seu desejo de contribuir com o fortalecimento da missão e com a valorização do metodismo brasileiro sem a necessidade de construir novas estruturas eclesiásticas ou disputar cargos nas já existentes. Uma célebre frase de John Wesley foi escolhida para definir o objetivo do grupo que nasceu a partir de uma lista de diálogos da Internet: “Deus nos levantou não para ser uma nova seita, mas para reformar a nação, particularmente a Igreja e para espalhar a Santidade Bíblica por toda a terra”.

Embora o grupo tenha escolhido o nome de “Metodistas Confessantes” – numa referência ao compromisso da Igreja Confessante do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer – o que caracteriza esse grupo de metodistas é a paixão pela tradição wesleyana. Busca-se a construção de espaços para encontros de leigos(as) e pastores(as) interessados (as) e comprometidos com pontos essenciais da tradição metodista.

Cerca de trinta pessoas vários lugares do país estiveram presentes neste primeiro encontro. Da lista de diálogo virtual já existem mais de 130 associados. E o número de inscritos deve crescer, pois o grupo pretende criar site, fóruns de discussão e novos encontros presenciais.

O grupo pretende se manter não apenas como uma lista de diálogo virtual, a Rede Metodista Confessante – um espaço para reflexões sobre teologia e missão e cultivo da espiritualidade – mas também como um espaço de produção e socialização do conhecimento que capacite e fortaleça as igrejas locais, oferecendo alternativas de recursos teológicos, litúrgicos e didáticos comprometidos com os valores do Reino e com a história do metodismo. Do grupo fazem parte pessoas de várias idades e experiências de vida. São pessoas que sentem que podem e devem contribuir com seus conhecimentos e experiências para a missão.

Viabilizar este objetivo é, agora, o desafio do grupo. Por isso, durante o sábado inteiro muitos temas foram debatidos. Após uma análise da atual conjuntura do protestantismo brasileiro e do metodismo, em particular, o grupo discutiu seus objetivos e formas de atuação na Igreja. Oferecer oficinas de música e liturgia, preparar e disseminar materiais para estudo bíblico, divulgar livros e CDs metodistas, revitalizar o uso do Hinário Evangélico e a produção musical da Igreja são algumas das ações possíveis, no sentido de valorizar a história e o passado do metodismo com vistas ao futuro.

O grupo ainda não definiu como se organizará e como poderá concretizar seus objetivos. Há muito para discutir, definir, executar. Um primeiro passo já foi dado. Se o sal conserva o seu sabor, ele é indispensável. Se o grupo dos Confessantes conseguir se articular, a despeito das dificuldades de agenda e tempo da vida moderna, ele poderá temperar o metodismo brasileiro de boas idéias, criatividade e um compromisso histórico com os valores do Reino.


Suzel Tunes

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Programa do 1 Encontro



08:00 - Café da Manhã comunitário

09:00 – Celebração (início que culminará na celebração eucarística final): acolhida e construção de comunidade. A cargo do Rev. Luiz Carlos Ramos.

09:30 – Introdução geral e recuperação da memória da constituição do grupo: Objetivos do encontro e motivações que levaram ao surgimento do grupo na internet (Fábio Martelozzo, Maria Newnun e Anivaldo Padilha).

09:45 - Reflexões e análises:
“Conjuntura da Igreja Metodista: desafios colocados pelas mudanças no campo religioso brasileiro”. Jaider Batista.

“Como a experiência de Wesley nos ajuda a responder a esses desafios”. Bispo Paulo Ayres.

A sugestão desses temas é motivada pela percepção de que ainda não temos uma compreensão muito clara sobre a crise do protestantismo brasileiro, os fatores que influenciam determinadas práticas religiosas, o que essas praticas representam e a que tipo de necessidades elas respondem. Alem disso, parece também que não há muita clareza ou consenso sobre o que queremos dizer quando nos referimos à ”herança wesleyana”. Um mínimo de clareza sobre esses dois temas é crucial para chegarmos a um consenso sobre alguns princípios e objetivos para o grupo “Metodistas Confessantes”.

11:00 – Intervalo para café

11:20 – Reunião em pequenos grupos. Discussão sobre as duas palestras:
“Como vemos a nossa igrejas, hoje, à luz das duas palestras?” Cada grupo escolherá um/a relator/a para reportar ao plenário, no início da tarde.

13:00-14:15 - Almoço em algum restaurante nas proximidades da Umesp.

14:30-15:15 – Plenária: momento de compartilhar e reagir às reflexões dos pequenos grupos.

15:15 - Reunião em pequenos grupos. Temas para discussão:
Princípios e objetivos do grupo; metodologias; critérios de participação; formas de articulação (coordenação, regionalização etc.). Cada grupo elege um/a relator/a para reportar ao plenário. Essas pessoas se reúnem durante o café para sistematizar as propostas e apresenta-las ao plenário de forma a mais organizada possível.

Este é o momento de pensarmos sobre o que fazer: será que já temos condições de nos considerar um grupo ou movimento? Se nossa resposta for sim, como deveríamos nos organizar? Se a resposta for não ou mais-ou-menos, quais os passos ainda necessários para chegarmos a ser um movimento? Vale a pena nos constituir em movimento? Com que objetivos? Com quem?

16:00 - Intervalo para café e confraternização

16:20 - Plenária: relatório dos grupos e discussão das propostas.
Encaminhamentos para o futuro.

17:30 - Encerramento: celebração eucarística.

18:30 - jantar e despedida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Primeiro encontro de Confessantes da Tradição Wesleyana

“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nesta vida.” - Vinícius de Moraes Tema: Consolidar, Avançar e Agir pela Identidade Metodista

Local: Universidade Metodista de São Paulo - Rua do Sacramento, 230 – Bairro Rudge Ramos - São Bernardo do Campo – SP – Auditório do Ed. Capa
Data: 1º de Novembro de 2008
Horário: Início às 8h da manhã – Encerramento às 18h

Mesa da Graça: Haverá uma mesa grande para acolher algo que simbolize seu Estado e sua cultura local para dividir com os presentes: Exemplo: Uma cesta de pão de queijo mineiro, mini-rapaduras do nordeste, etc...
O convite é estendido à crianças, juvenis, jovens e adultos leigos/as e clérigos/as metodistas "inscritos" no grupo da Rede Metodista Confessante: http://br.groups.yahoo.com/group/metodista_confessante/

Para Confirmar Presença Envie email para: metodista_confessante-owner@yahoogrupos.com.br

Acompanhe maiores informações no Blog: http://metodistaconfessante.blogspot.com/

domingo, 17 de agosto de 2008

Ao Confirmar presença para Primeiro Encontro

MUITO IMPORTANTE: Amig@s

- Caso queira estacionar na UMESP envie o número da Placa do veículo, pois, estamos “tentando” conseguir autorização para estacionar. Caso consigamos a segurança só permitirá estacionar tendo previamente o número da placa;

- Informe se vai ficar em hotel, casa de amigos ou se precisará de hospedagem. Estamos solicitando que @s Confessantes de São Paulo, acolha @s irm@s. Paulo Bessa oferece duas vagas.
- Em último caso, poderemos “tentar” hospedagem na UMESP para quem precisar. Mas para isso, precisamos de saber com muita antecedência, pois a UMESP estará sediando a Semana de Estudos Teológicos.

Contamos a gentileza de tod@s no envio dessas informações, o quanto antes.

Saudações da Equipe de Organização.

Lista de Hotéis

Hotel Blue Tree Tower (Santo André)
Hotel Ibis (Santo André)
Hotel Mercure (Santo André)
Hotel Pampas Palace, www.pampaspalacehotel.com.br, (11) 4122-2000
Park Plaza Hotel, www.parkplaza.com, (11) 4126-5500
Hotel Liau Park Plaza (São Bernardo do Campo)
Park Plaza Suítes (São Bernardo do Campo)

sábado, 16 de agosto de 2008

Identidadade Confessante: Consolidar, Avançar e Agir

1. Valorizando a Identidade Metodista.
O movimento de metodistas organizado na Rede Metodista Confessante é um desafio imenso, primeiramente porque tomamos de empréstimo o testemunho da Igreja Confessante, movimento d@s que não se dobraram à aquiescência da Igreja Evangélica da Alemanha ao nazismo. (Saiba mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Confessante). Portanto, o principal critério de participação nesse movimento brasileiro deve ser o da disposição ao testemunho.

Dar testemunho em tempos de autoritarismo e de recusa à transparência, implica declarar que “Deus é Luz e não há nEle treva alguma”. Implica assumir o princípio republicano de que tudo o que não for compatível com a luz do dia atenta contra o interesse geral. Implica denunciar o obscurantismo não apenas como fanatismo, sua face mais declarada e menos perigosa, mas, principalmente, como a proibição do dissenso. Na afirmação d@ outr@; do dissenso como necessário à saúde do corpo eclesial e na recusa a reduzir @ outr@ a espelho de nós mesmos; firmamos nossa unidade.

Nisso cabe a expressão do bispo brasileiro Paulo Ayres Mattos: “A noção de equilíbrio, concebida pelo metodismo histórico, nada tem a ver com a balança com os pesos justapostos. Tem a ver com o trapézio e a corda do circo – o equilíbrio não como ponto de descanso, de segurança, mas de tensionamento permanente e contínuo, de movimento e criatividade”.
No sermão 120, John Wesley deixa evidente esse “tensionamento” quando pergunta: “ Mas será que somos verdadeiros com relação aos nossos próprios princípios? Por enquanto não usamos fogo ou varas. Não perseguimos até à morte aqueles que não concordam com nossas opiniões. Graças a Deus, as leis do nosso país não permitem isso;(...)”. Fica aí evidente o reconhecimento de Wesley sobre o caráter (ou falta) de certos cristãos metodistas e a indicação que ele não jogava as coisas para baixo do tapete eclesial.

Outro desafio desse Movimento Confessante deve-se à nossa proposta de voltar ao “útero” do metodismo histórico. Ou seja, “re-descobrir” quem nós fomos e quem somos hoje. Isso pode nos surpreender de duas maneiras: 1) Poderemos descobrir que estamos na Igreja errada; que por não conhecermos a História do Metodismo vivíamos um engano; ou 2) Poderemos descobrir o quanto estamos distantes de nossas raízes espirituais e missionárias.
Para dar uma amostra do que poderemos descobrir fazemos uso das palavras de Duncan Reily:
“Talvez a primeira coisa a estabelecer é que o Metodismo faz parte integrante do movimento protestante. Somos herdeiros da Reforma, mediante a Igreja da Inglaterra, cujos Trinta e Nove Artigos formam a base dos Artigos de Religião do Metodismo e cuja liturgia (O Livro de Oração Comum) exerceu muito mais influência na liturgia metodista do que muitos metodistas imaginam. Segundo Duncan Reily, podemos dizer que o Metodismo aceitou as três colunas principais da Reforma, a saber:
— A autoridade das Escrituras,
— a Justificação pela Fé
— e o Sacerdócio Universal dos crentes” . E Reily completa: “Tendo dito isso, temos que notar que, pela ênfase wesleyana na Santificação e Perfeição Cristã, o Metodismo também tem uma afinidade básica com o Catolicismo.” (In Revista Em Marcha: História da Igreja. Extraído das lições de nº 15, 16 e 17)

No mesmo estudo Reily aponta 5 chaves para compreender nossa Herança Metodista:
1. A experiência religiosa de Aldersgate;
2. A evangelização;
3. O povo
4. A ênfase na santificação/perfeição cristã;
5. A ênfase missionária do metodismo wesleyano.

Localizar a evidência ou ausência desses 5 elementos da tradição no metodismo atual e refletir sobre as implicações missionárias e institucionais, sãos alguns dos objetivos d@s Metodist@s integrados à Rede Metodista Confessante.

Com a finalidade de corrigir as confusões dos pregadores e seguidores Wesley escreveu As Marcas de um Metodista; na página 2 ele diz: “Não desejamos ser também reconhecidos por ações, usos e costumes que sejam de natureza inconseqüente. Nossa religião não consiste na maneira em que nos vestimos, na postura do nosso corpo ou no cobrir de nossa cabeça; nem ainda em abstermo-nos do casamento, do comer carne ou bebidas, que são todas coisas boas, se recebidas com ações de graça.“

Divulgar os documentos de Wesley, desafiar o estudo de seus sermões; unir e reunir o Povo Chamado Metodista em encontros fraternos será uma das atividades da Rede Metodista Confessante. Junt@s vamos Consolidar, avançar e Agir. Junte-se à Rede!

Identidadade Confessante: Convite à união

2. À luz do protestantismo promotor da razão e da crítica - protestantismo esse que orientou John Wesley; convidamos homens, mulheres, jovens e juvenis Metodistas do Brasil a se juntarem ao Movimento Metodista Confessante a fim de que junt@s possamos enfrentar com “equilíbrio” as “tensões” que precisam ser encaradas de frente; considerando inclusive que essas “tensões” não provém apenas de causas internas e nacionais mas, inclusive, das das transformações e dos desvios ocorridos no protestantismo mundial.

Nós, metodistas, sempre fomos do dissenso na experiência, do pluralismo no pensar e deixar pensar, mas nos reconhecíamos intensamente na vida comunitária e na disposição de caminhar junt@s. Somos de origem diferente na mesma Igreja que nos acolheu um dia: pietist@s, puritan@s, crentes pentecostais, carismátic@s, da tradição litúrgica, da transformação social, da denúncia profética, do trabalho pela justiça no mundo. 
Recuperar o dissenso na experiência e a unidade (diferente de hegemonia) na vida comunitária e nos propósitos de ser Igreja é a principal motivação da Rede Metodista Confessante. Não temos dificuldade em caminhar junto com irm@s metodistas de experiência de fé diferente da nossa. É chegado o tempo de percebermos, de uma vez por todas, que as divisões e cortes dentro de nossa Igreja não decorem das questões relacionadas às formas como cada indivíduo expressa sua espiritualidade. Mas, por nossos compromissos íntimos ou pela ausência deles. É importante entendermos que o contrário de intolerância não é tolerância, mas, respeito ao diferente, seja ele ou ela quem for.

Se não conseguirmos testemunhar o mínimo de união e respeito mútuo dentro de casa cristã, como pensar em sermos “sal e luz” no mundo?

Identidadade Confessante: . No cristianismo todos sãos sacerdotes e sacerdotisas

3. Ao passo devemos tolerar as diferentes expressões de fé dentro de nossa igreja e fora dela, é preciso sermos intolerantes com todas as formas de oportunismos, corrupções, desonestidades, autoritarismos e personalismos que permeiam as estruturas eclesiásticas. A esperteza mundana, a apropriação do espaço público da Igreja como ambiente particular de mando e manipulação; o domínio do aparato eclesiástico para fins escusos e para a censura ao diferente, precisa deixar de ser referendada pela nossa ingenuidade. Refletindo sobre o papel da juventude Tamara L. Walker diz: “... os sistemas sociais e políticos definem liderança em termos de 'auto-serviço' individual, status e poder. E nós nos conformamos com essa idéia dominante e dominadora de liderança.” (No artigo Papel de liderança da Juventude hoje. In: Juventude: ressuscitadora de Esperança - Caderno de Formação para Missão, p.14).

Nós, Metodistas Confessantes (e Metodistas mundiais), cremos que tod@s são ungid@s por Deus; que o sacerdócio é universal para tod@s @s crentes e que, portanto, não há entre nós, maiores nem menores. Conseqüentemente rejeitamos a idéia equivocada que há, entre nós, “autoridades incontestáveis”; aliás, esse é um dos pontos que nos difere de outros grupos religiosos. Quando certas “autoridades”, tomam para sí o trono de Jesus e delimitam para os demais a condição de suas “ovelhas” ou “discípul@s” e admoestam com textos bíblicos isolados: “Aí daqueles que se levantarem contra os ungidos do Senhor!”; havemos de ter senso crítico e maturidade espiritual para analisar com profundidade os textos bíblicos e, mais ainda, devemos com toda “autoridade” dada por Deus e referendada por nosso serviço e testemunho de vida, reagirmos e denunciarmos tais atitudes, porque elas contradizem o entendimento de autoridade revelado por Jesus e assumido por sua Igreja aqui na terra. Nos ilumina a jovem Tamara L. Walker da Igreja Metodista Unida: “Podemos escolher negociar nossos valores, e até perder nossos valores culturais. Podemos aceitar a cultura e os valores dominantes. Ou podemos cavar fundo na base dos ensinamentos bíblicos e viver uma liderança libertadora.” (No artigo Papel de liderança da Juventude hoje. In: Juventude: ressuscitadora de Esperança - Caderno de Formação para Missão, p.14).

Nós, Metodistas Confessantes, entendemos que é necessário recuperar a Igreja como comunidade “terapêutica”, espaço que propicia a acolhida e colabora para a conversão das pessoas e das estruturas sociais; comunidade que crê no poder do Evangelho de transformar pelo amor, graça e pela responsabilidade. Nossa Igreja brasileira tem perdido essa noção de ser Igreja. Por outro lado, assistimos a banalização do perdão à líderes inescrupulosos em sessões espetaculares na TV, com holofotes, choro e palmas da platéia. O artificialismo não muda a vida das pessoas. A graça não é barata, nem é tesouro da igreja, dizia o pastor Confessante Dietrich Bonhoeffer. (Livro: Discipulado, p. 9.)

Temos deixado de nos assumir como “sacerdotes e sacerdotisas”; e muitas vezes, nos colocado nos papéis de ovelhas cegas e, por isso, medrosas, obedientes e seguidoras de toda sorte de doutrina e de “falsos pastores”; alguns dos quais afirmam, sem corar a face, que “ovelha desobediente quebra-se a perna para que aprendam a ajoelhar e comer na mão de seu pastor”. No sermão número 1 Wesley diz: Sendo salvos da culpa, os homens são também salvos do temor. Não, em verdade, do filial temor de conceber qualquer ofensa, mas do medo servil que escraviza; ...” No protestantismo mundial há “escravos” ludibriados por mega-projetos missionários, mega-igrejas, mega-shows evangélicos, etc...; por confiarem cegamente nos “nos ungidos” submetem-se a eles como se o fizessem ao próprio Deus.

O Pastor Metodista José Carlos Barbosa diz: “Nós, os protestantes, temos uma sensível predisposição de olhar com mais simpatia para as denominações consideradas evangélicas, mesmo que sejam portadoras das mais estapafúrdias 'teologias'". (Trabalho sobre eclesiologia, apresentado no Concílio Regional da 5 RE, realizado em novembro de 2005). O Pastor Confessante Bonhoeffer faz um alerta: “Teremos de nos considerar como co-responsáveis na formação histórica, de caso em caso e em cada momento, tanto como vencedores como derrotado”. (Livro: Resistência e submissão, p. 20.)

Carlos Mesters, frei e biblista brasileiro, ao analizar a caminhada dos nossos irmãos e irmãs do passado diz o seguinte : “Caindo e levantando, o povo foi andando, procurando ser o povo de Deus e buscando atingir para si e para os outros os bens da promessa divina. Muitas vezes, porém, esquecia o chamado de Deus e se acomodava. Em vez de servir a Deus, queria que Deus servisse ao projeto que eles mesmos tinham inventado. Invertiam a situação. É nestas horas que surgiram os profetas para denunciar o erro e para anunciar de novo a vontade de Deus”. (Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo, p. 21.)

Se e quando assumirmos nossa condição de sacerdotes e sacerdotisas, vamos eventualmente, descobrir a nossa função profética dentro e fora de nossa igreja.

Identidadade Confessante: As Instituições Metodistas devem ser Meios da Graça

4. Num tempo marcado pela realidade social e religiosa carente de transformações Wesley tentou explicar o por que, no seu entendimento, Deus havia levantado os pregadores metodistas. A frase deve ser recuperada na sua inteireza: “Não para formar uma nova seita; para reformar a nação, em especial a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra”

Nós, Metodistas Confessantes, cremos que é essencial não deixarmos que nas comunidades, seja suprimida a mesa da Santa Ceia, aberta a tod@s crist@s a começar pelas crianças. Essa é a face mais pública da nossa abertura como Igreja e de nossa recusa a sermos seita. Na mesma direção, não podemos perder de vista a razão missionária de nossas instituições educacionais. Há autoridades que desejam tornar a Igreja Metodista numa “mega-igreja”; mas pouco se ouve falar missão como serviço aos pobres que seria a face mais visível do esforço para impedir que nossa igreja seja uma “seita grande”.

Como Confessantes, jamais devemos deixar que reduzam o significado da rede de universidades, centros universitários, faculdades e colégios; pois está aí a qualidade e potencialidade para se exercer influência social e testemunhar o Evangelho e as crenças metodistas. As instituições de ensino (apesar dos problemas administrativos e financeiros atuais) são as mais consolidadas, qualificadas e influentes entre todas as igrejas evangélicas do país e devem ser vistas como “instrumentos/vasos” missionários e não como “negócio”.
A educação para nós, metodistas, é meio de graça; porque a educação propicia a libertação das pessoas em várias perspectivas, inclusive e especialmente, da miséria. As Instituições Metodistas também ajudam nossa Igreja a não se comportar como seita. Elas são espaços de arejamento intelectual e de capacitação permanente de lideranças para a Igreja e para a sociedade. Porém há alguns anos, dirigentes da Igreja têm estabelecido uma relação venal entre a Igreja Metodista e as instituições de ensino. Em vez de mantenedora, a Igreja Nacional e algumas regiões, são por elas mantidas. Em vez de ofertar no altar, colhem mensalidade de estudantes. Em vez de as instituições de ensino serem agências missionárias, são, muitas vezes, espaços de promiscuidade e favoritismos; e isso explica parte das crises atuais.

Paul Tillich, um dos teólogos que deixou marcas profundas no século XX, definia o falso profeta como aquele que, vendo um muro com rachaduras decide pintá-lo e dá-se por satisfeito. A Bíblia adverte-nos sobre os perigos do sepulcros caiados. Entre nós, confessantes, o princípio bíblico e doutrinário do Sacerdócio Universal de tod@s @s crentes é o antídoto contra o que desvia nossa Igreja Metodista dos meios visíveis da graça e também contra o culto à personalidade promovido por alguns líderes de nossa Igreja, que se comportam como “gurus” espirituais e reduzem a participação leiga à obediência cega. Só encontramos um nome para isso: Abuso espiritual. A distinção no comportamento dos que ocupam cargos de caráter religioso deve ser rigorosamente mais elevada que os de caráter secular; quando não o é, fica implícito o “abuso de um poder sagrado”.

De igual modo e de grande importância, destacamos e defendemos a presença pública e missionária da IM através de suas entidades e instituições sociais que exercem uma articulação entre atos de piedade e obras de misericórdia, que se integram em redes de movimentos sociais em favor de pobres e oprimidos, e de grupos marginalizados e discriminados.

Nesse ano em que o Credo Social chega ao centenário, doutrina social da IM, temos o desafio identificatório metodista para que toda a igreja seja de fato comunidade missionária em serviço com o povo brasileiro e, sentido, todas as instituições eclesiásticas de diversas ordens devem se tornar, mais que aparato e símbolos de poder, devem se tornar fortemente e publicamente servas.

O “poder”, tanto institucional como espiritual só faz sentido se vislumbrar o “serviço” fecundo, respondendo de forma integral as carências presentes em nossa sociedade brasileira; inclusive as carências educacionais.

Identidadade Confessante: Poder é serviço



5. O sentido do Sacerdócio Universal de tod@s @s crentes deve ser antídoto também para a tentação ao governo eclesial despótico. É preciso relembrar que o metodismo é conciliar, conexional e até episcopal; nessa ordem. Em muitos lugares mundo afora o metodismo não é episcopal (Inglaterra, igrejas do esforço missionário inglês e outras como a do Uruguai) ao contrário, mas defende o princípio de que o poder na Igreja é exercido a partir dos concílios e que as igrejas devem viver em conexão. Não é o episcopado que une o metodismo universal, mas a missão e o serviço. Nos países em que compusemos Igrejas Unidas a primeira coisa de que aceitamos abrir mão foi do episcopado: Canadá, Índia, Japão, etc...
Vale lembrar que o próprio Wesley era contra o regime episcopal. A adoção desse regime aconteceu à sua revelia no Estados Unidos, através do sistema do voto conciliar; que era e continua sendo o lugar de mudanças.
Algumas vozes afirmam que o 18° Concílio Geral recente tornou o episcopado mais forte. O que faz uma instituição ser forte são as pessoas que a encarnam e os sinais que ela deixa na sociedade. O episcopado não é palavra mágica que tornará forte quem é fraco ou tornará exemplar quem tem conduta reprovável.
Deve chamar-nos atenção a idéia de episcopado vitalício que há muito ronda nossos Concílios. O 18° Concílio resolveu de forma leniente e culposa dar, a bispos sem voto, o título de bispos honorários. Obviamente não negamos o reconhecimento aos bispos que foram intitulados, o que chama atenção é que hoje na Igreja Metodista brasileira, parece vergonhoso ser pastor, humilhação voltar à igreja local; quando tudo deveria se legitimar a partir da igreja local. Em vez de bons pastores após um tempo de episcopado, na legítima alternância que a vida republicana exige, bispos eméritos ou honorários.
Houve quem saísse a buscar argumentos a um suposto “múnus episcopal”, como se o episcopado para nós fosse ordem, como se crêssemos que desde Pedro, o episcopado tem se perpetuado em linha de sucessão. O Mais interessante é que isso tenha acontecido no mesmo momento em que rompia-se relações com a Igreja Católica.

Lembremos: para nós metodistas a ordem é presbiteral e o episcopado deve ser o humilde exercício extraordinário do presbiterato; é poder para servir, nada mais.

Em carta, Wesley adverte John Trembath um dos pregadores: “... Quer você goste disso ou não, leia e ore diariamente. Isto é para sua vida; não há outro meio, do contrário você se tornará uma pessoa frívola a vida inteira, e um pregador afetado e superficial. Seja justo com sua própria alma; dê-lhe tempo e meios para crescer. Não continue a se matar de fome.” (Seleções das cartas de João Wesley, p.6)

Para o bem da Igreja e da democracia interna, é importante termos uma ordem presbiteral forte, bem formada, valorizada e, no essencial, coesa (diferente de homogênea). Episcopado é condição temporária e especial; e a depender dos abusos do poder e da irrelevância para o caminhar da Igreja, pode vir a ser abolido pelo Concílio, que é o lugar onde leig@s e clérig@s, através do voto, fazem as mudanças que julgam necessárias à vida da Igreja. Daí a importância que conheçam com “profundidade” a tradição, os documentos, a estrutura e funcionamento e os propósitos missionários da Igreja Metodista, bem como, possuam uma visão, ao menos parcial, da realidade que cerca as diversas comunidades brasileiras.

Identidadade Confessante: Os grandes almejam relevância...

6. Para o Pastor Metodista José Carlos Barbosa “O metodismo entrará em declínio não por ser refutado ou perseguido, mas quando se tornar irrelevante, insensível, opressivo e insípido.”(Trabalho sobre eclesiologia, apresentado no Concílio Regional da 5ª RE, realizado em novembro de 2005).
O declínio do metodismo brasileiro pode ser facilmente evidenciado pelo esforço extremado de crescimento rápido, proposto por alguns líderes, por sua invisibilidade e falta de influência na sociedade brasileira (ainda nos confundem com os adventistas) e pela “sensação” opressiva que paira, mais fortemente desde o 18° Concílio Nacional, sobre ecumênic@s, teólog@s e especialmente, sobre @s não “alinhad@s” ao perfil da liderança nacional.

Opressivo também tem sido a cobrança ao ministério pastoral e igrejas por crescimento a todo custo, criando uma atmosfera de ganho por produção, desestabilizando ministérios e gerando mal-estar psicológico em liderança e suas famílias, por não se alinharem a abordagens estranhas ao anúncio simples do evangelho.

Nesse sentido, a “IM deve tratar-se pelo evangelho e divã de Cristo, de seu “complexo de pequenês” adquirida ao longo dos anos e atualmente diante do crescimento de outros grupos religiosos. Seu tamanho e qualidade deve ser aferido a partir de uma identidade relevante no país em relação ao Evangelho somente.
“Há na verdade, pouca dúvida, de que o cidadão inglês do século dezoito, de maior importância para o mundo não era um político nem poeta, nem soldado ou marinheiro, mas o pequeno itinerante a cavalo – O grande cavaleiro, como eu o chamaria – que ainda está cavalgando para novas conquistas”; disse em 1928 o historiador J. Ernest Ratlembury ao escrever sobre o Legado de Wesley para o Mundo. (Seleções das cartas de João Wesley; p.5)
O que será escrito sobre os atuais líderes do metodismo brasileiro? Como eles (elas?) têm usado seus cargos, seus títulos e suas posições de poder? Que legado eles e (elas?) deixarão para o mundo?

Se almejamos ser Igreja discípula de Jesus, sendo sal da terra e luz do mundo, precisamos enfrentar as questões do mundo atual à luz da caminhada de Jesus. É necessário a firme defesa dos Direitos Humanos, contribuindo para “eqüidade” das mulheres, dos negros e dos pobres. E isso, obviamente, só será possível através de intervenções contundentes que garantam que as politicas públicas e o dinheiro subtraído, especialmente dos pobres através dos impostos, sejam de fato, revertidos em prol dos que precisam. Os discursos ideologicamente equivocados, ditos nos púlpitos de nossas comunidades, que afirmam que “@s crentes não devem se envolver em política”, precisa ser encarado como nítido desvio ou total falta de entendimento do ministério de Jesus aqui na terra.
A entrada triunfal em Jerusalém e sua morte precisa ser lida e re-lida à luz do contexto brasileiro onde os líderes, políticos e religiosos, exploram o povo sofrido de nossa Pátria. Ser sal e Luz imitando Jesus significa, nesse sentido, inclusive contribuir para a formação política nas comunidades a fim que os membros saibam como fiscalizar e denunciar as corrupções e as as injustiças a sua volta, bem como compreenderem a importância do voto na política e na igreja.

Mais que nunca é preciso empoderar (através do voto, mas sobretudo através de reflexões e ações sociais práticas) homens e mulheres que realmente tenham em seus corações o entendimento que a posição de poder na igreja e na sociedade só faz sentido quando tem o propósito de servir e promover à eqüidade; nada mais é que o esforço de aproximar os injustiçados da justiça, os doentes do cuidado, os famintos da mesa... Isso é fazer o Reino aqui na terra como nos céus, tal como Jesus nos ensinou.