quarta-feira, 23 de maio de 2012

Anistia a Anivaldo Padilha

Anistia a Anivaldo Padilha





Dedico este depoimento à memória de Paulo Wright e Ivan Mota Dias  prebiterianos) e de Heleni Guariba (metodista), mortos sob torturas e desaparecidos; à memória de Celso e Fernando Cardoso da Silva, jovens metodistas presos comigo, e que já não se encontram mais entre nós; à memória de Richard Shaull, missionário americano presbiteriano, um dos que plantaram as sementes da Teologia da Libertação; e à memória de Brady Tyson, missionário americano metodista que nos viabilizou os laços com Martin Luther King, Jr. 


Minhas primeiras palavras são de agradecimento pela honra que o a Procuradoria da República e o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) me concederam ao me convidar para fazer este depoimento. Sinto-me honrado porque minha história, nos últimos 50 anos, está intimamente ligada ao CMI e ao movimento ecumênico. E o projeto Brasil: Nunca Mais, é um dos capítulos mais importantes da história da contribuição do movimento ecumênico brasileiro e internacional à luta pelos Direitos Humanos no Brasil. O projeto Brasil: Nunca Mais só pôde ser desenvolvido porque contou com um movimento ecumênico que se desenvolveu em nosso país a partir da primeira metade da década de 1950 quando, no seio do protestantismo, a Confederação Evangélica do Brasil, inspirada pelo CMI, criou o Setor de Responsabilidade Social, responsável por desenvolver uma série de reflexões sobre o papel da Igreja no Brasil, em um contexto de rápidas transformações sociais e políticas. Desse processo surge o Movimento Latino-Americano de Igreja e Sociedade (ISAL), que teve papel fundamental na organização do pensamento social ecumênico na América Latina. 


Concomitantemente, a partir do início da década de 1960 a Igreja Católica Romana também sentia os efeitos renovadores trazidos pelo Papa João XXXIII, e pela primeira vez se abria para o ecumenismo. Esses novos ares tiveram grande impacto nas igrejas, especialmente entre a juventude e intelectuais, estudantes, e pastores e padres jovens, levando-nos a construir processos de diálogo e de cooperação nas lutas pelas transformações sócio-econômicas em nosso continente. É nesse processo que germinam as sementes do que veio a ser conhecida como Teologia da Libertação, tanto em suas vertentes protestante quanto católica. Esse processo é interrompido temporariamente pelo golpe militar de 1964 que leva à prisão, à clandestinidade ou ao exílio grande parte das nossas lideranças e ao desmantelamento das nossas organizações, inclusive da Confederação Evangélica do Brasil. 


O período pós-golpe significou re-aglutinar as pessoas, criar novas formas de organização e redefinir nosso papel. Com os novos ventos que sopraram da Conferência Episcopal Latino-Americana, em Medellín, em 1968, o movimento ecumênico ganha novo ímpeto e possibilita uma ação ecumênica mais efetiva com a adesão de grandes contingentes católicos. É importante destacar o papel do Centro Evangélico de Informação, fundado em 1965 (transformado em Centro Ecumênico de Documentação e Informação em 1975 e, a partir de 2004, em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço). 


A partir do AI-5, quando a tortura é institucionalizada como método sistemático de interrogatório e instrumento de terror político do Estado, coube ao movimento ecumênico alimentar as redes ecumênicas internacionais com informações sobre o que se passava nos porões da ditadura e denunciar as torturas internacionalmente. Outra contribuição foi a criação de redes ecumênicas de apoio para proteger perseguidos políticos rumo ao exílio. Foi como participante ativo desse movimento que fui preso na manhã do dia 28 de fevereiro de 1970, por agentes da OBAN, em São Paulo, principal centro de torturas do país. Comigo foi presa também Eliana Rolemberg, que me assessorava em uma pesquisa que eu coordenava para a ULAJE [Unión Latinoamericana de Juventudes Evangélicas] sobre Juventude e Mudança Social na América Latina. Na época, eu exercia as funções de Secretário, para o Brasil, da ULAJE e de redator de uma revista mensal, Cruz de Malta, da Igreja Metodista. Ao chegarmos à OBAN, depois que Eliana e eu fomos separados, fui conduzido a uma sala para ser interrogado. Assim que a porta se fechou, recebi um soco no estômago com tal violência que caí e fiquei alguns segundos sem poder respirar. Começaram, então, a aplicar em mim o “telefone”, método de tortura que consiste em golpear os ouvidos da vítima com as duas mãos ao mesmo tempo, em formato côncavo. Os golpes foram repetidos várias vezes, seguidos de gritos para que eu confessasse ser membro de uma organização clandestina e que revelasse os nomes e endereços de todos os meus amigos. Após esse interrogatório fui levado a uma das celas. Na parte da tarde, fui levado novamente para interrogatório. A partir desse momento, as torturas se intensificaram. Trouxeram Eliana, Celso e Fernando Cardoso da Silva, dois jovens metodistas como eu, que tinham sido presos também, e nos aplicaram golpes de “palmatória”, novamente o “telefone” e choques elétricos. Depois de muito tempo de torturas, nos separaram e fui levado de volta à cela, já ao escurecer. Eu não havia ingerido nenhum alimento desde o café da manhã. Minha boca estava extremamente seca. Tinha a impressão de que minha língua ia rachar ou que minhas mucosas estavam se esfacelando. Pedi água e o carcereiro me respondeu: “não tenho autorização para dar água a presos que voltam do interrogatório. Beber água logo depois de levar choques pode matar”. Trouxeram a janta: sobras da comida do quartel trazidas em grandes caldeirões. Tive dificuldade para comer. Além da boca seca, minhas mãos estavam inchadas e eu mal conseguia segurar a colher. Ademais, eu tinha grande dificuldade para deglutir a comida composta de arroz, feijão e tomate picado. Meu companheiro de cela insistiu para que eu comesse porque aquela era a única refeição diária. Às vezes, serviam o café da manhã, que consistia em uma pequena caneca de café com leite e um pãozinho. 


Conheci, naquele instante, uma outra forma de tortura: a fome. Não consegui dormir. Tarde da noite, vieram me buscar novamente. Achavam que eu devia ser um comunista importante porque tinha relações internacionais, especialmente com o mundo ecumênico. E, segundo eles, esse era um movimento subversivo. Forçaram-me a tirar minha roupa e me colocaram na “cadeira do dragão”. Uma cadeira revestida com folhas de metal conectadas por um fio a um rádio militar de campanha. Fui colocado nu no assento com minhas mãos e pés amarrados. Exigiram que eu desse todas as informações que eu possuía. A cada negativa, o torturador girava a manivela do telefone para aumentar a intensidade dos choques. Para tornar os efeitos mais fortes, colocaram uma toalha úmida sob minhas nádegas. Os choques me provocavam convulsões e gritos. A sensação era de perda total de controle sobre minha capacidade mental, racional, e sobre os meus movimentos. Era insuportável! Até aquele momento, eu não tinha informação sobre o que acontecia com Eliana ou com Celso e Fernando. De repente, percebi que Eliana estava também estava sendo torturada na sala ao lado. Podia ouvir seus gritos e suas recusas em cooperar com os torturadores. De madrugada me levaram de volta à cela. O medo tomava conta de mim. Eu tinha medo de não conseguir resistir e acabar por revelar nomes e endereços de meus amigos e companheiros. Pela primeira vez na minha vida me via confrontado pela possibilidade real e iminente de morrer. Como evitar esse desfecho? Ou como encará-lo com dignidade? Então, decidi que, já que morrer parecia inevitável, era melhor que isso acontecesse antes que novas torturas ocorressem. O suicídio parecia ser o único caminho. E, se cooperar era o preço para salvar minha vida, eu não conseguiria conviver com o profundo sentimento de culpa que certamente me acompanharia para sempre. Seria uma vida sem Vida! Procurei e não encontrei nada que eu pudesse usar para me suicidar e percebi que nem a opção do suicídio me era disponível. Eu estava só e à mercê dos torturadores! 


Iniciei, então, um processo de revisão da minha vida. Lembrei-me, sobretudo, do meu desenvolvimento pessoal, na Igreja Metodista, baseado em uma espiritualidade encarnada no mundo e nas dores do meu próximo. E que foi essa espiritualidade que me levou a dedicar-me à solidariedade com os oprimidos e discriminados e à construção de um mundo mais justo, solidário e verdadeiramente democrático. Tomei consciência, nesse momento, de que a minha vida não mais me pertencia pois eu a havia dedicado inteiramente às exigências da minha Fé. Matar-me seria como se eu estivesse a exigir a devolução de algo que eu havia doado. Minha vida pertencia a Deus. Tudo isso me fez encontrar as forças necessárias para resistir. Eu era fisicamente muito fraco em relação aos torturadores e me perguntava: “Por que usam tanta violência para me dominar”? Essa pergunta não saía da minha mente até que tudo começou a clarear. Eu tinha algo mais forte dentro de mim: o amor à Verdade, à Justiça, à Ética, e o compromisso com o povo, além do apoio de uma imensa comunidade que não se calava diante da tirania nem se deixava dominar pelas forças que haviam usurpado o poder em nosso país. Os torturadores eram fisicamente fortes, mas moralmente eu era mais forte e tinha condições de resistir. Se eu tivesse que morrer, não podia ser por ato voluntário. Que a ditadura assumisse a responsabilidade pela minha morte. Entrei em um processo lento de tranquilidade e de serenidade. Senti que eu estava me preparando para o que me parecia inevitável. O medo, ainda que presente de forma muito forte, não mais me dominava. 


Eu tinha me reencontrado com minha história e comigo mesmo. Já amanhecia e, finalmente, consegui dormir. Mais tarde, ao ser levado para mais uma sessão de torturas, percebi que estava sofrendo de uma espécie de amnésia pois não conseguia me lembrar de praticamente nenhum dos meus companheiros. Os únicos nomes presentes na minha memória eram os de meus familiares imediatos. Minha memória havia se apagado seletivamente. Por isso, apesar da intensidade das torturas, eu não tinha como colaborar. Foi um fenômeno para o qual jamais encontrei explicação racional e conclusiva. Creio que o ser humano, quando se encontra em uma situação-limite, como eu me encontrava ali, é levado a buscar em suas profundezas aquela força divina que todos possuímos dentro de nós. E essa força não é monopóplio de cristãos ou de pessoas religiosas. Pude presenciar situações semelhantes de resistência por parte de companheiros ateus. Para mim, foi resultado da força daquela fé, qualquer fé, que há dentro de todos nós. Os interrogatórios diários, acompanhados de torturas físicas (choques, cadeira do dragão, socos, palmatória) e morais (simulação de execução, saída de carro com ameaças de jogarem meu corpo na Serra do Mar, insultos, ser qualificado com palavras de baixíssimo calão, ameaças de torturarem meus pais etc.) continuaram por muitos dias e depois diminuíram, até que, finalmente, fomos enviados ao DOPS para as formalidades policiais. Foram vinte dias diretos de “interrogatórios” na OBAN. No DOPS – depois de de enviados de volta a OBAN por duas vezes, Celso, Fernando e eu fomos indiciados na Lei de Segurança Nacional e enviados ao antigo Presídio Tiradentes. A acusação formal: “infiltração subversiva na Igreja Metodista"!!! O próprio promotor não aceitou as bases para o nosso indiciamento e fomos colocados em liberdade. 


Ao sair da prisão, sem condições de trabalhar e sob risco de nova prisão, tive que me exilar. Com o apoio do CMI e das redes ecumênicas de apoio, consegui chegar clandestinamente ao Uruguai, depois à Argentina e ao Chile. Após alguns meses, fui para os Estados Unidos com o apoio das igrejas protestantes daquele país onde consegui reconstruir minha vida e continuar, no exterior, a luta contra a ditadura. Posteriormente, transferi-me para a Suíça. No total, passei 13 anos no exílio. Por mais de seis anos tive pesadelos nos quais eu revivia as sessões de tortura. Os torturadores continuavam dentro de mim a me torturar. Eu tinha que vencê-los. A luta foi longa até que percebi que compreendi que o caminho a seguir era o do perdão. Ao perdoá-los, consegui vencê-los. O perdão significou para mim um processo terapêutico. Há momentos que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado, mas isso no nível das relações inter-pessoais. Isso não significa compactuar com a impunidade. Os crimes cometidos não foram apenas contra mim. Foram contra a sociedade brasileira e a sociedade tem o direito de investigá-los e punir os responsáveis diretos e indiretos. 


Termino com um apelo. Suponho que todos neste auditório sabem que a tortura era uma política de Estado. Por isso, é essencial o estabelecimento de uma comissão da verdade para investigar os crimes da ditadura, apontar quem são os torturadores, seus mandantes, seus colaboradores e apoiadores. A punição deles é importante para resgatar a dignidade dos que foram torturados, a dignidade da memória dos assassinados e desaparecidos e a dignidade das famílias que não puderam ainda sepultar seus entes queridos. Além disso, a impunidade contribui para que a tortura ainda seja praticada em larga escala nas delegacias e prisões brasileiras e para que outras formas de intolerância se fortaleçam em nosso país. Os que se opõem à abertura dos arquivos da ditadura e à divulgação da verdade e a punição dos que estabeleceram o Terror do Estado nos chamam de revanchistas. Revanche ou vingança seria tratá-los como nos trataram. Não, não queremos vingança, mas Justiça. Que sejam investigados, processados, garantindo a eles o devido processo e julgados pelas cortes do Estado de Direito e não por tribunais de exceção como fizeram conosco. Em suma, a punição representaria o resgate da dignidade da sociedade brasileira que foi violentada por um regime autoritário. Termino citando o profeta Jeremias: “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lamentações 3.21). Minha esperança é que a memória desse passado contribua para que esse Brasil, nunca mais! Muito obrigado. 


Anivaldo Padilha





Mais sobre a anistia de Anivaldo Padilha: http://blog.justica.gov.br/inicio/anivaldo-padilha-e-anistiado-com-direito-a-reparacao-economica-apos-sessao-da-comissao-de-anistia
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos - Juiz de Fora

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos


Juiz de Fora - MG:


Paróquia São Geraldo (19/5) - Homilia: rev.Messias Valverde.


Seminário Santo Antônio (22/05) - Presença dos revs.Messias Valverde e Moisés Coppe.


Penitenciária LInhares (24/05 14h).

domingo, 20 de maio de 2012

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos - Belém

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos 


Belém - PA




















Dia/Hora
Evento
Local
Endereço
20/05 09h
Celebração de Abertura
Paróquia de Confissão Luterana
Av. Visconde de Inhaúma, 1557, B. Pedreira
21/05 19h
Celebração
Igreja Sírian Ortodoxa
Tv: Triunvirato, nº 354, entre Bom Jardim e Monte Alegre – Cid. Velha
22/05 08h30
Celebração
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Trav. Barão do Triunfo, 1131, entre Almirante Barroso e 25 de Setembro
22/05 19h
Celebração
Comunidade Metodista
Trav. Três de Maio, 1602, entre Magalhães Barata e Gentil
23/05 19h
Celebração
Igreja Presbiteriana Independente
Av. Conselheiro Furtado, 3085, entre Castelo Branco e 14 de Abril
24/05 19h
Celebração
Paróquia Santa Cruz
Av: Almirante Barroso, 1743, próx. Ao Banco do Brasil
25/05 19h
Celebração
IEAB-  Catedral Anglicana de Santa Maria
 Av. Serzedelo Corrêa, 514, entre Conselheiro e Gentil
11/06 08h30
Celebração de Encerramento
Centro Mariápolis Glória - Focolares
Av. Augusto Meira Filho, 1.000, Benevides




sábado, 19 de maio de 2012

Metodistas Confessantes na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - Vitória


Metodistas Confessantes na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Vitória - ES:






O Que é a SOUC? 
 
Entre os dias 20 e 27 de maio, cristãos de todo o Hemisfério Sul estarão unidos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC). Será uma semana muito especial, pois pessoas das mais variadas etnias e culturas estarão dedicadas à reflexão sobre a importância da unidade na diversidade.

A SOUC 2012, que este ano tem como tema “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 15,51-58), baseado na carta do apóstolo Paulo, pretende contribuir para que irmãos de diferentes congregações se juntem em momentos únicos de partilha, comunhão e integração.

Mais em:  Site da SOUC Vídeo 
 

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, sub-regional Espírito Santo (CONIC-ES), convida você, sua família e sua Igreja a uma Coletiva de Imprensa para o lançamento de sua Logomarca (CONIC-ES) dia 16 de maio 2012 às 16:00h no Centro de Formação Martin Lutero (sede do CONIC-ES), à Rua Engenheiro Fábio Ruschi, 161, Bairro Bento Ferreira - Vitória -ES (3325-4188). 

Nesta mesma ocasião e no mesmo local, será também lançada oficialmente a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC-2012) que se realizará conforme programação abaixo.

Pe. Paulo Sérgio Vaillant
Secretário do CONIC-ES
 

Dia 22 de Maio – Terça Feira - 19:30h 
Local: IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA
Paróquia Santíssima Trindade
Pe. Manoel David Neto (Pároco)
Rua: Fundão, s/nº, Bairro Vila Capixaba - Cariacica – ES
Fone3343-1189
Responsável pela pregação:  Igreja Presbiteriana Unida
 
Dia 23 de Maio – Quarta Feira- 19:30h
PRIMEIRA IGREJA PRESBITERIANA DE VITÓRIA – IPU
Rev. Cláudio da Chaga Soares
Av. Sete de Setembro, 421 – Vitória - ES
Fone: 3223-5271 - Centro
Responsável pela pregação: Igreja Católica Apostólica Romana
 
Dia 24 de Maio – Quinta Feira- 19:30h
Local: IGREJA METODISTA
Pr. José Tarcísio
Rua Odisséia Neves Gabriely, 15 – Qd. 33
Bairro Manoel Plaza – Serra – ES
Fone: 3318-3912 - (Próximo ao Terminal de Carapina)
Responsável pela pregação: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
 
Dia 25 de Maio – Sexta Feira - 19:30h
Local: IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL
Pr. Antônio Da Luz
Rua Francisco Guimarães, 730
Bairro Alvorada – Vila Velha – ES
Fone: 3326-4979 – (Em frente à Escola Est. Domingos José Martins)
Responsável pela pregação: Igreja Metodista
 
Contatos CONIC-ES
Pastora Rosane: 3325-4188 e 8846-5360 (presidenta)
Pe. Paulo Sérgio: 9937-8186 e 3291-4491 (Secretário)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos - Maringá

Metodistas Confessantes na Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos.


Maringá - PR:


“Promovido mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios.” (Do site aqui). Em Maringá a SOUC é coordenada pelo Movimento Ecumênico de Maringá – MECUM, presidido pela teóloga católica Solange Depieri (solangedepieri@wnet.com.br) e a programação consta no convite abaixo. Sob o tema “Todos sereis transformados pela vitória de Jesus Cristo, nosso Senhor” (cf 1 Cor 15, 51-58), a SOUC de 2012 é um convite para a busca da unidade fraterna entre os cristão, como um exemplo deixado pelo mestre Jesus Cristo. Faça sua parte. Divulgue e Participe!




http://blogs.folhademaringa.com.br/marianewnum/semana-de-oracao-pela-unidade-dos-cristaos-em-maringa/


segunda-feira, 14 de maio de 2012

V Encontro Nacional de Metodistas Confessantes - nova data 21 e 22/07


V ENCONTRO NACIONAL DE METODISTAS CONFESSANTES


(Nova data do Encontro Confessante - 21 e 22 de julho de 2012)


Tema: Consolidar, avançar e agir na busca pela valorização da identidade metodista
26 – 27 de maio de 2012 – Juiz de Fora, MG



Dia 26 – Sábado
11h00 Participação na celebração Litúrgica de homenagem ao Professor Elias Boaventura – Instituto Metodista Granbery – Rua Batista de Oliveira, 1145
12h30 Almoço
14h30 Abertura: Acolhida aos encontristas – Pastoral Escolar do Granbery
15h00 Análise das Linhas Teológicas e Práticas Metodistas a partir da Década de 60 – Ely Eser Barreto César 
16h30 Intervalo - Mesa da graça
16h50 O Processo de Construção da atual Identidade Metodista e Perspectivas – Ely Eser Barreto César
18h00 Jantar
20h00 Reações do grupo
21h00 Notícias de Belém / Bela Aurora 
22h00 Oração da Noite – Confessantes Paulistas
22h15 Caça ao queijo e vinho 


Dia 27 - Domingo
08h30 Oração da manhã – Steve
09h00 Rede Metodista Confessante: Consolidar, avançar e agir? Avaliações e Futuro  – Jaider / Maria
10h15 Intervalo – Mesa da Graça
10h30 Reações do Grupo
11h00 Propostas e encaminhamentos – Adhayr e Maria
11h45 Encerramento: Santa Ceia – Com pastores/as presentes



Doações para o V Encontro Confessante
Quem não pode ir há como contribuir:
Banco Itaú
Ag 6980
C/c 01087-7
Em nome: Messias Valverde - Cpf 16671813604
O pouco com Deus é muito...
Ao depositar avise  listobserver@yahoo.com.br
“Quando eu tenho dinheiro, eu tento me livrar dele rapidamente para ele não encontrar o caminho para meu coração”. - John Wesley


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Campanha Repense a Igreja

Campanha Repense a Igreja




“E se a igreja não fosse sobre o domingo, mas sobre os outros dias da semana... Se a igreja não fosse um prédio, mas milhares de portas, cada uma abrindo para um conceito ou experiência da igreja. Para que qualquer um que bate possa encontrar uma jornada própria... e finaliza.... Juntos nós podemos abrir os corações, abrir as mentes e abrir as portas. O povo da Igreja Metodista Unida.”


O vídeo está em inglês (infelizmente não há versão com legendas em português ou espanhol) mas o tema é pertinente para reflexão e orientação sobre qual igreja gostaríamos de construir para nosso presente e futuro.

sexta-feira, 23 de março de 2012

5º Encontro Afro Cristão

5º Encontro Afro Cristão







Orientações para apresentação de trabalhos Acadêmicos e Relatos de práticas.

 
Estimados/as,



Convidamos a estudantes, pesquisadores e pesquisadoras que se dedicam ao estudo das realidades das comunidades negras e indígenas, para apresentarem seus trabalhos durante o V Encontro Afrocristão.



Nosso objetivo é que o Encontro Afrocristão se destaque como um espaço de socialização do conhecimento prático e acadêmico sobre temas relacionados aos povos negros e povos indígenas como uma forma de produzir novos olhares e ações sobre estas realidades.



Os trabalhos inscritos podem ser individuais ou relatos de grupos e devem estar articulados a um dos subtemas do evento, devendo explicitar na ficha de inscrição o subtema em que o trabalho está inserido. Outros assuntos não serão considerados válidos nem serão aceitos para apresentação.



Tema geral: Saúde: dom de Deus e direito das populações negras e indígenas brasileiras



Subtemas e Coordenações



a. SAÚDE DAS POPULAÇÕES QUILOMBOLAS



Coordenação da sessão: Profa. Juliana de Souza: Mestre e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Ceará. 

Profa. Viviane Luiz, Mestre em educação pela UNIMEP



b. SAÚDE DAS POPULAÇÕES AFRO URBANAS



Coordenação da sessão: Profa. pra. Andreia Fernandes de Oliveira, mestre em Educação pela UMESP

Profa. Telma Cezar Martins, mestre em Educação pela UMESP.



c. SAÚDE DAS POPULAÇÕES INDÍGENAS



 Coordenação da sessão:Prof. Pr. José Roberto Alves Loiola, mestre em Ciências da Religião pela UMESP 



INSTRUÇÕES PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ORAL



 Serão selecionados 30 trabalhos com abordagens sobre o tema do Encontro

 Cada autor deverá enviar sua inscrição juntamente com um resumo de sua apresentação até o dia 04/04. O texto/artigo completo, sobre o tema abordado, formatado conforme as normas da ABNT deve ser enviado para selenir@est.edu.br até o dia 09/04.

 Os trabalhos selecionados deverão ser apresentados em até 15 minutos pelos autores, sendo que em seguida haverá de 5 a 10 minutos para esclarecimentos e debate entre os presentes à sessão. Faremos esforços para que todos os recursos audiovisuais solicitados no ato da inscrição estejam disponíveis nas sessões.

 O local e o horário das apresentações obedecerão à programação do evento, que estará disponível no local do evento a partir do dia 13/04/11.

 Cada autor/autora de trabalho apresentado terá direito a um certificado.

 Os autores e autoras dos trabalhos que não forem apresentar não farão jus ao certificado.

 Os textos selecionados, após avaliados e aprovados pelo Conselho Editorial, serão disponibilizados pela internet, através de publicação na Revista identidade! da Faculdades EST( julho/2012).

 A prioridade para a publicação na Revista identidade! será para os trabalhos aprovados e apresentados no evento.

 O trabalho cujo autor/autora foi selecionado/a e não compareça para apresentar, após ser avaliado pela comissão organizadora e aprovado, poderá ser publicado junto com os demais, se ainda houver espaço.

 Serão incluídos na publicação os resumos e respectivos autores e autoras dos demais trabalhos aprovados para apresentação oral.

 O local e o horário das apresentações serão divulgados na programação do evento.

 Os trabalhos serão submetidos à Comissão Científica mediante o pagamento de inscrição até o dia 09/04.

 A Revista identidade! encontra-se no seguinte endereço eletrônico: http://www.est.edu.br/periodicos/index.php/identidade. Colocamo-nos à disposição para eventuais esclarecimentos através do e-mail: selenir@est.edu.br

Agradecemos novamente sua colaboração e colocamo-nos à disposição para eventuais esclarecimentos através do e-mail: selenir@est.edu.br ou afro@3re.metodista.org.br



Atenciosamente,



Profa. Selenir C. Gonçalves Kronbauer

Coordenação das Apresentações dos Trabalhos Acadêmicos



Baixe aqui a FICHA DE INSCRICAO.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos


Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos acontecerá entre 20 e 27 de maio. Esta é a primeira de uma série de matérias que serão veiculadas pelo CONIC até maio com o intuito de despertar o interesse em torno desta expressiva iniciativa ecumênica.

Promovido mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios.



Mais informações aqui.


Promoção: CONIC/CLAI

Homenagem a Elias Boaventura


Estimados/as  amigos/as, segue o convite eletrônico para a homenagem da UNIMEP ao nosso estimado Granberyense Elias Boaventura, em 17 de março de 2012, 19h30, no Salão Nobre. Esperamos vocês! Grande abraço a todos/as. 

Almir Maia - Pres. Associação Granberyense - Setor Sudeste Paulista.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ao mestre, com carinho... Vida e obra de Elias Boaventura


Por Almir de Souza Maia (*)

“Tudo bem, se melhorar estraga”. Essa expressão era conhecida e cantada em verso e prosa pelo Prof. Elias Boaventura, que recentemente nos deixou, mas cuja vida e contribuições permanecem conosco. É mais uma expressão, entre outras que ele utilizava no cotidiano, como que passando sua própria filosofia de vida e trabalho que marcou a todos quantos com ele conviveram. Ele era dessas pessoas cativantes, amiga, amorosa e todos gostavam de estar ao seu lado para admirar e perceber sua forma diferente de viver e interpretar a vida. Os que conviveram com ele podem avaliar a profundidade dos sentidos que ele transmitia na sua forma simples de comunicar. Este é um depoimento entre tantos que estão sendo escritos após o falecimento do Mestre Elias ocorrido em sete de janeiro passado, não chegando a celebrar seu aniversário que ocorreria em vinte e oito de janeiro.

Portador de sabedoria impar, afirmava ser necessário viver não de forma instalada e passiva, mas com exposição aos conflitos. Não apreciava a acomodação propiciada pelas zonas de conforto, trabalhava na perspectiva da complexidade. Para ele as coisas e os processos tinham que ser tratados no contexto da realidade e necessidades humanas. Afirmava, por isso, que “atrás de morro tem morro” - outra frase curta usada pelo professor e que traduz sua maneira de enxergar a vida e ensinar. Estimulava os processos de crise por acreditar que os conflitos e a explicitação do contraditório ajudavam as pessoas e as organizações a crescerem.

Explicitou essa forma de viver concretamente durante o período em que foi Reitor da Universidade Metodista de Piracicaba (1978/1986). Pessoalmente, tive o privilégio de ser o seu Vice-Reitor, ao seu convite, durante mais de sete anos e posso testemunhar sobre uma convivência de quase quatro décadas com o Prof. Elias. Nessa convivência, senti bem de perto a sua coragem, o que ele representava para a educação e sua preocupação com a inclusão social, democracia, justiça, equidade, daí a sua vida a serviço dos “sem-voz” e sua militância nos movimentos e processos de libertação social no contexto brasileiro. A sua visão de educação destoava absolutamente do senso comum, sobretudo em um período da história política do país em que ele se envolveu para mudá-la.

Enquanto Reitor trabalhou uma proposta de “universidade alternativa” e crítica, que fosse além da educação de manutenção, para dentro e reprodutora do modelo vigente. Propunha uma educação para fora e como instrumento de transformação das pessoas para a vida. Dizia que a sala de aula tradicional não contribuía para essa transformação, afirmação difícil de ser entendida e aceita pela comunidade acadêmica, mas que encerrava a perspectiva crítica e dialética que trazia da educação. Assim, trouxe para dentro da Universidade o debate das grandes questões sociais, quase sempre distante do mundo universitário. E a UNIMEP, como sabemos, foi espaço dessa experiência praticamente inédita na universidade brasileira. Certamente, ele não foi entendido na época e somente mais tarde sua ideologia pôde ser mais bem processada e até aceita. A UNIMEP é depositária dessa herança: Prof. Elias e o coletivo plasmaram a identidade de vanguarda que a caracteriza no cenário educacional.

A visão e atuação progressistas do professor não agradavam a “segmentos reacionários da Igreja”, como ele dizia, e recebeu deles resposta contrária ao que se dizia e praticava na UNIMEP, de acordo com as “Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista”. Sua postura crítica e socialista incomodou segmentos da Mantenedora e acabou culminando, em 1985, com uma intervenção desastrosa na Universidade, a qual reagiu para garantir a sua autonomia. Esse fato se tornou conhecido como “janeirada”, uma crise sem precedentes na história da educação metodista no Brasil. O Reitor Elias foi demitido de suas funções e o mesmo também aconteceu comigo, seu Vice-Reitor. Em defesa da autonomia universitária, ele foi protagonista de um movimento que contou com o apoio integral da comunidade da UNIMEP e garantiu a retomada da normalidade institucional. Esse movimento foi suficiente para instalar na Universidade uma postura de defesa da autonomia universitária, à frente da qual ele sempre esteve, em constante vigilância. Mais recentemente, no final de 2006 e em 2007, a UNIMEP novamente teve a sua autonomia ameaçada por decisões do Conselho Diretor. O Ex-Reitor Elias Boaventura, junto com outros ex-dirigentes e segmentos da comunidade universitária, mais uma vez, pôde contribuir com sua experiência em um momento complexo da vida unimepiana. Esteve ao seu lado, refletiu, fez mediações, escreveu vários artigos sobre a maneira inadequada da Igreja encaminhar as questões na sua relação com a Universidade. Em meio a esses momentos tensos e complexos, o Prof. Elias continuava afirmando: “Tudo bem, se melhorar estraga”.

Ele estudou no Instituto Granbery, em Juiz de Fora, Minas. Durante seis anos foi aluno interno dessa tradicional escola metodista mineira. Amava a sua “alma mater”, que soube respeitar. Chegou a dizer: “... foram seis anos ótimos, aprendi muito como aluno”. Sem dúvida, a sua condição de granberyense foi celebrada em toda a sua vida. Sempre se manteve ativo e participou da Associação dos Granberyenses, entidade que congrega os ex-alunos e vai completar noventa anos. Em Piracicaba, criou, em 1995, o Setor Sudeste Paulista desta Associação do qual foi presidente. No último encontro do Setor, em agosto passado, Prof. Elias recebeu expressiva homenagem dos colegas granberyenses.

No Granbery ele era conhecido como “Trombone”, por causa de sua voz grave e mais por ser a voz de tantos estudantes que buscavam nele ajuda e apoio, especialmente quando em situação de injustiça e de crise. Assim, desde cedo ele trazia em sua vida o compromisso com o sofrimento do outro. Confirmando essa relação com sua ex-escola, em seus planos acadêmicos se preparava para o pós-doutorado na Universidade Metodista de São Paulo e o tema seria o Granbery, não por acaso.

Somos herdeiros e chamados a continuar essa bela história de vida de nosso mestre, com carinho...

(*) Reitor UNIMEP (1986/2002)
Presidente da AG - Setor Sudeste Paulista - 23/1/2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

21 de janeiro: Dia nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Combate à intolerância religiosa, compromisso de todos e todas!!!
21 de janeiro: Dia nacional de Combate à Intolerância Religiosa
 
Na última quinta, dia 19 de janeiro, muitos ficaram surpresos com o artigo do renomado escritor Luis Fernando Veríssimo publicado nos grandes jornais do país. Pois ele usa mais da metade de seu espaço semanal para pedir desculpas aos seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD), conhecidos popularmente como mórmons.

A louvável atitude de Veríssimo foi uma resposta aos diversos leitores que o corrigiram sobre as práticas daquela religião. É que na semana anterior ele escreveu em tom sarcástico que caso Mitt Romney, seguidor da Igreja Mórmon e candidato à presidência dos Estados Unidos, vencesse as eleições, os americanos experimentariam a novidade de observarem três ou quatro primeiras-damas transitando na Casa Branca. Não sabia ele, que esta prática da poligamia foi descontinuada por esta Igreja há mais de um século e, segundo as suas “Regras de Fé”, o membro que adota “casamento plural” é “excomungado”.

Veríssimo ao se redimir publicamente reconhece sua ignorância no assunto e diz “meu erro de mais de cem anos foi imperdoável, mas peço perdão assim mesmo. Não se repetirá. Gravarei com brasa na testa, para nunca mais esquecer: informe-se antes de dar palpite”.

Infelizmente, nem todos os casos de pessoas e instituições agredidas por questões religiosas terminam desta forma exemplar. Recentemente o apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, foi obrigado pelo Ministério Público Federal a se retratar por ter dito, no auge de seu furor “jornalístico” ao relatar mais um caso de violência, que aquela atrocidade só poderia ter sido cometida por um “ateu”, “uma pessoa sem Deus no coração”. Desta forma, rotulou as pessoas que optam por não seguir crenças e instituições religiosas como as mais inclinadas ao mal, à crueldade, ferindo a liberdade de consciência e de crença no Brasil.

Ainda constatarmos em nossa sociedade a existência da intolerância religiosa, quando pessoas e instituições agem com violência e desrespeito com quem tem prática de fé “diferente”. O fato da formação colonial do Brasil ter sido baseada num cristianismo imposto, que se tornou a “religião da maioria”, incita e reproduz a demonização e a perseguição das religiões “não-cristãs”, principalmente às de matrizes africanas. Outro cenário vergonhoso é o de disputa “mercadológica” entre igrejas, que vêem seus fiéis enquanto “clientes”. Por outro lado, estes fiéis buscam apenas “consumir” milagres, curas, conforto efêmero para as angustias do dia-a-dia. Também é preciso citar as perversidades da violência “intra-religiosa”, quando fiéis são perseguidos dentro de sua igreja/religião por líderes que anseiam maior estabilidade para exercício de seu mandato, visando mantê-lo por fatores econômicos (ex.: conforto, status, etc.) e ideológicos (ex.: disputa de projeto de futuro para a instituição).

Logo, quando casos como os trazidos no início vêm à tona, é um grande ganho. Pois desestruturam o “mandamento” social que diz que “religião não se discute”. Argumento que sempre empurrou para baixo do tapete cotidiano às inúmeras ocorrências de violências motivadas por fé, religião ou crença.

Assim também veio à tona o caso da sacerdotisa Gildásia dos Santos e Santos, Ialorixá do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador/BA, carinhosamente conhecida como Mãe Gilda. Em 1999 ela teve uma foto sua usada de forma depreciativa pelo periódico Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Depois de idas e vindas aos Tribunais em busca de justiça pelas ofensas que sofreu e de ter seu terreiro invadido e depredado, Mãe Gilda não resistiu e faleceu por complicações cardíacas no dia 21 de janeiro de 2000. Somente em 2009 saiu o resultado da ação na Justiça, sendo a IURD condenada a indenizar os familiares da sacerdotisa.

O Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, comemorado no dia 21 de janeiro, oficializado pela Lei nº Lei 11.645, em 2007, é uma homenagem à Mãe Gilda e um sinal de que a luta contra a intolerância religiosa merece ser divulgada e ampliada para toda a sociedade. A religião que na virada do século passado esteve condenada à indiferença, revigora-se no século XXI enquanto pano de fundo de tensões e conflitos e, ao mesmo tempo, plataforma possível de encontros e diálogos.

A dimensão pública da relação com o sagrado e o pluralismo religioso estão presentes na TV, na escola, no trabalho e já é comum encontrarmos nas casas pessoas da mesma família convivendo com variadas pertenças religiosas. Eis o mundo estilhaçado que nos apresenta o antropólogo Clifford Geertz. Logo, precisamos consolidar, avançar, refazer o conceito da diversidade religiosa enquanto coexistência de religiões, espiritualidades e até mesmo não-crenças numa relação social de reconhecimento do direito, do valor e da legitimidade das diferentes manifestações e experiências. Caso contrário, correremos o risco de viver numa sociedade na qual a ameaça mora ao lado ou conosco, agarrado aos estilhaços e vociferando conter em suas mãos toda a verdade.

Apresentamos como valiosa e merecedora de estudos a experiência do Comitê Inter-religioso do Pará que há mais de quatro anos vem reunindo mais de vinte entidades (religiosas, políticas, acadêmicas, etc.) em cooperação, atuando em apoio aos movimentos sociais, elaborando subsídios para organizações populares e promovendo visitas e celebrações inter-religiosas.

A vivência de aprendizado mútuo entre pessoas de religiões diferentes, como noComitê Inter-religioso do Pará, buscando pontos de encontro e de ação conjunta em torno das infinitas formas de manifestação do “Sagrado”, do “Misterioso”, do “Inefável”, faz lembrar as palavras do escritor uruguaio Eduardo Galeano ao narrar a primeira vez que uma criança viu o mar. Após subir cansativas dunas de areia, a criança olha lá de cima o mar com toda aquela imensidão, fulgor e beleza. O deslumbramento é tanto diante daquela maravilha surpreendente que quando finalmente consegue falar, ainda tremendo, gaguejando, só consegue pedir “amigo/a, me ajuda olhar!”.
 
Tony Vilhena
Cientista social, especialista em ciências da religião
Belém/PA
Comitê Inter-religioso do Pará

Terceiro Ato de Combate à Intolerância Religiosa. 

Dia 22 de janeiro de 2012, domingo, às 9h, na Praça da República, Belém/PA.

Originalmente publicado aqui.