
Consolidar, avançar e agir na busca pela valorização da identidade metodista.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Movimento dos Metodistas Confessantes

terça-feira, 25 de agosto de 2009
O feitiço da serpente

O feitiço da serpente
Desde a primeira fase do 18º concílio surgiram frases como: “A questão ecumênica é apenas a ponta do Ice berg; a questão é poder; os carismáticos querem assumir a Igreja Metodista...” Ora, é preciso começar dar nome aos leões. Não! Aqui não cabe a linguagem inclusiva.
Primeiro, é necessário traduzir o que significa, por exemplo, a questão de poder. Deve-se ir direto ao ponto: É o controle ideológico e o controle financeiro das instituições rentáveis da Igreja. Do contrário, a polêmica advinda dessa suposta “homérica” discórdia já teria levado há tempos à uma divisão. Por que não aconteceu? Por que certos indivíduos resistiriam tanto tempo? Não seria o caso de terem fundado outra igreja, como fizeram alguns?
Segundo, será que os carismáticos devem ser colocados num mesmo saco? Não estariam apenas sendo usados por certos leões raivosos?
Há sim carismáticos anti-ecumênicos, espiritualistas e ávidos pelo poder... Mas há carismáticos sinceros em sua fé e também há carismáticos ecumênicos. Nesses grupos, pode ser que haja pessoas com compreensões bíblicas e teologias díspares dos “intelectuais” e “liberais” da igreja, mas em absoluto, pode-se afirmar que a maioria almeje controlar seus recursos financeiros. Um caminho didático consiste em separar o joio do trigo.
É muito provável que a maioria carismática nem ao menos possua dimensão do que está acontecendo na igreja pós-18º Concílio. As compreensões equivocadas sobre ecumenismo e o desconhecimento acerca dos fundamentos históricos do metodismo, não fazem de todos oportunistas. S aber quem é quem, é um exercício que requer menos preconceito e mais amor.
Oportunismo é que o se assiste por parte de um grupo pequeno - conduzido por uma dúzia ou menos de líderes - que se valeu de um ponto nefrálgico da Igreja para construir um projeto que em absoluto tem a ver com espiritualidade dos carismáticos, com a preservação da tradição da igreja ou algo similar, defendida pelos “tradicionalistas” ou, “liberais” da Igreja Metodista brasileira.
É passada a hora de se analisar a dimensão do encantamento lançado sobre o ecumenismo que tal qual serpente balançando o guiso enfeitiçador, foi usado na certeza de encantar não apenas aos carismáticos desavisados, mas também paralisar toda igreja entorno de uma discussão que apenas esconde os reais propósitos dos “encantadores” de serpente.
Essa tática é comum entre líderes e regimes totalitários. Eles pegam um ponto nefrálgico de uma sociedade ou de um grupo e direcionam os holofotes, deixando à sombra os reais propósitos de suas agendas.
Na história da humanidade, esse feito se repetiu sucessivas vezes. Enquanto muitos se entregaram ao feitiço do que aparecia sob efeito da “luz”, na escuridão alguns brincavam de “deus,” varrendo para dentro de fornalhas corpos que garantiam o show macabro e lhes conferia credibilidade. Credibilidade essa, fruto do encantamento, do medo e do horror.
Há de se fugir das ingenuidades, dos encantamentos e perceber que em maior ou menor grau, a história de repete forjada pela “grandeza medíocre” dos que querem poder a todo custo. É só olhar para o projeto do presidente dos Estados Unidos, é só olhar a nossa volta.
Em A mosca azul, p. 122, Frei Beto diz: “Nos porões da humanidade aprendi por que na floresta os tigres se movem à noite. Não buscam a luz, nem se deixam inebriar pelos primeiros raios do alvorecer. Nutrem-se do que vislumbram em plena escuridão”.
Profetas e profetizas da história bíblica não se deixaram enfeitiçar por serpentes. Eles e elas, mesmo em tempos de perseguições e fornalhas trouxeram à luz o que precisava ser revelado.
E nós, temos sido profetas e profetizas, ou temos nos “alinhado” aos encantadores de serpente??
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Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá.
Para comentar ou ler outros artigos acesse: http://br.groups. yahoo.com/ group/LittleThin ks/
Outros artigos de Maria em http://www.maringan ews.com.br/; www.alcnoticias. org/
terça-feira, 18 de agosto de 2009
O retorno do Santo Ofício ao Pará
Aqui em Belém, a igreja metodista surgiu na década de 70, no bairro da Pedreira, conhecido como "o do samba e do amor", e sempre atuou junto ao povo do local (projeto de carpintaria, escola de educação infantil, presidiu o Conselho Municipal de Assistência Social, etc.), destacando-se na atuação ecumênica, inclusive foi fundadora do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC).
Esta ênfase ecumênica sempre mereceu severo monitoramento das alas mais carismáticas que compunham o Colégio Episcopal, que, por sua vez, sempre pregavam que enquanto a Igreja da Pedreira adotasse esta postura da "teologia da libertação" o metodismo em Belém não teria futuro.
Então, tendo à frente o bispo Rozalino, um plano foi traçado no final da década de 90. Como não poderiam fechar a Igreja da Pedreira e iniciar do zero um novo trabalho metodista com uma outra orientação, aliaram-se a um pastor recém saído da Igreja Batista para fundar uma outra Igreja Metodista em Belém, daí nasceu a Igreja Metodista do Umarizal. O Umarizal é um bairro de classe média, bem diferente da realidade periférica da Pedreira.
A idéia era que esta nova Igreja do Umarizal, por ser mais central e ter um pastor militar que não "bebera" da teologia metodista, iria aos poucos suplantar o trabalho da Igreja da Pedreira, tornando-se a "verdadeira" referência do metodismo na cidade. Assim, a Igreja Metodista do Umarizal virou a "menina-dos- olhos" do poder metodista. Era uma "comunidade missionária a serviço do po...DER". Para lá foram destinados vários recursos e projetos. Enquanto isso na Metodista da Pedreira, até ficar sem pastor ficou.
Mas a obra não é dos homens, é de Deus. Assim, após quase dez anos de fracassos na tentativa de por fim à Igreja Metodista da Pedreira, por diversas crises internas, quem ruiu foi a abastarda Igreja Metodista do Umarizal, em plenas mãos do bispo Adolfo, já atual bispo da REMA, que, diga-se de passagem, sempre foi o bispo que mais vociferou contra a postura teológica e o histórico da Igreja Metodista da Pedreira.
Não conformado com a falência do metodismo a serviço do poder, o bispo Adolfo adotou uma nova estratégia. No início de 2008, inseriu os membros da igreja falida do Umarizal dentro da Igreja da Pedreira, provocando um desconforto imenso para os irmãos e irmãs das duas igrejas. Antes ele ainda teve a ousadia descarada de fazer a seguinte proposta: Os membros da Umarizal ficam com o prédio e a estrutura da Igreja da Pedreira e os membros da Pedreira que dão ênfase nas obras de misericórdia vão para um terreno comprado pela Igreja do Umarizal. Claro, esta proposta foi rejeitada. Hoje temos um templo e duas igrejas.
Para conduzir este "casamento arrumado", o bispo escolheu um outro pastor que também fora da Igreja Batista, trazido ao metodismo pelo pastor ex-batista que iniciou o trabalho no Umarizal. Pensaram, "agora pronto, foi dado o golpe final" no metodismo que prega a ação social, o diálogo ecumênico, a leitura dos documentos da Igreja, uma espiritualidade profunda. O próprio bispo Adolfo afirma sem nenhum pudor ou o mínimo de respeito aos irmãos e irmãs que caminham há anos no evangelho que o metodismo da Igreja da Pedreira faz parte do "deserto" do metodismo brasileiro que no último Concílio foi ultrapassado e agora chegou-se à terra prometida: ênfase no ganho de almas, no crescimento numérico e estruturação financeira da Igreja.
Bastou um ano para percebermos que este "casamento arrumado" não daria certo. Em novembro de 2008, no Concílio Local para a Avaliação da unificação das igrejas de Belém a maioria da Igreja votou pelo fim da união. Ainda mais, o Concílio pediu a urgente mudança de pastor local, relatando uma extensa lista de autoritarismos em apenas um ano de gestão. Para a surpresa de todo mundo, o bispo Adolfo desprezou a decisão da Igreja local e, bem ao seu estilo, decretou um Ato de Governo, decidindo a partir dos seus princípios de "inerrância e infalibilidade" pela continuação da pseudo-união da agora Igreja Metodista Central de Belém e permanência do atual pastor.
A intenção do bispo e de seu pastor, pupilo fiel, é fazer as irmãs e os irmãos metodistas da Pedreira "sangrarem" e chorarem até a última gota, e, assim, vencer pelo cansaço. Querem que estas pessoas saiam aos poucos da Igreja, deixando o espaço livre para a conclusão do plano iniciado na década de 90: acabar com a Igreja (pessoas, princípios, atuação, visão teológica, espiritualidade) da Pedreira. E isto eles já têm conseguido com muito mérito, visto que já se contam mais de vinte as pessoas, eu sou uma destas, que deixaram de comparecer nos cultos à noite para não se depararem mais com shows do Lázaro, expulsão de demônios, apelos absurdos e pregações que mais parecem indiretas ou recados.
Faço toda esta introdução na tentativa de mostrar o contexto em que se dá a notícia "Bispo Adolfo passará o mês de agosto em Belém". Esta visita é justificada pela necessidade de acompanhar este processo de transição forçada "do deserto para a terra prometida" e enquadrar aqueles que estejam fora desta "visão". O Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição terminou seus trabalhos no Pará há exatos 240 anos (1769), deixando um rastro de julgamentos e "Atos de Governos" baseados em fundamentalismos do Catolicismo Romano da época. A Inquisição era uma instituição da Igreja Católica Romana criada para combater quem não se alinhasse com os mandatários do poder eclesiástico e da Metrópole, estes foram acusados de hereges, de manter pacto com o diabo, de supersticiosos e de bruxos e bruxas. Falando em caça às bruxas, não podemos esquecer que estamos falando de um bispo que deixou a Igreja Metodista do Brasil num imenso constrangimento quando acusou de bruxaria uma pastora negra que desenvolvia trabalhos com mulheres carentes.
Agora teremos no mês de agosto de 2009 o Tribunal do Santo Ofício Metodista, com o bispo Adolfo acolhendo as denúncias e autuando contra aqueles e aquelas que têm resistido pela fé há anos de ataques ininterruptos. Sucumbirá enfim a Igreja Metodista da Pedreira? Não sabemos. Contudo, digo novamente, a obra não é dos homens, é de Deus. Logo, nossa esperança é que os conchavos humanos e as estratagemas do poder não resistam à coerência e a sinceridade de quem serve a Deus com ardor e alegria.
Embora com a esperança aguçada, ouso fazer este registro como um testemunho. Pois como diria Affonso Romano de Sant'Ana "o que não escrevi, calou-me". Por isso, compartilho com vocês estas doloridas palavras não por rebeldia ou insubmissão às autoridades, mas porque não agüentamos mais suportar calados. Ficar em silêncio neste caso é tornar-se cúmplice. Irmãs e irmãos do coração aquecido de todo o Brasil têm que saber o que se passa no metodismo por estas terras quentes e longínquas da Amazônia. Oração e informação, serão essas as nossas respostas às perseguições que o bispo nos impõe, mesmo sentindo a afumegação das fogueiras.
Tony Vilhena
Não se pode matar a idéia a tiros de canhão, nem tampouco acorrentá-la
Louise Michel (educadora e libertária, lutou na Comuna de Paris)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Para que todos sejam um
Para que todos sejam um
A perspectiva metodista para a Unidade Cristã
Colégio Episcopal da Igreja Metodista - Agosto de 2009
APRESENTAÇÃO
"Estas coisas vos escrevo para que a nossa alegria seja completa."I João, Capítulo 1, Versículo 4
Nosso compromisso com Deus é o de "espalhar a santidade bíblica por toda terra". Nessa perspectiva, afirmamos também nosso compromisso com a unidade cristã, para que o mundo creia. Assim sendo, apresentamos a vocês esta orientação pastoral.Quando tenho uma relação sadia comigo e com Deus, não tenho problemas para dialogar com as outras comunidades religiosas. A vida sadia, santa, é sempre uma vida aberta aos outros seres humanos e é nela que alcançamos a "alegria completa".O poder do Evangelho vem do Deus que é amor. Ele olha para nós como pessoas a quem Ele ama.Buscando tornar esta orientação de mais fácil utilização, estabelecemos nela algumas novidades. Assim, as inserções nas laterais das páginas são ora referência a frases destacadas do texto, ora perguntas feitas para despertar a discussão nos grupos de estudos. Sugerimos que essas orientações sejam usadas para transmitir as informações deste documento na Escola Dominical, nos grupos societários, nos grupos de discipulados e outros. Seu objetivo é funcionar como uma metodologia de apoio para o aprofundamento do tema.Tenha um abençoado estudo deste documento e que o mesmo produza frutos dignos do Reino de Deus.
Bispo João Carlos LopesPresidente do Colégio Episcopal
Download do documento completo: http://www.metodista.org.br/arquivo/documentos/download/Que_todos_sejam_um.pdf
Fonte: Site da Sede Nacional.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Qual o rumo da Igreja Metodista?
Airton Campos
Recebi recentemente cópia de mensagem, entre pastores amigos meus, que tinha o título acima. O texto citava a visão de Amós descrita no capítulo 7 do seu livro: “O Senhor me mostrou numa visão isto também: Ele estava perto de muro construído direito, a prumo, e tinha um prumo na mão. Ele me perguntou: Amós, o que você está vendo? Um prumo – respondi. Então Ele me disse: eu vou mostrar que meu povo não anda direito; é como um muro torto, construído fora do prumo. E nunca mais vou perdoar o meu povo”.
E a mensagem que recebi dizia: uma igreja sem prumo é uma igreja sem rumo. O problema é que alguns líderes não suportam ver o prumo de Deus orientando a obra.
Recebi também, de outro pastor, cópia de mensagem enviada a outros pastores e bispos reagindo bastante ao convite para participar do II Congresso Regional de Discipulado rumo a 1 milhão de Discípulos a se realizar no final do mês de agosto, na Escola de Missões.
Sua indignação foi porque o congresso seria ministrado por dois “apóstolos” da Comunidade Evangélica Projeto Vida, que atua segundo os princípios do G-12 e dissemina esta idéia.
A propaganda divulgada na página da 1ª Região Eclesiástica na Internet apresenta a imagem dos dois “apóstolos” em primeiro plano e informa ainda a participação especial do Bispo Paulo Lockmann logo abaixo. A propaganda faz ainda alusão ao tema daquele grupo: Rompendo Limites; Superando Limitações e Ultrapassando Fronteiras, e divulga o nome de sua página na Internet.
Consta que o convite aos “apóstolos” já foi revogado e que ele não era do conhecimento do Bispo, mas a propaganda continuava na Internet. Não consigo entender como a presença do Bispo é anunciada, o cartaz é feito e divulgado inclusive no site da Região e o Bispo não sabe?
Também não tenho nada contra se alguém se intitula “Apostolo” ou qualquer outro título honorífico e que seja venerado, mas que o seja na igreja dele, não na metodista. A estranheza é ainda maior porque existe um texto do Bispo Paulo Lockmann endereçado aos pastores da Região intitulado: “Para não dizer que não falei do G- 12” e também uma Pastoral do Colégio Episcopal apontando os desvios doutrinários deste movimento que contraria as doutrinas bíblicas e wesleyanas.
A Pastoral do Colégio Episcopal, entre outras informações, declara explicitamente: “considerando os equívocos neste método apresentado como programa de discipulado, damos a seguinte orientação ao povo metodista: Não entreguemos nossas ovelhas para serem pastoreadas por terceiros... . Segundo a tradição metodista, grupos de discipulados devem ser organizados em nossas igrejas...Que nestes grupos seja aplicado o modelo wesleyano. Devemos ter cuidado com os métodos e programas de discipulado que apresentam outras conceituações. . O Colégio Episcopal, ao analisar as propostas do G-12 declara que elas são incompatíveis com os documentos, doutrinas e caminhada da Igreja em dons e ministérios; e que pastores e pastoras não têm o direito de envolver a comunidade local em propostas que não foram avaliadas pelos respectivos Concílios... O/a pastor/a que assim proceder, estará contrariando a orientação doutrinária da Igreja, e atraindo para si toda a responsabilidade. Desta forma, estará sujeito ao que prescreve os Cânones da Igreja Metodista.”
Será que isto aconteceu? Diante da exposição e divulgação do evento como foi concebido, espera-se pelo menos uma palavra episcopal, de divulgação também ampla, tornando novamente clara a condenação da Igreja Metodista a este tipo de discipulado. E isto de divulgação também ampla.
Este movimento do G-12 surgiu no Vale do Paraíba e causou um grande problema nas igrejas metodistas da área. A Igreja Metodista tem suas normas de discipulado e de busca de consagração e crescimento espiritual racional, mas mesmo entre nós existem muitos buscando apenas uma espiritualidade emocional, sem conseqüência, condenado por Wesley em seu sermão A Natureza do Entusiasmo.
Wesley exigia de seus pastores leitura e estudo, mas parece que hoje alguns pastores não lêem sequer as Pastorais do Colégio Episcopal, preferindo um ativismo emocional, sem profundidade, sem necessidade de estudo e preparação da mensagem. Estão sempre entusiasmados com práticas neo-pentencostais, esquecendo nossa tradição e doutrina, surgindo a toda hora com novidades: dente de ouro, dança profética, etc.
Quando é que vamos realmente agir e crer que o metodismo é um movimento de busca da santificação equilibrada e de mudança no mundo?
Mas não é só na questão doutrinária que muitos líderes agem em desacordo com a Igreja. Também com relação à estrutura da igreja local alguns deixam sua marca pessoal desagregadora. As sociedades de mulheres tem sido uma das vítimas desta ação em muitas igrejas, enfrentando restrições até deixarem de existir. Isto não é uma prática nova, mas não tem sido corrigida pelas autoridades eclesiásticas.
Será porque nossa Região, apesar de abranger um só Estado, cresceu muito e já dificulta o acompanhamento e a supervisão de lideranças locais?
Temos visto apenas planos de crescimento fabuloso sem que se debata de maneira clara uma nova estrutura regional, que no sistema atual só vai concentrando poder. Existem muitas dúvidas a elucidar e inquietações a dirimir.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Se preciso, pinto o rosto e saio às ruas
Imagine o que eu passei: dependia dos raros (porque caros) telefonemas e dos Correios para receber alguma notícia de um Brasil que fervilhava em torno do impeachment do Presidente da República.
Lá de longe acompanhei, ansioso, o movimento que, incrível, parecia mobilizar a população. Lembro-me de ter desejado estar no Brasil naqueles dias para viver as experiências que certamente entrariam para a História nacional.
Não pude. E me senti como o sujeito da canção do Milton: "Quem perdeu o trem da História por querer saiu do juízo sem saber, foi mais um covarde a se esconder diante de um novo mundo".
Pois é, confesso: perdi o trem da História.
Eu e a Velhinha de Taubaté (pra quem não se lembra, criação do LF Veríssimo). Eu, por estar fora do país; ela, por ingenuidade, credulidade, apatia, comodismo. Trancou-se em casa para não se envolver recusando-se a acreditar no que todos entendiam como óbvio.
Anos depois, mais especificamente em julho de 2007, minhas suspeitas se confirmaram: a velhinha era metodista e delegada ao Geral. Só isso explica a lambança.
Será que foi com ela que o Lula e outros Colégios aprenderam a tática do "Não sei, não vi, não sabia, não posso fazer nada, não tenho nada com isso!"?
Receio que ela ainda esteja por aí, temendo, como sempre, ser identificada como alguém que faz conchavos e combina estratégias. Prefere acreditar que todos são bonzinhos como ela e que tudo é e será feito com a melhor das intenções.
Se todos pensarem assim, o que será da Igreja no próximo Concílio Geral?
De minha parte, decidi que, no que depender de mim, nunca mais perco o trem da História.
terça-feira, 21 de julho de 2009
É necessário redescobrir a alegria de ser pastor de comunidade local e rever esse frisson pelo episcopado
É necessário redescobrir a alegria de ser pastor de comunidade local e rever esse frisson pelo episcopado

É verdade que a Palavra afirma que boa coisa aspira quem quer ser bispo. Não há pecado em desejar ser reconhecido pela Igreja como um bom pastor que pode exercer a função de bispo ou bispa. O problema não é o desejo em si, mas a “cultura” predominante em que isso se tornou na vida da igreja.
O “ápice” na vida de um homem ou mulher chamados para o pastoreio deve ser presenciar os milagres de Deus que transformam pecadores em santos, perdidos em salvos, racistas e egoístas em irmãos, solitários em solidários... deve ser participar dos milagres de Deus na vida das pessoas e da comunidade, quando uma pessoa deixa de beber para a honra e glória de Deus, deixa de bater na esposa ou no esposo, deixa a prostituição ou o adultério, deixa a vida de violência e corrupção.
Precisamos redescobrir as alegrias, o grande privilégio e responsabilidade de estarmos na “infantaria” do “exército” de Deus; aqueles que estão na ponta, à frente, desguarnecidos de seus confortáveis escritórios e fortalezas, mas caminhando na dependência de Deus, sob as mãos daquele que nos refigera a alma e nos guia em direção aos pastos verdejantes. E assim, combatendo dia a dia o poder do mal que veio para matar, roubar e destruir, até que Deus o lance para sempre no poço de enxofre cujo fogo não se apaga nunca. Aleluia! Maranata, Senhor Jesus!
O que não podemos é permitir a hipocrisia de alguns que se portam incovenientemente e afirmam que tudo o que fazem é santo, é de Deus. Não podemos usar o nome de Deus em vão, diz-nos o segundo Mandamento. Tenho estremecido ao ler os capítulos de Ezequiel sobre a responsabilidade dos pastores.
sábado, 4 de julho de 2009
Ninguém perguntou (Não?) mas eu respondo assim mesmo
Sim, eu apoio e votaria favoravelmente, no próximo Concílio Geral, a uma eventual proposta que prorrogasse o mandato do atual presidente da minha Região Eclesiástica por mais dois anos até que se realizasse, no Concílio Regional, a eleição do novo bispo.
Concordo: a forma como me expresso parece resposta a uma pergunta que não foi feita.
Desculpo-me. Quis apenas contribuir. Você sabe, há no cenário político um fenômeno ao qual estudiosos e jornalistas dão o nome de "lançamento de um balão de ensaio". O termo é utilizado principalmente quando se quer testar a aceitação de uma idéia (que pode ser uma proposta ou até mesmo uma candidatura). A idéia, então, é lançada sutilmente, quase sem querer, de maneira tal que venha a ser entendida como um comentário despretensioso.
Pela reação provocada, pode-se avaliar o grau de sua aceitação ou rejeição e o resultado dessa avaliação é que orienta os passos seguintes.
Reajo. Que os desavisados não me entendam mal: não estou lançando nenhum balão mas reagindo. Considerando que em se tratando de igreja a dificuldade está em medir a reação, espero estar contribuindo.
Poderia, obviamente, levantar questões concernentes como, por exemplo, a que diz respeito à idade do candidato... Se, por ocasião do Geral, o postulante tinha idade para se candidatar, o Regional poderia considerar como válida sua candidatura. Poderia?
E outras como a que suspende a itinerância mantendo os atuais bispos nas regiões que presidem...
Repito: poderia, obviamente, levantar questões concernentes... Deixo-as para quem se interessar.
Fernando Cezar Moreira Marques
Pastor Titular da IM no Ipiranga, São Paulo, SP
Não nos deixes cair em tentação
A propósito dos próximos Concílios Regionais e Concílio Geral

Os Concílios Regionais serão realizados no segundo semestre e estão às portas. A preparação regional, os grupos de logística e a movimentação das igrejas locais na escolha dos seus delegados já estão em processo. Tendo em mente que nesses Concílios é onde se elegem os delegados ao próximo Concílio Geral, é momento de reflexão séria e coerente com o Evangelho a respeito de quem e com que delegação as igrejas locais elegerão os seus representantes como “candidatos ao Concílio Geral”.
Começo a perceber a já comum movimentação e vejo que é hora de orar ao Senhor da Seara: “Não nos deixes cair em tentação!”
E por quê?
Porque é necessário que sejamos guiados por uma mente e por valores que tenham sido renovados pelo Espírito em nossas mentes para que possamos vivenciar a vontade de Deus em nossos Concílios e no Concílio Geral. A única vontade que é justa, boa, agradável e perfeita.Rm. 12.2.
O grande desafio é agir, atuar, vivenciar os Concílios Regionais e, a seguir, o Geral conforme os “valores do Evangelho”, do Reino e de acordo com a Vontade Divina. Para tal, há um preço a pagar-se: esvaziamento, quebrantamento, renúncia, conversão, mudança de valores, quebra de ambição, ausência de messianismos, Unidade no Corpo...”santificação”.
A “eleição de delegados (as) ao Concílio Geral tem levado em conta os objetivos, as aspirações individuais e de grupos. Infelizmente, o foco de maior atenção e atração é o da “eleição episcopal”. Tendo-se em mente que o “critério canônico para a eleição episcopal” continua o mesmo, apesar de tantos anseios por mudança, expressos pós-eleição no último Concílio, perdemos a oportunidade de, sob inspiração divina e autoridade do Concílio, criarmos uma forma mais clara, transparente, justa e coerente com os princípios e objetivos do Evangelho e da Igreja Metodista. “Todos (as) Presbíteros (as) são candidatáveis ao Episcopado, através de uma eleição “sem discussão e debate” sob a inspiração do Espírito Santo”. Isso tem ocorrido? Você crê na veracidade e sinceridade do desenvolvimento desse padrão numa eleição episcopal? Nós, que participamos do último Concílio e da última eleição, temos a consciência de que o critério estabelecido pelos Cânones foi realizado fielmente? Creio que existem muitos delegados e delegadas que têm agido coerentemente no decorrer de nossos Concílios, podendo receber a aprovação divina... mas será a maioria? Cada um de nós, desde a igreja local, distrito, região e área nacional dará a Deus a sua resposta.
Há muita “tentação” nesse processo de eleição, desde a igreja local até a escolha dos delegados ao Geral e, especialmente, no momento da eleição episcopal. Somos chamados a “orar”. Orar sincera e coerentemente a Deus, buscando a graça do Espírito visando seguir coerentemente o que o Evangelho e a Igreja Metodista determinam.
Pessoalmente sou favorável à mudança desse critério acima colocado. Creio que a Região deveria encaminhar para o Concílio Geral as pessoas e seus nomes que mais estejam de acordo com os princípios bíblicos do episcopado e preencham de forma coerente o que se requer de um bispo ou bispa, segundo a visão da Igreja Metodista. Isso ocorreria após ter-se uma sondagem honesta e objetiva feita na igreja local e omologada por escolha num Concílio Especial Regional.
Agora nos resta vivenciar o que continuou determinando os Cânones. Aqui entram as “tentações”: aspirações pessoais, movimentos políticos, mobilização de grupos com as mais diversas posturas doutrinárias, consciência de messianismos, acordos regionais e mobilização as mais diversas. Creio na ação do Espírito Santo, na oração, mas descreio do esvaziamento, da submissão ao Senhor, do espírito de humildade e da falta de ambição descabida e desconforme com as normativas Evangélicas. Não descreio de um “quebrantamento evangélico” e nem de um “avivamento genuíno gerado pelo Espírito”.Creio ser essa nossa maior necessidade como cristãos e Igreja. Para tal, não podemos ser obstáculos à ação divina e ser livres das “tentações” anteriormente enumeradas.
Com que espírito participaremos dos Concílios Locais e Regionais? E, depois, nas reuniões de grupos, delegações e outras?
Chego até a pensar que, no contexto atual, melhor seria a mudança transitória de critério: “eleição episcopal nos Concílios Regionais, deixando para cada Região reconhecer aqueles e aquelas a quem o Senhor tem concedido o “carisma” para o episcopado.
Não há sistema completo e perfeito, pois em todos eles nós humanos é que estaremos decidindo e mesmo no Regional os motivos anteriormente expostos poderão existir, mas de uma forma mais controlada e com possibilidade de quebrantamento mais objetivo e real. Enquanto isso, oremos e busquemos: “Não cair em tentação” contra a vontade e os princípios do Senhor.
Bispo Honorário Nelson Luiz Campos Leite.
domingo, 24 de maio de 2009
Acerca dos 271 anos da experiência religiosa do coração aquecido de João Wesley, o fundador do movimento metodista

Por Pr. Ronan Boechat de Amorim
Ao falarmos da experiência do Coração aquecido de João Wesley naquele 24 de maio de 1738 naturalmente nos recordamos do princípio do metodismo na Inglaterra naquele já distante século XVIII.
E nos lembramos da degradação moral, social, política e religiosa em que vivia a Inglaterra de então. E como em meio aquela situação uma família se destacava em levar à sério a religião, a espiritualidade e o desejo de fidelidade a Deus. Suzana Wesley, aquela mãe e cristã tão vigorosa, ética, sensível e cheia de fibra, o quanto ela foi perseverante em educar seus filhos no temor do Senhor, distinguindo-se do que era “normal em sua época”. Vemos que João Wesley, apesar de todo ensino recebido zelosa e apaixonadamente por sua mãe Suzana, começa uma busca pessoal pela sua própria experiência com Deus. Não queria ser um cristão cujas experiências com Deus fossem limitadas às vividas e recebidas da senhora sua mãe. Ele buscava intensamente ter a sua experiência pessoal e de fé com Deus.
Foi em busca dessa experiência de fé que aceitou ir como missionário na então colônia inglesa na América do Norte, de onde volta algum tempo depois profundamente humilhado, fugindo de um processo colocado na justiça contra ele por supostas práticas pastorais inadequadas.
Em Londres, procura relacionar-se com cristãos alemães chamados de “moravianos”, que eram liderados por um conde chamado Zinzendorf. Ele ficara impressionado com a fé dos moravianos durante sua viagem de ida para a Geórgia. Quando o navio era sacudido de um lado para o outro, um grupo moraviano seguia calmo e confiante. “Nós confiamos em Deus e nossas vidas estão salvas em suas mãos”, diriam mais tarde. Em Londres torna-se amigo de um pregador moraviano que estava naquela cidade preparando-se para seguir viagem para a América. Wesley e Pedro Bolher conversam por vários dias sobre a fé, a doutrina, a salvação, a certeza de ser salvo por Deus, etc... Wesley percebe que criam exatamente na mesma doutrina, mas que lhe faltava sem dúvida, aquilo que ele se ressentia de não ter tido ainda: uma forte experiência com Deus. O que acontece numa pequena reunião dos moravianos na noite de 24 de maio de 1738 quando o pregador lia um comentário escrito quase 200 anos antes por Martinho Lutero sobre o livro de Romanos.
Ele que confessa mais tarde em seu diário ter ido à tal reunião praticamente sem nenhuma vontade; mas que por volta das 20:45h quando o pregador falava sobre as mudanças realizadas por Deus na vida dos salvos, ele sentiu seu coração estranhamente aquecido (na verdade, sentiu seu coração estranhamente abrasado, ardente) pelo poder de Deus e sentiu que seus pecados estavam perdoados, que ele confiava em Deus... um grande peso saiu de sobre seus ombros e ele deixou de ser apenas um servo, passando a experimentar a maravilhosa experiência de ser filho de Deus.
Daquele 24 de maio em diante João Wesley nunca mais foi a mesma pessoa ou o mesmo pregador. Começou um movimento de discipulado de crentes dentro da Igreja Anglicana, que visava vida de oração, estudo da Palavra de Deus, desejo por santidade e dedicação à evangelização e à missões. Ao morrer em 1792, aos 89 anos de idade, calcula-se que havia 70 mil metodistas na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e Irlanda) e que pelo menos outros 70 mil já haviam morrido durante sua vida tão longeva.
Apesar de ser perseguido pelas autoridades da Igreja Anglicana por causa de seu “entusiasmo” (fervor), deixando-o não apenas sem a designação para uma paróquia, mas proibindo-o de pregar em qualquer igreja anglicana, Wesley e todos os metodistas enquanto ele viveu não deixaram de ser nem anglicanos nem metodistas. O metodismo era um movimento de santidade e evangelização dentro da Igreja Anglicana. Quando proibido de pregar em templos anglicanos, Wesley disse: “O mundo é a minha paróquia”. Sobre o porquê Deus havia levantado os metodistas ele afirmou: “Para reformar a nação, particularmente a igreja; e para espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. Sua grande prioridade: “Nada a fazer senão salvar almas”.
Seu “entusiasmo” não foi nem irracional nem alienante. Pois levou Wesley a compreender que além de salvar a alma da pessoa do inferno, era necessário também salvar a vida das mesmas antes da morte, tirando-as de sob o poder da pobreza, do analfabetismo, do trabalho escravo, da injustiça e de todo tipo de valores e práticas que não tivessem em conformidade com a vontade de Deus. O avivamento de Wesley não era apenas no culto, mas sobretudo no dia a dia. E sua teologia do que podemos chamar hoje de “salvação integral” levou-o também a lutar contra a escravidão, os vícios, as leis e sistema prisional desumano da Inglaterra de então.
Olhando para a história desse homem que teve seu coração “estranhamente aquecido” (coração fervente) pelo poder do Espírito Santo, não temos como não reconhecer que foi um homem tremendamente usado por Deus e que ele é um testemunho explícito e vivo de que:
1 – NÃO PODEMOS NOS SATISFAZER COM EXPERIÊNCIAS ALHEIAS E COM VIDA ESPIRITUAL MEDÍOCRE – Não devemos nos satisfazer com aquilo que generosa e amorosamente recebemos de nossos pais e de nossa Igreja. É preciso buscar nossa própria experiência de fé com Deus. Não podemos ser cristãos alimentados apenas pela fé de nossos pais e pela tradição dos que nos antecederam nessa fé. É fundamental que tenhamos nossa própria experiência de fé (e pessoal) com Deus. Deus tem mais para nós do que aquilo que nossos pais podem compartilhar conosco, repassar para nós... por mais leais a Deus e à tarefa do testemunho e do ensino cristão que eles sejam.
Não podemos nos satisfazer com relações superficiais, medíocres, ritualistas e mecânicas com Deus. É necessário que o Espírito de Deus testifique em nosso próprio coração que somos filhos e filhas de Deus. E a partir daí construir uma vida de intimidade e de experiências pessoais contínuas com o Deus vivo e presente.
2 – NÃO DEVEMOS VIVER DE ACORDO COM O MEIO SOCIAL E CULTURAL, MAS DE ACORDO COM A VONTADE DE DEUS – O meio social, político, cultural, eclesiástico e teológico com certeza influem poderosamente no tipo de pessoas que somos ou seremos, nos valores que temos ou teremos e também no tipo de espiritualidade (relação com Deus) que temos. Mas nossa maior referência e influência têm de ser o Evangelho e o Espírito Santo de Deus.
O meio ambiente, cultural e social e religioso forma, deforma, conforma, reforma, formata, etc, as pessoas; mas pessoas podem questionar a formação, superar a conformação e experimentarem reforma e transformação. Particularmente se foram despertadas para a situação em que estão e encorajadas a uma mudança significativa através e por causa do amor de Deus.
Pessoas genuinamente cristãs têm o Evangelho de Jesus como “lâmpada para os pés e luz para o caminho” (Sl 119:105). De modo que têm por natureza o discernimento que nos faz sermos críticos diante das coisas, das tradições, das inovações, das repressões, dos rolos compressores dos modismos de qualquer espécie, inclusive, os modismos teológicos.
Deus tem o poder de mudar as pessoas e o meio cultural onde as pessoas vivem. Para provocar mudanças existe também o testemunho pessoal, a evangelização (que deve ser integral curando o caráter da pessoa, seus relacionamentos e os valores e estruturas da comunidade onde vive) e, sobretudo o poder do Espírito Santo que convence do pecado, guia à verdade e faz tudo novo. Os grandes e genuínos avivamentos, inclusive, têm essa finalidade: mudam as pessoas e enchem a história humana de mais graça de Deus.
3 – PEQUENOS ENCONTROS E PESSOAS SIMPLES TAMBÉM PODEM PROMOVER GRANDES MUDANÇAS – Pessoas simples, como o missionário moraviano Pedro Bolher, podem ser tremendos canais de graça e instrumentos do agir de Deus de Deus, das mudanças de Deus, das operações de Deus em pessoas, nas histórias dessas pessoas e na história da comunidade. Wesley foi, digamos, o estopim que foi aceso através da instrumentalidade de Pedro Bolher pelo “fogo” do Espírito Santo. Depois de um tempo em Londres ponde esperava para ir como missionário nas Américas não se ouviu mais esse nome. Mas assim como o muito sem Deus é sempre pouco, o pouco com Ele muito se faz; é sempre o suficiente.
4 – QUE O CAIR É DO HOMEM, MAS QUE A SALVAÇÃO PERTENCE AO SENHOR – João Wesley, um homem que confiava em seus próprios méritos, na sua sabedoria e conhecimentos, na segurança dos ritos e do tradicionalismo, foi levado por Deus à colônia inglesa na Geórgia e ali foi quebrado como um vaso nas mãos do oleiro. Foi reduzido a alguém que não tinha mais como confiar em si mesmo. Reconheceu que precisava desesperadamente do socorro do Senhor e quando clamou este aflito, Deus o ouviu, o ergueu e o tornou um instrumento de graça e salvação confiável. Não porque era grande, mas porque sua grandeza estava em depender e em obedecer a Deus em todas as coisas.
5 – PESSOAS PODEM LIDERAR PESSOAS E AJUDÁ-LAS A SEREM TRASFORMADAS POR DEUS – João Wesley nunca teve o poder de transformar as pessoas, mas nas mãos de Deus foi um grande líder que levou pessoas a colocarem suas vidas e a fé nas mãos do único e suficiente Salvador, o Senhor Jesus.
Um homem sozinho não pode mudar ninguém (ao menos para melhor!!), não pode mudar um país inteiro, não pode mudar o mundo, transformando-o num lugar melhor e mais justo para todos, mas pode, sob o poder de Deus, vislumbrar e profetizar mudanças, proclamar e promover mudanças, animar e reunir pessoas que desejam mudanças e liderar pessoas para que mudanças de fato aconteçam.
6 – QUE A IGREJA PODE SER O LUGAR DA AUSÊNCIA DE DEUS - A Igreja (a vida das pessoas crentes, o culto, os ritos, a religião cristã, etc) pode transformar-se num lugar difícil de encontrar o Deus vivo, tal como aconteceu no tempo de Jesus com o templo de Jerusalém e seus religiosos e tal como aconteceu no tempo de João Wesley, onde, segundo estudiosos, se alguém se convertesse de seus pecados os mais surpresos seriam os próprios pregadores.
Graças a Deus porque ele não desiste de seu povo, de sua igreja e que o fermento do Reino, tal como aconteceu com João Wesley e seus companheiros metodistas, leveda toda a “massa”, todo o corpo, sendo luz que vence as trevas e sal da terra. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos. Aleluia!
7 – NADA QUE HOJE É GRANDE COMEÇOU GRANDE E TUDO QUE É GRANDE COMEÇOU PEQUENO – Foi assim como movimento dos metodistas e posteriormente com a Igreja Metodista. Começou com um, depois dois, depois dez, depois cem. Mas graças a Deus por aqueles que viram quando nada ainda havia para ver, a não ser através da fé. “Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem dá o crescimento”. Aleluia!
8 – NÃO TEMER AS ESTRUTURAS, AS PERSEGUIÇÕES E A PERDA DE PRIVILÉGIOS – João Wesley, de posse da tarefa que Deus lhe deu, enfrentou as tradições doentias, o clero corrompido e sem visão missionária, a cultura da frouxidão ética, a antipatia dos governantes, a perda de uma designação para uma igreja local e até mesmo a humilhação de ser proibido de pregar na igreja da qual era pastor, que seu pai, avôs e bisavôs eram pastores. Ele certamente sofreu, mas preferiu tomar sobre si a cruz de Cristo, não se deixou apequenar diante dos poderes das estruturas eclesiásticas, não se deixou corromper pelas dádivas de uma teologia e uma ação pastoral e missionária domesticada, mas se ressentiu de perder o papel de comensal na mesa das autoridades e os privilégios daí advindos. Ele preferiu ser fiel a Deus, ao seu chamado, à sua fé e à sua consciência. Como Daniel, ele preferiu estar com Deus na cova dos leões do que estar sem Ele na Mesa do rei e nas louvações do Palácio real.
9 – TER UMA AUTORIDADE QUE NÃO ABRE NÃO DO PODER, MAS EXERCER O PODER E A AUTORIDADE NO TEMOR DO SENHOR, COMO DESPENSEIRO DE DEUS E SERVO DOS DEMAIS E COMO QUEM ESTÁ PRONTO PAR AOUVIR E MUDAR - Depois que teve sua experiência com Deus naquele 24 de maio Wesley tornou-se crescentemente uma referência e uma autoridade espiritual e pastoral em seu país. Mas foi um homem que ouvia e que mudava de opinião, mesmo que isso doesse tanto quanto ter de arrancar o próprio fígado. Foi assim com a pregação de leigos, com a pregação de mulheres, com a ordenação de pregadores para ministrar a Ceia aos metodistas dos EUA quando não havia lá sacerdotes anglicanos para fazê-lo... Também aceitou a autonomia dos metodistas norte-americanos em relação à Igreja Anglicana... era contra tudo isso, mas Deus, através de sua mãe Suzana, de seu amigo Maxfield, e de outros próximos, o quebrava e remodelava sempre que necessário.
10 – É PRECISO CONTINUAR, SENDO CRIATIVO E REMINDO O TEMPO – João Wesley nunca se satisfez com o trabalho feito e os resultados obtidos. Não podia descansar enquanto houvesse pessoas a serem alcançadas e almas a serem aliviadas, perdoadas e salvas. Morreu aos 88 anos de idade, trabalhando, mesmo depois de ter exercido um ministério pastoral e evangelístico no qual pregou mais de 40 mil vezes, escrito mais de 30 livros, visitado missionariamente a Irlanda 11 vezes e a Escócia 22 vezes, viajado a cavalo mais de 4.500 milhas por ano até os seus 60 anos de idade (totalizando mais de 375.000 quilômetros), pregado e visitado... Wesley e os primeiros metodistas apoiaram a reforma do ensino que era fraco e para apenas alguns poucos privilegiados; criaram escolas para os pobres e casas de acolhida para as viúvas e órfãos pobres; apoiaram as mudanças nas leis e a reforma das prisões; lutou pela libertação dos escravos; contra o trabalho das crianças nas minas de carvão; e por uma reforma ampla e geral das leis e costumes da decaída Inglaterra do Século XVIII.
No leito, bem pouco antes de morrer escreveu ao primeiro ministro inglês de então, Wilbeforce, igualmente um metodista, para que não cessasse de lutar contra a escravidão, o mais vil pecado e vergonha sobre a face da terra. E ao invés de vangloriar-se do que fez e do legado que deixava, apenas disse: “O melhor de tudo é que Deus está conosco”.
Ainda sobre o legado que deixava, sentenciou: “Não tenho medo que o Metodismo deixe de existir. Tenho medo que ele se torne insípido”.
João Wesley, foi profundamente impactado pela sua experiência religiosa do 24 de maio de 1738, mas nunca tornou-se prisioneiro dela. Ou melhor, nunca foi homem de apenas uma única experiência com Deus. Na medida em que os anos passam daquele 1938, cada vez ele fala menos daquela experiência. Tinha outras experiências a viver e a testificar.
Como dois séculos mais tarde diria o Bispo Metodista Francis Ensley sobre aquele 24 de maio, a experiência do coração aquecido acontecida na rua Aldersgate “não livrou Wesley da luxúria, da bebedeira ou da criminalidade. Não representa a conversão aos preceitos de Cristo, ou um retorno da indiferença religiosa. Aldersgate marca uma onda contrária aos inimigos espirituais que o flagelavam. Um deles era a concepção legalista da religião que ele professava. (...) O outro inimigo espiritual foi a indiferença emocional. (...) Sua religião era antes um peso do que algo que trouxesse alívio. (...) E para uma coisa ela o inflamou: para a tarefa evangelística”.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Cultura Gospel: Fruto da pós–modernidade

Fonte - http://metodistaecumenico.blogspot.com/ - 5 maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Manifesto do Movimento Metodista Confessante sobre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2009

"Por que tanto interesse hoje pela unidade cristã? Se o problema da unidade fosse ignorado, a vida seria muito mais fácil para a maior parte dos cristãos em todo o mundo. O fato de que diferenças doutrinárias impedem todos os membros da família de Cristo de receber a Sua Ceia na mesma mesa, não seria causa de angústia de espírito de forma alguma; a competição aberta de igrejas cristãs pregando o mesmo Evangelho da mesma Bíblia na mesma vila para confusão dos mesmos povos não-cristãos, não seria causa de escândalo; cada pequeno grupo de cristãos poderia sentir-se complacente e satisfeito em seu isolacionismo das demais igrejas vizinhas; e cada denominação poderia realizar seu próprio programa de evangelização e de serviço social sem cogitar dos outros. Tudo isto estaria certo, se não fosse por uma cousa: Jesus Cristo quer que sua Igreja seja uma em mente, espírito, vida e testemunho." (p.6).
Estamos em 2009 e as mesmas questões apontadas pelo Rev. John Robert Nelson, há 45 anos continuam latentes: Será que há esperança para o ecumenismo?
Em 1986 outro metodista, o Professor Dr. Hélerson Bastos Rodrigues em No mesmo barco: vivência inter-eclesiástica dos Metodistas do Brasil De 1960 A 1971, assim introduz seu livro:" 'Se teu coração é como o meu coração'; se amas a Deus e a toda a humanidade, não peço mais: 'Dá-me a tua mão' ". Apoiando-se na Escritura (2 Reis 10.15) João Wesley, deflagrador do metodismo, pregou sobre "O Espírito Católico" [ou seja, universal], desenvolvendo uma argumentação que se encaminhou para conclusões da seguinte ordem:
... o homem de espírito católico é o que (...) ama — como amigos, como irmãos no Senhor, como membros de Cristo e filhos de Deus, como atuais co-participantes do presente reino de Deus e co-herdeiros de seu reino eterno — a todos, de qualquer opinião ou culto, ou congregação, que creiam no Senhor Jesus Cristo; que amem a Deus e aos homens; e que, regozijando-se em louvar a Deus e temendo causar-lhe ofensa, sejam cuidadosos no abster-se do mal e zelosos nas boas obras.
Não esqueçamos: o autor fala da de uma realidade do ano de 1986. Ao descrever o relacionamento da Igreja metodista brasileira com a Igreja Católica Helerson Bastos diz: "Nas 'celebrações em conjunto' programaram-se situações que contaram com católicos e protestantes, entre os quais os metodistas, que elaboraram e realizaram o evento conjuntamente. Tratam-se das Semanas de Oração pela Unidade Cristã, Semanas de Oração pela Pátria, celebração de ação de graças em datas nacionais, solenidades religiosas em formaturas escolares. (...)” (p.92)
Nas páginas conclusivas do livro Helerson Bastos afirma: “Os metodistas foram se conscientizando da necessidade de conhecer mais profundamente sua própria Igreja, suas raízes, sua identidade, sem o que não teriam como prosseguir maduramente no diálogo ecumênico.” Helerson Bastos encerra o livro com os seguintes dizeres sobre o ecumenismo:
“Realidade? Utopia!
Fé. . . esperança. . . amor. ..
Dá-me a tua mão. Estamos no mesmo barco.”
Desde a publicação de No mesmo barco passaram-se 23 anos e muitos/as metodistas nesse ano de 2009 repetem as mesmas indagações: Ecumenismo é realidade? Ou utopia?
Infelizmente o 18º concílio da Igreja Metodista do Brasil realizado em julho de 2006 decidiu sua retirada de todos os organismos e eventos onde a Igreja Católica participe. Assim distanciou seus membros do sonho de um ecumenismo pleno. Mas não “matou” a “utopia” dos corações ecumênicos. Muito pelo contrário, homens e mulheres comprometidos com o metodismo “histórico” encontram-se hoje ainda mais engajados/as como a causa ecumênica, por entender que ela é, não somente o fundamento da Igreja de Cristo, mas, o alicerce do Metodismo histórico formulado pelo pai da fé do metodismo mundial.
As palavras de Wesley, fundador do metodismo, ainda chama pela união das mãos e dos corações em unidade fraterna, refutando toda “unanimidade” perversa e excludente. “Na casa de nosso Pai/Mãe, que como galinha acolhe todos/as sob suas asas, há muitas moradas...” É essa compreensão que nutre o Movimento Metodista Confessante e demais metodistas ecumênicos espalhados/as pelo Brasil.
A cada Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, nós, católicos e protestantes, temos oportunidade de testemunhar que: “Iluminados/as pela luz do Cristo que se fez homem e habitou entre nós”, temos a nítida convicção que “um novo mundo é possível”, mesmo e apesar das formulações equivocadas das lideranças “passageiras” que controlam o “poder” de nossas igrejas.
Assim na fé, na esperança e no amor podemos pedir: Dá-me tua mão; afinal estamos no mesmo barco.
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Movimento Metodista Confessante http://metodistaconfessante.blogspot.com/
Aprofunde a leitura
Um só Senhor, uma só Igreja
http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Um_so_Senhor_uma_so_Igreja.pdf
No mesmo barco: vivência inter-eclesiástica dos Metodistas do Brasil De 1960 A 1971
http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/No_Mesmo_Barco.pdf
domingo, 7 de dezembro de 2008
UMA TRÍADE NA ESPIRITUALIDADE MINISTERIAL:CARISMA, CARÁTER E CARIDADE
Introdução
Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.
No que se refere aos ministérios desenvolvidos, a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.
Carisma
Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.
Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.
Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.
Caráter
O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.
Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.
Caridade
Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.
Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com o que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.
Tentando concluir
Não dá para concluir. Esta reflexão apresenta inquietações, preocupações, desafios, provocações, questionamentos, convite para o diálogo e para o aprofundamento do tema do carisma. Vamos seguir conversando...
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*Josué Adam Lazier é Bispo da Igreja Metodista

