quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Falecimento do professor Victor José Ferreira

Falecimento do professor Victor José Ferreira


Com pesar, recebemos notícia do falecimento do Prof. Victor José Ferreira, que tem uma importante contribuição à educação metodista no Brasil. Dentre as várias funções que exerceu na área educacional, ele foi diretor executivo do COGEIME, Instituto Metodista de Serviços Educacionais, entidade que integra e supervisiona a Rede Metodista de Educação. Um culto de ação de graças foi marcado para as 13h do dia 25 de outubro, na Igreja Metodista situada na Pça José de Alencar s/n, Flamengo, próximo ao Largo do Machado, Rio de Janeiro. O sepultamento será no Cemitério São João Batista, em Botafogo, às 16h.




Natural de Volta Grande, Minas Gerais, o Prof. Victor nasceu em 11 de fevereiro de 1943.

Com 11 anos mudou-se para Além Paraíba e aos 14 ingressou como Aluno-Aprendiz da então Escola Profissional Ferroviária, em convênio com o SENAI. Trabalhou durante 37 anos na Rede Ferroviária Federal, como professor e gestor, em diversos setores. Também exerceu várias funções na área educacional metodista: foi membro dos Conselhos Diretores do IEP, Instituto Educacional Piracicabano (mantenedor da UNIMEP, Universidade Metodista de Piracicaba e do Colégio Piracicabano); do Instituto Metodista Granbery e do IMB – Instituto Metodista Bennett, (mantenedor do Centro Universitário e do Colégio Bennett), onde exerceu também as funções de Diretor Geral, Reitor e Diretor do Colégio. Foi também Diretor Executivo do Cogeime, Instituto Metodista de Serviços Educacionais, entidade que integra e supervisiona a Rede Metodista de Educação.



Ao longo de sua vida, dedicou-se com afinco a projetos educacionais, sociais e culturais. Liderou a criação do MPF, Movimento de Preservação Ferroviária, em 1997 e presidia a entidade, cujos objetivos são a preservação do patrimônio histórico ferroviário e a revitalização do transporte sobre trilhos no país. Publicou dois livros inspirados pelas imagens e memórias das ferrovias brasileiras: “O Trilho e a Flor” e “Estórias do Trem”.



Seus esforços foram reconhecidos em várias homenagens. Recebeu título de cidadão honorário de Além Paraíba – MG e de Miguel Pereira – RJ. Recebeu a Medalha Tiradentes, da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Medalha Mauá, do Ministério dos Transportes; Medalha do Mérito Ferroviário, da RFFSA; a Comenda Humberto Mauro, pela Prefeitura de Volta Grande. Foi agraciado, em 2007, com o título de Cidadão Solidário, concedido pelo Conare – Comitê Nacional para Refugiados e pelo ACNUR – Alto Comissariado da ONU para Refugiados.



Num breve relato como esse, talvez se possa transmitir uma noção, assumidamente despretensiosa, do que representou toda uma vida de serviço. Inútil seria descrever a admiração que o Prof. Victor despertou pelos lugares em que passou, sempre fazendo muitos/as amigos/as, graças a qualidades como gentileza, dedicação e serenidade – a mesma serenidade que demonstrou do diagnóstico de um câncer agressivo aos momentos finais da despedida. Sua família, também grande e carinhosa, abriu uma página no Facebook especialmente para publicações das notícias e das dezenas de palavras de conforto. Compartilhamos uma dessas postagens: uma poesia de autoria do próprio Prof. Victor, relembrada por sua família:



PAZ
(Victor José Ferreira)

Eu sinto paz, Senhor,
a cada vez que contemplo

a harmonia do universo que criaste.

Sinto-a na infinitude do céu estrelado,
na solidão da mais distante galáxia,
no permanente refluir das ondas
de um mar que não parece ter fim.

Eu sinto paz, Senhor,
no olhar terno da criança,
na mulher que embala o filho,
no velho que sonha com o passado,
na esperança recriada em cada vida jovem.

Mas eu te peço, Senhor,
que a tua paz se revele a mim.
Não apenas no universo que me rodeia.

Eu a quero, Senhor,
na intimidade da minha alma,
ocupando-me todo o coração.

E que esta paz, Senhor,
extravasando de mim,
envolva a todos que me cercam,
fazendo do nosso convívio,
aqui e agora,
uma antevisão do teu reino.


O rev.Sérgio Marcus Lopes escreveu o seguinte poema em homenagem ao prof.Victor:

ETERNO FERROVIÁRIO!

Para Celinéia – em especial! – e para todos os Ferreira e Paradela que tiveram o privilégio de conviver com o Victor!

Caro Victor, grande amigo,
Em viagem para o Além!
Nesta super-ferrovia
Vai em frente, vai de trem!

Tua estrada é bem segura,
Não há nada que temer.
Os seus trilhos são bem firmes
Nada pode te deter.

Seus dormentes são bem postos
Neles podes confiar.
Vê? Não há qualquer perigo
Deste trem descarrilar.

Já cruzaste muitas pontes,
Muitos túneis, meu irmão.
Já chegaste em segurança
A esta última estação.

Todo o tempo o Maquinista
Foi tocando este teu trem,
Com cuidado, conduzindo,
Te levou ao Sumo Bem.

Cá ficamos teus amigos
De saudades a chorar.
Mas espera, pois um dia
Vamos todos te encontrar!...

(com muito, muito carinho, Sérgio Marcus)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eric Hobsbawm e os Metodistas Ingleses


Eric Hobsbawm e os Metodistas Ingleses



Morreu no dia 1º/10/2012, aos 95 anos de idade, o historiador Eric Hobsbawm. Em breve artigo, o pesquisador Lyndon de Araújo Santos, doutor em História e pastor da Igreja Congregacional, mencionou como Hobsbawm reconheceu a importância dos metodistas, como vanguarda e núcleo indutor dos movimentos de trabalhadores na Inglaterra do final do século XVIII, os quais resultaram em conquistas fundamentais para a humanidade, conquistas essas que até hoje formam parte do legado da democracia e dos direitos humanos. Transcrevo o que registrou o pr. Lyndon Santos, (irmão do professor Lincoln Santos, do Instituto Metodista Bennett):

A atual geração de historiadores brasileiros foi profundamente marcada pelos escritos de Hobsbawm. Lembro que li em 1989, no primeiro ano da licenciatura em História, um dos capítulos do livro “Rebeldes primitivos” onde discorreu sobre os movimentos de protestos sociais ligados às igrejas metodistas e aos avivamentos wesleyanos de fins do século 18. Segundo sua visão, o movimento operário organizado no século seguinte surgiu desde as mobilizações políticas e sociais daqueles cristãos. No entanto, este processo sofreu uma secularização “necessária” para a formação da consciência de classe oprimida. 

Esta história serve de advertência profética aos que estão impondo um regime de alienação para a Igreja Metodista no Brasil, bem como de negação da santidade bíblica, nos moldes como a viveram os primeiros metodistas. Essa era a igreja dos tempos de John Wesley, uma igreja promotora dos movimentos sociais. 

Timidamente, tentamos imitá-la, quando missionários norte-americanos, simpatizantes da teologia do Evangelho Social criaram o Instituto Central do Povo, no Rio de Janeiro. Posteriormente, saímos na vanguarda dos evangélicos brasileiros, com a nossa versão do Credo Social. Nos anos de 1980, com muita dificuldade, face aos bolsões de reacionários, foi produzido e aprovado o Plano de Vida e Missão da Igreja. 

Depois desses marcos gloriosos da nossa marca metodista, que nos ligavam à identidade wesleyana, vieram sucessivos retrocessos, até chegar à negação do que éramos, devido à neopentecostalização da Igreja, atualmente em curso. 

Ignorar nossa história não será uma aventura impune. Os resultados virão: a promoção de falsas espiritualidades, a instalação de simulacros em lugar do evangelho, a derrocada, o fracasso, o fim. Desejo, sinceramente, que todos reflitamos, enquanto é tempo, e nos arrependamos, com obras dignas de arrependimento.

Quem foi Eric Hobsbawm: Considerado um dos historiadores atuais mais importantes, Hobsbawm, além de velho militante de esquerda, utilizou-se do método marxista para a análise da História, sempre a partir do princípio da luta de classes. Foi membro da Academia Britânica e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi professor de História no Birkbeck College (Universidade de Londres) e foi professor da New School for Social Research de Nova Iorque.     http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Hobsbawm

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Justiça anula Ato Complementar 02/2002

Justiça anula Ato Complementar 02/2002

Na sexta-feira passada, dia 28/09/2012, foi publicado no site institucional da Igreja Metodista ( http://www.metodista.org.br ) a seguinte notícia:

Em atendimento a sentença proferida nos autos de processo judicial movido por Paulo Ferreira da Silva contra a Associação da Igreja Metodista, em trâmite perante a 4ª Vara Cível do Foro Regional do Jabaquara, Comarca de São Paulo, que determinou a anulação do Ato Complementar nº 02/2002 do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, segue, na íntegra, a referida decisão.

ACESSE O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA AQUI!

O Ato Complementar 02/2002 dizia que qualquer Metodista que movesse ação judicial contra a Igreja Metodista perderia o direito a ser eleito em qualquer cargo da hierarquia eclesial e caso ocupasse algum cargo perderia o direito ao mandato. A justiça considerou abusivo tal ato pois ele não pode se sobrepujar à Constituição Federal que garante amplo direito de acesso à justiça a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros/as.

Este mesmo Ato Complementar foi utilizado como justificativa para manter clérigos sem nomeação por longos períodos, impedindo o exercício da vocação ( http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/inquisicao-moderna.html ).

Todavia, o que chama a atenção é o seguinte:


  • A data da sentença é 05 de fevereiro de 2004. Por que somente em 28 de setembro de 2012 ela foi publicada?
  • Por que a notícia também não foi publicada no Expositor Cristão de setembro e de outubro, muito embora a Sede Nacional tivesse conhecimento da sentença desde 2004?
  • A notícia não está na página inicial do site institucional ( http://www.metodista.org.br ) e nem no índice de notícias ( http://www.metodista.org.br/allnews.xhtml ). Para acessá-la é preciso digitar "ato complementar" no campo de busca do site institucional. Qual o motivo da Sede Nacional deixar a notícia publicada nos servidores da Igreja mas impedir que a membresia tenha acesso a ela?
  • Por fim, a justiça da Igreja Metodista excede a justiça dos escribas e fariseus?

Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus. (Mateus 5.10)




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Luz e Direção para o Caminho - Estudos Bíblicos

Luz e Direção para o Caminho - Estudos Bíblicos




Disponibilizamos aos metodistas brasileiros este material editado pela Agentes da Missão, editora da 5ª Região, responsável pela implantação do programa Dons e Ministérios. 

Se a Bíblia é nossa única regra de fé e prática o estudo bíblico deve acompanhar cada passo que damos em missão. O que isso quer dizer? O nosso ministério pessoal e em grupo não consiste apenas em nossas ações de amor fora do templo. Como ministros em missão somos enviados pelo Cristo, o Filho do Deus Missionário. A fonte de nosso ministério é, assim, Deus e sua Palavra.

Nãos erá normal ficarmos ocupados com o nosso serviço missionário que deixemos passar várias semanas sem estudos bíblicos. Não podemos ser missionários de nós mesmos. Por outro lado, a Bíblia é nossa regra de prática. Não será normal fazermos dois estudos bíblicos seguidos sem nenhuma prática missionária de permeio. 

Aqui são apresentados uma série de três roteiros de estudos bíblicos para cada grupo de ministério. Os dois primeiros servem como treinamento prático para acumular experiência. O terceiro deve servir de subsídio  inicial para a ação integrada de todos os ministérios da igreja local em uma única ação missionária concreta, um ponto missionário de bairro.

Download aqui (Parte 1 - capítulos 1 a 4).

Download aqui (Parte 2 - capítulos 5 a 8).

Download aqui (Parte 3 - capítulos 9 a 13).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Metodistas de Belém EXCLUÍDOS sem Comunicação! E agora José?


Metodistas de Belém EXCLUÍDOS sem Comunicação! E agora José?


Começo com Carlos Drummond de Andrade: 

JOSÉ 

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?

É assim que me vejo... É assim que marcho. Pra onde? Não sei. Mas quem sabe, persistindo.

Só pra começar, eu gostaria de pintar quadros expressivos de quem se sente orgulhoso de fazer parte de um “time” engajado com a vida e com as pessoas, todavia, infelizmente, minhas palavras mais uma vez possuem o gosto amargo do absinto. Sinto muito, mas outra vez narrarei minha inquietação quanto a um episódio ocorrido.

Acontece que no dia 13 de setembro de 2012, depois de ter encaminhado um e-mail, seguido por diversos telefonemas, consegui falar com o distinto pastor metodista da cidade de Belém do Pará. E descobri que os membros que estão sob meus cuidados desde novembro de 2010 até o dia de hoje, foram sumariamente EXCLUÍDOS. E aí me sobreveio duas perguntas: Por que meu Deus? E agora José? As pessoas excluídas são minhas (meus) irmãs(ãos) em Cristo. Mais do que isso, são pessoas queridas que aprendi a amar e respeitar profundamente. É um grupo pequeno de gente que pensa a vida e a missão da igreja pelo Plano para a Vida e Missão e que está engajada até o tampo da cabeça com a caridade social e o espírito ecumênico – elementos essencialmente protestantes!

Ora, eu havia acolhido meus(minhas) irmãos(ãs) em novembro de 2010 na igreja metodista Bela Aurora – Juiz de Fora/MG, em um culto marcado pela emoção e pela presença de Deus. Posteriormente, fui denunciado, acusado de ter ferido a ética pastoral por não ter comunicado ao distinto pastor sob a transferência, que por sinal, havia sido pedida por livre e espontânea vontade pelos irmãos de Belém que, por sua vez, não estavam à vontade com as práticas eclesiais desenvolvidas. Então, fui condenado à admoestação episcopal na presença dos superintendentes distritais da IV região e fui obrigado a cancelar o ato pastoral, desfazendo o registro realizado. O rol da igreja metodista Bela Aurora ficou bonito e colorido, com vistosas cores vermelhas, para deixar ainda evidente minha indignação quanto à condenação.

Resolvi acatar a decisão e decidi também não levar a questão adiante para a Comissão Geral de Justiça da igreja metodista, pois recebi um e-mail do saudoso bispo da REMA, dizendo que a situação SERIA TRATADA DE FORMA PASTORAL. Pelo visto, foi mesmo. Eis a inauguração de um novo modelo de pastoreio, marcado pela ação da guilhotina. E diante do narrado, pergunto perplexo, cá com meus botões: POR QUE MEU DEUS? E AGORA JOSÉ?
Denunciar? Jamais! Apesar de estar ciente do fato de que vários itens canônicos foram feridos no ato de AMPUTAÇÃO dos MEMBROS, não vou fazê-lo. Não vou entrar nesse jogo onde os homens se anulam, tornando-se meninos acuados pela lei. Ainda almejo o diálogo franco, honesto e aberto onde os homens aparecem e os meninos voltam às suas brincadeiras.

Entretanto, provoco meus irmãos e irmãs: ESTA HISTÓRIA VAI FICAR ASSIM? Tudo bem, não espero nenhum “happy end”, comum aos filmes americanos, mas não fico a vontade com o fato de que gente querida é tratada como bicho, mercadoria descartável ou pior que isso.
Alguns me indagam: o que você tem a ver com a igreja em Belém? E eu digo: TUDO E ALGO MAIS. Exaltarei a minha voz onde se fizer presente a injustiça, se me for permitido, pois toda e qualquer forma de injustiça com as pessoas que possuem experiências distintas com Deus é um escândalo para os que são desafiados pela Palavra a serem um. Nessa linha, segundo o bispo norte-americano Robert Schnase, os cinco propósitos para uma Igreja frutífera são: 1. Hospitalidade radical; 2. Adoração apaixonada; 3. Desenvolvimento intencional da fé em Cristo; 4. Ação social com ênfase na justiça; 5. Generosidade extravagante. Ora, todas essas expressões que poderiam se desdobrar em múltiplas reflexões são, na verdade, elementos fundamentais para a percepção do que vem a ser o metodismo. Aliás, segundo o próprio Schnase, as igrejas metodistas deveriam ser avaliadas por esses cinco propósitos, o que de fato acho coerente. Particularmente, seria interessante se realmente as igrejas, melhor dizendo, as estruturas das igrejas pudessem passar pelo crivo dos cinco propósitos, serem questionadas e avaliadas quanto aos cruciais valores que determinam a saúde espiritual de uma comunidade de fé.

Acho inclusive, que toda a igreja metodista brasileira, a começar pela cúpula, deveria se submeter a essa autoavaliação. Digo isso, pois se uma igreja ou liderança responder positivamente aos cinco propósitos, certamente estará cumprindo o mandamento do Senhor de “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, fazendo diferença nesta sociedade individualista e sectária na qual estamos inseridos. Mas a história é outra...

Confesso não saber o que fazer, além de soltar meu grito insano a plenos pulmões e dizer como Gonzaguinha: “É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar mão nela... É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito. A gente quer viver uma nação. A gente quer é ser um cidadão. A gente quer viver uma nação..."

Algo precisa acontecer. Sim, precisa. Que aconteça, pelo amor de Deus!

Texto publicado originalmente em In Ludere:

Para acompanhar o caso de Belém:

O Retorno do Santo Ofício ao Pará:  

O caso Belém e a carta solicitando ação pastoral ao revmo.Bispo Adolfo: http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/o-caso-belem-e-carta-solicitando-acao.html


ENCONTRO METODISTA CONFESSANTE 27 e 28 /11 /2010 - IGREJA METODISTA EM BELA AURORA / JF - MG: 


Travessia, Travessa e Travessuras - uma crônica sobre o primeiro culto oficial da "nova" comunidade em Belém do Pará: 


Metodistas que sofrem perseguição são acolhidos:



Queixa contra atuação pastoral do revmo.Adolfo foi ignorada pelo Colégio Episcopal:

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Manual Missionário do Povo Metodista

Manual Missionário do Povo Metodista
9 estudos para reavaliação



Após a implantação do programa Dons e Ministérios, engajando todo o povo da Igreja Metodista na Missão de Deus, nos moldes do Plano para a Vida e Missão da Igreja, fez-se necessário a elaboração de estudos que levassem a comunidade local a reavaliar sua prática missionária. O processo de análise, reflexão, oração e avaliação é sempre necessário para que a igreja caminhe de acordo com sua vocação metodista e wesleyana.

O estudo anterior (Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão) deve ser aplicado na igreja no momento de implantação do programa Dons e Ministérios, que pressupõe o envolvimento total da igreja local na Missão. É recomendado que este estudo seja empregado antes, caso a igreja não caminhe de maneira missionária e alinhada aos pressupostos do PVMI.

Caso a igreja esteja na caminhada missionária a mais tempo, o presente estudo (Manual Missionário do Povo Metodista) é uma ferramenta importantíssima para reavaliar e realinhar a Igreja na Missão de Deus no mundo.

Dowload aqui.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Igreja Metodista emite Carta Pastoral sobre as eleições 2012


Igreja Metodista emite Carta Pastoral sobre as eleições 2012



http://www.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=11865

Acesse no link acima a Carta Pastoral do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre as Eleições Municipais e o Guia de Estudos.

Nas eleições anteriores em 2010 o Colégio Episcopal da Igreja Metodista também emitiu uma Carta Pastoral sobre as Eleições. Todavia, houveram inúmeros exemplos de descumprimento dos termos da Carta Pastoral e mesmo do Código de Ética Pastoral por parte de pastores e bispos da Igreja Metodista. Mesmo tendo sido avisados, os bispos da Igreja Metodista não tomaram nenhuma atitude em relação aos descumprimentos, que incluiu o uso indevido da Cruz e Chama, marca registrada institucional da Igreja Metodista, que foi utilizada por candidatos a cargos eletivos, como pode ser visto nos links abaixo:

http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/as-eleicoes-de-2010-e-os-bispos.html 


http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/10/as-eleicoes-de-2010-e-os-bispos.html


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Memória Metodista - Memorial do Professor Campante


O Pr. Prof. Antônio Vidal Campante (04/12/1919 a 28/03/2010 às 23h 50min)

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de seus Santos” Sl 116.15
Que a notícia corra por todos os arraiais metodistas e evangélicos: “tombou um príncipe em Israel”.
Prof. Antônio Vidal Campante foi um dos baluartes da Igreja Metodista em Minas gerais que conheci. Um verdadeiro campeão na carreira Cristã. Homem de uma franqueza e transparência, conforme nos ensina a Bíblia, características essas tão necessárias e escassas nos dias de hoje. Homem santo que viveu fielmente na presença de Deus: viveu e morreu no Senhor.
Casou-se com Jenny de Araújo Rangel Campante, neta do Rev. Antônio Braga de Araújo, pastor Metodista. Com dona Jenny teve os filhos Ester e Eldro, esse com o nome homenageando o final dos nomes dos avós Manoel e Pedro.
Prof. Campante viveu os seus últimos anos em Brasília, cidade onde moram seus filhos, na casa de sua filha Ester, onde Dona Jenny, falecida em 2005, também viveu os últimos anos. Nesses últimos anos de vida o Prof. Campante havia sido acometido de um derrame cerebral que o impedia a fala e a locomoção, mas conservou a sua boa memória.
Prof. Antônio Campante foi um grande amigo de meu pai, Rev. Celsino Paradela, desde o tempo de infância/adolescência (1934) na cidade de Anta-RJ. Essa amizade foi conservada até o final da vida de meu pai.
O Prof. Campante tinha um grande desejo de ser pastor. Sentiu-se chamado e apresentou-se a Igreja, mas devido às seqüelas de uma paralisia infantil, que comprometeu seu braço e perna direita, ele não foi aceito, porque na época os pastores teriam que se deslocar a cavalo. Ele falava disso com emoção até há pouco tempo atrás.
Em 1937 o Rev. Gavião foi o único pastor que lutou por mim. O meu requerimento foi indeferido por não possuir os requisitos necessários exigidos pela junta de educação “tem que ser um homem com saúde boa e ele é aleijado”. Eu era um homem de saúde boa, aleijado eu não sou.[1]
Aos 23 anos foi estudar e formou-se em Direito e em Letras e fez carreira como professor de Português no Granbery, no Colégio Estadual e em outras escolas em Juiz de Fora.
Na Igreja Metodista tornou-se Diácono da antiga ordem. Essa ordem tinha funções pastorais. Foi ajudante na Igreja Metodista em São Mateus, em Juiz de Fora, por duas ocasiões antes de 1950.
Todos perderam com a não aprovação do Prof. Campante ao ministério. Ele perdeu por não ter sido um pastor como sonhava e a Igreja perdeu um homem muito culto, bem informado, consagrado e que sempre teve o coração nas coisas de Deus e da Igreja Metodista.
Da primeira vez que preguei como pastor recém consagrado, em janeiro de 1982, na Igreja de São Mateus, em Juiz de Fora - MG, fiz questão de chamá-lo para impetrar a benção, porque na condição de diácono da antiga ordem ele poderia exercer as funções pastorais. O que seria a minha primeira “impetração de benção” transferi a esse velho amigo.
Esse nosso grande amigo, notabilizava-se por uma memória impressionante. Lembrava-se com detalhes de fatos ocorridos há muitos anos atrás. Contava de 70 anos atrás como se fosse ontem.
Na época do papai pastor em Jardinópolis, Juiz de Fora, o Prof. Campante pregava aos terceiros domingos. Essa é a imagem que levarei dele para sempre. Pregando, cantando velhas canções da Igreja, fazendo perguntas para testar a memória dos ouvintes, como por exemplo, antes do sermão perguntava o que havia pregado no mês passado. Naturalmente ninguém lembrava, exceto o Arthur Dianin, que conhecendo essa tática, passou a escrever e a responder a pergunta na outra pregação.
Esse “Príncipe de Israel” era um homem santo de quem terei saudosa memória.
Nesse momento de separação lembro-me de seu testemunho de fé através de seu hino predileto, 77 do Cantor Cristão, que aprendeu com meu pai, com quem gostava de cantar: “Minha alma segue o vale escuro, Desce o corpo às águas do Jordão. Não receio, pois Jesus, Salvo à pátria me conduz. Sim, o melhor amigo é Cristo”.
Deixo abaixo a letra completa desse hino.
“Deus o deu, Deus o tirou, louvado seja o nome do Senhor!”

Clóvis de Oliveira Paradela
Rio de Janeiro, 29 de março de 2010.

JESUS É O MELHOR AMIGO (CC 77)
Sei que o melhor amigo é Cristo,
Quando a tempestade assalta a fé
Pronto estende a sua mão,
Tranqüiliza o coração
Sim o melhor amigo é Cristo
(Coro)
Jesus é o melhor amigo (2x)
Repreende com dulçor
E me anima com vigor!
Sim o melhor amigo é Cristo!
Fiel amigo tenho em Cristo!
Nele encontro amor, consolo e paz.
Em seu braço esperarei,
Nenhum mal recearei
Sim, o melhor amigo é Cristo!
Minha alma segue o vale escuro,
Desce o corpo às águas do Jordão.
Não receio, pois Jesus
Salvo à pátria me conduz,
Sim, o melhor amigo é Cristo.
No paraíso eterno todos
Os remidos, transformados já,
Esse canto de louvor
Sempre entoam ao Senhor:
Sim, o melhor amigo é Cristo!



[1] - Entrevista com o Prof. Antônio Vidal Campante em junho de 1997.

As Marcas de Jesus

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão

Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão
14 estudos.




Disponibilizamos aos metodistas brasileiros este material editado pela Agentes da Missão, editora da 5ª Região, responsável pela implantação do programa Dons e Ministérios. 

São 14 estudos feitos diretamente sobre o texto original do Plano Para a Vida e Missão. Para que os estudos sejam feitos, é necessário acompanhar o texto do PVM, que está encartado no final do livreto do Manual. 

Para a realização dos estudos são previstos três momentos:  o da leitura do texto indicado diretamente do PVMI; o Momento de Aprofundamento, elaborado em forma de questões para reflexão e debate coletivo e, finalmente, o Momento de Avaliação, no qual são elaboradas perguntas em torno da presença e impacto do tema que surge nas questões estudadas na vida da igreja local que realiza os estudos. A metodologia é fundada em diálogo, trocas, mais que em informações presentes no texto dos 14 estudos. Portanto, trata-se de uma metodologia mais rica, mas mais exigente, que o estudo bíblico tradicional.

É um material rico que temos o prazer de compartilhar com os metodistas e as metodistas do Brasil inteiro, para capacitar as comunidades locais para a Missão de Deus enraizada na herança wesleyana e na prática eclesial e teológica latinoamericana.

Download aqui.

sábado, 18 de agosto de 2012

A relevante queda do crescimento evangélico revelado pelo Censo 2010. Entrevista especial com Paulo Ayres Mattos


A relevante queda do crescimento evangélico revelado pelo Censo 2010. Entrevista especial com Paulo Ayres Mattos

“As pessoas, hoje, têm mais liberdade para escolher e combinar diversas opções em seu próprio cardápio religioso como num balcão de comida a quilo”, diz bispo emérito metodista e pesquisador do pentecostalismo.
Confira a entrevista publicada no site do Instituto Humanitas Unisinos
. 


Diante dos dados religiosos do último censo, “o fato mais importante” é a diminuição do crescimento dos evangélicos na última década, comparando com os dados da década anterior, diz o bispo metodista Paulo Ayres Mattos à IHU On-Line. “De 1991-2000 os evangélicos em geral cresceram cerca de 120%; na década de 2001 a 2010, os evangélicos cresceram aproximadamente 62%. Isso não pode ser ignorado de forma alguma para quem trabalha com rigor e seriedade as mutações no campo religioso brasileiro”, menciona. Na avaliação de Ayres Mattos, a queda no crescimento dos evangélicos tem “razões de ordem exógena, já que a sociedade brasileira passou por transformações sociais que possibilitam às pessoas resolverem seus problemas mediante meios mais racionais sem buscar o recurso de soluções milagrosas”. E acrescenta: “Por outro lado, a reação católica ao pentecostalismo com o fortalecimento darenovação carismática católica, com forte uso da música e de cantores/cantoras gospel do próprio meio católico têm oferecido uma alternativa viável ao pentecostalismo, particularmente a setores de classe média, estancando a sangria nas fileiras católicas”. 

Pesquisador do pentecostalismoAyres Mattos enfatiza que esse movimento está crescendo em toda a América Latina, “sendo muito forte em países como o Chile. Em outros como a Guatemala, ele já chega a disputar a hegemonia com a Igreja Católica”. Na sua interpretação, esse crescimento é possível porque o “pentecostalismo contemporâneo tem modificado de forma radical sua escatologia”, e assumido “quase sempre de forma inconsciente (...) a maneira de ser religiosa brasileira, característica das matrizes religiosas que contribuíram para a formação religiosa do nosso povo, com forte dose de sincretismo, com soluções miraculosas para as necessidades do cotidiano aqui e agora”. 

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Ayres Mattos analisa as transformações do cenário religioso nacional e assina que, embora o pentecostalismo continue crescendo nos setores mais vulneráveis da sociedade brasileira, é preciso “prestar atenção para o fato de que setores consideráveis de distintos segmentos da classe média – e até mesmo de alguns setores da classe média alta – têm sido atraídos pelo pentecostalismo”. 

Paulo Ayres Mattos é graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, e em Filosofia pela Universidade de Mogi das Cruzes. É mestre em Teologia pelo Christian Theological Seminary, EUA, em Filosofia pela Drew University, EUA, e doutorando em Teologia Sistemática nessa mesma instituição. É docente da Universidade Metodista de São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em sua avaliação, qual foi a novidade do censo 2010 em relação às religiões no país? Pode-se dizer que o cadastramento trouxe algum dado novo, ou apenas reiterou o que já era esperado? 

Paulo Ayres Mattos (foto)– Dados novos apareceram, mas sem surpreender aos estudiosos do campo religioso brasileiro, pois pesquisas parciais anteriores na segunda metade da década já indicavam o surgimento de uma realidade que foi confirmada de forma mais rigorosa pelo censo. A queda da membresia católica era esperada; o aumento dos evangélicos em menor proporção; a diminuição da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD em virtude do crescimento da dissenção da Igreja Mundial do Poder de Deus; o aparecimento mais visível dos evangélicos sem igreja; o aumento das pessoas sem religião; etc.

Em meu entender, o fato mais importante do último censo é a confirmação de um dado já identificado anteriormente, trabalhado com bastante competência por sociólogos da religião como Paul Freston, da Universidade de São Carlos, que diz respeito à diminuição do ímpeto do crescimento dos evangélicos na última década quando comparado com o crescimento da década anterior. De 1991-2000 os evangélicos em geral cresceram cerca de 120%; na década de 2001 a 2010 os evangélicos cresceram aproximadamente 62%. Isso não pode ser ignorado de forma alguma para quem trabalha com rigor e seriedade as mutações no campo religioso brasileiro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O PROJETO MISSIONÁRIO PRESENTE NO PLANO PARA A VIDA E A MISSÃO - Estudos sobre o Plano Para a Vida e Missão da Igreja


O PROJETO MISSIONÁRIO PRESENTE NO PLANO PARA A VIDA E A MISSÃO CONFRONTADO COM A TRADIÇÃO WESLEYANA E A PROGRAMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IM NO BRASIL DE 2003.

Ely Eser Barreto César



Este artigo foi publicado no livro Teologia e prática na tradição wesleyana: uma leitura a partir da América Latina e Caribe  (clique no título e acesse o livro no site da Livraria Editeo)










O ponto de partida deste estudo é o de que a tradição wesleyana pode ser julgada por meio de mediação hermenêutica, na forma de releitura de textos fundantes, iluminados com perguntas que procuram abrir diálogo entre aquele passado e as demandas que emergem de épocas e tempos radicalmente novos. Naturalmente o processo de iluminação do passado com perguntas que, de fato, não lhe dizem respeito, enseja uma reconstrução daquele tempo que, não obstante, não o desfigura enquanto passado real. Nosso novo olhar sobre aquela história, no contexto de nosso modo peculiar de produzir reflexão teológica, parece se demorar mais sobre a prática da comunidade wesleyana primitiva do que sobre os textos elaborados por seus líderes. Ocorre que uma maior atenção sobre a prática pode proporcionar nova compreensão dos próprios textos, valorizando a efetiva evolução histórica dos primeiros metodistas em relação à evolução de sua reflexão formal. Esse novo olhar permite uma reconstrução daqueles processos fundantes sem desqualificá-los enquanto história efetivamente vivida. Esta experiência não é estranha para aquelas e aqueles que conseguem lidar com a Palavra de Deus enquanto fundamento normativo para a vida de hoje.

A complexidade desse processo hermenêutico não se resolve com intervenções individuais, por mais competentes que sejam. Esses processos se relacionam com identidades cultivadas coletivamente. Ocorre que essas identidades não se congelam ao longo da história desses grupos, sendo, efetivamente, reconstruídas por seus próprios atores em função de seus novos contextos de existência. O encontro latino-americano, no contexto do qual se situa este estudo, por reunir teólogos da tradição, pode se tornar em espaço apropriado para fazer avançar referências de significado que contribuam para a construção da identidade do segmento wesleyano na América Latina, quanto para aprimorar procedimentos hermenêuticos no interior desse complexo processo.

A proposição que iluminará este estudo partirá de um documento elaborado oficialmente pela Igreja Metodista brasileira em um contexto de recuperação de identidade e de desenho de novos horizontes para a tarefa missionária da Igreja no país, que será confrontado, por  meio de mediações hermenêuticas, com processos originais considerados normativos. O documento em questão é o Plano Para a Vida e a Missão, acolhido pelo XIII Concílio Geral, em 1982, Como ainda estamos no passado, os resultados desta análise serão postos em relação com a última proposta missionária oficial da Igreja para organizar uma campanha evangelística nacional, visando a uma percepção crítica da identidade atual do grupo no país.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Por que tornar-se igreja foi a pior coisa que poderia acontecer ao Metodismo


POR QUE TORNAR-SE IGREJA FOI A PIOR COISA QUE PODERIA ACONTECER AO METODISMO



Este é o quarto numa série de textos sobre seguir Jesus na Igreja Metodista Unida. Estou revendo a estrutura tripartite de discipulado de João Wesley buscando sugestões e pistas de como Metodistas devem orar, planejar e agir no futuro.
(nota do blog: os três textos anteriores podem ser acessados, em inglês, no site The New Methofesto: http://newmethofesto.wordpress.com )

Terminei meu último texto perguntando: “É hora de trazer de volta a socieadade?”

Alguém respondeu que ela esperava que pudéssemos pensar num nome mais sexy. Verdade. Uma “reunião de sociedade” soa pitoresco, antigo.

Tenho certeza que podemos melhorar isso, mas este não é o ponto central. O ponto é que reuniões de sociedade foram criadas para fomentar e insuflar as chamas do desejo de seguir Jesus mais de perto. Não tenho certeza se e onde isso acontece hoje na Igreja Metodista Unida, ao menos de uma forma sistemática e intencional.

Nesta atual série de postagens no blog, estou construindo o argumento de que não apenas precisamos de reuniões de sociedade, mas também reuniões de classes e bandos, porque essas três categorias eram cruciais a todo o sistema de discipulado de  João Wesley. Cada uma tinha seu objetivo e sua função.

Tentarei explicar de outra forma. No livro Lauching Missional Communities (Lançando Comunidades Missionais), Mike Breen e Alex Absalom introduzem o conceito de quatro espaços que todos nós habitamos: público, social, pessoal e íntimo. Cada um desses espaços corresponde a um certo aspecto da vida da igreja.

Espaço público: onde compartilhamos uma experiência comum e conectamos através de uma influência externa, tipicamente em grupos de mais de 100 pessoas, para inspiração, embalo e pregação; na igreja, isso acontece no culto público.
Espaço social: onde compartilhamos um verdadeiro “instantâneo” de quem somos, tipicamente em grupos entre 20 e 50 pessoas, a fim de construir comunidade e treinar para a missão; isso é o que Breen e Absalom chamam de “comunidades missionais”.
Espaço pessoal: onde compartilhamos experiências privadas, pensamentos e sentimentos, tipicamente em grupos de 3 a 12, objetivando apoio, proximidade e desafio pessoal; na igreja, isso acontece nas classes de Escola Dominical, grupos de Estudo Bíblico e outras formas de pequenos grupos.
Espaço íntimo: onde compartilhamos informação “nua” sobre quem somos e não temos vergonha, algo que é experimentado entre 2 ou 3 pessoas; Breen e Absalom afirmam que isso brota espontaneamente.

Os autores usam essa moldura basicamente para enfatizar a necessidade de comunidades missionais (espaço social), mas me impressionou como esse esquema corresponde bem à estrutura de Wesley.

Espaço público: Culto matutino dominical na paróquia local da Igreja da Inglaterra.
Espaço social: Reunião da Sociedade no prédio Metodista local.
Espaço pessoal: Reunião da Classe.
Espaço íntimo: Reunião do Bando.

Wesley focou mais nos últimos três porque sabia que nesses espaços é que ocorria o verdadeiro discipulado. Ele não ignorava a importância do culto público, mas não via isso como seu chamado primordial. Então deixou os espaços de encontros públicos para o clero. Mas aqui é exatamente onde invertemos tudo – nós agimos como a Igreja da Inglaterra e focamos primariamente no clero, formas institucionais da igreja, e culto público.

Se vamos realmente tentar recapturar o gênio do Movimento Metodista, não ordenaríamos clérigos para dirigir cultos públicos, não colocaríamos tanta importância na experiência dominical matutina, com suas vestimentas e liturgia. Deveríamos talvez orientar nosso povo a frequentar a Igreja Episcopal no fim da rua, ou a Igreja Presbiteriana na esquina, ou a Megaigreja não-denominacional na via expressa.

Deveríamos, sim, começar Sociedades Metodistas com o objetivo de atrair pessoas para uma vida de discipulado, talvez ao longo das linhas das reuniões dos Alcóolicos Anônimos. Convidaríamos pessoas para casas e bibliotecas e lanchonetes. Começaríamos muitos desses grupos, onde quer que fossem necessários. Equiparíamos pregadores leigos para serem líderes desses grupos, e então passarem à frente, abrindo outros. Usaríamos cada oportunidade para falar com, ouvir e cuidar dos outros.

Tudo mudou quando o Metodismo se tornou uma “igreja” e nos tornamos responsáveis por ordens clericais e cultos dominicais. Agora que as pessoas na nossa cultura não parecem muito interessadas nesses eventos, talvez a oportunidade para nos tornarmos Metodistas novamente esteja à nossa frente.

Ironicamente, tornar-se “igreja” foi a pior coisa que poderia nos acontecer. E deixar a “igreja” para trás talvez seja o caminho para o avanço.

Escrito por Wes Magruder, Presbítero ordenado da Igreja Metodista Unida, servindo na Conferência do Norte do Texas.
(Tradução de James Goodwin Junior. Publicado originalmente em: