sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Memória Metodista - Memorial do Professor Campante


O Pr. Prof. Antônio Vidal Campante (04/12/1919 a 28/03/2010 às 23h 50min)

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de seus Santos” Sl 116.15
Que a notícia corra por todos os arraiais metodistas e evangélicos: “tombou um príncipe em Israel”.
Prof. Antônio Vidal Campante foi um dos baluartes da Igreja Metodista em Minas gerais que conheci. Um verdadeiro campeão na carreira Cristã. Homem de uma franqueza e transparência, conforme nos ensina a Bíblia, características essas tão necessárias e escassas nos dias de hoje. Homem santo que viveu fielmente na presença de Deus: viveu e morreu no Senhor.
Casou-se com Jenny de Araújo Rangel Campante, neta do Rev. Antônio Braga de Araújo, pastor Metodista. Com dona Jenny teve os filhos Ester e Eldro, esse com o nome homenageando o final dos nomes dos avós Manoel e Pedro.
Prof. Campante viveu os seus últimos anos em Brasília, cidade onde moram seus filhos, na casa de sua filha Ester, onde Dona Jenny, falecida em 2005, também viveu os últimos anos. Nesses últimos anos de vida o Prof. Campante havia sido acometido de um derrame cerebral que o impedia a fala e a locomoção, mas conservou a sua boa memória.
Prof. Antônio Campante foi um grande amigo de meu pai, Rev. Celsino Paradela, desde o tempo de infância/adolescência (1934) na cidade de Anta-RJ. Essa amizade foi conservada até o final da vida de meu pai.
O Prof. Campante tinha um grande desejo de ser pastor. Sentiu-se chamado e apresentou-se a Igreja, mas devido às seqüelas de uma paralisia infantil, que comprometeu seu braço e perna direita, ele não foi aceito, porque na época os pastores teriam que se deslocar a cavalo. Ele falava disso com emoção até há pouco tempo atrás.
Em 1937 o Rev. Gavião foi o único pastor que lutou por mim. O meu requerimento foi indeferido por não possuir os requisitos necessários exigidos pela junta de educação “tem que ser um homem com saúde boa e ele é aleijado”. Eu era um homem de saúde boa, aleijado eu não sou.[1]
Aos 23 anos foi estudar e formou-se em Direito e em Letras e fez carreira como professor de Português no Granbery, no Colégio Estadual e em outras escolas em Juiz de Fora.
Na Igreja Metodista tornou-se Diácono da antiga ordem. Essa ordem tinha funções pastorais. Foi ajudante na Igreja Metodista em São Mateus, em Juiz de Fora, por duas ocasiões antes de 1950.
Todos perderam com a não aprovação do Prof. Campante ao ministério. Ele perdeu por não ter sido um pastor como sonhava e a Igreja perdeu um homem muito culto, bem informado, consagrado e que sempre teve o coração nas coisas de Deus e da Igreja Metodista.
Da primeira vez que preguei como pastor recém consagrado, em janeiro de 1982, na Igreja de São Mateus, em Juiz de Fora - MG, fiz questão de chamá-lo para impetrar a benção, porque na condição de diácono da antiga ordem ele poderia exercer as funções pastorais. O que seria a minha primeira “impetração de benção” transferi a esse velho amigo.
Esse nosso grande amigo, notabilizava-se por uma memória impressionante. Lembrava-se com detalhes de fatos ocorridos há muitos anos atrás. Contava de 70 anos atrás como se fosse ontem.
Na época do papai pastor em Jardinópolis, Juiz de Fora, o Prof. Campante pregava aos terceiros domingos. Essa é a imagem que levarei dele para sempre. Pregando, cantando velhas canções da Igreja, fazendo perguntas para testar a memória dos ouvintes, como por exemplo, antes do sermão perguntava o que havia pregado no mês passado. Naturalmente ninguém lembrava, exceto o Arthur Dianin, que conhecendo essa tática, passou a escrever e a responder a pergunta na outra pregação.
Esse “Príncipe de Israel” era um homem santo de quem terei saudosa memória.
Nesse momento de separação lembro-me de seu testemunho de fé através de seu hino predileto, 77 do Cantor Cristão, que aprendeu com meu pai, com quem gostava de cantar: “Minha alma segue o vale escuro, Desce o corpo às águas do Jordão. Não receio, pois Jesus, Salvo à pátria me conduz. Sim, o melhor amigo é Cristo”.
Deixo abaixo a letra completa desse hino.
“Deus o deu, Deus o tirou, louvado seja o nome do Senhor!”

Clóvis de Oliveira Paradela
Rio de Janeiro, 29 de março de 2010.

JESUS É O MELHOR AMIGO (CC 77)
Sei que o melhor amigo é Cristo,
Quando a tempestade assalta a fé
Pronto estende a sua mão,
Tranqüiliza o coração
Sim o melhor amigo é Cristo
(Coro)
Jesus é o melhor amigo (2x)
Repreende com dulçor
E me anima com vigor!
Sim o melhor amigo é Cristo!
Fiel amigo tenho em Cristo!
Nele encontro amor, consolo e paz.
Em seu braço esperarei,
Nenhum mal recearei
Sim, o melhor amigo é Cristo!
Minha alma segue o vale escuro,
Desce o corpo às águas do Jordão.
Não receio, pois Jesus
Salvo à pátria me conduz,
Sim, o melhor amigo é Cristo.
No paraíso eterno todos
Os remidos, transformados já,
Esse canto de louvor
Sempre entoam ao Senhor:
Sim, o melhor amigo é Cristo!



[1] - Entrevista com o Prof. Antônio Vidal Campante em junho de 1997.

As Marcas de Jesus

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão

Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão
14 estudos.




Disponibilizamos aos metodistas brasileiros este material editado pela Agentes da Missão, editora da 5ª Região, responsável pela implantação do programa Dons e Ministérios. 

São 14 estudos feitos diretamente sobre o texto original do Plano Para a Vida e Missão. Para que os estudos sejam feitos, é necessário acompanhar o texto do PVM, que está encartado no final do livreto do Manual. 

Para a realização dos estudos são previstos três momentos:  o da leitura do texto indicado diretamente do PVMI; o Momento de Aprofundamento, elaborado em forma de questões para reflexão e debate coletivo e, finalmente, o Momento de Avaliação, no qual são elaboradas perguntas em torno da presença e impacto do tema que surge nas questões estudadas na vida da igreja local que realiza os estudos. A metodologia é fundada em diálogo, trocas, mais que em informações presentes no texto dos 14 estudos. Portanto, trata-se de uma metodologia mais rica, mas mais exigente, que o estudo bíblico tradicional.

É um material rico que temos o prazer de compartilhar com os metodistas e as metodistas do Brasil inteiro, para capacitar as comunidades locais para a Missão de Deus enraizada na herança wesleyana e na prática eclesial e teológica latinoamericana.

Download aqui.

sábado, 18 de agosto de 2012

A relevante queda do crescimento evangélico revelado pelo Censo 2010. Entrevista especial com Paulo Ayres Mattos


A relevante queda do crescimento evangélico revelado pelo Censo 2010. Entrevista especial com Paulo Ayres Mattos

“As pessoas, hoje, têm mais liberdade para escolher e combinar diversas opções em seu próprio cardápio religioso como num balcão de comida a quilo”, diz bispo emérito metodista e pesquisador do pentecostalismo.
Confira a entrevista publicada no site do Instituto Humanitas Unisinos
. 


Diante dos dados religiosos do último censo, “o fato mais importante” é a diminuição do crescimento dos evangélicos na última década, comparando com os dados da década anterior, diz o bispo metodista Paulo Ayres Mattos à IHU On-Line. “De 1991-2000 os evangélicos em geral cresceram cerca de 120%; na década de 2001 a 2010, os evangélicos cresceram aproximadamente 62%. Isso não pode ser ignorado de forma alguma para quem trabalha com rigor e seriedade as mutações no campo religioso brasileiro”, menciona. Na avaliação de Ayres Mattos, a queda no crescimento dos evangélicos tem “razões de ordem exógena, já que a sociedade brasileira passou por transformações sociais que possibilitam às pessoas resolverem seus problemas mediante meios mais racionais sem buscar o recurso de soluções milagrosas”. E acrescenta: “Por outro lado, a reação católica ao pentecostalismo com o fortalecimento darenovação carismática católica, com forte uso da música e de cantores/cantoras gospel do próprio meio católico têm oferecido uma alternativa viável ao pentecostalismo, particularmente a setores de classe média, estancando a sangria nas fileiras católicas”. 

Pesquisador do pentecostalismoAyres Mattos enfatiza que esse movimento está crescendo em toda a América Latina, “sendo muito forte em países como o Chile. Em outros como a Guatemala, ele já chega a disputar a hegemonia com a Igreja Católica”. Na sua interpretação, esse crescimento é possível porque o “pentecostalismo contemporâneo tem modificado de forma radical sua escatologia”, e assumido “quase sempre de forma inconsciente (...) a maneira de ser religiosa brasileira, característica das matrizes religiosas que contribuíram para a formação religiosa do nosso povo, com forte dose de sincretismo, com soluções miraculosas para as necessidades do cotidiano aqui e agora”. 

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Ayres Mattos analisa as transformações do cenário religioso nacional e assina que, embora o pentecostalismo continue crescendo nos setores mais vulneráveis da sociedade brasileira, é preciso “prestar atenção para o fato de que setores consideráveis de distintos segmentos da classe média – e até mesmo de alguns setores da classe média alta – têm sido atraídos pelo pentecostalismo”. 

Paulo Ayres Mattos é graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, e em Filosofia pela Universidade de Mogi das Cruzes. É mestre em Teologia pelo Christian Theological Seminary, EUA, em Filosofia pela Drew University, EUA, e doutorando em Teologia Sistemática nessa mesma instituição. É docente da Universidade Metodista de São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em sua avaliação, qual foi a novidade do censo 2010 em relação às religiões no país? Pode-se dizer que o cadastramento trouxe algum dado novo, ou apenas reiterou o que já era esperado? 

Paulo Ayres Mattos (foto)– Dados novos apareceram, mas sem surpreender aos estudiosos do campo religioso brasileiro, pois pesquisas parciais anteriores na segunda metade da década já indicavam o surgimento de uma realidade que foi confirmada de forma mais rigorosa pelo censo. A queda da membresia católica era esperada; o aumento dos evangélicos em menor proporção; a diminuição da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD em virtude do crescimento da dissenção da Igreja Mundial do Poder de Deus; o aparecimento mais visível dos evangélicos sem igreja; o aumento das pessoas sem religião; etc.

Em meu entender, o fato mais importante do último censo é a confirmação de um dado já identificado anteriormente, trabalhado com bastante competência por sociólogos da religião como Paul Freston, da Universidade de São Carlos, que diz respeito à diminuição do ímpeto do crescimento dos evangélicos na última década quando comparado com o crescimento da década anterior. De 1991-2000 os evangélicos em geral cresceram cerca de 120%; na década de 2001 a 2010 os evangélicos cresceram aproximadamente 62%. Isso não pode ser ignorado de forma alguma para quem trabalha com rigor e seriedade as mutações no campo religioso brasileiro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O PROJETO MISSIONÁRIO PRESENTE NO PLANO PARA A VIDA E A MISSÃO - Estudos sobre o Plano Para a Vida e Missão da Igreja


O PROJETO MISSIONÁRIO PRESENTE NO PLANO PARA A VIDA E A MISSÃO CONFRONTADO COM A TRADIÇÃO WESLEYANA E A PROGRAMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IM NO BRASIL DE 2003.

Ely Eser Barreto César



Este artigo foi publicado no livro Teologia e prática na tradição wesleyana: uma leitura a partir da América Latina e Caribe  (clique no título e acesse o livro no site da Livraria Editeo)










O ponto de partida deste estudo é o de que a tradição wesleyana pode ser julgada por meio de mediação hermenêutica, na forma de releitura de textos fundantes, iluminados com perguntas que procuram abrir diálogo entre aquele passado e as demandas que emergem de épocas e tempos radicalmente novos. Naturalmente o processo de iluminação do passado com perguntas que, de fato, não lhe dizem respeito, enseja uma reconstrução daquele tempo que, não obstante, não o desfigura enquanto passado real. Nosso novo olhar sobre aquela história, no contexto de nosso modo peculiar de produzir reflexão teológica, parece se demorar mais sobre a prática da comunidade wesleyana primitiva do que sobre os textos elaborados por seus líderes. Ocorre que uma maior atenção sobre a prática pode proporcionar nova compreensão dos próprios textos, valorizando a efetiva evolução histórica dos primeiros metodistas em relação à evolução de sua reflexão formal. Esse novo olhar permite uma reconstrução daqueles processos fundantes sem desqualificá-los enquanto história efetivamente vivida. Esta experiência não é estranha para aquelas e aqueles que conseguem lidar com a Palavra de Deus enquanto fundamento normativo para a vida de hoje.

A complexidade desse processo hermenêutico não se resolve com intervenções individuais, por mais competentes que sejam. Esses processos se relacionam com identidades cultivadas coletivamente. Ocorre que essas identidades não se congelam ao longo da história desses grupos, sendo, efetivamente, reconstruídas por seus próprios atores em função de seus novos contextos de existência. O encontro latino-americano, no contexto do qual se situa este estudo, por reunir teólogos da tradição, pode se tornar em espaço apropriado para fazer avançar referências de significado que contribuam para a construção da identidade do segmento wesleyano na América Latina, quanto para aprimorar procedimentos hermenêuticos no interior desse complexo processo.

A proposição que iluminará este estudo partirá de um documento elaborado oficialmente pela Igreja Metodista brasileira em um contexto de recuperação de identidade e de desenho de novos horizontes para a tarefa missionária da Igreja no país, que será confrontado, por  meio de mediações hermenêuticas, com processos originais considerados normativos. O documento em questão é o Plano Para a Vida e a Missão, acolhido pelo XIII Concílio Geral, em 1982, Como ainda estamos no passado, os resultados desta análise serão postos em relação com a última proposta missionária oficial da Igreja para organizar uma campanha evangelística nacional, visando a uma percepção crítica da identidade atual do grupo no país.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Por que tornar-se igreja foi a pior coisa que poderia acontecer ao Metodismo


POR QUE TORNAR-SE IGREJA FOI A PIOR COISA QUE PODERIA ACONTECER AO METODISMO



Este é o quarto numa série de textos sobre seguir Jesus na Igreja Metodista Unida. Estou revendo a estrutura tripartite de discipulado de João Wesley buscando sugestões e pistas de como Metodistas devem orar, planejar e agir no futuro.
(nota do blog: os três textos anteriores podem ser acessados, em inglês, no site The New Methofesto: http://newmethofesto.wordpress.com )

Terminei meu último texto perguntando: “É hora de trazer de volta a socieadade?”

Alguém respondeu que ela esperava que pudéssemos pensar num nome mais sexy. Verdade. Uma “reunião de sociedade” soa pitoresco, antigo.

Tenho certeza que podemos melhorar isso, mas este não é o ponto central. O ponto é que reuniões de sociedade foram criadas para fomentar e insuflar as chamas do desejo de seguir Jesus mais de perto. Não tenho certeza se e onde isso acontece hoje na Igreja Metodista Unida, ao menos de uma forma sistemática e intencional.

Nesta atual série de postagens no blog, estou construindo o argumento de que não apenas precisamos de reuniões de sociedade, mas também reuniões de classes e bandos, porque essas três categorias eram cruciais a todo o sistema de discipulado de  João Wesley. Cada uma tinha seu objetivo e sua função.

Tentarei explicar de outra forma. No livro Lauching Missional Communities (Lançando Comunidades Missionais), Mike Breen e Alex Absalom introduzem o conceito de quatro espaços que todos nós habitamos: público, social, pessoal e íntimo. Cada um desses espaços corresponde a um certo aspecto da vida da igreja.

Espaço público: onde compartilhamos uma experiência comum e conectamos através de uma influência externa, tipicamente em grupos de mais de 100 pessoas, para inspiração, embalo e pregação; na igreja, isso acontece no culto público.
Espaço social: onde compartilhamos um verdadeiro “instantâneo” de quem somos, tipicamente em grupos entre 20 e 50 pessoas, a fim de construir comunidade e treinar para a missão; isso é o que Breen e Absalom chamam de “comunidades missionais”.
Espaço pessoal: onde compartilhamos experiências privadas, pensamentos e sentimentos, tipicamente em grupos de 3 a 12, objetivando apoio, proximidade e desafio pessoal; na igreja, isso acontece nas classes de Escola Dominical, grupos de Estudo Bíblico e outras formas de pequenos grupos.
Espaço íntimo: onde compartilhamos informação “nua” sobre quem somos e não temos vergonha, algo que é experimentado entre 2 ou 3 pessoas; Breen e Absalom afirmam que isso brota espontaneamente.

Os autores usam essa moldura basicamente para enfatizar a necessidade de comunidades missionais (espaço social), mas me impressionou como esse esquema corresponde bem à estrutura de Wesley.

Espaço público: Culto matutino dominical na paróquia local da Igreja da Inglaterra.
Espaço social: Reunião da Sociedade no prédio Metodista local.
Espaço pessoal: Reunião da Classe.
Espaço íntimo: Reunião do Bando.

Wesley focou mais nos últimos três porque sabia que nesses espaços é que ocorria o verdadeiro discipulado. Ele não ignorava a importância do culto público, mas não via isso como seu chamado primordial. Então deixou os espaços de encontros públicos para o clero. Mas aqui é exatamente onde invertemos tudo – nós agimos como a Igreja da Inglaterra e focamos primariamente no clero, formas institucionais da igreja, e culto público.

Se vamos realmente tentar recapturar o gênio do Movimento Metodista, não ordenaríamos clérigos para dirigir cultos públicos, não colocaríamos tanta importância na experiência dominical matutina, com suas vestimentas e liturgia. Deveríamos talvez orientar nosso povo a frequentar a Igreja Episcopal no fim da rua, ou a Igreja Presbiteriana na esquina, ou a Megaigreja não-denominacional na via expressa.

Deveríamos, sim, começar Sociedades Metodistas com o objetivo de atrair pessoas para uma vida de discipulado, talvez ao longo das linhas das reuniões dos Alcóolicos Anônimos. Convidaríamos pessoas para casas e bibliotecas e lanchonetes. Começaríamos muitos desses grupos, onde quer que fossem necessários. Equiparíamos pregadores leigos para serem líderes desses grupos, e então passarem à frente, abrindo outros. Usaríamos cada oportunidade para falar com, ouvir e cuidar dos outros.

Tudo mudou quando o Metodismo se tornou uma “igreja” e nos tornamos responsáveis por ordens clericais e cultos dominicais. Agora que as pessoas na nossa cultura não parecem muito interessadas nesses eventos, talvez a oportunidade para nos tornarmos Metodistas novamente esteja à nossa frente.

Ironicamente, tornar-se “igreja” foi a pior coisa que poderia nos acontecer. E deixar a “igreja” para trás talvez seja o caminho para o avanço.

Escrito por Wes Magruder, Presbítero ordenado da Igreja Metodista Unida, servindo na Conferência do Norte do Texas.
(Tradução de James Goodwin Junior. Publicado originalmente em: 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

TUCKER E O CONCÍLIO MUNDIAL DE IGREJAS


TUCKER E O CONCÍLIO MUNDIAL DE IGREJAS

E. C. 1 e 8 de Junho de 1943 (p. 2 – 3)




O conselho Mundial de Igrejas 

(em formação)



(Texto apresentado no 5º Encontro Nacional de Metodistas Confessantes)

Pedimos vênia ao Sr. Redator do Expositor Cristão para oferecer aos seus leitores mais algumas noticias dos movimentos ecumênicos. O ultimo número da revista “Christedom”, informa que 77 igrejas (diversas entidades eclesiásticas) de 28 diversos países já aderiram ao Conselho Mundial de Igrejas( em formação) , sendo as três ultimas: A convenção Nacional Batista dos Estados Unidos (a sessão dos cidadões de cor), a Igreja Metodista do Brasil ,  a primeira Igreja na América do Sul a tornar-se membro) e a Igreja anglicana de Nova Zelândia.


As comissões executivas das duas seções, a Americana e a Européia, continuam a funcionar regularmente, não obstante as grandes dificuldades em se viajar, resultantes da guerra mundial. Na reunião outonal da seção Americana realizada em outubro p. p. foram prestadas importantes informações sobre vários assuntos; pelo Secretary Tracy Strong da Associação Cristã de Moços, sobre o trabalho entre os prisioneiros de guerra; pelo Dr. Forrest Knapp, da Associação Mundial Escolas Dominicais sobre suas impressões da vida das Igrejas nos países Sul Americanos; pelo Dr. Walter Vankirk, secretario do Concílio  Federal das Igrejas de Cristo na América sobre o movimento ecumênico na Inglaterra, que acabou de visitar; pelo Dr. William Adams Brown sobre a relação futura de Seção Americana do Conselho Mundial com o movimento cooperativo organizado na América, e vários outros.


A seção européia realizou a sua seção no mês de setembro. A revista “Christedom” noticia que a seguinte forma de orações intercessorial  foi usada:


“Até que todos cheguemos a unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, o estado do homem da estatura da plenitude de Cristo.


Oremos


Pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos ministros e membros, para que todos sejam cheios de seu espirito;


Ó Cristo ouve-nos:


Para que a Igreja não busque sua própria segurança mas a salvação do mundo, procurando em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça:


Ó Cristo, ouve-nos:


Para que a Igreja leve a verdade e o poder do evangelho aos corações aflitos;


Ó Cristo, ouve-nos:


Para que a Igreja mostre ao mundo a solicitude do mestre pelos fracos e oprimidos e seu zelo pela verdade e justiça;


Ó Cristo, ouve-nos:


Para que a Igreja seja o seu exemplo na persistência em fazer a vontade de Deus e permanecer fiel a pesar de todas as vicissitudes;


Ó Cristo, ouve-nos;


Oremos pelo crescimento e aperfeiçoamento da unidade da Igreja de Cristo; por todos os que planejam e administram o governo da Igreja; por todos os que preparam o ministério da Igreja; por todos os que cuidam das almas dos homens e constróem o corpo de Cristo; por todos os que professam a religião cristã; para que cresçamos conjuntamente na grada de Nosso Senhor Jesus Cristo, e mostremos seu espirito em nosso amor uns pelos outros.


Ouve-nos, nós te suplicamos.


Oremos – para que sejamos informados sobre faltas e erros em nos mesmos, que entravam o crescimento da unidade, e assim, nos libertemos deles;


Ouve-nos, nos te suplicamos.


Para que oremos e trabalhemos sem cessar pela unidade perfeita da Igreja de Cristo;


Ouve-nos, nós te suplicamos:


“ó Deus todo poderosos, que enviaste teu filho, Jesus Cristo ao mundo, para que por sua cruz e paixão as nações fossem remidas para a tua gloria, envia, te suplicamos, tua Igreja no poder de sua incarnação a proclamar a mensagem de ignorância, toda presunção e falta de caridade, de modo que por teu amor derramado em nossos corações e pela verdade que procede de ti, possamos recear a toda humanidade o salvador do mundo, teu filho Jesus Cristo, nosso senhor. Amem”.

____________________



O arcebispo de Canterbury foi eleito presidente do conselho e pregou o sermão inaugural baseado no texto: - “Fala aos filhos de Israel que caminhem”. Entre outras ponderações importantes, disse: - “Não há dissolução de nossos princípios distintivos pelo fato de nos reunirmos neste conselho. Porém há uma escolha entre duas direções, dois pontes de ênfase. Nos dias em que o cristianismo em seus princípios fundamentais permaneciam inatacável parecia natural iniciar-se ênfase nos pontos em que se distingue uma comunidade de outra. Mas na atualidade quando largamente se desafiam os princípios básicos do cristianismo e em muitos lugares são repudiados – a necessidade fundamental é de um testemunho unido e claro do próprio cristianismo. A diferença entre os cristãos e não-cristãos, entre aqueles que crêem e os que não crêem que em Jesus Cristo, Deus visitou e reuniu seu povo”.


A Seção Européia do Conselho Mundial de Igrejas (em formação) na sua ultima reunião em Genebra endereçou aos cristãos em todo o mundo a seguinte carta de camaradagem cristã.

Prezados irmãos em Cristo: -


Nossos pensamentos e orações estão em torno de todas as igrejas que passam por terríveis provações. Ouvimo-las dizer o que S. Paulo escreveu de sua prisão, aos Filipenses: “ A maioria dos irmãos no senhor, animados pelas minhas prisões, estão muito mais encorajados em falar, sem temor, a palavra de Deus”. (Fil. 1:14).


Contudo, esta bênçãos não se dispensa unicamente as Igrejas sob a cruz, mas, a toda a comunhão dos crentes em Cristo. Através do testemunho das Igrejas que estão em provações, há um desafio a todas as Igrejas no sentido renovarem sua fé e vida. Dizemos as Igrejas sofredoras o que São Paulo escreveu aos Tessalonicenses:


“ Vós vos fizestes imitadores nossos e do senhor, tendo recebido a palavra do meio de muita tribulação com gozo do espirito santo, de sorte que vos tornastes modelo para todos os crente” (1. Thesc. 1:6-7)


Impressionamo-nos pela evidencia dos relatórios de muitas igrejas, as quais precisamente, por causa desse novo encontro com a realidade da cruz, a comunhão entre as igrejas tem se aprofundado. Essa é a razão por que temos tido liberdade para começar os preparativos para os dias em que a Igreja possa, novamente, com toda a liberdade manifestar o seu caráter ecumênico e iniciar a reconstrução do mundo, e da reconciliação das nações.


“O próprio Deus de toda a graça, que vos chamou em Cristo para a sua eterna gloria, depois que tiverdes padecido um pouco, vos há de aperfeiçoar, estabelecer, fortificar e consolidar. A ele seja dado o domínio pelos séculos dos séculos. Amem”. (1. Pedro 5-10-11)


Se os redatores dos outros jornais evangélicos no Brasil acharem de interesse para seus leitores – esta comunicação e quiserem fazer-nos o favor de transcreve-lá, toda ou em parte, ficar-lhe-emos muito agradecidos.


Acho que, pelo menos, trechos desta, podem ser lidos e comentados com grande proveito perante as congregações em cultos públicos.

H. C. Tucker

Sec. Geral de Ação Social.

12 Avenida Erasmo Braga

Rio de Janeiro.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Relato do 5º Encontro Nacional de Metodistas Confessantes

Relato do 5º Encontro Nacional de Metodistas Confessantes




De Fotos Oficiais - 5. Encontro Confessante





O encontro inicia-se no sábado por volta das 8h30. Enquanto as pessoas chegavam, muitas delas vindas diretamente da estrada, das rodoviárias, dos aeroportos, confraternizávamo-nos ao redor da mesa. Mesa do café da manhã e Mesa da Graça. Na mesa da graça, que é o local de compartilharmos as delícias das diversas regiões brasileiras havia doces do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Belém e Rio Grande do Sul, bem como bolos, biscoitos e outros quitutes compartilhados com muita alegria.


Por volta das 10h (a agenda já havia sido alterada para melhor atender aos que chegavam atrasados por causa do sempre caótico trânsito de São Paulo) iniciamos a devocional de abertura, cuja liturgia havia sido preparada e dirigida pelo rev. Stephen Newnum.




Após a celebração cúltica reunimo-nos na sala de reuniões. Cada um de nós teve a oportunidade de se apresentar, pois muitos se conhecem apenas pela interação virtual. Dedicamos o período da manhã para a apresentação do prof.Ely Eser Barreto César, que fez uma análise das linhas teológicas da Igreja Metodista a partir da década de 60 até os dias de hoje. Durante a apresentação do prof.Ely, intervínhamos em sua fala produzindo não uma palestra, mas um produtivo debate.


http://metodistaconfessante.blogspot.com/2012/07/teologia-e-pratica-metodista-partir-dos.html


Saímos para almoçar em um restaurante próximo e ao nos reunirmos novamente na sala de reuniões, após cantarmos algumas canções e hinos, retomamos a apresentação/debate.


Depois de um intervalo para o café, houve um relato sobre a caminhada da comunidade de Belém até o presente momento. Todas as angústias, preocupações e também alegrias e esperanças foram compartilhadas. Decidiu-se pela busca de soluções pastorais e soluções institucionais de acordo com o que se julga adequado e para que se mantenha a caminhada à luz da herança teológica wesleyana.


Foi dedicado um tempo para o debate e reações à fala do prof.Ely, onde buscou-se refletir sobre a situação atual da igreja e as formas que como Metodistas devemos agir junto à igreja instituída e junto às comunidades locais.


Terminamos a reunião do dia 21/07 numa celebração cúltica, preparada e dirigida pelo rev.Paulo Bessa, onde reafirmamos nosso compromisso mútuo e compromisso com a Igreja Metodista. Compromisso que envolve coragem, desprendimento e convicção.




Na manhã do dia 22/07 reunimo-nos, tomamos o café da manhã e nos congregamos juntos à comunidade da Igreja Metodista em Itaim Bibi. Participamos do culto matutino, dirigido pelo rev.Octávio Alves Filho, pastor local. O responsável pela mensagem foi o rev. Moisés Abdon Coppe, que trouxe uma palavra consoladora e desafiadora, que nos impele à caminhada conjunta.



Nas reuniões plenárias refletimos sobre a construção constante da identidade metodista, da contribuição que cada um de nós tem a dar em suas comunidades locais e sobre como essa contribuição deve estar enraizada na herança wesleyana latinoamericana.


Estabeleceu-se uma série de princípios com os quais nos comprometemos, que reconhece a pluralidade existente no seio da Igreja Metodista,  autenticamente wesleyanos, profundamente enraizados no conceito de "missio Dei", missão de Deus, e do trinômio Deus-Mundo-Igreja, no qual, como igreja, integramo-nos no mundo para o estabelecimento do Reino de Deus à luz da tradição wesleyana e latinoamericana, materializado no Plano para a Vida e Missão da Igreja.


Por fim nos reunimos para um Culto de Ação de Graças, cuja liturgia fora preparada pelo rev. José Carlos de Souza e dirigida pelo rev.Adahyr Cruz. Celebramos o culto conforme o ritual da Igreja Metodista e a Palavra e a Mesa ficaram a cargo do revmo. Paulo Ayres Mattos, que nos desafiou à caminhada profética e anunciadora do Reino de Deus e celebrou a Eucaristia junto a todos nós. Neste culto houve uma emocionante homenagem a João Wesley Dornellas, onde cada um pode expressar sua amizade, admiração, carinho e saudades desse grande metodista, que foi um rebelde e um amante da igreja, amando-a e lutando por ela mesmo reconhecendo que em vários momentos sua caminhada não fora de acordo com os valores evangélicos. O irmão Carlos Wesley Dornellas pode expressar sua gratidão a Deus pela vida do irmão e pela vida do pai, o saudoso rev.Sebastião Dornellas e transmitirá à esposa, dona Alice, o carinho e solidariedade de todos nós.




Esperamos ver muito mais metodistas, homens e mulheres, de todas as regiões brasileiras, no 6º Encontro de Metodistas, Confessantes, no Rio de Janeiro em 2013.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

TEOLOGIA E PRÁTICA METODISTA A PARTIR DOS ANOS SESSENTA


TEOLOGIA E PRÁTICA METODISTA A PARTIR DOS ANOS SESSENTA

(IDAS E VINDAS NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE METODISTA)

De Reuniões 21/07


(Apresentação efetuada por ocasião do 5º Encontro Nacional de Metodistas Confessantes, em 21 de julho de 2012 na IM em Itaim Bibi - SP)




1.      PRELIMINARES

1.1  DE QUE LUGAR REALIZO A ANÁLISE?

a)      Fui um dos atores no processo de avaliação crítica das dimensões teórico/práticas do conceito de “missão” nos anos 60, a partir do novo enfoque da “missão para o mundo”.

b)      Participei do processo que viabilizou a transição entre a prática do projeto missionário estadunidense e o desafio da encarnação da tradição wesleyana à realidade brasileira e latinoamericana.

c)      Fui testemunha atuante da emergência e construção dos Planos Quadrienais de 1974 e 1978 e do Plano para a Vida e Missão (1982)

d)      Fiz parte da liderança que introduziu, antes do Concílio de 1987, o novo modo de ser Igreja dos “Agentes da Missão” (transmudado em Igreja dos Dons e Ministérios no Concílio).

1.2  Fiz cedo a transição entre a postura geral definida como “liberal” para uma postura radical, que enfatiza a práxis, a saber, associa dialeticamente prática e teoria como entidades distintas, valorizando perspectivas históricas. Estas novas bases orientaram meus estudos das Escrituras (ex. o Jesus da história, o Jesus de Nazaré, se manifesta com maior amplitude a partir de sua prática, requerendo subordinação de seu ensino à sua prática).



2.      ANTECEDENTES DA IGREJA METODISTA DE MATRIZ NORTEAMERICANA

2.1  O projeto: “o destino manifesto”

Este projeto é fundamentalmente político (a democracia nos moldes da experiência democrática norteamericana é o horizonte da suprema realização para o mundo: o “american way of life”).

As Igrejas estadunidenses, herdeiras da fé no destino manifesto, a aproximaram da noção de “evangelização” (que se confunde também com a democratização das nações; aqui se articulam as fidelidades religiosa e estatal) (ex clássico “maravilhas grandiosas outros povos têm (os EEUUAA), bênçãos venham semelhantes, sobre nós (os brasileiros) também”).

2.2  A evangelização anticultura

a)      No modelo missionário de nossas origens, a cultura brasileira é, em geral, rejeitada como obscurantista e retrógada

b)      O “mundo” é visto como lugar a fugir para o refúgio da Igreja, a nau segura

c)      Evangelizar = americanizar

d)      A sociedade protestante no país é vivida próxima à experiência do “ghetto”

e)      Exceções surgiram a partir dos missionários relacionados ao “evangelho social” (ex Tucker)



3.      INFLUÊNCIAS PROVOCADORAS DE MUDANÇAS (a ordem abaixo não é cronológica, pois estas novas perspectivas se mesclavam; ela é “descritiva”)

3.1   A leitura marxista da sociedade e da economia (marxismo como instrumento de análise)

a)      A concentração do capital como injusta e desestruturante da sociedade

b)      A pobreza como construção social e histórica; o conflito de classes

c)      A aproximação do evangelho de processos revolucionários

d)      A emergência da Teologia da Libertação e a valorização/descoberta do movimento profético do AT

e)      A opção preferencial pelos pobres

3.2  O Concílio Mundial de Igrejas reavalia conceitos de missão.

a)      Evangelização como “propaganda” que difunde um modelo, descaracteriza os neoconversos, tornando-os piores que “seus evangelizadores”.

b)      A crítica ao modelo tradicional “Deus-Igreja-Mundo” pela constatação de ser o mundo o alvo do amor de Deus. O novo modelo “Deus-Mundo-Igreja” (ou “Missiodei”, adotado pelos Planos Quadrienais e o PVMI. A agenda da Missão deriva também do mundo.

3.3  A redescoberta do projeto do “Reino de Deus”

a)      resultante da práxis do Jesus de Nazaré (redescoberta do Jesus histórico e sua prática), como desafio de prática missionária que se encarna na história.

b)      Participar na construção do Reino de Deus aqui e agora requer priorização da prática do amor em todas as fronteiras, independente das fronteiras da Igreja

c)       O pobre como o bemaventurado do Reino

d)      O novo chão para práticas ecumênicas

3.4  A redescoberta de John Wesley como fonte inglesa da tradição wesleyana

a)      A constatação da mediação enviesada da tradição wesleyana original face às distorções processadas nos EEUUAA. (Ex. A centralidade da espiritualidade wesleyana no evento do “coração aquecido” e suas consequências para o desvirtuamento do conceito de “santidade” e concentração no individualismo, ignorando que, para Wesley, “o cristianismo é essencialmente uma religião social e torná-lo em religião solitária é destruí-lo”)

b)      A nova percepção do conceito original de santidade e santificação: a fusão radical e orgânica entre atos de piedade (dimensão transcendente) e a prática da misericórdia (organização e materialização de obras a favor dos pobres e desvalidos), como o coração da tradição wesleyana original

c)      O pobre como quem suscita o amor misericordioso em função de suas carências (em vez de um amor que brota do amor de Deus em nós e se dirige ao pobre com viés autoritário, do tipo “eu sei o que é bom para você, ou seja, o evangelho que anuncio”)