quarta-feira, 28 de julho de 2010

Manifesto ao 19º Concílio Geral da Igreja Metodista

Manifesto ao 19º Concílio Geral da Igreja Metodista

À Igreja Metodista Reunida no 19º Concilio Geral
 
"Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu. Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois era Deus quem reconciliava com ele mesmo o mundo por meio de Cristo, não levando em conta os pecados dos homens e colocando em nós a palavra da reconciliação" (II Co 5.17-19).
 
“A reconciliação do mundo em Jesus Cristo é a fonte da justiça, da paz e da liberdade entre as nações; todas as estruturas e poderes da sociedade são chamados a participar dessa nova ordem. A Igreja é a comunidade que exemplifica essas relações novas do perdão, da justiça, e da liberdade, recomendando-as aos governos e nações como caminho para uma política responsável de cooperação e paz.”(CREDO SOCIAL , III - A ORDEM POLÍTICO-SOCIAL E ECONÔMICA).
 
Amados/as irmãos/ãs, saúde, graça, paz e bem! 
  
Sabemos que o 18º Concílio Geral da Igreja Metodista realizado em 2006, deliberou a retirada da Igreja Metodista de organismos ecumênicos de que a Igreja Católica Apostólica Romana participasse como membro. Por considerarmos que esta decisão fere princípios fundamentais do Evangelho e da tradição Metodista, defendemos veementemente que o 19º CG anule essa decisão, por entender que ela afronta não tão somente o testemunho histórico do Metodismo de espalhar a "santidade bíblica por sobre a terra, a começar pela Igreja" mas também a vontade de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disso, ela insere a Igreja anacronicamente em um ambiente de exclusão de pessoas por seu credo, ferindo princípios civis já consagrados pelos avanços da vida moderna de respeito aos direitos humanos.
 
Ademais, é sabido que Nosso Senhor Jesus Cristo intercedeu ao Pai não só por seus discípulos, mas por todos que viessem a crer nele, quando disse: "A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (João 17.21) 
  
O artigo número cinco, dos Artigos de Religião do metodismo expressa que "As Santas Escrituras contêm tudo que é necessário para a salvação, de maneira que o que nelas não se encontre, nem por elas se possa provar, não se deve exigir de pessoa alguma para ser crido como artigo de fé, nem se deve julgar necessário para a salvação".
 
Entendemos que as Santas Escrituras expõem ser parte do projeto salvífico de Deus, revelado em Jesus Cristo, que persigamos a unidade da Igreja e que a divisão desta é um escândalo à Fé Cristã pois "há uma só fé, um só Espírito e um só Batismo (Ef. 4,5). 
 
O Plano de Vida e Missão, adotado em 1982, ao tratar da Herança Wesleyana e ao expressar os Elementos Fundamentais da Unidade Metodista, afirma ser "o metodismo parte da Igreja Universal de Jesus Cristo" e que ele "procura preservar o espírito de renovação da Igreja dentro da unidade conforme a intenção da Reforma Protestante do século XVI e do Movimento Wesleyano na Igreja Anglicana do século XVIII, que, por circunstâncias históricas, resultaram em divisões. Por isto, dá sua mão a todos cujo coração é como o seu e busca no Espírito os caminhos para o estabelecimento da unidade visível da Igreja de Cristo (Jo 17.17-23)".
 
No sermão 39, "O Espírito Católico", fundamentado em 2 Rs 10.15-16, João Wesley enfatiza as expressões: "Tens tu reto o coração para comigo, como o meu o é para contigo? ...Então dá-me a mão." Salienta que, ter o "coração reto" não significa ter as mesmas opiniões, as mesmas formas de culto, concordância sobre o modelo de estrutura eclesiástica, sobre as formas de batismo ou de celebração da Ceia do Senhor, entre outros. A rigor, não exige nada em termos de ritos, práticas e costumes que exteriorizem quaisquer tipos de posturas comuns; o que se exige é sentimento de compromisso de amor a Deus e à humanidade. Ele chega a dizer: "Se não podemos pensar igual por que não podemos amar igual?"
 
Entendemos que "unidade visível" não significa a reunião de todas as Igrejas em uma única estrutura eclesiástica e nem a adoção de posturas hegemônicas em questões de ritos ou dogmas, mas uma capacidade dialogal típica da que foi defendida por João Wesley, de forma mais intensa, após a sua experiência de 24 de maio de 1738, alicerçada, entre outros, em Mt 5.45-48, que desafia os seguidores(as) de Jesus a uma prática parecida com a do Pai, que envia o sol e a chuva sobre todos(as): "bons e maus, justos e injustos"...Se amardes os que vos amam, que recompensa tendes?...Se saudardes somente os vossos irmãos , que fazeis de mais?
 
O Plano de Vida e Missão reitera ainda que nossa opção ecumênica, além de ser obediência ao mandamento de Cristo, é resultado prático da vivência na frente missionária, onde todos são irmanados na fé apesar das diferenças teológicodoutrinárias. Ou seja, o ecumenismo nasce da fé em missão pois ao indicar como uma da área de atuação a de Promoção da Unidade Cristã, conceitua que: “A busca e vivência da unidade da Igreja, como parte da Missão, não é optativa, mas uma das expressões históricas do Reino de Deus. Ela procede do Senhor Jesus Cristo e é realizada por meio do Espírito Santo, pela rica diversidade de dons, ministérios, serviços e estruturas que possibilitam aos cristãos trabalhar em amor na construção do Reino de Deus até a sua concretização plena (Jo 10.17;1.17-23; 1 Co 1.10-13; 12.4-7, 12 e 13; Ef 4.3-6; Ef 2.10-11).”
 
Pelo exposto, confessamos que nossa incapacidade de obedecer à decisão do 18º CG, não decorre de indisciplina ou insubmissão, mas da liberdade à qual somos chamados e que em Cristo nos foi outorgada. Ela nos constrange a declarar que "Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos" (Da Liberdade Cristã, Martinho Lutero). Assim sendo, pedimos que "mantenhamos, entre nós, laços de paz, para conservar a unidade do Espírito. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação nossa nos chamou a uma só esperança: há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos e está presente em todos" (Ef. 4.3-6).
 
Os abaixo assinados representam somente uma parte dos Metodistas Confessantes. Muitos pastores e pastoras não o assinam devido à possibilidades de represálias que têm ocorrido em algumas de nossas regiões eclesiásticas.  
 
• PAULO SILAS JORGE DE LARA Igreja Metodista Em Água Fria - 3ª RE.
• Paola Vargas Barbosa - Igreja Metodista Em Goiabeiras, Vitória/ES 4a RE.
• Fabio Martelozzo Mendes - Congregação Em Santana De Parnaíba/Igreja
Metodista Em Itaberaba - 3ª Região.
• Tony Welliton Da Silva Vilhena - Igreja Metodista Central Em Belém / REMA
• Francisco Thiago De Almeida – Franca/SP 5ª Região
• Lucas Lima Camargo Escobar Bueno – Sorocaba – SP 3ª RE
• Jaider Batista Da Silva, Igreja Metodista Do Bairro Santa Helena Em Governador
Valadares, MG.
• Elza Maria Robin Zenkner - Presbítera (Aposentada) - 2ª Região
• Elena Alves Silva - Pastora Na Igreja Metodista Em Jardim Colorado - 3ª RE
• João Luiz De Barros Teixeira - Presbítro - 1ª Regiao
• Carla Pereira Nonato – Igreja Metodista Em Monte Belo – 3ª Região
• Isaias Laval - Água Fria - SP
• KELLER APOLINARIO ROSA DA SILVA- IGREJA METODISTA DE CONSELHEIRO
PENA
• Adahyr Cruz
• Dalva Dianim Berzoini Igreja Metodista Em Bela Aurora - Juiz De Fora - 4ª
Região
• Cibele Paradela - Igreja Metodista De Botafogo - Rio De Janeiro - RJ
• Arthur Emílio Dianin - Igreja Metodista De Bela Aurora - Juiz De Fora/MG
• Anivaldo Padilha, Leigo, Igreja Metodista Em Vila Mariana, São Paulo, 3a.
Região.
• Clésio De Oliveira Paradela - Igreja Metodista Em Venda Nova-BH (MG)
• Darlene Barbosa Schützer - Catedral Metodista De Piracicaba.
• Saulo De Tarso Cerqueira Baptista, Igreja Metodista Central De Belém, Pará.
• Octavio Alves Dos Santos Filho - Pastor Na Igreja Metodista No Itaim Bibi (SP)
• Sydney Farias Da Silva
• Diná Da Silva Branchini, Membro Igreja Metodista Em Suzano,São Paulo- 3RE
• Paulo Barbosa - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Cléber De Oliveira Paradela
• Miriam Vargas Barbosa Da Igreja Metodista Em Goiabeiras – Vitória – ES
• Cristina Engels Rodrigues, Membro Da Igreja Metodista No Ipiranga
• Messias Valverde - Presbítero 4ª Região
• Carolina Cislaghi Rivero - Catedral Metodista De Piracicaba.
• Dilson Julio Da Silva
• Washington Luiz Silva Santos - Membro Leigo Da Igreja Metodista Em
Aricanduva.
• Sérgio Marcus Pinto Lopes - Presbítero
• Dilene Fernandes De Almeida, Presbítera, Igreja Metodista Em Guaianazes, São
Paulo, 3a RE
• Juarez Reinaldo De Souza Lima - Igreja Metodista Em Água Fria 3ª RE
• Erika Schützer - Igreja Metodista Central De Piracicaba.
• Emília Maria Garcia Dos Santos, Membro Leigo Da Igreja Metodista No Itaim
Bibi.
• Jair Alves - Pastor Metodista Em Santo Estevão
• Wesley Silva dos Santos, leigo da Igreja Metodista em Vila Medeiros (SP)
• Rev. Luciano José de Lima, pastor na Igreja Metodista em Jundiaí (SP).
• James William Goodwin – 4ª Região
• Francisco Cetrulo Neto
• Cilas Ferraz de Oliveira - Presbítero - Izabela Hendrix - Belo Horizonte-MG
• Eunice Nazareth Nonato, Igreja Metodista Bela Vista – Governador Valadares,
MG
• Martinho Luthero de Souza Junior, I.M. em Salgado Filho - BH, IV Região
• Waldecy Louback da Cunha - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Marcelo Pereira Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Marislene Pereira Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Elias César Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Wagner Silva dos Santos
• Raquel Moraes Gaia - Igreja Metodista Central em Belém
• Jesus Anacleto Rosa, Presbítero aposentado- 3RE
• REV. Robert Stephen Newnum – 6ª RE
• Maria Newnum – 6a RE
• Victor Cláudio Paradela Ferreira - membro da Igreja Metodista em Bela Aurora -
Juiz de Fora – MG
• Klaus Schützer - Igreja Metodista de São Carlos-SP
• Rudolf Schützer - Igreja Metodista Central de Piracicaba
• Eloisa Geraldi - Catedral Metodista de Piracicaba_SP
• Julio Augusto Toledo Veiga - Catedral Metodista de Piracicaba – SP
• Victor José Ferreira - Igreja Metodista de Botafogo Rio de Janeiro – RJ
• Paulo Roberto Ramos Caiuá (Membro da Catedral Metodista de Piracicaba)
• Gérson Mendes Ferreira - Igreja Metodista Central de Campinas.
• Nicanor Lopes – Pastor da IM em Jardim Pacaembu – Campinas - 5ª. Região
Eclesiástica
• Leila de Castro Louback Ferraz - Igreja Metodista Izabela Hendrix - Belo
Horizonte - MG (4a RE)
• SILVIA EUNICE BORGHI CEPEDA GIUSTI - Igreja Metodista Central de
Campinas
• Filipe F. Ribeiro Maia, 5 RE, Piracicaba, SP.
• Sílvia Vilhena Antunes Amaral - Igreja Metodista Izabela Hendrix
• Yara Lígia Pacini - Igreja Metodista Central de Campinas.
• Sheila Christine Freire de Matos Hussar, membro da Catedral Metodista de
Piracicaba.
• Susana Fernandes Ribeiro Maia - Catedral Metodista de Piracicaba- SP. 5ª RE
• Augusto Campos de Rezende Igreja Metodista Izabela Hendrix
• Alexandre Bomfim Rodrigues - Igreja Metodista do Izabela Hendrix BH
• Gerson Mattos. Leigo da Igreja Metodista em Arthur Alvim.
• Shirlei Debussi Pissaia - Igreja Metodista Central de Piracicaba
• Marcos Seir Andrino - Igreja Metodista Central Campinas SP - 5a Região
• Bernardeth Talasse Andrino - Igreja Metodista Central Campinas SP - 5a Região
• Rev, Luiz Ferraz dos Santos-pastoral AMAS-Catedral Metodista - Piracicaba.
• Tiago Bicudo
• Débora Bicudo de Faria – Igreja Metodista Central de Campinas
 
Aqueles e aquelas que desejarem subscrever o presente manifesto poderão fazê-lo
através da petição online no seguinte endereço:
http://www.ipetitions.com/petition/manifesto19cg/

11 comentários:

Marcelo disse...

É engraçado como sempre colocamos John Wesley da forma sempre como convem aos nossos proprios entendimentos, fato natural entre todas as igrejas. Se falarmos de Assembleia de Deus, diriamos q gunar vingren seria esxpulso na igreja atual. O que falar de John Wesley, mais de 50 anos de ministerio, com media de 3 sermões por dia, marca suas convicções, difere do calvinismo e da reforma inglesa (reforma de mentira), e resolve fazer aquilo para o qual foi chamado. Me espanta muito, defendermos insessantemente a aliança com uma igreja que sacrifica cristo todos os domingos na missa, divide a gloria de Crsito com Maria e outros, denomina um homem a um quase Deus. Me explique, o que difere o Catolicismo das religiões Afro-brasileiras?, Em nenhuma delas Cristo é o centro, dessa forma não posso ser coparticipante. Façamos então um ecumenismo com o candomble e com o espiritimsmo, afinal eles dizem que todos os caminhos nos levam a Deus e devem acreditar que John Wesley deve estar por aí em um novo corpo.
Ao inves de protestos vãos, sigamos o exemplo de Wesley e pregamos o evangelho a toda criatura

Fabio Martelozzo Mendes disse...

Boa tarde Marcelo.

Existem esclarecimentos que precisam ser feitos sempre.

Primeiramente: ecumenismo não é aliança. É diálogo. A Igreja Metodista não abriria e nem abrirá mão de nenhuma de suas convicções ao travar diálogos e relacionamentos com outras igrejas, sejam elas quais são. Já temos diálogos com as igrejas presbiterianas, que são calvinistas. Há as mais diversas formas de diálogos com os ramos pentecostais, com as crenças das mais diversas.

Em segundo lugar, já que Wesley foi citado, em nenhum momento Wesley diz que a Igreja Católica Romana não é cristã, que seus membros não são cristãos e que não devam ser tratados como tal. Uma leitura à "Carta a um Católico Romano" esclareceria bastante neste aspecto. O que não significa que não haviam divergências e não hajam divergências hoje. Há. Mas devem ser sempre tratadas no plano do respeito mútuo, do amor e da caridade.

Em terceiro lugar, na Carta Pastoral Para Que Todos Sejam Um, emitida pelo Colégio Episcopal, em nenhum momento o catolicismo romano é desqualificado como confissão cristã. Ao contrário. A carta orienta os metodistas a serem sempre respeitosos e amorosos com os membros da Igreja Católica Romana.

Por fim, sua sugestão de pregar o evangelho a toda criatura já faz parte do ideário metodista e confessante. Pregamos o evangelho sempre, em nossa vida cotidiana, em nossa vida institucional e ministerial. Inclusive, em nossa manifestação a respeito da questão ecumênica, levantamos o ponto do Evangelho onde Jesus orou ao pai para que todos sejam um.

Rev. Flavio dos Santos disse...

É absurdo o tempo que gastamos com questões secundárias.

Considerando a vida da igreja e sua missão, gostaria que refletíssemos em três questões que se segue:

1. Do ponto de vista da missionário, qual seria a relevância de alguma mudança em relação ao retorno do ecumenismo?

2. No que a relação estreita com o catolicismo nos ajudaria em termos de evangelização no Brasil?

3.Já não nos bastaria uma carta de orientação dos bispos da igreja?

Lamentavelmente tais preocupações refletem uma visão limitada, e que poderia nos levar a questionar a autoridade dos bispos, clérigos e leigos que se reuniram no último Concílio Geral.

Um abraço fraterno,

Rev. Flavio dos Santos - 1a Região

Fabio Martelozzo Mendes disse...

Boa noite rev.Flavio.

Sobre suas três considerações:

1. Do ponto de vista da missionário, qual seria a relevância de alguma mudança em relação ao retorno do ecumenismo?

R: As bases missionárias e eclesiológicas já estão traçadas no manifesto. Uma leitura cuidadosa do documento poderia esclarecer muitos pontos. Em segundo lugar, tornar-mos-íamos muito mais fiéis ao mandamento de Cristo expresso em sua oração sacerdotal e ao testemunho do metodismo histórico, em todo mundo uma igreja evangelizadora e uma igreja ecumênica.

2. No que a relação estreita com o catolicismo nos ajudaria em termos de evangelização no Brasil?

A pergunta é: no que a relação fraterna com o catolicismo nos atrapalharia em termos de evangelização no Brasil? Creio que em nada. Pois o mandamento é pregai o evangelho a toda criatura, não pescai nos aquários uns dos outros.

3.Já não nos bastaria uma carta de orientação dos bispos da igreja?
Lamentavelmente tais preocupações refletem uma visão limitada, e que poderia nos levar a questionar a autoridade dos bispos, clérigos e leigos que se reuniram no último Concílio Geral.


A carta pastoral sobre o ecumenismo é um importante documento. Infelizmente as igrejas locais e os pastores não trabalham com ela nas comunidades locais e a membresia não a conhece.

Sobre o questionar a autoridade do Concílio, eu respeitosamente discordo de ti. Não questionamos nada. Porém, como fazemos parte de uma igreja conciliar e conexional, cujas decisões máximas são tomadas de maneira democrática, através do diálogo e pela vontade da plenária do Concílio, que representa as igrejas locais em paridade de leigos e clérigos, não vemos as decisões como dogmas imutáveis, como no catolicismo romano. Nem vemos a hierarquia da igreja como algo formado por cardeais inquestionáveis. Mas sim como um dinâmico mover da igreja, de maneira democrática e representativa.

Não vemos as instâncias superiores da igreja como forças autoritárias cuja vontade se impõe sobre a maioria do rebanho. Ao contrário, os bispos tem seu poder emitido pelo povo que os elege.

Por fim, quando você diz que questionamos a autoridade dos bispos e do concílio, eu lembro que já havia uma determinação sobre o ecumenismo e uma carta pastoral sobre o ecumenismo, que foram ignoradas pela proposta que determina a retirada da IM dos órgãos ecumênicos.

Assim como a proposta anterior estava em ordem canônica para ser discutida pelo CG, nossa proposta também está em ordem.

Rev. Flavio dos Santos disse...

Boa Tarde!

Concordo com o direito de se manifestar e sei que a proposta está em ordem para ser discutida.
A questão é que a Igreja Católica na pessoa do papa já declarou que os protestantes não tem todos os elementos necessários para uma Comunhão Plena com Cristo. Sendo este o pensamento oficial da igreja de Roma,diga-se de passagem não discutida democraticamente pelos clérigos católicos, qual deveria ser nossa posição oficial?

Respeitosamente, venho declarar que a não ser que haja clareza e respeito pelos protestantes, nossa posição oficial como Igreja Metodista no Brasil deverá ser mantida.
Afinal, em nossos documentos declaramos que "somos parte da Igreja Universal do Nosso Senhor Jesus Cristo"!

keller disse...

Rev Flávio dos Santos.

Grato por manifestar tua preocupação com os rumos da igreja, entretanto, não entendemos que estamos gastando tempo com questões secundárias mas sim essencial.

É essencial que os diversos ramos da Igreja de Cristo dêem testemunho de unidade ainda que não haja uniformidade.

É essencial que façamos a obra de Deus em todo tempo e sua obra é, buscar a justiça aos pobres (muitos/as membros/as das denominações Cristãs), esforçar-se pela paz, estar sempre pronto para dar razão da nossa fé...

É essencial que a autoridade do Concílio Geral brote da participação da igreja em suas decisões e que essas sejam, conexionalmente, transmitidas em todas áreas da igreja: Nacional, Regional, Distrital e Local, de forma que haja legitimidade nos processos decisórios.

Estamos sim, manifestando nosso inconformismo com a decisão do 19ª CG. Entendemos que era é equivocada ou, caso contrário, só poderíamos entender que o Nosso Senhor Jesus não manifestou sua vontade de que nós, discipulos/as seus/suas, esforçassemos a sermos unidos no amor.

Caso o Pastor seja um dos delegados ao CG que irá reunisse em 2011, desde já convidamos-o a que cerre fileira conosco no propósito de que a decisão tida no 19ª CG seja revogada.

Kirie eleison,

Keller

Fabio Martelozzo Mendes disse...

Boa tarde rev.Flavio.

Nossa proposta não é a de "comunhão plena" com a Igreja Católica.

Mas a de que a Igreja Metodista participe dos órgãos ecumênicos de diálogo, de debate, de entendimento. Como faz no mundo inteiro, sendo inclusive fundadora dos mais diversos organismos ecumênicos no Brasil e no mundo.

keller disse...

Rev. Flávio, graça e paz!

Ainda que a posição oficial da ICAR seja a de que os protestantes não possuem todos os elementos para uma Comunhão Plena com Cristo não entendemos que a nossa comunhão plena com Cristo derive da palavra do Papa mas sim da fé que nos une a um só Senhor, Jesus, o Cristo, o qual nos reuniu num só corpo invisivel,a Igreja Universal do Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual, como Metodistas, fazemos parte!

Outrossim, na palavra do Mestre de todas as luzes, "se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinários? Não fazem isto também os pagãos?" (Mt 5, 46-47)

Ademais, em conformidade com as Boas Noticias de Jesus, o Cristo, o nosso parâmetro de justiça deve ser de grande envergadura, afinal, aos/as discipulos/as está expresso que "se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Governo de Deus" (Mt 5, 20).

Kirie eleison!

Keller

Fabio Martelozzo Mendes disse...

Publico agora um comentário enviado pelo rev.Ely Eser Barreto Cesar:

Seus comentários estão adequqdos, Fabio. Acrescento apenas uma informação contemporânea. Os diferentes corpos autônomos da Igreja Metodista Mundial se representam, no contexto do respeito à autonomia deliberativa de cada corpo que o constitui, no Conelho Mundial do Metodismo. Este Conselho se reúne a cada cinco anos, com delegação oficial de cada corpo autônomo, inclusive nossa comunidade brasileira. Por tradição wesleyana e por prática consagrada, na medida que os metodistas estão presentes, muitas vezes como líderes, de todos os movimentos ecumênicos mundiais, inclusive aqueles que determinam a fusão de algumas denominações e criação de novos corpos eclesiais que emergem deste processo de unidade, este Conselho Mundial do Metodismo opera com uma Comissão pelo Ecumenismo, entre várias outras coissões que expressam os fundamentos de nossa fé para o mundo. Este corpo internacional que representa no mundo toda a nossa tradição, se engajou, for mal mente, por meio de uma Comissão subordinada ao Comitê Ecumênico do Conselho, para diálogo com os Católicos Romanos. Neste momento, graças a leituras da realidade distorcida, nossa Igreja nacional entrou em grave dissonância com este Corpo Internacional que presta um testemunho relevante ao mundo, em todas as áreas, inclusive no diálogo entre cristãos. Um de nossos Bispos foi eleito membro do Presidium deste Conselho, na função de Vice-Presidente. Alguns metodistas brasileiros parecem crer que somos nós, os brasileiros, os legítimos guardiães da tradição wesleyana no mundo, e que todas as outras Igrejas Metodistas, inclusive a Igreja Metopdista da Inglaterra e nossa Igreja mãe, a Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos, estão em pecado.

Efetivamente estamos nos afastando da boa e saudável tradição wesleyana oficial, cuja fonte é nosso primeiro irmão, John Wesley.

Abraços,

Rev. Ely

atila 6 regial disse...

entendo ecumenismo com a igreja catolica apostolica romana como sendo um jugo desigual; é sabido que o papa bento xvi classifica a igreja catolica como unica representante de Cristo. nao podemos nos aliar a pessoas assim. e tambem seria injusto deliberar sobre um assunto que ja foi resolvido no 18 concilio.

Alanzitos disse...

É inquietante e entristecedor como deixamos de dar importância ao que a bíblia e ao que Cristo nos ensina. Um assunto que a meu ver nem precisaria de toda essa discussão, pois é clara a instrução bíblica.
A impressão que se tem é que passamos a brincar e a duvidar daquilo que a bíblia nos ensina, principalmente quando se diz a respeito da harmonia, que nós, o povo de Deus temos que viver.
Portanto, o olho não pode dizer para a mão: “Eu não preciso de você.” E a cabeça não pode dizer para os pés: “Não preciso de vocês.” (I Coríntios 12:21).
Seria hipocrisia nossa dizer que não precisamos das idéias de alguns padres católicos que tem idéias extraordinárias, assim também seria hipocrisia dos católicos dizerem isso de nós metodistas ou mesmo protestantes.
Entendo por diálogo o ouvir e adquirir aquilo que lhe está de acordo, entendo com isso que todas as partes só terão ganhado com tais diálogos.
Que possamos pensar naquilo que a bíblia nos ensina antes de discutir o que irá ou não fazer bem a nós.