sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O sétimo elemento

O sétimo elemento

No sábado dia 14/12, fui pego de surpresa com a notícia da criação da 7ª região eclesiástica na Igreja Metodista no Brasil compartilhada no facebook, no mesmo momento me indignei com a notícia e para minha surpresa, muitos outros manifestaram sua discordância. Meu intuito com esse post é justamente esclarecer o porquê eu acho essa notícia negativa. Gostaria de explicar algumas questões antes.

Você paga seu dízimo e ofertas na igreja e um percentual desses dízimos vão para sede regional se sustentar. Esse dinheiro serve para pagar infraestrutura física, funcionários, viagens, remuneração do bispo e entre outras coisas.



Eu procurei na internet informações e encontrei dificuldades para encontrar informações sobre as despesas das regiões eclesiásticas, então vou argumentar aqui sobre uma ideia que eu tenho que essas despesas representam, mas ficaria muito satisfeito se alguém me mandasse informações mais precisas, mas vamos em frente.

Considerando o custo de um bispo seria em torno de R$25.000/mês, ou seja, R$325.000/ano, incluso aí 13º, férias, água, luz, telefone, carro, gasolina, subsídio e outras despesas relacionadas somente ao ministério episcopal. Fora isso, soma-se a necessidade de uma sede regional, suas contas, 5 funcionários, encargos e etc, mais R$25.000/mês ou seja totalizamos cerca de R$650.000 reais/ano para sustentar uma sede regional. Se levarmos em conta outras despesas, chegamos facilmente em R$1 mi/ano, mas vamos considerar que seja R$650.000/ano.



Só de comprar essas novas despesas, superamos a oferta nacional missionária que em 2013 foi no valor de R$550.000, ou seja, um dinheiro que poderia está sendo gasto em missões, será utilizado somente em manter a estrutura de uma nova sede e mais um bispo. "Ah! Mas o bispo tem muito trabalho e não estava tendo condições de administrar uma região com mais de 100 mil membros". Bem, eu não tenho condições de avaliar a realidade do bispo, mas fiz uma pesquisa sobre igrejas metodistas em outros países (bem mais transparentes que os nossos) e comparei a relação bispo/nº de membros e vejam o que eu encontrei.

Coréia do Sul - 11 bispos – 1.587.385 membros – Aproximadamente 1 bispo a cada 144 mil membros - http://www.kmc.or.kr/new_eng/about/about05.html

Estados Unidos – 50 bispos – 7.725.039 membros – Aproximadamente 1 bispo a cada 154 mil membros - http://en.wikipedia.org/wiki/United_Methodist_Church

Ou seja, o número de membros não me parece uma justificativa plausível para o surgimento de uma nova região. Aliás, no site da Igreja Metodista Unida, tem o valor dos salários dos bispos que é em torno de U$120.000 anuais + a residência. Seria muito transparente da parte da Igreja Metodista do Brasil divulgar esses valores. As informações foram encontradas em http://archives.umc.org/interior.asp?ptid=21&mid=5860

Ademais, se a média de membros adotada por bispos é na faixa de 50 mil, o que aconteceria com a primeira se ela atingir a meta de 1 milhão de membros em 2014? Seriam 20 novas regiões? Importante se ressaltar que uma conferência (equivalente a região eclesiástica aqui) na Coréia do Sul tem mais de 300.000 membros.

A questão geográfica a mim tampouco parece um argumento lógico, visto que o rio de janeiro já é a menor região, o que não implica em grandes deslocamentos do bispo para gerenciar a igreja, diferentemente das regiões missionárias e todas as regiões eclesiásticas excetuando-se o Rio Grande do Sul e São Paulo.

Por fim, não vejo a menor lógica (humana e espiritual) na criação dessa região e a meu ver essa divisão (que colocam como multiplicação) da primeira região, tem muito mais um fim político do que uma “expansão missionária”. Não tive tempo e nem quis me aprofundar nas questões tais quais, números de delegados e poder de uma região isolada nas decisões nacionais da igreja, se os benefícios e salários dos bispos são compatíveis com a realidade do país e outras coisas, mas temos aí um bom campo de debate.

Entristeço-me com tudo isso e gostaria de coração que alguém que pense o contrário de mim me trouxesse argumentos válidos antes de me taxar de rebelde, ou falar com argumentos rasos como “é a vontade de Deus”, ou “isso é fruto do crescimento”. Ah e não se esqueçam de me ajudar com informações sobre as despesas das regiões, ajuda a enriquecer (somente) a discussão. ;)

Artigo escrito por Pedro Calixto, membro da Igreja Metodista em Carlos Prates-BH, 4ª Região



2 comentários:

Poló Bracher disse...

Estou estarrecido! E como é curioso perceber que a região dividida foi exatamente a região que implementou as aberrações atuais na igreja metodista. Pelo visto, terei mesmo de transferir minha membresia para a presbiteriana e abraçar a predestinação... :(

Poló Bracher disse...

Estou estarrecido! E como é curioso perceber que a região dividida foi exatamente a região que implementou essas aberrações na igreja metodista. Pelo visto, terei mesmo de transferir minha membresia para a presbiteriana e abraçar a predestinação... :(