terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mais homenagens a Victor José Ferreira

Mais homenagens a Victor José Ferreira





Faleceu Victor José Ferreira
Clóvis de Oliveira Paradela
Espalhem a notícia dentre os cidadãos do Reino: tombou um príncipe em Israel: nosso querido Victor foi promovido a glória aos 3 minutos de hoje, 25 de outubro.

Nos últimos dias o seu corpo foi morrendo, entrando em falência e sobrou o coração que insistiu em bater durante muitas horas ainda. Quem o conheceu sabe da pessoa amorosa que foi e por isso não poderia ser diferente: seu coração morreria bem depois dos demais órgãos.

Fez carreira na Rede Ferroviária Federal desde os 12 anos, quando entrou como aprendiz na escola profissionalizante em Além Paraíba. Na Rede teve uma carreira brilhante, ocupando vários postos entre Instrutor de Formação Profissional a Diretor de Recursos Humanos e Organizacionais. Após sua aposentadoria ocupou-se em trabalhos de consultoria, tendo prestado serviços a empresas públicas, privadas e do terceiro setor.

Na Igreja Metodista aceitou o convite para ser “pastor de dedicação voluntária” e, posteriormente, pastor suplente, numa época que faltavam pastores na Igreja. Depois voltou à condição de membro leigo da Igreja.

Na condição de presidente do Conselho Diretor do Bennett assumiu interinamente a Reitoria daquele Instituto Metodista nos anos 80, função que ocupou por um ano sem remuneração, acumulando com seu trabalho na Rede Ferroviária.        Na última década foi Superintendente do Cogeime e novamente Reitor do Instituto Metodista Bennett.

O Victor casou-se com Celinéia (Celi), minha irmã. Ele era pessoa extremamente amorosa, abnegada, que sabia promover a vida das pessoas à sua volta, inspirando, incentivando. Não me lembro dele falando mal de alguém ou com expressões maldosas que destroem reputações. Ao contrário, sempre destaca aspectos bons das pessoas.

Com sua generosidade ajudou a muita gente a tomar um rumo na vida, inclusive a mim em minha adolescência. Era um excelente conselheiro e como sabia nos inspirar confiança e visão de futuro.

Durante sua enfermidade nunca reclamou. Falava sempre que estava tudo bem. No dia 16 de outubro foi internado e entrou em coma pela primeira vez.  À minha esposa, Emylucy, médica que o acompanhava nestes dias, sempre dizia “o bom de tudo é que Deus está conosco”. No domingo passado após o culto da tarde fui visitá-lo e por isso fui o último a falar com ele. Após uma rápida conversa e uma oração, despedi-me dizendo “O bom de tudo...” e ele completou “é que Deus está conosco”. Estas foram as suas últimas palavras em vida.

Deus esteve com ele. Hoje seu rosto estava com expressões de tranquilidade. Ele estava bonito, com boa aparência. Deus esteve com ele e agora ele está com Deus.

Coloco aqui uma lápide de honraria a este guerreiro vencedor que “morreu de pé”, meu ídolo e herói da infância e adolescência.

“Deus o deu, Deus o tirou, louvado seja o nome do Senhor.”



Rio de Janeiro, 25/10/2012


João 4:14  “... a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”.

Estimada irmã Celinéia e familiares,

Um laço rompido, uma partida, um desfecho, é sempre um lamento, uma dor, uma tristeza dessas que nos aquietam e nos fazem parar. O final de uma história, de uma vida, é ainda mais triste, pois sugere saudade, distância, ausência. Quando, porém, a lembrança é capaz de se encontrar com a vitalidade dos bons ideais e o vigor de um trabalho bem feito, a alma se faz nova e a vida, mesmo quando finda, se renova pela eternidade, como uma fonte que jorra para sempre através da amizade que um dia se fez.

São estas as lembranças que o Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista e suas mantidas guardarão do Prof. Victor José Ferreira, companheiro desta Instituição de muitos anos como membro do Conselho Diretor e Presidente do Conselho Diretor. Sua contribuição foi ímpar, seu testemunho sinalizador do Reino de Deus e seu zelo inspirador em todos os momentos da vida institucional. Sua ausência será sentida, mas os frutos do seu trabalho permanecerão indicando a força da fé e da esperança na educação e na vida.

Piracicaba, 25 de outubro de 2012

Clovis Pinto de Castro
Diretor Geral
Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista


Piracicaba, 29 de outubro de 2012

Muitos escreveram sobre o Victor nos últimos dias

Demorei muito a encontrar esse arquivo.

Gostaria de dividi-lo com vocês. Esse era o Victor que amávamos, de quem sentimos saudades, de quem tantas boas lembranças vão permanecer.

Se alguém de
Abraço

BIA


Em 2007, em resposta a um material que recebi da Domingueira Poética referente ao Dia da Mulher, escrevi ao Victor um texto a partir do qual pretendia agradecer-lhe a gentileza e a atenção. E dizia que achava que “ele devia partilhar essa história que, não sei porque, você nunca relatou nos e-mails. Ela é tão significativa quanto o texto que você nos enviou pelo Dia da Mulher. Desculpe se vai nela um pouco de imaginação, mas é como eu senti seu significado quando a ouvi de você”. Victor respondeu dizendo que talvez a enviasse a uma mala direta mais restrita, que chamava de Mala Direta Afetiva Eletrônica, para “pessoas as quais tenho a liberdade de pedir que não me julguem cabotino”.

Para os que não a leram, acho que é uma história e uma homenagem que valem  ainda hoje.

“São Paulo da correria, das manhãs cinzas, dos mendigos que se espalham. E das pessoas que se ignoram, passando pelas esquinas que acumulam rotinas dos mesmos horários, e que nem assim fazem com que bons-dias se tornem um hábito. Nestes todos dias que levam ao trabalho, ele cruza, quase que cotidianamente, com a mendiga que fica próxima à sede da Igreja Metodista. Como tantas outras, sentada na calçada. Talvez abandonada pela sorte. Talvez abandonada por si mesma antes de ser abandonada pelos outros. Às vezes pedindo ajuda, às vezes recebendo uma moeda. São dezenas os que passam por ela, saídos do metrô que leva e traz diferentes destinos. Mas poucos a olham, pensam no sol e na chuva que torna a chuva um pouco pior, embora mais difícil seja mesmo a solidão, que se soma à fome, talvez ao medo das ruas.

Com o tempo eles se cumprimentam, dele ela passa a receber bom dia, um sorriso. Não sei se chegam a conversar. Mas há um pouco de humanidade na troca de algum aceno entre ambos.

Num 8 de março de um ou dois anos atrás, o nosso Victor passou por uma floricultura para chegar à sede da Igreja Metodista com mais uma de suas gentilezas às tantas mulheres que ali dividiam os espaços consigo. Mas entre o metrô e o edifício, estava a mendiga. E nada lhe pareceu mais natural que ela recebesse a primeira das flores.

Uma lágrima escorreu dos olhos daquela mulher. Foi mais que surpresa. Certamente foi a certeza de ainda estar viva. Talvez de sentir-se renascida. Respeitada. Olhada como gente. De repente, perceber que alguém rompera a barreira do silêncio.

Não o final da história. Nem se a mendiga permaneceu na esquina, nem se continuaram se cumprimentando. Sequer sei o que ela terá feito com aquela flor.

Mas sei que o gesto de dar aquela flor talvez seja o mais significativo que tenha visto, em muitos anos, de respeito e reconhecimento às mulheres.

É muito mais a ele do que à sua lembrança ( eu escrevia diretamente ao Victor)  de envio  de um poema que talvez devêssemos agradecer neste 8 de março.”




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DICIONÁRIO DAS PALAVRAS ERUDITAS QUE CONSTAM DO HINÁRIO EVANGÉLICO


DICIONÁRIO DAS PALAVRAS  ERUDITAS QUE CONSTAM DO HINÁRIO EVANGÉLICO



Palavras eruditas ou que caíram em desuso no costume popular tornaram-se incompreensíveis. Assim, o propósito deste trabalho é contribuir para que ao cantar e louvar ao Senhor através de cânticos consagrados e lindos, as pessoas, de qualquer nível social, possam entender perfeitamente seu significado.

As palavras constam em ordem alfabética e tem em frente o número do(s) hino(s) em que são utilizadas. Abaixo vem a descrição de seu significado através de sinônimos ou explicações colhidas principalmente do Dicionário Aurélio.

Autoria de Davi F.Barros, ex-Reitor da UMESP, da UNIMEP e do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.


ACRISOLA – 148
                - purifica.
AFÃ – 390
                - ânsia.
AGRURAS – 471
                - empecilhos, dificuldades.
ALBOR – 292
                - primeira luz do dia.
ALBORES – 412
                - primeiras luzes do dia.
ALCANTIL – 120
                - rocha escarpada.
ALEIVOSOS – 410
                - fraudes.
ALENTA-LHE – 208
                - anima-lhe.
ALENTO – 03,140,190,212,364
                - coragem, ânimo.
ALFIM – 126
                - finalmente.
ALTANEIRA – 407
                - elevada.
ALTIVO – 139,435
                - nobre.
ALVA  – 54
                - a claridade da manhã.
ALVOR – 431
                - a claridade da manhã.
AMEIAS – 04
                - detalhe decorativo das antigas muralhas.
AMIÚDE – 497
                - repetidas, constantes.
AMPLEXO - 28
                - abraço.
ANELA – 217
                - deseja ardentemente.
ANELANDO – 247
                - desejando ardentemente.
ANELOS – 495
                - desejos ardentes.
APRAZ – 102,125,235,264,337
                - agrada.
APRISCO – 64
                - casa.
APROUVER – 210
                - se lhe agradar.
ARAGEM – 457
                - brisa, vento brando.
ARAUTO – 491
                - mensageiro.
ARCHOTE – 25
                - facho de fogo para iluminar.
ARDIL – 91,495
                - armadilha.
ARGÊNTEO – 400
                - prateado.
ARIDEZ – 379,473
                - secura.
ARREBOL – 356
                - por do sol.
ARVORAI – 424
                - ostentai, alardeai.
ASSAZ – 22,238
                - bastante.
ASSOLAÇÃO – 439
                - devastação, destruição.
ÁTRIOS – 47,113,441,473
                - aposentos.
ATROZ – 33,35,63,147,171,384,413
                - desumano.
AUGUSTO – 105,194,291
                - respeitável.
AURA – 309
                - brisa, sopro.
ÁUREAS – 441
                - douradas, magníficas.
AURIFÚLGIDA – 492
                - que brilha como ouro.
AURORA – 340,486,491
                - início da vida.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Homenagem ao Victor José Ferreira - por rev.Ely Eser

Homenagem ao Victor José Ferreira - por rev.Ely Eser




Família Paradela e confessantes,

Já me comuniquei diretamente com a Celi, reagindo a seu forte e belo depoimento, entre a informação da morte e o sepultamento.

Como o Victor desfrutava nossa amizade no contexto de nossas várias comunidades, parece indispensável despedirmo-nos e homenageá-lo também em comunidade. Se esta perda parece prematura, não nos cabe arguir o tempo da vida.

Se o Victor fará falta em muitos dos setores nos quais ele atuou, a qualidade deste seu envolvimento fica como lição para aquelas e aqueles que eram companheiros e sócios destas ricas atividades. Do cinema, que ele descobrira em sua terra natal com o pai do cinema brasileiro, Humberto Mauro, tendo atuado como artista ainda adolescente em tomadas que ocorreram na cidade, à literatura e poesia, que ele cultivava dioturnamente, nas "Domingueiras Poéticas" repartidas com um enorme grupo de amigos todas as semanas, como nos saraus e encontros literários formais, muitos organizados por ele mesmo. Da experiência ferroviária, ampliada por sua condição de mineiro, enraizada na longa carreira ferroviária, que o conduziu a liderar programas de preservação ferroviária no extenso território nacional, juntando aqui artistas, poetas, músicos que cantaram o "trem", até sua competente atuação no complexo setor da educação metodista, como administrador, reitor, sonh ador, realizador.

Se a tradição religiosa wesleyana foi seu berço fundamental, tendo servido sua Igreja em múltiplos organismos e funções, inclusive a pastoral, seu coração wesleyano o levou aos horizontes acima mencionados, entre outros, com um toque marcante: punha a máxima qualidade em tudo o que empreendia. Era de conversa fácil e agradável, um irriquieto provocador de eventos os mais inesperados. Como wesleyano, foi um homem de seu tempo, atento aos múltiplos movimentos de sua época, em praticamente todos os níveis imagináveis, com um estilo, como atestado por sua esposa Celinéia como traço dominante de sua despedida, visivelmente elegante.

Ely Eser

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Falecimento do professor Victor José Ferreira

Falecimento do professor Victor José Ferreira


Com pesar, recebemos notícia do falecimento do Prof. Victor José Ferreira, que tem uma importante contribuição à educação metodista no Brasil. Dentre as várias funções que exerceu na área educacional, ele foi diretor executivo do COGEIME, Instituto Metodista de Serviços Educacionais, entidade que integra e supervisiona a Rede Metodista de Educação. Um culto de ação de graças foi marcado para as 13h do dia 25 de outubro, na Igreja Metodista situada na Pça José de Alencar s/n, Flamengo, próximo ao Largo do Machado, Rio de Janeiro. O sepultamento será no Cemitério São João Batista, em Botafogo, às 16h.




Natural de Volta Grande, Minas Gerais, o Prof. Victor nasceu em 11 de fevereiro de 1943.

Com 11 anos mudou-se para Além Paraíba e aos 14 ingressou como Aluno-Aprendiz da então Escola Profissional Ferroviária, em convênio com o SENAI. Trabalhou durante 37 anos na Rede Ferroviária Federal, como professor e gestor, em diversos setores. Também exerceu várias funções na área educacional metodista: foi membro dos Conselhos Diretores do IEP, Instituto Educacional Piracicabano (mantenedor da UNIMEP, Universidade Metodista de Piracicaba e do Colégio Piracicabano); do Instituto Metodista Granbery e do IMB – Instituto Metodista Bennett, (mantenedor do Centro Universitário e do Colégio Bennett), onde exerceu também as funções de Diretor Geral, Reitor e Diretor do Colégio. Foi também Diretor Executivo do Cogeime, Instituto Metodista de Serviços Educacionais, entidade que integra e supervisiona a Rede Metodista de Educação.



Ao longo de sua vida, dedicou-se com afinco a projetos educacionais, sociais e culturais. Liderou a criação do MPF, Movimento de Preservação Ferroviária, em 1997 e presidia a entidade, cujos objetivos são a preservação do patrimônio histórico ferroviário e a revitalização do transporte sobre trilhos no país. Publicou dois livros inspirados pelas imagens e memórias das ferrovias brasileiras: “O Trilho e a Flor” e “Estórias do Trem”.



Seus esforços foram reconhecidos em várias homenagens. Recebeu título de cidadão honorário de Além Paraíba – MG e de Miguel Pereira – RJ. Recebeu a Medalha Tiradentes, da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Medalha Mauá, do Ministério dos Transportes; Medalha do Mérito Ferroviário, da RFFSA; a Comenda Humberto Mauro, pela Prefeitura de Volta Grande. Foi agraciado, em 2007, com o título de Cidadão Solidário, concedido pelo Conare – Comitê Nacional para Refugiados e pelo ACNUR – Alto Comissariado da ONU para Refugiados.



Num breve relato como esse, talvez se possa transmitir uma noção, assumidamente despretensiosa, do que representou toda uma vida de serviço. Inútil seria descrever a admiração que o Prof. Victor despertou pelos lugares em que passou, sempre fazendo muitos/as amigos/as, graças a qualidades como gentileza, dedicação e serenidade – a mesma serenidade que demonstrou do diagnóstico de um câncer agressivo aos momentos finais da despedida. Sua família, também grande e carinhosa, abriu uma página no Facebook especialmente para publicações das notícias e das dezenas de palavras de conforto. Compartilhamos uma dessas postagens: uma poesia de autoria do próprio Prof. Victor, relembrada por sua família:



PAZ
(Victor José Ferreira)

Eu sinto paz, Senhor,
a cada vez que contemplo

a harmonia do universo que criaste.

Sinto-a na infinitude do céu estrelado,
na solidão da mais distante galáxia,
no permanente refluir das ondas
de um mar que não parece ter fim.

Eu sinto paz, Senhor,
no olhar terno da criança,
na mulher que embala o filho,
no velho que sonha com o passado,
na esperança recriada em cada vida jovem.

Mas eu te peço, Senhor,
que a tua paz se revele a mim.
Não apenas no universo que me rodeia.

Eu a quero, Senhor,
na intimidade da minha alma,
ocupando-me todo o coração.

E que esta paz, Senhor,
extravasando de mim,
envolva a todos que me cercam,
fazendo do nosso convívio,
aqui e agora,
uma antevisão do teu reino.


O rev.Sérgio Marcus Lopes escreveu o seguinte poema em homenagem ao prof.Victor:

ETERNO FERROVIÁRIO!

Para Celinéia – em especial! – e para todos os Ferreira e Paradela que tiveram o privilégio de conviver com o Victor!

Caro Victor, grande amigo,
Em viagem para o Além!
Nesta super-ferrovia
Vai em frente, vai de trem!

Tua estrada é bem segura,
Não há nada que temer.
Os seus trilhos são bem firmes
Nada pode te deter.

Seus dormentes são bem postos
Neles podes confiar.
Vê? Não há qualquer perigo
Deste trem descarrilar.

Já cruzaste muitas pontes,
Muitos túneis, meu irmão.
Já chegaste em segurança
A esta última estação.

Todo o tempo o Maquinista
Foi tocando este teu trem,
Com cuidado, conduzindo,
Te levou ao Sumo Bem.

Cá ficamos teus amigos
De saudades a chorar.
Mas espera, pois um dia
Vamos todos te encontrar!...

(com muito, muito carinho, Sérgio Marcus)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eric Hobsbawm e os Metodistas Ingleses


Eric Hobsbawm e os Metodistas Ingleses



Morreu no dia 1º/10/2012, aos 95 anos de idade, o historiador Eric Hobsbawm. Em breve artigo, o pesquisador Lyndon de Araújo Santos, doutor em História e pastor da Igreja Congregacional, mencionou como Hobsbawm reconheceu a importância dos metodistas, como vanguarda e núcleo indutor dos movimentos de trabalhadores na Inglaterra do final do século XVIII, os quais resultaram em conquistas fundamentais para a humanidade, conquistas essas que até hoje formam parte do legado da democracia e dos direitos humanos. Transcrevo o que registrou o pr. Lyndon Santos, (irmão do professor Lincoln Santos, do Instituto Metodista Bennett):

A atual geração de historiadores brasileiros foi profundamente marcada pelos escritos de Hobsbawm. Lembro que li em 1989, no primeiro ano da licenciatura em História, um dos capítulos do livro “Rebeldes primitivos” onde discorreu sobre os movimentos de protestos sociais ligados às igrejas metodistas e aos avivamentos wesleyanos de fins do século 18. Segundo sua visão, o movimento operário organizado no século seguinte surgiu desde as mobilizações políticas e sociais daqueles cristãos. No entanto, este processo sofreu uma secularização “necessária” para a formação da consciência de classe oprimida. 

Esta história serve de advertência profética aos que estão impondo um regime de alienação para a Igreja Metodista no Brasil, bem como de negação da santidade bíblica, nos moldes como a viveram os primeiros metodistas. Essa era a igreja dos tempos de John Wesley, uma igreja promotora dos movimentos sociais. 

Timidamente, tentamos imitá-la, quando missionários norte-americanos, simpatizantes da teologia do Evangelho Social criaram o Instituto Central do Povo, no Rio de Janeiro. Posteriormente, saímos na vanguarda dos evangélicos brasileiros, com a nossa versão do Credo Social. Nos anos de 1980, com muita dificuldade, face aos bolsões de reacionários, foi produzido e aprovado o Plano de Vida e Missão da Igreja. 

Depois desses marcos gloriosos da nossa marca metodista, que nos ligavam à identidade wesleyana, vieram sucessivos retrocessos, até chegar à negação do que éramos, devido à neopentecostalização da Igreja, atualmente em curso. 

Ignorar nossa história não será uma aventura impune. Os resultados virão: a promoção de falsas espiritualidades, a instalação de simulacros em lugar do evangelho, a derrocada, o fracasso, o fim. Desejo, sinceramente, que todos reflitamos, enquanto é tempo, e nos arrependamos, com obras dignas de arrependimento.

Quem foi Eric Hobsbawm: Considerado um dos historiadores atuais mais importantes, Hobsbawm, além de velho militante de esquerda, utilizou-se do método marxista para a análise da História, sempre a partir do princípio da luta de classes. Foi membro da Academia Britânica e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi professor de História no Birkbeck College (Universidade de Londres) e foi professor da New School for Social Research de Nova Iorque.     http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Hobsbawm

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Justiça anula Ato Complementar 02/2002

Justiça anula Ato Complementar 02/2002

Na sexta-feira passada, dia 28/09/2012, foi publicado no site institucional da Igreja Metodista ( http://www.metodista.org.br ) a seguinte notícia:

Em atendimento a sentença proferida nos autos de processo judicial movido por Paulo Ferreira da Silva contra a Associação da Igreja Metodista, em trâmite perante a 4ª Vara Cível do Foro Regional do Jabaquara, Comarca de São Paulo, que determinou a anulação do Ato Complementar nº 02/2002 do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, segue, na íntegra, a referida decisão.

ACESSE O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA AQUI!

O Ato Complementar 02/2002 dizia que qualquer Metodista que movesse ação judicial contra a Igreja Metodista perderia o direito a ser eleito em qualquer cargo da hierarquia eclesial e caso ocupasse algum cargo perderia o direito ao mandato. A justiça considerou abusivo tal ato pois ele não pode se sobrepujar à Constituição Federal que garante amplo direito de acesso à justiça a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros/as.

Este mesmo Ato Complementar foi utilizado como justificativa para manter clérigos sem nomeação por longos períodos, impedindo o exercício da vocação ( http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/inquisicao-moderna.html ).

Todavia, o que chama a atenção é o seguinte:


  • A data da sentença é 05 de fevereiro de 2004. Por que somente em 28 de setembro de 2012 ela foi publicada?
  • Por que a notícia também não foi publicada no Expositor Cristão de setembro e de outubro, muito embora a Sede Nacional tivesse conhecimento da sentença desde 2004?
  • A notícia não está na página inicial do site institucional ( http://www.metodista.org.br ) e nem no índice de notícias ( http://www.metodista.org.br/allnews.xhtml ). Para acessá-la é preciso digitar "ato complementar" no campo de busca do site institucional. Qual o motivo da Sede Nacional deixar a notícia publicada nos servidores da Igreja mas impedir que a membresia tenha acesso a ela?
  • Por fim, a justiça da Igreja Metodista excede a justiça dos escribas e fariseus?

Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus. (Mateus 5.10)




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Luz e Direção para o Caminho - Estudos Bíblicos

Luz e Direção para o Caminho - Estudos Bíblicos




Disponibilizamos aos metodistas brasileiros este material editado pela Agentes da Missão, editora da 5ª Região, responsável pela implantação do programa Dons e Ministérios. 

Se a Bíblia é nossa única regra de fé e prática o estudo bíblico deve acompanhar cada passo que damos em missão. O que isso quer dizer? O nosso ministério pessoal e em grupo não consiste apenas em nossas ações de amor fora do templo. Como ministros em missão somos enviados pelo Cristo, o Filho do Deus Missionário. A fonte de nosso ministério é, assim, Deus e sua Palavra.

Nãos erá normal ficarmos ocupados com o nosso serviço missionário que deixemos passar várias semanas sem estudos bíblicos. Não podemos ser missionários de nós mesmos. Por outro lado, a Bíblia é nossa regra de prática. Não será normal fazermos dois estudos bíblicos seguidos sem nenhuma prática missionária de permeio. 

Aqui são apresentados uma série de três roteiros de estudos bíblicos para cada grupo de ministério. Os dois primeiros servem como treinamento prático para acumular experiência. O terceiro deve servir de subsídio  inicial para a ação integrada de todos os ministérios da igreja local em uma única ação missionária concreta, um ponto missionário de bairro.

Download aqui (Parte 1 - capítulos 1 a 4).

Download aqui (Parte 2 - capítulos 5 a 8).

Download aqui (Parte 3 - capítulos 9 a 13).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Metodistas de Belém EXCLUÍDOS sem Comunicação! E agora José?


Metodistas de Belém EXCLUÍDOS sem Comunicação! E agora José?


Começo com Carlos Drummond de Andrade: 

JOSÉ 

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?

É assim que me vejo... É assim que marcho. Pra onde? Não sei. Mas quem sabe, persistindo.

Só pra começar, eu gostaria de pintar quadros expressivos de quem se sente orgulhoso de fazer parte de um “time” engajado com a vida e com as pessoas, todavia, infelizmente, minhas palavras mais uma vez possuem o gosto amargo do absinto. Sinto muito, mas outra vez narrarei minha inquietação quanto a um episódio ocorrido.

Acontece que no dia 13 de setembro de 2012, depois de ter encaminhado um e-mail, seguido por diversos telefonemas, consegui falar com o distinto pastor metodista da cidade de Belém do Pará. E descobri que os membros que estão sob meus cuidados desde novembro de 2010 até o dia de hoje, foram sumariamente EXCLUÍDOS. E aí me sobreveio duas perguntas: Por que meu Deus? E agora José? As pessoas excluídas são minhas (meus) irmãs(ãos) em Cristo. Mais do que isso, são pessoas queridas que aprendi a amar e respeitar profundamente. É um grupo pequeno de gente que pensa a vida e a missão da igreja pelo Plano para a Vida e Missão e que está engajada até o tampo da cabeça com a caridade social e o espírito ecumênico – elementos essencialmente protestantes!

Ora, eu havia acolhido meus(minhas) irmãos(ãs) em novembro de 2010 na igreja metodista Bela Aurora – Juiz de Fora/MG, em um culto marcado pela emoção e pela presença de Deus. Posteriormente, fui denunciado, acusado de ter ferido a ética pastoral por não ter comunicado ao distinto pastor sob a transferência, que por sinal, havia sido pedida por livre e espontânea vontade pelos irmãos de Belém que, por sua vez, não estavam à vontade com as práticas eclesiais desenvolvidas. Então, fui condenado à admoestação episcopal na presença dos superintendentes distritais da IV região e fui obrigado a cancelar o ato pastoral, desfazendo o registro realizado. O rol da igreja metodista Bela Aurora ficou bonito e colorido, com vistosas cores vermelhas, para deixar ainda evidente minha indignação quanto à condenação.

Resolvi acatar a decisão e decidi também não levar a questão adiante para a Comissão Geral de Justiça da igreja metodista, pois recebi um e-mail do saudoso bispo da REMA, dizendo que a situação SERIA TRATADA DE FORMA PASTORAL. Pelo visto, foi mesmo. Eis a inauguração de um novo modelo de pastoreio, marcado pela ação da guilhotina. E diante do narrado, pergunto perplexo, cá com meus botões: POR QUE MEU DEUS? E AGORA JOSÉ?
Denunciar? Jamais! Apesar de estar ciente do fato de que vários itens canônicos foram feridos no ato de AMPUTAÇÃO dos MEMBROS, não vou fazê-lo. Não vou entrar nesse jogo onde os homens se anulam, tornando-se meninos acuados pela lei. Ainda almejo o diálogo franco, honesto e aberto onde os homens aparecem e os meninos voltam às suas brincadeiras.

Entretanto, provoco meus irmãos e irmãs: ESTA HISTÓRIA VAI FICAR ASSIM? Tudo bem, não espero nenhum “happy end”, comum aos filmes americanos, mas não fico a vontade com o fato de que gente querida é tratada como bicho, mercadoria descartável ou pior que isso.
Alguns me indagam: o que você tem a ver com a igreja em Belém? E eu digo: TUDO E ALGO MAIS. Exaltarei a minha voz onde se fizer presente a injustiça, se me for permitido, pois toda e qualquer forma de injustiça com as pessoas que possuem experiências distintas com Deus é um escândalo para os que são desafiados pela Palavra a serem um. Nessa linha, segundo o bispo norte-americano Robert Schnase, os cinco propósitos para uma Igreja frutífera são: 1. Hospitalidade radical; 2. Adoração apaixonada; 3. Desenvolvimento intencional da fé em Cristo; 4. Ação social com ênfase na justiça; 5. Generosidade extravagante. Ora, todas essas expressões que poderiam se desdobrar em múltiplas reflexões são, na verdade, elementos fundamentais para a percepção do que vem a ser o metodismo. Aliás, segundo o próprio Schnase, as igrejas metodistas deveriam ser avaliadas por esses cinco propósitos, o que de fato acho coerente. Particularmente, seria interessante se realmente as igrejas, melhor dizendo, as estruturas das igrejas pudessem passar pelo crivo dos cinco propósitos, serem questionadas e avaliadas quanto aos cruciais valores que determinam a saúde espiritual de uma comunidade de fé.

Acho inclusive, que toda a igreja metodista brasileira, a começar pela cúpula, deveria se submeter a essa autoavaliação. Digo isso, pois se uma igreja ou liderança responder positivamente aos cinco propósitos, certamente estará cumprindo o mandamento do Senhor de “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, fazendo diferença nesta sociedade individualista e sectária na qual estamos inseridos. Mas a história é outra...

Confesso não saber o que fazer, além de soltar meu grito insano a plenos pulmões e dizer como Gonzaguinha: “É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não está com a bunda exposta na janela pra passar mão nela... É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito. A gente quer viver uma nação. A gente quer é ser um cidadão. A gente quer viver uma nação..."

Algo precisa acontecer. Sim, precisa. Que aconteça, pelo amor de Deus!

Texto publicado originalmente em In Ludere:

Para acompanhar o caso de Belém:

O Retorno do Santo Ofício ao Pará:  

O caso Belém e a carta solicitando ação pastoral ao revmo.Bispo Adolfo: http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/o-caso-belem-e-carta-solicitando-acao.html


ENCONTRO METODISTA CONFESSANTE 27 e 28 /11 /2010 - IGREJA METODISTA EM BELA AURORA / JF - MG: 


Travessia, Travessa e Travessuras - uma crônica sobre o primeiro culto oficial da "nova" comunidade em Belém do Pará: 


Metodistas que sofrem perseguição são acolhidos:



Queixa contra atuação pastoral do revmo.Adolfo foi ignorada pelo Colégio Episcopal:

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Manual Missionário do Povo Metodista

Manual Missionário do Povo Metodista
9 estudos para reavaliação



Após a implantação do programa Dons e Ministérios, engajando todo o povo da Igreja Metodista na Missão de Deus, nos moldes do Plano para a Vida e Missão da Igreja, fez-se necessário a elaboração de estudos que levassem a comunidade local a reavaliar sua prática missionária. O processo de análise, reflexão, oração e avaliação é sempre necessário para que a igreja caminhe de acordo com sua vocação metodista e wesleyana.

O estudo anterior (Manual de Estudos para o Plano para a Vida e Missão) deve ser aplicado na igreja no momento de implantação do programa Dons e Ministérios, que pressupõe o envolvimento total da igreja local na Missão. É recomendado que este estudo seja empregado antes, caso a igreja não caminhe de maneira missionária e alinhada aos pressupostos do PVMI.

Caso a igreja esteja na caminhada missionária a mais tempo, o presente estudo (Manual Missionário do Povo Metodista) é uma ferramenta importantíssima para reavaliar e realinhar a Igreja na Missão de Deus no mundo.

Dowload aqui.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Igreja Metodista emite Carta Pastoral sobre as eleições 2012


Igreja Metodista emite Carta Pastoral sobre as eleições 2012



http://www.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=11865

Acesse no link acima a Carta Pastoral do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre as Eleições Municipais e o Guia de Estudos.

Nas eleições anteriores em 2010 o Colégio Episcopal da Igreja Metodista também emitiu uma Carta Pastoral sobre as Eleições. Todavia, houveram inúmeros exemplos de descumprimento dos termos da Carta Pastoral e mesmo do Código de Ética Pastoral por parte de pastores e bispos da Igreja Metodista. Mesmo tendo sido avisados, os bispos da Igreja Metodista não tomaram nenhuma atitude em relação aos descumprimentos, que incluiu o uso indevido da Cruz e Chama, marca registrada institucional da Igreja Metodista, que foi utilizada por candidatos a cargos eletivos, como pode ser visto nos links abaixo:

http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/09/as-eleicoes-de-2010-e-os-bispos.html 


http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2010/10/as-eleicoes-de-2010-e-os-bispos.html