quinta-feira, 14 de julho de 2011

Culto ecumênico e apresentação para crianças - Comunidade em Belém.

Culto ecumênico e apresentação para crianças - Comunidade em Belém.


No fim de semana do dia 25 e 26/06/2011 o rev.Moisés Abdon Coppe esteve presente em Belém para prestar assistência pastoral à comunidade que foi recebida na Igreja Metodista em Bela Aurora.


No sábado, dia 25/06/2011, houve uma apresentação com bonecos pela manhã e à noite foi realizado um Culto Ecumênico com Celebração da Ceia do Senhor, com presença da Comunidade de Belém, além da participação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil com a revda.Sibele e revda.Marga, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil com o rev.Marcos e o revmo.Saulo, da Igreja Presbiteriana Independente com o rev.Cláudio, do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs, da Igreja Católica Romana e do Movimento dos Focolare.


Liturgia do Culto Ecumênico. Clique na imagem e baixe.



Fotos da apresentação dos bonecos e do culto ecumênico.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Brasil: Nunca Mais! Mas ainda Não

Brasil: Nunca Mais!
Mas ainda Não

A repatriação de documentos do período da ditadura militar, vindos de Genebra, foi celebrada no dia 14 de junho de 2011 num ato público dos mais belos e comoventes. O acervo Brasil: Nunca Mais, guardado a sete chaves pelo Conselho Mundial de Igrejas, lançará luz sobre o período de exceção dos direitos humanos, onde todas as formas de violência sobre a vida humana eram usadas sem piedade pelos “auto-intitulados” defensores da pátria brasileira.

Dentre as inimagináveis formas de tortura, a violência sexual, de homens e mulheres, muitas vezes acontecia diante de cônjuges e filhos de prisioneiros; uma verdadeira destituição da humanidade, tantos dos algozes como das vítimas.

Não se questiona o fato de que a repatriação desses documentos traz um mínimo de justiça para a memória dos mortos, seus familiares e um conforto indescritível de dever comprido para tantas pessoas que sobreviveram e ainda continuam atuantes na defesa dos direitos humanos.

Caberia à nação brasileira e seus governantes uma homenagem mais contumaz a esses heróis e heroínas: eliminando toda forma de tortura na sociedade brasileira.

Não obstante, os governantes desse Brasil, absolutamente livres dos algozes da ditadura militar, vergonhosamente entregam-se para outros tipos de algozes: O poder, o dinheiro e o conforto. E por isso, fecham os olhos para a tortura sistemática que ocorre nas prisões de todo o País.  

E nem é preciso estatísticas para elucidar esse triste fato. É sabido e notório que violentadores de mulheres e crianças são julgados por parceiros de cárcere, em cenas com estupro coletivo e que parte da população aplaude esse tipo de “justiça”.  Isso, sem contar as torturas proferidas por agentes policiais, que via de regra, são pagos para garantir que haja tratamento justo para todo ser humano.

Do outro lado das celas fétidas e super lotadas, estão juízes, desembargadores, governadores de Estado; etc... Ou seja, existe todo um aparato para tortura nas prisões desse Brasil “supostamente”, zeloso dos direitos humanos. Maior hipocrisia que essa? Somente a propagada nos porões ditadura militar.

Segundo o Instituto Brasil Verdade, entre 1997 e 2009, foram registrados 211 casos de tortura em prisões brasileiras. Evidentemente, esses dados não ilustram completamente a realidade dos presídios superlotados onde as condições de vida e higiene estão aquém do que seria aceito até para animais. Segundo o Instituto Brasil Verdade “Apesar de o Brasil ter ratificado diversos tratados e convenções de combate à tortura, a prática ainda continua sendo recorrente no país.”

Todas as denúncias sobre torturas no Brasil entre pessoas que vivem em cárcere encontram fôlego no relatório da Organização das Nações Unidas – ONU de 2006.

Dito isso, fica o alerta: Vivemos tempos de Brasil: Nunca mais; mais ainda não! Pois enquanto houver tortura em solo brasileiro, só resta  a nós brasileiros/as o papel de cúmplices ou agentes de transformação.

De que lado você está? Pense! Faça todo possível para que Nunca Mais, haja tortura no Brasil.
___________
Para aprofundar leia:
http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6015&Itemid=99

Maria Newnum 

sábado, 9 de julho de 2011

Se excluírem meus(minhas) irmãos(ãs), terão que me excluir também!

Se excluírem meus(minhas) irmãos(ãs), terão que me excluir também!
 

Por Moisés Coppe. 












Desde que assumi o desafio de acompanhar os irmãos e irmãs de Belém do Pará tive a impressão de estar numa empreitada evangélica cuja tônica seria, tão somente, a da evidenciação dos valores que acredito e prego. Ao contrário do que muitos colegas disseram, não entrei nessa sem saber o que realmente estava acontecendo. Eu entrei, sabendo de fato, sobre cada minúcia. Um mote me perseguiu naquele momento de decisão: “tua luta é minha luta; teu problema é o meu problema; tua vitória é minha vitória; tua derrota é a minha derrota”. É claro que gostaria de ficar com as três dimensões anteriores. Entretanto, quero afirmar que a derrota ou exclusão de membros da igreja metodista de Belém se desenha estranhamente. Entretanto, expresso com veemência tácita: se excluírem meus irmãos e minhas irmãs, terão que me excluir também.

Ora, é muito fácil acusar os membros de uma igreja de rebeldes. É muito fácil provocar o abuso espiritual sobre gente que faz parte da nossa recente história metodista em terras brasileiras. Digo que isso tem um nome: covardia!


Li em blogs e ouvi muitos comentários absurdos de gente que não se conscientizou do que é e do que faz. Fiquei enojado com o grau de maniqueísmo presente em pessoas que existem tão somente para amarem a Deus e ao próximo como a si. O que li e ouvi foram distúrbios mesquinhos marcados pela lógica do exclusivismo religioso, típico de uma arena romana. Realmente, a estrutura da igreja metodista está mais próxima do papismo do que da reforma protestante.


Se por um acaso, um lampejo de sensatez chamar alguns à ordem, descobrir-se-á que toda e qualquer hierarquia foi destruída pela certeza de que Deus está em todos os lugares, pois que é vento que sopra onde quer, não só na igreja metodista ou nas chamadas evangélicas, mas onde deseja. Se Deus quer atuar aqui ou acolá, o problema é d´Ele, não nosso. E sabemos bem que Deus está agindo no mundo sem a nossa pretensa santidade.


Eu mesmo tenho visto Deus agir de formas inusitadas. E sempre foi assim. Pedro teve que comer coisas que ele não queria porque Deus purificou. Mas muitos santos atuais não querem, sequer, considerar a visão. Mesmo que Deus diga que a coisa é boa, eles a rejeitarão usando, inclusive, o nome daquele que foi acusado de maioral dos demônios.


É triste perceber pastores se manifestando de forma agressiva e boçal sem o mínimo de critério e sem conhecimento de causa. Mas eu sei que a verdade vem à tona, cedo ou tarde. Ela vem. Sim, vem. Espero que venha...


Assim, absorto em um turbilhão de comentários maliciosos, clamo aulicamente por justiça. O sofrimento pode ser até aceito e assimilado, mas o sofrimento provocado por líderes religiosos tem que ser extirpado urgentemente. Por isso, o sofrimento dos meus irmãos e das minhas irmãs de Belém do Pará, tanto para a comunidade Nova Aurora ou para os que comungam na central, provocado por pessoas que existem para abençoar, somente abençoar, não pode ser por mim aceito. Persigo aqui uma lógica existente na cultura mineira: “Se mexer com a minha família, mexe comigo”. Mexendo com eles, mexem comigo. Se eles(as) forem excluídos(as), que me excluam também. A mesma coragem que líderes possuem para decidir a vida dos leigos precisa ser demonstrada a pastores, na mesma moeda, na mesma medida.
Diriam os práticos, diante dessa minha argumentação: “se não está satisfeito, cai fora”. Com prazer o faria se não existissem tantas boas pessoas metodistas nesse Brasil de meu Deus. Não fico por causa de questão subsidiária, tampouco por segurança econômica. Por graça de Deus não sou como alguns que dependem da igreja para sobreviver. Eu sei de muitos que estão representando papéis para permanecerem em suas posições, mas o coração está muito longe daquilo que dizem ou pregam.


O que acontece com estes(as) quando colocam a cabeça no travesseiro? Duvido que haja sossego a não ser que a vida pastoral se configure no campo da indiferença.


Não quero criar contendas, mas não vou abrir mão de pensar diferente. Podem me chamar de rebelde, de feiticeiro, de aproveitador, de fazer politicagem, mas não me acusarão de duas caras. Pelo menos, falo o que penso e me exponho, doa a quem doer. Vou expor meus pontos de vistas e dou direito a todos(as) exporem os seus. Só não vitimem as pessoas em nome de uma pretensa santidade maniqueísta e exclusivista. Acho que o pastorado deve ser sempre o símbolo da unidade entre as contradições. Ter uma postura e uma convicção é fundamental para a nossa ética de convicção, mas não podemos abandonar a nossa ética de responsabilidade para com os outros.


Enfim, em todo esse processo somente me importei com algumas pessoas e aprendi a amá-las. Poderiam ser pessoas de qualquer outro lugar. Belém é uma terra esquecida pela igreja metodista. O que existe lá é muito pouco. Aliás, um diálogo amigável e respeitoso entre as partes poderia resolver o problema. Isso é muito possível desde que as pessoas não sejam obrigadas a concordar com todas as coisas, afinal de contas, a liberdade é um valor incomensurável para a vida cristã.


Que fique evidente o fato de que a mesma coragem para exclusão de membros leigos seja também praticada aos membros clérigos. Acho que isso é, no mínimo, agir com integridade.


Publicado originalmente em In Ludere. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tribuna Metodista 7

Tribuna Metodista nº 7




Já está disponível para ser baixada a Tribuna Metodista nº 7, editada pelo irmão João Wesley Dornellas.


Baixe aqui.

Baixe aqui os números anteriores. 


Quem quiser receber a Tribuna diretamente, pode mandar um e-mail para o editor, wesley@alternex.com.br

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ingrata Surpresa?

INGRATA SURPRESA?

Kyrie eleison!





Paulo Ayres Mattos

Bispo Emérito da Igreja Metodista

Nashville, Julho de 2011



Deve estar sendo uma ingrata surpresa para muitos membros da Igreja Metodista, particularmente para membros da delegação clériga e leiga ao próximo Concílio Geral da denominação, receber os dados estatísticos nacionais da Igreja Metodista no Brasil referentes ao qüinqüênio 2006-2010. Será que serão motivo para acaloradas discussões durante a reunião máxima do metodismo brasileiro que dentro de poucos dias estará tendo seu início em Brasília? Sei não!

Por que ingrata? Porque após as decisões de Aracruz se esperava ver um “boom” no crescimento numérico da Igreja Metodista em todo o território brasileiro já que um dos principais argumentos usados para a desafiliação da Igreja Metodista de órgãos ecumênicos nos quais a Igreja Católica Apostólica Romana participava, e ainda participa, foi que nossa associação com aquela Igreja irmã dificultava o crescimento numérico do metodismo brasileiro. Fora de tais organizações, o metodismo brasileiro ia “arrebentar a boca do balão”. Nas entrelinhas de Aracruz esta era uma promessa (ou profetada?) que acabou não se cumprindo.

Dizia-se esperar por tal “boom” porque agora desvencilhados de laços tão constrangedores já não teríamos mais que andar a explicar a todo o momento nossos relacionamentos com gente apóstata e assim evitar a perda de membros para denominações irmãs que nos antagonizavam por nossa associação esdrúxula com a representante do Anti-Cristo na terra e, mais ainda, conseguir muitos novos adeptos para o metodismo brasileiro entre os próprios aderentes do catolicismo. O argumento principal que subjazia à estratégia dos adversários do ecumenismo institucional que incluísse os católicos romanos era que o crescimento numérico experimentado por denominações irmãs, especialmente as pentecostais como as Assembléias de Deus, devia-se entre outras coisas ao seu explícito e declarado anticatolicismo.

Os defensores da proposta de rompimento de nossas relações eclesiásticas com o catolicismo romano tiveram como sua pedra angular a negação de qualquer eclesialidade da Igreja Católica Apostólica Romana, com delegados brandindo no plenário de Aracruz as páginas das Notas Explicativas do Novo Testamento de Wesley onde nos comentários de textos do Apocalipse nosso pai espiritual faz referências não muito elogiosas àquela Igreja irmã, em que pese outras referências mais fraternas em sua Carta a um Católico Romano em que o fundador do movimento metodista reconhece certas marcas eclesiais daquela Igreja. A nossa associação com a Igreja Católica em organismos como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) se constituía para os antiecumênicos num antitestemunho evangélico que facilitava em nosso meio metodista, por um lado, o proselitismo de nossas co-irmãs evangélicas que pescavam novos membros em nossas próprias águas. Por outro, demonstrava uma nossa falta de identidade evangélica que redundava numa complacência teológica diante de práticas católicas tais como a salvação pelas obras, o culto às imagens, a veneração da Virgem Maria e a concepção petrina do papado romano, o que acabava, assim se dizia, por nos imobilizar em nossa prática evangelística já que praticamente nada mais nos diferenciava dos católicos romanos. Afastados, pois, da associação réproba com os católicos romanos agora estaríamos, entre outras coisas, livres da concorrência pedratória das denominações irmãs mais conservadoras, para então crescermos numericamente na mesma proporção delas, mais particularmente de nossas co-irmãs pentecostais.

Ledo engano! Não é isto que as estatísticas agora publicadas estão a revelar. Quero, antes de tudo, deixar claro que não estou deslegitimando a experiência de conversão ao Evangelho dos novos convertidos em nossas comunidades metodistas espalhadas por esse nosso vasto Brasil. Louvo ao nosso Deus por tais conversões. Até porque algumas dessas pessoas recém-convertidas estão em minha classe de escola dominical em nossa Igreja em Rudge Ramos, onde atualmente me congrego na companhia de minha esposa. Reconheço que Deus continua usando muitas de nossas igrejas locais como lugar de acolhimento e bênção para muitas pessoas que jaziam no vale da sombra da morte, independentemente de nossa ortodoxia ou não, pois quem salva, transforma e liberta é Deus por sua maravilhosa graça e não a nossa “sã” doutrina. Gente cuja vida foi radicalmente transformada e liberta pelo poder do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos ser gratos a Deus pelo mover do seu Espírito no ministério de muitas de nossas igrejas locais onde podemos ver o testemunho vibrante de tais pessoas.

Mas não é sobre isto que estou falando. É sobre coisa muito diferente.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Resposta da solicitação ao presidente do 19º Concílio Geral

Resposta da solicitação ao presidente do 19º Concílio Geral

Na última quinta-feira, 30 de junho, a Rede Metodista Confessante reuniu-se com o revmo.Stanley da Silva Moraes, secretário executivo do Colégio Episcopal e solicitou ao revmo.João Carlos Lopes, bispo presidente do 19º Concílio Geral, sua autorização para distribuição de dois documentos elaborados pela Rede Metodista Confessante aos conciliares e participantes do 19º Concílio Geral.

Hoje, dia 04 de julho, o revmo.Stanley comunicou a resposta do revmo.João Carlos.

Nós Metodistas Confessantes agradecemos ao revmo.Stanley e ao revmo.João Carlos por sua atitude democrática em relação ao Manifesto a respeito do ecumenismo. Todavia, respeitosamente discordamos da avaliação do presidente do 19º Concílio Geral a respeito do teor da Carta Aberta. Reconhecemos que a Carta Aberta contém teor crítico e severo a respeito da caminhada missionária da Igreja Metodista, mas rejeitamos a afirmação de que ela contenha "inverdades". Cremos que a carta é fruto da reflexão de irmãos e irmãs que amam a Igreja Metodista e que ela tem forte teor autocrítico, mas aponta caminhos e alternativas para que a Igreja Metodista caminhe buscando reformar a nação e a igreja e a buscar o caminho da santidade pessoal, social e bíblica.

Convidamos a todos e todas a conhecerem o teor dos documentos que os Metodistas Confessantes redigiram aos conciliares da Igreja Metodista.

http://metodistaconfessante.blogspot.com/2010/07/manifesto-ao-19-concilio-geral-da.html

http://metodistaconfessante.blogspot.com/2011/05/carta-aberta-aos-conciliares-e.html 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Solicitação ao presidente do 19º Concílio Geral

Solicitação ao presidente do 19º Concílio Geral 

A Rede Metodista Confessante solicita respeitosamente ao presidente do 19º Concílio Geral, bispo João Carlos Lopes, a autorização para distribuição do Manifesto ao 19º Concílio Geral, a respeito do ecumenismo e a Carta Aberta aos conciliares e participantes do 19º Concílio Geral, com preocupações sobre a caminhada missionária da igreja.

Aguardamos a resposta do revmo.João Carlos em tempo viável, dentro do espírito de liberdade de expressão tão difundido ultimamente nas igrejas evangélicas.



Baixe aqui os documentos:

http://metodistaconfessante.blogspot.com/2010/07/manifesto-ao-19-concilio-geral-da.html

http://metodistaconfessante.blogspot.com/2011/05/carta-aberta-aos-conciliares-e.html

quinta-feira, 30 de junho de 2011

18º Concílio Geral - A Mudança que não houve

Este ensaio foi escrito cerca de uma semana após o término do 18º Concílio Geral em Aracruz. Ainda não havia sido realizada a segunda fase do Concílio, em Rudge Ramos, nas dependências da UMESP. Na época, como atualmente, havia uma grande manipulação da opinião pública da igreja a respeito de temas que deveriam ser tratados pastoralmente, mas eram explorados politicamente. Isto criou um clima de efervescência, de euforia e de histeria em setores da igreja, gerando verdadeiras tempestades em copo d'água a respeito da questão do ecumenismo e da maçonaria, que foram explorados por grupos interessados em ocupar espaços nas administrações regionais e nacional.


O texto foi originalmente publicado em 27 de julho de 2006 no blog Metodistas & Ecumênicos. Está sendo republicado sem revisão, para servir de alerta a respeito do 19º Concílio Geral, cujo clamor por "mudanças" também está mobilizando as bases metodistas sem os devidos cuidados pastorais, mais uma vez podendo ser utilizado para fins políticos e eleitorais.

O final do 19º Concílio Geral, a ser realizado na Igreja Metodista da Asa Sul nos dirá se o texto continua atual e se a história se repetirá como tragédia ou como farsa. 


Concílio Geral - a mudança que não houve

Por: Fábio Martelozzo Mendes

Entra no elevador. O ascensorista pergunta: “Qual andar?” O sujeito responde: “Tanto faz, já estou no prédio errado mesmo.”

Campanha eleitoral. Todos os candidatos falam em mudança, inclusive o candidato que representava o governo de então. Mudança de rumos da política econômica, mudança do ritmo de crescimento econômico, mudança na relação entre Planalto e Congresso, mudança de prioridades governamentais, com maior ênfase no bem estar social e menor ênfase no aspecto financeiro e institucional. Falava-se muito, mas o que vemos hoje nos dá a real noção da possibilidade de mudanças: nenhuma.

Como mudar a relação Planalto-Congresso sem mudar as regras políticas, a representatividade dos Estados, sem mudar a possibilidade de governança e o papel do congresso e do presidente num regime presidencialista? Como mudar a política de juros e a relação com as instituições financeiras sem mudar a dependência da economia ao capital especulativo e com todas as candidaturas financiadas pelos bancos?

A “ilusão da mudança”, agora explorada inclusive por partidos que até então faziam parte da base governista, também foi explorada neste 18o Concílio Geral da Igreja Metodista.

Nos últimos anos, através dos meios de comunicação extra-oficiais, de emails, encontros de grupos societários, evangelísticos e avivalistas, a mudança de rumos da Igreja Metodista foi o mais alardeado evento a acontecer no Concílio Geral.

Mudanças! Grandes mudanças! A Igreja Metodista iria deixar seus quase cento e cinqüenta anos de estagnação e se tornar uma igreja amante do evangelismo, lançando-se na pesca de almas com vigor jamais visto! A Faculdade de Teologia iria deixar de ser um centro de liberalismo teológico, agnosticismo e socialismo e passaria a ser uma fábrica de profetas, de onde o jovem empolgado sairia um verdadeiro apóstolo, pescador de almas, zeloso de suas ovelhas, ao invés de um cético que lança dúvidas sobre seu próprio rebanho! Os bispos e sds deixariam de ser os meros politiqueiros que passam quatro anos apenas costurando a base de apoio para sua própria reeleição tornando-se, sim, verdadeiros pastores de pastores, nutrizes do ardor missionário de seus colegas presbíteros, que agiriam a partir de então com renovado vigor e cuidado por seu rebanho!

Podemos esperar isso da nossa Igreja Metodista após o Concílio Geral de 2006?

Eu creio que não.

Creio que não, não porque os bispos eleitos careçam de carisma episcopal, não porque os presbíteros não se esforcem para cumprir suas funções, não porque os leigos não se empenhem no crescimento da Igreja Metodista. Creio, sim, que as mudanças não acontecerão principalmente porque não houve vontade política para que qualquer mudança relevante acontecesse. E isso pode ser atribuído tanto aos atuais detentores das funções episcopais, das secretarias nacionais, aos coordenadores de áreas, aos integrantes dos grupos de trabalho, às instituições ‑ quanto aos postulantes a esses mesmos cargos e que agora, em parte a eles ascendem.

Se quisermos mudanças de rumos, em primeiro lugar, precisamos saber qual Igreja Metodista queremos, quais os objetivos a serem atingidos, qual a eclesiologia da Igreja Metodista, como será a relação da Igreja Metodista frente aos novos movimentos religiosos, quais os parâmetros litúrgicos, teológicos e doutrinários da Igreja Metodista, quais os limites da diversidade sem risco de perdermos a identidade denominacional. Se quisermos bispos que sejam pastores e não burocratas eclesiásticos, precisamos determinar qual o papel do bispo, qual o papel da COGEAM, quais os limites de atuação do Colégio Episcopal e da COGEAM. Se quisermos mudar a formação ministerial e a gestão da educação teológica da nossa igreja, precisamos saber qual o modelo de formação ministerial e de educação teológica que precisamos para atingir nossos objetivos pastorais e missionários.

Mas outra vez a ordem de discussão foi equivocada. Ao invés de definirmos os parâmetros e então elegermos bispos cônscios de seus papéis, toda a discussão girou primordialmente em torno dos nomes e uma verdadeira batalha política foi travada para ver qual partido abocanharia mais cargos.

O grupo que se apropriou do slogan da mudança articulou em torno de seus nomes uma rede de apoio e batalhou pela sua eleição. O grupo que atualmente ocupa as funções diretivas da igreja articulou uma base de votos para manter suas funções e também partiu para a luta. E ambos os grupos se lançaram à caça dos votos muitas vezes, inclusive, em franco desrespeito à vontade dos Concílios Regionais que os elegeram e a despeito da vontade das bancadas regionais que representam. Ao fim e ao cabo, os grupos que advogavam pela mudança e tanto criticavam a postura política e burocrática dos detentores das funções diretiva, articularam-se usando os mesmos recursos que até então repudiavam. Mudam-se os nomes, mantém se os métodos. Alguma semelhança com 2002?

Após terem garantido as “boquinhas”, a grande luta se travará em torno de questões secundárias ou supérfluas. Ecumenismo. Se a Igreja Metodista sair do CONIC e do CLAI haverá alguma grande mudança de atuação evangelística e missionária da igreja? Ou será que o clero e laicato metodistas continuarão a ter a mesma atuação e postura frente à Igreja Católica Romana, quer favorável, quer contrária? Se a Igreja Metodista tomar uma postura mais dura em relação à maçonaria, será que aquela meia dúzia de pastores maçons e uma dúzia de leigos maçons deixarão de ser maçons? Será que isso é a grande mudança que foi alardeada nos espaços pré-conciliares?

Para sermos justos não podemos deixar de louvar decisões tomadas no Concílio Geral. Por exemplo, a criação do curso de pós-graduação em música sacra, a criação de um departamento nacional de música e artes e a mudança de status dos Campos Missionários da Amazônia para Região Missionária da Amazônia, com vistas a estimular a missão integral da igreja.

Mas não podemos deixar de lamentar os fatos que geraram o apelo da bispa Marisa Coutinho, pedindo apoio integral para a REMNE, conclamando a Igreja Metodista a adotar de forma enfática a obra missionária no Nordeste e no Norte do Brasil. O congelamento das cotas orçamentárias para a REMNE mais uma vez mostra que a expansão missionária no Norte e Nordeste brasileiro ainda não é prioridade para a Igreja Metodista, como já havia detectado o bispo Paulo Mattos em artigo escrito ao “Mosaico – Apoio Pastoral”. Não por acaso foi o bispo Paulo Mattos o primeiro bispo da REMNE.

Na verdade, a grande chance de mudança da Igreja Metodista se dará na área administrativa. Existe a real possibilidade de operarmos numa estrutura mais “enxuta”, menos onerosa e, conseqüentemente, de termos mais recursos destinados à missão. Mas é muito pouco isso, não?

Afinal, tanto se falou e tanta expectativa se criou em torno de uma mudança radical e positiva na vida da igreja. Tanto se articulou com nomes clérigos e leigos de diversas regiões eclesiásticas em torno de um compromisso pela eleição de oito “bispos pastores”, não ligados às teologias da libertação, ao academicismo liberalizante, à burocracia institucional ou ao ecumenismo com a Igreja Católica Romana.

Tanto se falou do resgate de um metodismo mais wesleyano, da adoção de práticas eclesiásticas mais afinadas com nossas raízes e tradições.

O irônico nisso tudo é que o grupo que advogava esse resgate wesleyano é apoiado por igrejas, pastores e delegados que, quando não responsáveis em omissão pelo abandono de práticas litúrgicas ligadas à nossa tradição metodista e protestante, como o batismo infantil e por aspersão, são responsáveis em comissão pela introdução de práticas litúrgicas estranhas à nossa tradição wesleyana, tais como grupos celulares G-12, atos proféticos e outras novidades neopentecostalistas.

O que tivemos, enfim? Pouco, muito pouco além da luta pelas “boquinhas”.

Esqueceram-se os conciliares que o bispo é um pastor de toda a igreja, não o representante de uma corrente teológica ou de um estilo litúrgico que visa a romper com os anos de estagnação. Mais uma vez teremos fortalecida, na nossa Igreja, a visão de que a conexionalidade não passa de uma ilusão, teremos fortalecida a postura de que o que vale é a vida da igreja local, praticando um congregacionalismo branco, a despeito da vontade ou da orientação e, por vezes, sequer da existência do bispo.

Se queríamos mudança, deveríamos ter trabalhado e lutado por atingi-la, não reduzindo este 18o Concílio Geral da Igreja Metodista a mais uma briga pelas “boquinhas”.

Resolvidas as “boquinhas”, bem... aí, tanto faz, já estamos no prédio errado mesmo.

Que Deus proteja os integrantes do Colégio Episcopal dos mesmos procedimentos que foram utilizados para garanti-los como membros do colégio episcopal.

Fábio Martelozzo Mendes
3a Região Eclesiástica

http://metodistaecumenico.blogspot.com/2006/07/conclio-geral-mudana-que-no-houve.html 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Carta dos membros da Igreja Metodista em Bela Aurora para o revmo.bispo Roberto Alves de Souza e para o rev.Luiz Carlos Rampinelli

Carta dos membros da Igreja Metodista em Bela Aurora para o revmo.bispo Roberto Alves de Souza e para o rev.Luiz Carlos Rampinelli  

Juiz de Fora, 19 de dezembro de 2010.

Revmo. Bispo Roberto Alves de Souza

Bispo Presidente da IV Região Eclesiástica da Igreja Metodista no Brasil

Rev. Luiz Carlos Rampinelli

Superintendente Distrital da Serra da Mantiqueira e sul de Minas

E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência,

à ciência o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade,

 à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor. ...

... E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; II Pedro 1 vs 5,6,7 e 19

Queridos Bispo Roberto e Rev. Luiz Carlos.

Que a Paz de Deus e sua infinita Graça anteceda em seus corações esta carta coletiva que a nós, Povo Metodista que se congrega na Igreja Metodista de Bela Aurora, pareceu bem escrever e encaminhar.

Certamente que muitas coisas têm sido faladas a respeito do que aconteceu recentemente em nossa igreja local.

O autor da carta aos Hebreus nos inspira a dizer que nós, “que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1)

Com efeito, somos testemunhas de que o nosso Deus agiu e continua agindo no meio de seu povo. Por isso desejamos, por nós mesmos, testemunhar que Deus estava presente conosco no ato de acolhimento, pela Igreja Metodista de Bela Aurora, dos 17 irmãos/irmãs metodistas da cidade de Belém do Pará. Não apenas testemunhamos como participamos ativamente de todo o processo de relacionamento e integração com os queridos irmãos/ãs, metodistas ativos/as e desejosos/as de continuar a professar e expandir em sua cidade a missão de evangelizar, na condição de membros do corpo de Cristo e da Igreja Metodista. Por isso rogamos-lhes que estejam atentos ao nosso relato, pedindo a Deus que complete em seus corações, e no das demais autoridades e membros de nossa amada Igreja Metodista, o testemunho que queremos dar.

Como já se sabe, alguns membros da Igreja Metodista em Belém pediram suas transferências para a Igreja Metodista de Bela Aurora. Um momento de integração e acolhimento foi cuidadosa e amorosamente planejado. Solicitamos doações para custear a viagem de alguns irmãos de Belém do Pará até Juiz de Fora. Os oito irmãos que puderam vir também estavam representando os que ficaram.

Rev. Moisés Abdom Coope, como diligente pastor que é, levantou-se às 3:30 da manhã do dia 27 de novembro e foi ao Rio de Janeiro buscar suas novas ovelhas. Na chegada a Juiz de Fora, Rev. Moisés reuniu-se com o grupo, saudando-os com carinho. Fez a leitura de Mateus 5:1-10, que narra serem bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça. Rev. Moisés declarou ter a consciência de estar sendo criticado por alguns por essa decisão de recebê-los como membros de Bela Aurora, porém destacou a sua tranqüilidade em fazê-lo já que o seu maior compromisso nessa sua fase da vida era o de manter-se fiel ao Evangelho e àquilo em que cria.

Os irmãos/ãs de Belém se apresentaram, e deram testemunhos de sua fé. Foi um momento extraordinário e emocionante. Todos declararam o seu amor por Cristo e sua Igreja, bem como o grande amor que sentem pela Igreja Metodista. Eles fizeram uma longa, cansativa e dispendiosa viagem, simplesmente porque queriam continuar fazendo parte do Povo Chamado Metodista.

E nos relataram os motivos que os trouxeram até nós em busca de acolhimento. O grupo informou ainda que, devido aos empecilhos que estavam enfrentando para se reunir em sua igreja local, optaram por fazer os cultos nos lares uns dos outros, mas que se sentiam como ovelhas sem pastor. Muitos/as de nós, que já havíamos passado por situações semelhantes e fomos prontamente acolhidos pelo pastor e pela Igreja de Bela Aurora, sentimos no coração o desejo ardente de estar ao lado do Rev. Moisés na acolhida amorosa e generosa desse grupo; e esse foi o sentimento de toda a igreja que já tem essa característica de ter acrescentada à fé, a virtude da fraternidade.

A reunião com o Rev. Moisés teve que ser interrompida em razão do avançado da hora, pois os irmãos que vieram de Belém deveriam se dirigir para as casas onde ficariam hospedados, para almoçar e tentar descansar um pouco. Mas, para os irmãos de Bela Aurora que acompanharam este primeiro encontro, ficou a certeza de que esses nossos irmãos metodistas de Belém precisam ser ouvidos. Eles demonstram ter a graça, os dons e os frutos que caracterizam os verdadeiros cristãos.

À tarde, depois de um estudo participativo ministrado pelo Professor Doutor Zwinglio Mota Dias, tivemos um debate em que estiveram presentes metodistas de outras localidades do país, pastores e membros da Igreja. Os trabalhos foram encerrados com uma deliciosa confraternização regada a pizzas, nas dependências da igreja.

É difícil traduzir em palavras o quão gratificantes foram os momentos que vivenciamos como povo de Deus nesses dois dias de pura comunhão e celebração. Como outrora, dividimos nossas casas, nossas camas, nossas refeições,nosso amor fraterno.

No domingo, dia 28, tivemos no culto matutino a presença do coral da Igreja com belos hinos; o pastor Moisés Coppe dirigiu e o pastor Adahyr Cruz trouxe a mensagem: “texto bíblico de Mt.5:13-16 -  “ Vós sois o sal da terra e luz do mundo...”. Outros pastores presentes: Rev. Messias, Rev. Plínio, Rev. Trevenzoli. Destacamos aqui as palavras de saudação do Rev. Adahyr: Vivemos um tempo histórico de muitos sinais de fraternidade e compromissos cristãos.  Aqui em Bela Aurora, desde ontem, realizamos um encontro que o Espírito Santo inspirou para o testemunho do amor entre os irmãos que verdadeiramente se amam. Saudamos em Cristo os irmãos/(ãs) que vieram de Belém, para renovarem aqui suas esperanças de continuarem, como comunidade de fé, dentro de nossas tradições metodistas. Saudamos todos os irmãos (ãs) da Igreja de Bela Aurora e a seu pastor Moisés, pela festa de acolhimento à Congregação de Belém. No amor de Cristo não há espaço para exclusão e separação, ninguém fica de fora porque a missão que é de Deus inclui a todos.

Após a mensagem, o Rev. Moisés chamou à frente e formalmente apresentou os novos membros belenenses da Igreja Metodista de Bela Aurora. Cada um dos outros nove, que não puderam vir foi representado por irmãos/ãs visitantes e da nossa comunidade de fé. Nesse instante foi feita uma conexão, via internet (Skype), através da ação de uma turma de jovens da Igreja de Bela Aurora, passando o pastor a falar também com o pessoal que ficou em Belém, sendo cada um deles apresentado, pelo telão, à igreja em Juiz de Fora, inclusive Dona Gertrudes, mãe da Fátima, fundadora do trabalho metodista em Belém.

O pastor Moisés se dispôs, com o nosso aval, a acompanhar mensalmente a estruturação do novo ponto missionário em Belém e nós nos comprometemos a manter um estreito relacionamento com nossos irmãos, quer através dos meios eletrônicos, quer acompanhando o pastor Moisés quando possível. O culto foi encerrado, havendo ainda a apresentação de um vídeo pelo grupo de Belém mostrando a culinária, as belezas e riquezas daquela terra.

Toda a igreja participou de um churrasco de confraternização em mais uma oportunidade de estreitamento de laços. Depois de um passeio para reconhecimento da cidade e um breve descanso, nos reunimos novamente para louvar e agradecer a Deus a oportunidade que tivemos de encarnar o evangelho, de podermos, sustentados por Ele, estar atentos à palavra profética, e tal como uma candeia iluminar até que desponte a aurora.

Ainda no culto vespertino, pudemos repartir o pão e o vinho na celebração da Santa Ceia. Foi emocionante a partida de nossos irmãos/ãs e visitantes ao som de “Uma Bênção Antiga”, entoada pelo coral. Como pastor atento a suas ovelhas, o Rev. Moisés Coppe acompanhou o grupo até o aeroporto Tom Jobim na Van do nosso irmão Mazinho, que esteve o tempo todo à disposição dos irmãos.

E é porque temos sido pastoreados/as com amor e acolhimento pelo pastor Moisés, que o mesmo sentimento tem existido da parte de cada irmão/ã para com o outro/a. Assim, com o mesmo sentimento acolhemos junto com o pastor Moisés nossos irmãos/ãs belenenses. Expressamos aqui o nosso testemunho do que vimos, ouvimos e vivemos para a glória de Deus. A Ele todo o poder.

Testemunho de alguns irmão/ãs que estiveram conosco nesses dias:

Pela manhã, tivemos um culto belíssimo, com o coral cantando “Maravilhosa Graça” e outros hinos. Foi lindo ver a congregação cantar: "Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor..."Voltamos para o Rio com o tempo arrochado para os irmãos não perderem o vôo. Dentro da Van, em cada banco, uma lembrancinha do Encontro dada pelo pessoal de Bela Aurora.Também colocaram na Van um lanche delicioso, de um pão quentinho recheado com queijo e presunto, super gostoso, com refrigerante. Nos deliciamos, especialmente o Pastor Moisés, que comia com a alegria de uma criança. (Cibele Paradela)

É quando desponta a aurora que o choro de uma noite se transforma em risos. Eu, que também sou “da alva”, pude ser testemunha da luz que em “Bela Aurora” brilhou nesse fim de semana. Em comunhão com nossos irmãos de Belém, no primeiro domingo do Advento, tendo Moisés como nosso pastor, e homens, mulheres, jovens e crianças, metodistas de boa vontade, a anunciar as boas novas da esperança, da fé e do amor concretizadas no acolhimento. ACOLHIMENTO! Foi essa a palavra de ordem do evento. Como outrora, os irmãos foram recebidos nas nossas casas. Corações aquecidos pelo relacionamento, pela comunhão, pelo riso franco, pelo compartilhar das emoções, lágrimas, tristezas e alegrias. Abnegação de alguns, comparecimento de todos, pizzas no fim de noite. O corpo pedindo descanso e a alma aflita querendo que o tempo andasse devagarzinho. “Carpe diem”. Na “bela aurora” do domingo, soou uma melodia que nos trouxe à memória tempos de irmandade metodista convicta “Vigiar e Orar embora o céu sereno pareça um dia calmo anunciar...”(Dalva Dianim Berzoini)

O culto da manhã dominical foi um primor. E até significando inclusão, cheio de emoção, lá estava Reverendo Adahyr cantando no coral de Bela Aurora. Foi vibrante o cântico tanto do coral, quanto da congregação, nos hinos e no louvor. “Nas estrelas vejo sua mão...” com pessoas de todas as idades e identidades cantando com igual entusiasmo. Reverendo Adahyr, tanto cansado como emocionado, com sua mensagem incisiva, verdadeira, ao mesmo tempo denunciando o pecado e, como um pastor, conduzindo as ovelhas, carregando todos nós no colo. Nós precisamos disto. Gostei de ver Reverendo Plínio, jovem valor, por lá. A liturgia foi dividida com os irmãos presentes. Ester, de Belém, acendeu simbolicamente, com os irmãos de Belém, a primeira vela do Advento. Eu estou orgulhoso de ter incluído meu irmão, Carlos, de Monte Castelo, que foi abraçado e acolhido por todo o Grupo. Ele é o início da nossa caminhada num abraço às pessoas mais simples, que não têm o computador como ferramenta habitual.(Isaías Laval)

Bela Aurora foi, seguramente, palco de um evento digno do nome! A motivação foi crescente de sábado à noite de domingo! Além da simpatia e dinamismo do grupo de Belém, contamos com o reforço ativo de Cléber e Cibele, Isaias e Carlos Laval, Cetrulo e Regina, Jessé e Marcos, jaider e Nádia, Adahyr, entre outros! Se não fosse metodista neste final de semana teria me tornado um dos! (Messias Valverde).

Amados Bispo e Superintendente Distrital, este é um testemunho verdadeiro e fiel, que desejamos repartir com vocês, nossos irmãos, investidos de autoridade dispensada por Deus, para a realização de Sua obra e para o bem da Igreja. E, quando Deus permitir, queremos, de viva voz, lhes dar testemunho de tudo o que “temos ouvido, vivido, aprendido e visto”.

Que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, nosso Pai, esteja com os amados irmãos, acompanhando-os nos seus respectivos ministérios. Essa é a nossa oração. Seguem assinaturas:

sábado, 25 de junho de 2011

Sobre a obscuridade da Igreja Evangélica Brasileira

Sobre a obscuridade da Igreja Evangélica Brasileira.


 
Não sou de escrever sobre a Igreja. Não por covardia ou omissão, mas por achar que precisamos olhar mais para o mundo do que para dentro. Um sintoma de nossa doença está em ficarmos olhando exclusivamente para dentro, discutindo estruturas, pensando de forma mesquinha em como somos bonitos e estamos crescendo.

Prefiro estudar a Bíblia e falar e pensar sobre os problemas do mundo, os mesmos pelos quais o Evangelho foi pregado por um galileu – Jesus Filho de José - da pequena aldeia de Nazaré, situada a 6 km de uma antiga capital, Séforis, que fez missão de forma obstinada e que, muito mais pelo amor que demonstrou do que pelas curas e milagres que fez, foi reconhecido como o Messias, Filho de Davi, o Salvador, o Príncipe da Paz, o Filho de Deus. Mas pregar sobre ele dessa forma não dá ibope, é pregação fraca; evidenciar o amor é coisa de frouxo, num mundo de espertos. Mesmo assim prefiro falar e pensar sobre os problemas do mundo à luz do Evangelho de Jesus o Cristo.

O problema é que passei os últimos dias lendo e ouvindo palavras arrebatadoras de pastores de alma, e quando olho ao redor, o uivo que ouço dos lobos vestidos de cordeiros e as fanfarronices dos ladrões e salteadores me incomodam bastante. Por isso tenho que falar.

É assim que a Igreja Evangélica está crescendo no Brasil, como uma turba desenfreada, insana, um restolho do bom senso que não aceita o diferente, que alimenta o ódio e desrespeita a todos, menos aos líderes, esses sacrossantos seres que deixaram de ser pastores para se tornarem gerentes, com títulos que vão de Pastor a Paiapóstolo. São pessoas levadas pela ganância sórdida, sem nenhuma boa vontade (1 Pd 5.2). Como Jeremias profetizou – no sentido correto do termo, em que uma pessoa analisa criticamente, à luz da vontade divina, a realidade que a cerca, e não como adivinhação ou determinação de vontade própria – contra os pastores (Jr 23) que dispersam as ovelhas, não cuidando delas. Na verdade, ele diz que tais pastores se tornaram estúpidos (Jr 10.21). Também o profeta Ezequiel afirmou: “profetiza contra os pastores de Israel”.

Questionar essa liderança é rebeldia; pensar é deixar o diabo agir; discordar é estar endemoninhado. Mas vejam, quanta ironia: não são esses os antiecumênicos, que chamam a Igreja de Roma de Anticristo, Babilônia e tantas coisas mais? Como a chamam assim, se eles agem da mesma forma que acusam-na de agir? Agem como se o ministério pastoral fosse sacerdócio sacramental; ignoram a presença leiga na Igreja, por considerar massa de manobra e apenas para suprir as “necessidades” financeiras da Igreja; admitem e incentivam as crendices mais insanas, sob o pretexto de que a libertação precisa de um processo – não no sentido de uma elaboração, de uma reflexão, mas da repetição e da forçosa presença em sete semanas de unção, sem o quê o nome de Jesus – O NOME DE JESUS! – não terá efeito. Falam em salvação pela fé, mas impõem sobre os crentes cargas pesadas de ativismo religioso, condição básica para serem salvas.

Até quando, Senhor, subsistirão tais criaturas? Sei que tenho falhas, mas a mais hedionda de todas é se fazer de superior, trazer para si a glória que pertence somente a Deus, e deixar de lado o serviço, o amor ao próximo – não é amor ao crente, por favor!!! -, a humildade. Temo que estamos gerando o Anticristo, pelo fato de alimentarmos uma atmosfera tão doentia e insalubre – foi uma atmosfera parecida que permitiu a ascensão de Hitler, na Alemanha; as conseqüências ainda estão presentes hoje.

Essa Igreja Evangélica Brasileira é suis generis: usa a tecnologia da comunicação moderna, mas pensa e age como a Igreja medieval, que acusa de ter saído da direção divina. Não sei se esse texto muda alguma coisa, mas sem dúvida o desabafo me faz bem. Na verdade fiquei pensando se devia ou não lançar esse texto, mas depois escutei a voz do bom senso: se ninguém clamar, as pedras clamarão. E para quem acha que não falei do Metodismo Brasileiro, eu digo: ele não sai de minha cabeça. E infelizmente, acho que já foi contaminado por essa praga que infestou o Brasil.

Graça e Paz. A quem quiser receber.
Marcelo Carneiro - pastor